↫─Capítulo 211
Ex-Patrocinador — Extras
Extra 9 🎬 ∙ ∙ ∙ 🎥 ∙ ∙ ∙ 🎭
Depois de tanto sofrimento sem espaço nem para enrolar, a aula finalmente terminou. O mestre bateu palmas dizendo que ele tinha se esforçado.
— Considerando que é o primeiro dia, não foi ruim.
Ainda assim, Do-Heon disse com naturalidade, de braços cruzados:
— Pois é.
Cheongyeon teve vontade de dar um cascudo na testa dele.
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Dias depois, o segundo dia de treino.
Naquele dia Cheongyeon foi sozinho ao dojo. Talvez por ser fim de semana, Do-Heon estava enlouquecido desde cedo cuidando de Jiyun. Ele disse que só poderia ir depois de vesti-lo, alimentá-lo e preparar tudo.
Sabendo que, se Do-Heon viesse, longe de incentivar ou consolar ele só faria observações irritantes, Cheongyeon até achou melhor assim. De qualquer forma um dos dois tinha de cuidar da criança, então graças a isso ele poderia se concentrar na aula com a cabeça mais leve.
A aula daquele dia começou com a revisão das quedas aprendidas no dia anterior. O mestre corrigia a postura desde o começo, checando os fundamentos.
— Isso tem que ser repetido até o corpo aprender. Pratique em casa também, sempre que puder.
Dizer era simples, mas na prática não era fácil. Cheongyeon rolou pelo tatame inúmeras vezes.
Ele achava que tinha melhorado em relação ao primeiro dia, mas, ao fazer, ainda faltava muita coisa.
O queixo subia, o ombro tensionava e, no momento da queda, a mão saía primeiro. A cada vez, o mestre interrompia o movimento e corrigia a postura.
Terminado o treino de quedas, vieram os treinos de equilíbrio e de desestabilizar o centro do adversário.
— A pessoa que perde o centro não se sustenta.
O mestre disse demonstrando pessoalmente.
— Não é empurrar com força, é fazer o adversário perder o equilíbrio.
Com a cabeça ele entendia perfeitamente o que o mestre dizia. Mas o problema era o corpo. Mover os pés acompanhando o movimento do adversário não era fácil, e ler o centro de gravidade era ainda mais difícil.
Ele mudou de postura várias vezes, mas o centro ficava oscilando. Ele estava fazendo tudo ao contrário do que o mestre dizia.
Depois de várias tentativas, ele acabou perdendo o equilíbrio de novo. Cheongyeon tentou se segurar tardiamente antes de cair, mas acabou desabando sobre o tatame.
Como as pernas perderam a força, ele não teve nem tempo de lembrar das quedas que aprendera. O joelho tocou o chão primeiro, de forma deselegante.
— Ai.
Diante da dor surda, ele baixou a cabeça e viu que um dos joelhos estava ralado e vermelho. Não a ponto de sangrar, mas a pele irritada tinha inchado e avermelhado.
— Está tudo bem?
O mestre se aproximou às pressas e perguntou.
— Sim. Não foi nada.
Cheongyeon respondeu sem dar importância, esfregando o joelho.
— Papai?
Nisso, ouviu-se uma voz conhecida atrás. Quando Cheongyeon virou a cabeça, avistou Do-Heon e Jiyun já acomodados num canto do dojo.
Cheongyeon se assustou e olhou alternadamente para os dois. Quando eles entraram? Não era para virem buscá-lo depois?
— Papai, fez dodói?
Jiyun devia ter visto Cheongyeon cair, porque arregalou os olhos com cara de susto. Então se pendurou na panturrilha de Cheongyeon.
— Quando o Jiyun chegou?
— Papai, por que fez pum?
Jiyun, com expressão séria, ergueu até acima do joelho a calça do dogue que Cheongyeon vestia. E, chocado ao ver a pele avermelhada, tapou a própria boca com as mãozinhas. Soltando um “hep!”. Era uma reação digna de desenho animado.
— Dói muito?
— Não, está tudo bem. O papai está ótimo.
Cheongyeon disse esfregando os cabelos de Jiyun, achando-o fofo, mas a expressão de Jiyun foi se desmanchando cada vez mais. Quando ele chegou a choramingar, Do-Heon se aproximou e ergueu a criança no colo.
— Por via das dúvidas, da próxima vez vamos usar joelheiras.
— Rá, rá, seu filho é dedicado. Encerramos por hoje? Se continuarmos, ele vai chorar. A partir da próxima aula eu deixo protetores preparados.
O mestre disse que por hoje bastava e encerrou a aula. Mesmo com Do-Heon sussurrando no ouvido de Jiyun para tranquilizá-lo, dizendo que não era nada, Jiyun acabou caindo no choro.
— Meu bebê se assustou. Por ver o papai cair. Agora vamos para casa.
Cheongyeon, que saiu já trocado em roupas comuns, acalmou Jiyun. Grudado a Do-Heon e girando os olhos grandes, inquieto, Jiyun correu até Cheongyeon.
— Papai, o Jiyuni segura sua mão. Assim.
E, diante da escada que levava para fora do dojo, segurou firme a mão de Cheongyeon.
— Quer colo?
— Não. Papai dodói. O Jiyun segura a mão. Bem fortinho.
Ele balançou a cabeça dizendo que seguraria a mão para que Cheongyeon não caísse. Cheongyeon respondeu que estava bem e, sorrindo, segurou a mão de Jiyun.
E assim, assim que chegaram em casa, Jiyun, adoravelmente, colou um monte de band-aids — de onde ele os tirou, ninguém sabe — no joelho de Cheongyeon, já arroxeado.
Cheongyeon apenas achou fofa aquela reação exagerada da criança.
No dia seguinte, Jiyun, assim que abriu os olhos de manhã, correu ao quarto com o bichinho de pelúcia e foi conferir primeiro o joelho de Cheongyeon. E, depois de checar que os band-aids colados no dia anterior continuavam no lugar, soprou um “fuuu” como quem se tranquiliza.
E não parou por aí: sempre que tinham de subir ou descer escadas juntos, Jiyun nunca deixou de segurar sua mão.
Pensando bem, tudo o que Jiyun fazia eram coisas que Do-Heon e Cheongyeon faziam quando a criança se machucava. Pensando que ele estava apenas imitando aquilo, era impossível não achar o menino adorável. Jiyun estava se preocupando com o papai pequeno de verdade, a sério.
Mas ele percebeu que essa preocupação não era apenas um interesse fofinho no dia da aula de judô seguinte.
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Quando Cheongyeon calçava os tênis na entrada, Jiyun se aproximou esfregando os olhos sonolentos.
— Papai, aonde você vai?
— Por que você já acordou? O papai vai ao dojo. Volta para a cama e dorme mais.
Assim que terminou a resposta, o rosto da criança se desmanchou num choro repentino.
— Fazer dodói? Não, não vai.
E não parou por aí: num instante as lágrimas se acumularam e começaram a escorrer em gotas pelas bochechas rechonchudas.
— O Jiyuni tá muito tisti!
Fazia muito tempo que ele não via Jiyun chorando tão desconsolado. Desconcertado, Cheongyeon ergueu a criança no colo e a acalmou. Normalmente a essa altura ele já teria parado de chorar, mas naquele dia não se acalmava de jeito nenhum.
No fim, ele só conseguiu sair de casa depois de mentir dizendo que naquele dia não ia se machucar, que era só um dia de assistir.
Deixando para trás Jiyun, que o observava sem parar no colo da babá, seu coração ficou pesado o caminho inteiro até o dojo com Do-Heon. De algum modo, ele sentia que estava fazendo algo errado com a criança.
No instante em que sua cabeça ficava confusa, o carro dirigido por Do-Heon chegou ao dojo.
A aula daquele dia era finalmente a de aprender o ippon seoi nage para valer. Até Do-Heon subiria ao tatame para fazer o papel de adversário.
Era um dia em que ele precisava se concentrar acima de tudo, mas, mesmo enquanto trocava de roupa, Cheongyeon não parava de pensar na criança deixada em casa.
Até então, Cheongyeon acreditava que, sendo ator de profissão, era natural arcar com o uso do corpo. Mas, vendo as reações de Jiyun nos últimos dias, pela primeira vez lhe ocorreu que talvez seu julgamento estivesse errado.
— É o Jiyun, sabe. Ele deve ter se assustado muito por ter visto alguém se machucar pela primeira vez, né?
Cheongyeon disse a Do-Heon como quem suspira, já de dogue. Ele assentiu.
— Ele viu de perto, bem na frente dele.
Cheongyeon teve de repente esse pensamento: se ele se machucasse feio num set, quem se assustaria e se feriria mais não seria ele, e sim Do-Heon e Jiyun.
Em seguida, lembrou-se naturalmente da reação de Do-Heon ao ouvir pela primeira vez que havia cenas de ação.
Na época ele cravou que era superproteção, mas agora achava que podia entender um pouco. Ver alguém que você ama se machucar certamente não era fácil. Como ele mesmo sentiu ao ver Jiyun e, ao contrário, como Jiyun se sentiu ao vê-lo.
Talvez ele estivesse pensando de forma leve demais sobre as gravações.
— Bom, vamos começar a aula de hoje.
Cheongyeon despertou de seus devaneios com a voz do mestre, que nesse meio-tempo se aproximara.
Aquele era o dia da prova final da condição imposta por Do-Heon, o motivo pelo qual Cheongyeon frequentava o dojo. Derrubar Do-Heon com um ippon seoi nage.
Por ser uma aula importante, Cheongyeon decidiu adiar por ora os pensamentos sobre Jiyun. Em vez disso, ouviu a explicação do mestre com mais concentração do que nunca.
De conseguir ou não aplicar aquela técnica em Do-Heon dependia a gravação dali em diante.
— Como eu já disse antes, o ippon seoi nage não é uma técnica de erguer o adversário só com força. É o que muitos iniciantes entendem errado. Não é levantar o adversário, é trazê-lo para cima da sua cintura. Depois de desestabilizar o centro, você encosta as costas e gira o corpo, e o adversário passa por cima sozinho.
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna