↫─Capítulo 210
Ex-Patrocinador — Extras
Extra 8 🎬 ∙ ∙ ∙ 🎥 ∙ ∙ ∙ 🎭
— Eu vou aprender artes marciais na escola de ação em breve…
— Isso não me inspira confiança, não pode.
Do-Heon cortou com firmeza. Olhando aquele rosto sem a menor brecha, ele não parecia disposto a ceder por nada.
Por que esse homem tem tanta coisa que “não pode”? Cheongyeon engoliu um suspiro.
— Então você quer que eu aprenda judô assim do nada?
Cheongyeon examinou o interior de ponta a ponta, insatisfeito. Troféus e diplomas pendurados por toda parte chamavam a atenção. Como no meio deles aparecia a palavra “seleção nacional”, o mestre devia ter sido atleta nacional.
— Não é preciso aprender judô a fundo, basta o suficiente para se proteger. Se pensar que é aprender o básico, fica mais fácil.
Nisso, um homem já de dogue se aproximou de Cheongyeon. Ele tirou de uma gaveta no canto do dojo os dogues do tamanho de Do-Heon e de Cheongyeon e os estendeu.
Quando Cheongyeon os recebeu sem jeito, intrigado, o mestre sorriu e lhe estendeu a mão.
— Sou Heo Jeongdae. Atuei como atleta da seleção nacional e, depois de me aposentar, administro este dojo. Ouvi muito a seu respeito pelo senhor diretor. É uma honra conhecê-lo, ator Yoo Cheongyeon.
Diante daquele cumprimento excessivamente cortês, Cheongyeon, que estava emburrado, se curvou às pressas para cumprimentá-lo.
— Ah, sim. Olá, eu sou Yoo Cheongyeon.
— Soube que desta vez o senhor assumiu um papel que exige muito do corpo.
O mestre parecia já ter recebido a explicação de como as coisas estavam.
— Não é tão perigoso assim, mas este aqui se preocupa demais…
Cheongyeon disse olhando de esguelha para Do-Heon, ao seu lado.
— Aprender as técnicas básicas de judô vai lhe ser muito útil daqui em diante. Eu me responsabilizo por ensinar, nas próximas duas semanas, as quedas, a manutenção do equilíbrio e até o ippon seoi nage.
— Ippon seoi nage? Em quem…?
Desconcertado, Cheongyeon gaguejou. O ippon seoi nage não era aquela técnica de arremessar o oponente no chão?
— Eu disse que havia uma condição para gravar sem dublê.
Nisso, Do-Heon, que até então ouvia a conversa entre Cheongyeon e o mestre, se meteu.
— Se em duas semanas você me derrubar com um ippon seoi nage, eu permito.
— …….
Diante daquela condição absurda imposta por Do-Heon, Cheongyeon o examinou de cima a baixo com atenção, coisa que não fazia havia muito tempo.
Do-Heon não era apenas mais alto que ele: o porte físico era muito mais largo e robusto. Além disso, ele era ômega e Do-Heon era alfa. Já na natureza do traço a diferença era abissal.
Mesmo entre pessoas da mesma categoria de peso isso não era fácil, e ele queria que ele derrubasse com um ippon seoi nage um Do-Heon muito maior que ele? Mesmo sem entender nada de judô, aquilo soava como uma exigência impossível.
— Do-Heon-ssi, você já fez judô?
— Aprendi por hobby quando era criança.
— …E ainda assim você quer que eu te vença? Se é assim, diz logo abertamente para eu não gravar. Em vez de impor uma condição absurda, que covardia.
— Calma, calma. Um instante, ator.
Quando a voz de Cheongyeon se ergueu, o mestre interveio às pressas.
— O ippon seoi nage é uma técnica que se pode aplicar até em alguém de categoria maior que a sua. Fique tranquilo.
— Não é para lutar comigo de verdade, é só me derrubar.
Do-Heon explicou em seguida. Cheongyeon estreitou os olhos e o fuzilou.
— E o Do-Heon-ssi fica parado?
— Por quê, você achou que eu ia fazer alguma coisa com você?
Do-Heon soltou um riso de escárnio, como quem ouviu um absurdo. Só então Cheongyeon percebeu que não era um duelo entre os dois, e sim que bastava aplicar o golpe no corpo dele, parado.
— Ah, é que eu achei… que era uma luta.
— Rá, rá! Imagine. Só a diferença de categoria já é considerável e ele ainda tem experiência esportiva. Competir a sério com o senhor seria mais ou menos como um adulto brigando com uma criança.
O mestre fez que não com as mãos e mandou Cheongyeon e Do-Heon para o vestiário, pedindo que se trocassem logo. Cheongyeon ainda entendia o próprio caso, mas não sabia por que Do-Heon também trocaria de roupa; como seria melhor do que fazer sozinho, ele não fez questão de perguntar.
A primeira aula, que ele imaginou ser leve, foi muito mais dura do que esperava. O mestre disse que aquele dia não era de aprender técnicas especiais e que a primeira coisa era dominar as quedas básicas.
Queda frontal, queda para trás, queda lateral. Pelos nomes pareciam simples, mas, na prática, era diferente do que ele pensava.
— Seja em ação, seja em esporte, a primeira coisa a aprender é como não se machucar.
Com as palavras do mestre, a aula começou.
— Bom, senhor diretor. Venha aqui à frente, por favor.
Ele chamou Do-Heon à frente para demonstrar pessoalmente. Talvez por só o ter visto de terno ou em roupas casuais impecáveis, Do-Heon de dogue branco parecia estranho e novo. Talvez pelo efeito das linhas retas e limpas do dogue, ele parecia mais rígido que o normal. Como alguém sem uma única brecha.
Do-Heon e o mestre ficaram frente a frente, trocaram algumas palavras e logo assumiram a postura.
— O judô não é um esporte só de força.
O mestre disse segurando levemente o braço de Do-Heon.
— Manter o equilíbrio e desestabilizar o centro do adversário.
Foi naquele instante. O corpo de Do-Heon se ergueu no ar num instante e caiu sobre o tatame.
— Hep.
O movimento foi tão natural que era difícil acompanhar com os olhos. Do-Heon, que até pouco antes estava de pé, já estava deitado no chão.
— Técnicas como o ippon seoi nage seguem o mesmo princípio.
O mestre continuou a explicação como se nada tivesse acontecido.
— Não é erguer o adversário à força, é desestabilizar o centro dele.
Do-Heon se ergueu como quem está acostumado e voltou a assumir a postura.
Depois vieram as demonstrações de queda. O mestre repetiu o ippon seoi nage em Do-Heon, e Do-Heon aterrissou no chão em várias posturas de queda.
O mestre mostrou e explicou o ângulo de bater o braço no momento da queda, a forma de puxar o queixo e a postura de encolher o corpo para dispersar o impacto.
— Especialmente os atores fazem bem em aprender isso.
O mestre disse olhando para Cheongyeon.
— Há cenas de cair pendurado num cabo e é comum cair durante gravações de ação. Se o corpo aprender a reduzir o impacto nas articulações, a chance de se machucar diminui muito.
Até aquele momento Cheongyeon pensava ingenuamente que as quedas não seriam uma técnica tão difícil. Porque os movimentos de Do-Heon ao aterrissar pareciam muito leves.
Mas não se passaram nem trinta minutos de aula de verdade e todos os músculos de seu corpo gritavam. Porque ele teve de repetir sem parar rolar para a frente, para trás e para os lados sobre o tatame.
No começo o corpo não se movia como ele queria. Toda vez que caía, apoiava a mão por instinto e tensionava o pescoço. Por mais que mandassem puxar o queixo, a cabeça subia.
— Não é assim. De novo.
A cada vez, vinha a correção cortante do mestre.
— Relaxa o ombro, e o braço mais amplo.
No começo ele parecia tão bondoso, mas, assim que a aula começou, o mestre não tolerava o menor erro.
Cheongyeon cerrou os dentes e retomou a postura. Mas entender com a cabeça e fazer com o corpo eram coisas completamente diferentes.
Ele repetiu tantas vezes que nem dava para contar quantas rolou. Quando o pedido de encerrar por hoje já chegava à garganta, aconteceu.
— Espera.
Ouviu-se uma voz familiar. Quando Cheongyeon ergueu a cabeça, Do-Heon estava bem à sua frente. Ele se aproximou em silêncio, curvou o corpo e segurou seu ombro.
— Cheongyeon-a, você está tensionando demais.
Por um instante ele esperou que Do-Heon dissesse para pararem por ali. Mas da boca dele saiu algo diferente.
— …Não estou, não.
— Está.
Do-Heon disse com firmeza. Sua mão pressionou de leve o ombro de Cheongyeon.
— Aqui.
Em seguida sua mão desceu para a cintura.
— E a cintura também.
Do-Heon corrigiu o ângulo de seu corpo, ajustando a postura pessoalmente.
— Tem que encolher assim.
— …….
— E, nessa posição, puxa o queixo.
Era um tom seco, sem o menor traço de afeto ou incentivo. Diante daquela atitude de quem trata um aprendiz, Cheongyeon ficou irritado. Fuzilou Do-Heon, tão sem sensibilidade, mas ele não se importou nem um pouco.
E, além disso, ele não estava errado. Depois que Do-Heon corrigia a postura, estranhamente o movimento ficava um pouco mais fácil. Esse fato irritava Cheongyeon ainda mais.
Cheongyeon recuperou o fôlego e se atirou de novo no tatame. Ao terminar sabe-se lá quantas quedas frontais e se levantar, as pernas tremiam. O corpo inteiro estava encharcado de suor e havia um cansaço pesado acumulado nos braços e na cintura.
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna