Capítulo 110
Diante daquelas palavras inesperadas, Chrissy arregalou os olhos. Ao perceber a reação, Nathaniel soltou uma breve risada.
— Eu sei muito mais sobre você do que você imagina, Chrissy Jin.
Chrissy não respondeu de imediato. Ele sabia até sobre meus pais biológicos? Desde quando? E, mais importante… o que ele acabou de dizer? Que vai impedir que eu sofra uma mutação? Por quê? Como?
Era impossível de acreditar.
Meu Deus… confiar em Nathaniel Miller? Isso não faz o menor sentido. Só estando completamente fora de si.
E, ainda assim, mesmo pensando nisso, Chrissy estendeu a mão. Ele já tinha ido longe demais. Muito além do aceitável — já tinha ultrapassado qualquer limite.
Parecia que quem estava completamente embriagado pelos feromônios não era Nathaniel, mas ele próprio.
Entre respirações ofegantes, viu o homem tirar a camisa. Aquele corpo grande, perfeitamente definido, fez seu fôlego falhar automaticamente. Quando estendeu a mão trêmula, Nathaniel a segurou e a levou até o próprio peito. Sob a pele firme, o coração batia forte. Tão intensamente quanto o dele.
Ao sentir aquilo, pela primeira vez, Chrissy teve a estranha impressão de que aquele homem também era um ser humano como ele. Um fato difícil de acreditar — mais um entre tantos.
Deslizando lentamente a mão para baixo, seus dedos percorreram os músculos definidos. Quando chegou à parte inferior do abdômen, hesitou por um instante.
Sob a pele lisa e bem cuidada, sentiu o peso do membro firme.
Quando o acariciou lentamente, Nathaniel soltou uma respiração ofegante audível.
Com um comprimento e uma espessura que ela não conseguia acreditar que entrariam dentro de si, Crissy murmurou sem pensar:
— Todos os alfas dominantes são assim… grandes como você?
Ao ouvir isso, Nathaniel soltou uma risada irritada.
— Não sei… mas que diferença faz? Você não vai ter a chance de confirmar, de qualquer forma.
Soou desagradável, mas, por algum motivo, Chrissy acabou sorrindo.
— Você tem razão.
Pensando assim, ele envolveu o pescoço de Nathaniel com os braços. Quando sentiu uma pressão imensa na parte inferior, sua mente ficou em branco — como se parte de sua consciência simplesmente desaparecesse.
— Está tudo bem.
Parecia que, ao longe, a voz de Nathaniel ecoava. Quando sentiu aquela sensação de ser lentamente aberto por baixo, deixou escapar um gemido, e ele voltou a sussurrar:
— Está tudo bem… hah… seu interior é realmente apertado… e teimoso, igual a você.
Havia um leve traço de riso misturado à voz. Com esforço, Chrissy abriu os olhos, mas a sensação de estar completamente preenchido tornava difícil até respirar direito. Apenas arfava, puxando o ar de forma irregular, enquanto via Nathaniel se movendo lentamente sobre ele. Cada vez que descia e subia, um gemido preso escapava de seus lábios.
O aroma intensamente doce continuava pairando no ar. A cada respiração, parecia penetrar profundamente em seus pulmões e se espalhar por todo o corpo. Talvez estivesse impregnando cada parte do corpo de Chrissy mesmo antes do sêmen, e ainda mais profundamente.
— Chrissy.
Chamando seu nome, ele soltou uma risada baixa e voltou a falar:
— Senhor promotor.
Nathaniel também parecia à beira do limite, franzindo o cenho enquanto deixava escapar um gemido contido.
— Desculpe pela pressa. É minha primeira vez com um beta.
Parecia que aquele homem pretendia levá-lo à morte por ataque cardíaco naquele dia. Quantas vezes já tinha se assustado assim, e de maneira tão intensa?
E, ainda assim, por algum motivo, Chrissy sentiu uma estranha ternura.
Por que esse homem está fazendo isso comigo?
Essa pergunta já não importava mais. Agora, ele apenas queria aproveitar o momento. Erguendo as pernas, envolveu a cintura do homem, tentando recebê-lo ainda mais profundamente. Ao se agarrar a ele com todo o corpo e inclinar a cabeça para trás, um gemido profundo escapou naturalmente.
— Ah… haah…
Era estranho. Até então, o ato sexual sempre tinha sido apenas doloroso. Mesmo tendo dormido com tantos homens, nunca havia sentido satisfação. Era apenas desagradável — um preço inevitável a pagar pelo tipo de prazer que ele realmente desejava.
Mas por quê?
Quando Nathaniel o puxou para cima, sentando-o sobre si e impulsionando o membro para cima, Chrissy franziu o cenho e fechou os olhos sem perceber.
— Haaah… ah…
Entre os corpos pressionados, algo úmido foi sentido. Levou alguns segundos para ele perceber que havia chegado ao clímax. Já havia experimentado exaustão após a ejaculação inúmeras vezes, mas era a primeira vez que ficava tão excitado a ponto de perder a consciência.
— Senhor promotor.
Com um braço envolvendo sua cintura, Nathaniel acariciou sua bochecha com a outra mão e sussurrou:
— Se você gozou só com o meu pau entrando… o que eu faço agora?
— Hm? O quê?
A mente de Chrissy ainda estava completamente nebulosa. Diante daquele murmúrio quase como um desabafo, Nathaniel riu silenciosamente. Depois disso, ele já não se lembrava direito do que aconteceu.
***
De repente, como se tivesse levado um banho de água fria, Nathaniel despertou bruscamente. Abrindo os olhos de imediato, permaneceu deitado enquanto movia apenas os olhos. Logo, as lembranças de antes de perder a consciência vieram à tona.
Em seus braços, Chrissy dormia profundamente, completamente exausto. Deitado no sofá estreito, ainda o segurando, Nathaniel se ergueu devagar, mantendo um braço firme ao redor dele para não deixá-lo cair.
Havia um intervalo em branco na memória, mas tudo até pouco antes disso permanecia claro em sua mente. O fato era que, mesmo depois de Chrissy perder a consciência, o rut dele ainda continuou. A prova disso estava no estado de Chrissy — estava encharcado com o seu sêmen da cabeça aos pés; não havia um único ponto intacto em seu corpo. Por causa disso, o cheiro de feromônios que emanava dele era ainda mais forte do que o do seu próprio corpo.
Segurando Chrissy nos braços, Nathaniel enterrou o nariz em seu pescoço e inspirou profundamente. Sentir o próprio cheiro de feromônios vindo dele… não era nada ruim. Na verdade, um leve sorriso chegou a surgir em seus lábios.
Ajustando melhor o corpo de Chrissy em seus braços, ele lançou um olhar ao redor, observando as roupas espalhadas pelo chão, e começou a organizar os pensamentos.
Era a primeira vez que despertava tão rápido após o profundo sono que normalmente vinha depois do rut. Provavelmente era efeito colateral do remédio — exatamente como Stewart havia mencionado.
<Para impedir que um beta sofra mutação, o método é reduzir os feromônios de um alfa dominante…>
E ele havia tomado o remédio conforme instruído. Claro, o preço a pagar por isso ainda era incerto — mas a recompensa, por outro lado, havia sido mais do que suficiente.
Nathaniel inclinou-se e depositou um leve beijo na bochecha de Chrissy. Deitando-o no sofá, começou a se arrumar. Vestir novamente roupas amassadas e jogadas pelo chão era, até o dia anterior, algo impensável para ele. Pegou o próprio casaco e envolveu o corpo de Chrissy, protegendo-o, antes de terminar de se arrumar rapidamente. Cerca de dez minutos depois, já o carregava para fora, descendo para o andar de baixo.
Os seguranças, que aguardavam de um lado da rua, imediatamente se prepararam ao vê-lo sair do prédio. Assim que Nathaniel entrou no carro com Chrissy nos braços, o chefe da equipe fechou a porta e correu para o veículo seguinte.
Em meio à fileira de carros que seguiam em direção à sua cobertura, Nathaniel descansava tranquilamente, o que era raro. Sua mente não estava clara, talvez porque não tivesse dormido direito após o rut, mas não importava. Ao voltar para casa, ele poderia simplesmente dormir novamente.
Tudo estava perfeito.
Foi quando ele pegou a mão de Chrissy, que dormia, e beijou seus dedos, uma campainha familiar soou, e Nathaniel franziu a testa sem perceber. Era o toque do seu celular.
Chamadas naquele horário raramente traziam boas notícias. Sentindo um pressentimento ruim, fruto de longa experiência, ele estalou a língua brevemente — e, como esperado, estava certo. Pensou em simplesmente ignorar, mas por algum motivo teve a sensação de que não deveria fazer isso. No fim, deixou o tempo passar um pouco mais do que o habitual antes de atender.
— Nathaniel Miller falando.
Assim que respondeu com a voz calma e controlada, uma voz apressada veio do outro lado da linha:
— Encontramos. O filho da lua.
No início, ele não entendeu o que estava sendo dito. Se era por causa dos efeitos do rut, que ainda deixavam sua mente turva, ou se era pela satisfação de finalmente ter conseguido aquele homem, que o deixava mentalmente mais lento, não sabia.
— …Quem?
Ao franzir as sobrancelhas, como se pudesse vê-lo, o homem do outro lado praticamente gritou:
— Encontramos! O filho da lua… descobrimos a identidade daquele homem…!
Só então sua mente começou a ficar nítida. Sem perceber, Nathaniel baixou o olhar para o rosto de Chrissy enquanto a voz continuava ao telefone.
E, à medida que ouvia, o leve sorriso que ainda restava em seu rosto gradualmente ia desaparecendo.
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Continua…