Capítulo 111
A casa situada em um subúrbio tranquilo estava envolta, à primeira vista, por uma atmosfera pacífica. O jardim bem cuidado, claramente mantido com dedicação ao longo do tempo, e as decorações de abóbora penduradas na porta da garagem em preparação para o Halloween que se aproximava, indicavam que o dono da casa tinha um perfil bastante doméstico e atencioso.
Sim, era uma residência comum, daquelas que se veem em qualquer lugar, típica de uma família de classe média.
Estacionando o carro em frente, Nathaniel Miller desceu lentamente, sem desviar o olhar da casa nem por um instante.
No silêncio do bairro residencial, o toque de um celular ecoou. Ao atender, ouviu do outro lado uma voz ainda sonolenta.
— …Onde você está?
Diante da pergunta de Chrissy, Nathaniel respondeu com um leve sorriso:
— Saí para resolver uma coisa rápida. Volte a dormir.
Chrissy soltou um pequeno suspiro e murmurou:
— Você me deixa nesse estado e ainda sai por aí como se nada tivesse acontecido… tá bom.
— Chrissy.
Quando ele estava prestes a desligar, Nathaniel o chamou. Ainda mantendo o olhar fixo na casa, continuou:
— …Quando eu voltar, tenho algo para te dizer.
Por um momento, Chrissy não respondeu. Após uma breve pausa, sua voz veio, carregada de curiosidade:
— Então é melhor voltar logo. Eu não tenho muita paciência.
Nathaniel sorriu diante daquilo.
— Nesse caso, vou ter que me apressar.
Depois que Chrissy desligou, Nathaniel conferiu o número marcado no chão à sua frente e voltou a olhar para a casa.
Aquele homem estava ali dentro.
Filho da Lua.
E…
Mesmo depois de parar diante da porta de entrada, ainda levou alguns segundos até apertar a campainha. Um som prolongado e um tanto vazio ecoou do interior. Quando tirou o dedo, o toque que havia soado por um tempo cessou gradualmente. Uma voz veio logo em seguida.
— Quem é?
Diante da voz áspera do homem, Nathaniel finalmente abriu a boca:
— Hope.
Pouco depois, ouviu-se um clique. Ao girar a maçaneta, a porta se abriu lentamente. Um vento frio soprou por trás. Nathaniel deu um passo lento e entrou.
Na sala, coberta por um tapete, havia um grande sofá. Sobre a lareira, diversos porta-retratos de diferentes tamanhos exibiam os rostos das pessoas que viviam ali. Seu olhar passou pelo casal de meia-idade sorridente e pela criança — mas permaneceu por mais tempo no rosto do menino.
O garoto ainda jovem, parecia estranhamente melancólico. Desviando o olhar da mão do homem apoiada no ombro do garoto, Nathaniel voltou a caminhar. O som de seus passos, lentos e firmes, ecoava no ambiente silencioso.
Não foi difícil encontrar o dono da casa. Sentado sozinho em um espaço que parecia ser um escritório, o homem observava uma fotografia emoldurada. Mesmo tendo ouvido os passos que se aproximavam, o homem não se mexeu. Nathaniel o fitou em silêncio, sem dizer nada, enquanto ele permanecia imóvel, sentado sem sequer olhar para o visitante que abrira a porta do escritório.
O filho da lua.
O homem que havia sequestrado inúmeras crianças e cometido atos terríveis tinha o rosto de um pai comum de meia-idade— daqueles que se vê em qualquer lugar. Alguém que, mesmo cruzando seu caminho na rua, dificilmente seria lembrado.
E então— Nathaniel abriu a boca.
— Dennis Jin.
Ele chamou o nome do homem com uma voz mais baixa do que o habitual. Só então o homem levantou o olhar e o encarou.
Com uma expressão fria, Nathaniel continuou:
— Você sabe quem sou eu?
Claro que sabia. E, pelo visto, também já sabia o motivo de Nathaniel estar ali. Não havia nenhum sinal de surpresa ou inquietação em seu rosto.
— Ah…
Dennis Jin finalmente desviou o olhar do quadro e voltou-se para ele. Com um sorriso indecifrável nos lábios, falou:
— Você fez um belo espetáculo no leilão da última vez. Fiquei me perguntando o motivo…
Então girou o porta-retrato, virando a fotografia na direção de Nathaniel.
— Foi por causa do meu filho?
O olhar de Nathaniel se deslocou do rosto de Dennis para o porta-retrato. Dentro dele estava o garoto da foto que antes estava sobre a lareira. Um menino de expressão sombria, encarando à câmera com olhos inquietos.
O rosto ainda jovem de Chrissy Jin.
Nathaniel não disse nada. Apenas observou o homem com uma expressão inexpressiva. Só abriu a boca após segundos de silêncio.
— Então você o trouxe desde o início com esse propósito?
Depois que o pai biológico de Chrissy matou a mãe, ele passou um tempo em um lar temporário. Mais tarde, foi adotado por um casal sem filhos — os Jin.
Eles eram completamente comuns. E justamente por isso pareciam ainda mais perfeitos. Um marido que administrava uma pequena empresa e uma esposa dona de casa, vivendo em uma casa nos subúrbios. Um casal de classe média que só precisava preencher o vazio de não ter um filho.
Por isso, ninguém suspeitou. Ninguém questionou por que eles — mais precisamente, Dennis Jin — adotaram uma criança de seis anos em vez de um bebê.
Diante da pergunta de Nathaniel, Dennis Jin soltou uma risada curta e deixou o porta-retrato de lado.
— Você já deve saber agora… o quanto aquele garoto é provocante.
Recostando-se na cadeira, ele continuou em um tom descontraído:
— Desde a primeira vez que o vi, ele me seduziu. Ficava me olhando com aqueles olhos, como se implorasse para ser abraçado. Então eu apenas fiz o que ele queria. O que eu podia fazer? Eu também sou só um homem fraco diante da tentação.
Dando de ombros, o homem estreitou os olhos e soltou uma risada nojenta.
— Ele era tão lascivo… você deve saber muito bem…
Ele não conseguiu terminar a frase. Nathaniel tirou algo do bolso do casaco — e um estrondo ecoou.
Bang. Bang. Bang.
Os disparos consecutivos explodiram como trovões, rasgando o silêncio. A cabeça do homem voou, massa encefálica explodiu, sangue jorrou do peito. O corpo tremia violentamente, pedaços de carne estavam sendo arrancados — mas os tiros não pararam.
Clique. Clique.
Só quando o som seco foi ouvido é que Nathaniel percebeu que havia usado todas as balas carregadas.
Aquilo que um dia foi Dennis Jin estava largado na cadeira, sem qualquer movimento. Seu corpo, perfurado por incontáveis balas, estava tão destroçado que mal restava algo reconhecível de sua forma original.
Só então Nathaniel voltou a se mover, aproximando-se do homem que agora não passava de um cadáver. Parando do outro lado da mesa, ele ergueu o porta-retrato.
Ao ver as gotas de sangue espalhadas sobre o rosto jovem de Chrissy, estalou a língua em um som curto de desaprovação.
Com o dedo, limpou o sangue do vidro e, ainda com os olhos fixos no rosto de Chrissy, pegou o celular. Assim que o sinal soou, a ligação foi atendida quase imediatamente.
— Sim, aqui é o 911.
Diante da voz que respondeu prontamente, Nathaniel retirou a trava do porta-retrato enquanto falava:
— NY 11747. Envie a polícia.
Com tranquilidade, retirou a fotografia e a guardou no bolso interno do paletó, continuando:
— Eu matei uma pessoa.
— …?
***
Chrissy acordou, pensando ter ouvido um som. Ainda de olhos fechados, franziu levemente o cenho antes de abrir as pálpebras devagar.
Será que eu ouvi alguma coisa… ou foi só impressão?
Soltando um breve suspiro, ele se levantou lentamente. Ao redor, tudo estava em silêncio. Quando percebeu que estava deitado na cama de Nathaniel, uma dúvida surgiu de repente.
Para onde aquele homem foi…?
No momento em que se lembrou do que havia acontecido há pouco, o som do celular tocando ecoou de repente. Naturalmente, pensou em Nathaniel, mas ao verificar o remetente, percebeu que era alguém completamente diferente.
— Promotor – Chefe? Como…
— Onde você está agora?
A voz urgente do Promotor, sem qualquer explicação, fez Chrissy piscar, confuso.
— Hum… o que aconteceu?
Ao devolver a pergunta em vez de responder, o promotor -chefe elevou ainda mais o tom de voz e gritou:
— Venha imediatamente! Venha para cá agora! Está um caos aqui!
— O quê? Assim, do nada, o que…
Ele não conseguia entender a situação. Ainda completamente perdido, Chrissy ouviu o promotor-chefe lançar uma declaração bombástica:
— Nathaniel Miller matou alguém!
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Continua…