Capítulo 112
Com um estrondo, o som do punho batendo forte na mesa fez o homem que estava atrás se sobressaltar, e seus olhos vacilaram involuntariamente. Sem dar a mínima para a reação do subordinado, o homem que batera na mesa rangeu os dentes e lançou um olhar feroz para o homem sentado à sua frente.
— Que diabos você pensa que está fazendo?
Incapaz de conter a raiva, sua respiração ficou pesada. Na verdade, o que ele queria era desferir um soco no belo rosto do homem à sua frente, mas em vez disso bateu mais uma vez na pobre mesa, cuspindo as palavras com aspereza:
— Estava praticamente tudo resolvido! Estávamos prestes a capturar aquele desgraçado e interrogá-lo, tudo já estava preparado! Bastava esperar mais um dia — não, meio dia! — então por que foi atrás dele? E ainda por cima o matou, ali, na hora… ficou louco? Você também perdeu a cabeça por causa dos feromônios, como o seu pai?
— C-chefe…
O subordinado atrás dele, pálido, tentou alertá-lo às pressas. O chefe também percebeu que tinha passado dos limites, mas não sentiu vontade alguma de se desculpar. Afinal, aquele cara de pau tinha arruinado um caso no qual ele se dedicara por mais de três anos. Para alguém da elite, que provavelmente viveria bem independentemente de como aquilo terminasse, devia mesmo não importar. Quanto mais pensava, mais sua raiva crescia, e ele voltou a descarregar sua fúria:
— Qual é o motivo para ter feito isso? Foi sua intenção desde o começo? Queria estragar tudo no final e rir da nossa cara, era isso? Porra, fala alguma coisa!
— Chefe, se acalme! Chefe!
Enquanto o subordinado tentava conter o homem com todas as forças, Nathaniel Miller, que até então não dissera uma única palavra, finalmente abriu a boca.
— …Jin.
— O quê?
— O chefe da investigação, que até então estava exaltado, parou seus movimentos enquanto puxava o ar com dificuldade. O subordinado também se virou com um olhar surpreso. Já Nathaniel Miller, ainda com o rosto inexpressivo, falou calmamente, como se toda aquela confusão diante dele não tivesse absolutamente nada a ver com ele.
— Chame o promotor Chrissy Jin. Quero falar com ele.
— Hã…
O Chefe, sem palavras, apenas soltou um suspiro incrédulo. Nathaniel acrescentou com indiferença:
— O depoimento eu dou depois.
E então Nathaniel voltou a se calar.
< Nathaniel Miller, assassino! >
A manchete era impactante. Dentro do carro em movimento, enquanto passava os olhos rapidamente pela notícia, o rosto de Chrissy foi ficando cada vez mais pálido.
< Nathaniel Miller, representante do escritório de advocacia Miller, assassinou Dennis Jin. A vítima foi atingida por 17 disparos e morreu no local. O próprio Nathaniel Miller ligou para o 911 e foi preso ali mesmo.
Dennis Jin, de 68 anos, era uma figura bem vista na comunidade, conhecido por cuidar de crianças e participar ativamente de trabalhos voluntários. Sua esposa desmaiou ao receber a notícia, e a comunidade local está em choque com o fato de uma figura pública ter ido até um cidadão comum para assassiná-lo… >
Ele não conseguiu continuar lendo e apertou os olhos com força.
O que diabos está acontecendo?
Era impossível entender a situação. Todas as matérias eram cheias de especulações vazias, sem nada concreto. Não havia uma única informação realmente útil.
A menos que seja ele mesmo… ninguém vai poder explicar.
Quando Chrissy chegou às pressas ao escritório, o Promotor Chefe falou rapidamente:
— Vá encontrar Nathaniel Miller agora. Ele está se recusando a dizer qualquer coisa a não ser que seja você.
O que está acontecendo…?
Ele já tinha repetido essa pergunta várias vezes, mas, como sempre, não havia resposta. Ninguém além de Nathaniel Miller podia responder aquilo. E era exatamente para onde Chrissy estava indo agora. Para um lugar que não combinava nem um pouco com ele.
Ao abrir a porta da sala de interrogatório e entrar, Chrissy prendeu a respiração sem perceber. Nathaniel Miller estava sentado ali, sozinho. Ele, que sempre estivera naquele lugar como advogado, agora estava ali como suspeito. Algemado, com as costas eretas.
— Promotor.
Ele o cumprimentou primeiro, enquanto Chrissy permanecia parado com a porta aberta. Havia um leve traço de sorriso em seus olhos longos e semicerrados.
Ainda sem conseguir sentir qualquer senso de realidade, Chrissy fechou a porta. Caminhou lentamente até a cadeira à frente de Nathaniel e se sentou, mas a sensação de estranhamento continuava.
Quando finalmente abriu a boca, o som da própria voz pareceu despertar parte de sua mente. Só então conseguiu aceitar, com dificuldade, que aquele homem diante dele era real. E, no mesmo instante, a pergunta que vinha girando dentro de sua cabeça esse tempo todo escapou:
— Que diabos é isso… o que aconteceu?
A voz saiu pesada, como se estivesse sendo esmagada. Nathaniel não respondeu de imediato. Apenas o encarou em silêncio. Depois de alguns segundos, quando Chrissy já ia pressioná-lo novamente, ele finalmente falou:
— Nos últimos anos, o FBI conduziu uma operação para prender os criminosos que produziam pornografia infantil.
A mudança repentina de assunto fez Chrissy piscar, confuso. Nathaniel continuou, no mesmo tom calmo:
— Foi feito um pedido de cooperação ao meu pai, e eu acabei assumindo esse papel. Como você sabe, ele entrou para a política, então… digamos que não era fácil para ele agir diretamente.
Só então Chrissy entendeu o que ele queria dizer.
— Então você está dizendo que estava infiltrado?
— Algo assim.
Depois disso, Nathaniel se calou. Mas Chrissy ainda não conseguia aceitar. Aquilo não fazia sentido.
E o que isso tem a ver com o que aconteceu agora?
A pergunta ficou no ar.
Então Nathaniel falou, em voz baixa:
— O filho da lua.
Chrissy hesitou por um instante.
Nathaniel continuou:
— Descobri a identidade do Filho da Lua e fui até lá o mais rápido possível. Na verdade, o FBI planejava capturá-lo vivo… mas eu não queria isso.
O mais rápido possível.
Nessas palavras estava oculto o significado de ‘depois de levar Chrissy em segurança para casa’. Ao organizar mentalmente a sequência dos acontecimentos, o rosto de Chrissy foi ficando cada vez mais pálido.
Não me diga… a identidade do Filho da Lua…
Nathaniel não disse nada. Mas o leve sorriso que surgiu em seus lábios foi suficiente para que Chrissy entendesse a resposta.
Isso não pode ser…
Chrissy pensou, atônito. Aquilo era absurdo. Será que ele já sabia? Foi por isso que matou meu pai adotivo? E ainda daquele jeito tão absurdo? Não fazia sentido algum. Qualquer pessoa diria isso se pensasse racionalmente. Por quê Nathaniel Miller faria algo assim? Não tinha absolutamente nada a ver com ele.
E ainda assim, o que estava diante de seus olhos era a realidade. E a razão daquele homem ter cometido tal ato também já estava clara. Por mais inacreditável que fosse.
— Por quê…
Chrissy mal conseguiu mover os lábios.
— Por que você fez isso? Podia simplesmente ter deixado pra lá. O FBI iria prender aquele filho da puta de qualquer forma. Por que você foi até lá e o matou?
Mesmo falando, ainda não conseguia acreditar.
O que eu estou dizendo? Ele não tem motivo nenhum pra isso. Que tipo de absurdo eu estou imaginando?
— Pois é…
Nathaniel respondeu no mesmo tom arrastado de sempre, esboçando um sorriso amargo.
— Eu não queria ouvir aquele desgraçado mencionar o nome Hope no tribunal.
Só então Chrissy entendeu. O motivo decisivo pelo qual ele o matou…
Depoimento.
— Nessa situação, era impossível esconder que Chrissy Jin era seu filho adotivo — e também uma vítima.
Se chegasse a julgamento, inevitavelmente Chrissy seria envolvido. Como ele era como pai adotivo, como aqueles vídeos foram gravados, por qual processo ele passou até sofrer aqueles abusos… Tudo seria exposto, cada detalhe do passado seria revirado. Talvez até aqueles vídeos horríveis fossem exibidos no tribunal, diante de todos.
Sem dúvida, a mãe adotiva certamente imploraria, em lágrimas, para Chrissy dar um depoimento favorável àquele homem, e no processo, Chrissy ficaria completamente destruído. Nathaniel sabia disso muito bem, por já ter visto inúmeras vezes como esses julgamentos aconteciam.
— …Por quê.
Com dificuldade, Chrissy conseguiu falar.
— Por que você foi tão longe? Você não tinha motivo algum para fazer isso por mim.
Mesmo em meio ao turbilhão, sua voz embargou. Por alguma razão, seus olhos arderam, e ele piscou apressadamente, soltando o ar. Então, o homem, que até então permanecia em silêncio, finalmente falou:
— Pois é… eu também me perguntei isso várias vezes, mas não sei.
Depois de uma resposta desaminada, ele fez uma breve pausa e soltou um pequeno riso, encarando Chrissy.
— Será que isso… é o que chamam de amor?
°
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Continua…