Capítulo 109
—Haa…
Um suspiro escapou sem querer.
Não era como se fosse a primeira vez que Chrissy beijava alguém. Ele não era diferente de Nathaniel nesse aspecto. Um beijo era algo que poderia até ser trocado com qualquer desconhecido na rua, até com um mendigo — desde que o mendigo fosse do seu agrado o suficiente para suportar o cheiro.
Mas Nathaniel Miller não era um mendigo.
Que “mendigo” nada — ele era, por assim dizer, um dos homens mais bem-sucedidos dos Estados Unidos. Alguém com quem Chrissy jamais imaginou se envolver, muito menos compartilhar esse tipo de intimidade.
Ainda assim, muito antes de seus lábios se tocarem, Chrissy já estava ansiando por isso. Por dividir com aquele homem não apenas um beijo, mas algo mais.
Sim. Aquilo quebrava completamente as regras que ele havia seguido a vida inteira. E ele sabia disso. Foi justamente por isso que tentou evitar aquela situação com tanta insistência.
Mas já era tarde.
No instante em que seus lábios se encontraram, Chrissy simplesmente desistiu de resistir. Por que deveria continuar me segurando? Diante de um fruto tão doce… Mesmo que fosse expulso do paraíso, não se arrependeria de ter provado aquela carne.
Como prova disso, ela envolveu o pescoço de Nathaniel com os braços e encostou todo o corpo nele. Como se estivesse esperando, ele puxou a cintura de Chrissy e agarrou suas nádegas. A sensação dos dedos longos e grossos tocando secretamente o local escondido sob o tecido fino fez sua respiração acelerar involuntariamente.
—Espera.
Antes que ultrapassassem o último limite, havia algo a fazer primeiro. Chrissy o empurrou com pressa e deu um passo para trás. Diante da expressão confusa de Nathaniel, como se perguntasse o que estava acontecendo, ele contornou a mesa rapidamente e abriu a gaveta, pegando “aquilo” de lá. Ao puxar um, vários vieram juntos, deslizando para fora. Nathaniel soltou uma risada baixa ao ver a cena.
—De qualquer forma, não importa o quanto eu ejacule dentro de você… não há risco de gravidez.
Havia algo, um tom de decepção naquelas palavras — ou talvez fosse impressão. Ainda assim, sem reclamar mais, ele pegou um preservativo da fileira, abriu ali mesmo e, sacudindo levemente os outros que ficaram pendurados, comentou:
—Isso tudo é para hoje?
Ao lembrar que havia dez em cada fileira, Nathaniel não esperou mais. Puxou a cintura de Chrissy e, sem hesitar, colou seus lábios aos dele.
O beijo veio como se fosse devorá-lo. Chrissy respondeu sem recuar, entrelaçando a língua com a dele de forma ativa. Havia um gosto doce no contato — o aroma de feromônios misturado à saliva. Sem perceber, um sorriso surgiu no canto de seus lábios.
— Por que está sorrindo?
Nathaniel perguntou, ainda roçando os lábios nos dele.
Chrissy fechou os olhos, lambeu a língua dele e respondeu:
— Você é como um doce.
— O quê?
Nathaniel hesitou, surpreso — como se nunca tivesse ouvido algo assim antes.
Sem perder a oportunidade, Chrissy o empurrou. Nathaniel recuou instintivamente e acabou caindo no sofá. No mesmo movimento, Chrissy montou nele, acomodando-se naturalmente, e continuou:
— Estou falando dos seus feromônios. Por que são tão doces assim? Não combina nada com você.
Ao ouvir o riso baixo de Chrissy, Nathaniel soltou um pequeno riso também.
Era verdade. Não combinava.
O homem de cabelos platinados que o encarava de baixo lembrava uma grande serpente deslizando em águas frias. Quando Chrissy segurou seu rosto com as duas mãos, sentiu a pele fria, tão fria quanto sua aparência. Mas Chrissy não se importou, inclinou-se e voltou a beijá-lo. Como se não suportasse esperar para compartilhar aquele beijo novamente, suas línguas se entrelaçaram apressadamente, e Nathaniel respondeu.
— Haa…
Outro suspiro escapou, carregado de excitação. Os feromônios de Nathaniel pareciam ainda mais intensos do que o normal.
É porque eu estou excitado…? Ou…
De repente, Chrissy notou algo. As bochechas normalmente pálidas de Nathaniel estavam coradas. Não era apenas excitação. A ereção evidente, pulsando sob o tecido, e o aroma denso de feromônios que emanava de todo o corpo dele deixavam claro.
— …R-rut…?
Chrissy murmurou, incerto, como se não acreditasse totalmente no que dizia. Nathaniel riu novamente. Apesar da expressão levemente distorcida, quase irritada, e dos lábios tortos, o estado do corpo dele não deixava espaço para dúvidas.
Nathaniel estava em rut.
Por quê…?
A pergunta surgiu imediatamente na mente de Chrissy.
Os alfas não liberam feromônios regularmente…? Eu vi com meus próprios olhos aquele homem indo até aquelas festas sórdidas para liberar feromônios.
Então… é só um rut normal, que vem de tempos em tempos…? Deve ser isso.
Mas então… por que agora…?
No instante em que hesitou e ficou imóvel, Nathaniel perguntou:
— Se for desistir, é melhor descer agora. Acho que não vou conseguir me segurar por muito tempo.
Sua consciência já começava a ficar turva. Nesse ritmo, talvez ele até perdesse a memória. Será que ele se esqueceria desse momento quando a rut terminasse e ele caísse num sono profundo?
…Isso seria um pouco… desagradável.
Foi quando franziu levemente o cenho.
De repente, Chrissy o empurrou pelos ombros, fazendo Nathaniel cair de costas no sofá. Antes mesmo que pudesse perguntar o que ele estava fazendo, Chrissy já puxava a camisa pela nuca e a arrancava por cima da cabeça.
Sem a menor intenção de perder tempo, ele soltou o cinto da calça. Observando aquilo, Nathaniel ergueu o canto dos lábios, erguendo as sobrancelhas.
— O que você pretende fazer?
— Não está vendo? Vou devorar você.
Enquanto erguia o quadril para tirar a calça, Nathaniel perguntou novamente:
— Você sempre fica por cima assim?
Era uma pergunta sobre posições… ou sobre o fato de ele fazer isso com frequência naquele sofá?
Ela não conseguiu decidir, mas respondeu arbitrariamente à segunda opção:
— Não se sinta injustiçado, é uma decisão racional.
Então, ele bateu deliberadamente no encosto do sofá e acrescentou:
— Esse sofá é pequeno demais para você se mexer.
Ele não estava errado. Para Nathaniel Miller, o melhor seria apenas ficar deitado. Ele poderia simplesmente deixar a tarefa de penetrar e se movimentar para Chrissy e aproveitar o momento.
Se ele fosse um homem comum, tranquilo e preguiçoso — como Doug, por exemplo — certamente teria funcionado. Mas Nathaniel definitivamente não era desses.
— Uou…!
Um som escapou involuntariamente. Num instante, Nathaniel inverteu as posições, colocando-se por cima de Chrissy.
— Bem… talvez você tenha razão.
Enquanto arrancava de uma vez a calça e a cueca que ainda estavam presas às pernas de Chrissy, ele segurou seus tornozelos, deslizando os dedos pela pele nua.
— Mas eu gosto de coisas… diferentes.
— Haa… haa…
A respiração ofegante preenchia o espaço. Já não dava para saber se era de Chrissy ou de Nathaniel. Chrissy lançou um olhar rápido para o lado, vendo Nathaniel tirar o paletó do terno que provavelmente custava milhares, talvez dezenas de milhares de dólares e jogá-lo no chão sem cuidado algum. Logo voltou a encará-lo.
O som metálico do cinto sendo aberto e do zíper descendo ecoou em seguida. E então, no momento em que a coisa enorme que ali estava adormecida ergueu a cabeça, Chrissy engoliu em seco sem perceber.
…Será que fui impulsivo demais?
O pensamento veio tarde demais. Antes que pudesse sequer considerar fugir, Nathaniel pressionou seu corpo contra o dele e murmurou:
— Posso ser um pouco bruto. Eu venho me segurando por muito tempo.
O que ele vinha segurando? Sexo? Ou…
— Ele já não conseguia pensar em mais nada.
Não dava mais tempo para pensar em nada. Porque o membro, quente e ereto — ao contrário de sua temperatura corporal fria —, encostou-se à sua parte inferior.
Instintivamente, Chrissy estendeu a mão e tateou para baixo. Seus dedos tocaram uma haste grossa. Através das veias saltadas, sentiu as pulsações latejantes contra a pele. No momento em que prendeu a respiração, Nathaniel sussurrou com uma voz amarga:
— Haa… eu não queria te matar…
Soava sincero. E era verdade.
Se ele recebesse aquilo daquele jeito, não só sua parte inferior ficaria destruída, mas ele poderia realmente morrer. Quando o medo a atingiu de repente, Nathaniel, interpretando mal sua expressão, murmurou:
— Não se preocupe. Você não vai se tornar um ômega. Já tomei providências.
Providências…? Que tipo de providências…?
A mente de Chrissy ficou em branco.
Se ele absorvesse feromônios tão intensos, de um alfa dominante, era óbvio que ocorreria uma mutação. Era o esperado. Qualquer um iria prever isso.
— Não se preocupe.
Nathaniel repetiu. Ele beijou o rosto de Chrissy, que estava paralisado, e continuou:
— Você não vai sofrer mutação… não vai se tornar um ômega… não vai conseguir me marcar…
Sua voz era baixa, firme.
— …Então não vai acabar como seus pais.
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Continua…