↫─Capítulo 208
Ex-Patrocinador — Extras
Extra 6 🎬 ∙ ∙ ∙ 🎥 ∙ ∙ ∙ 🎭
— Não foi nem até tarde da noite, foram só nove horas. Eu errei em não atender, mas não foi de propósito, e eu pensei em você…
No fim, quando Cheongyeon não aguentou e despejava suas queixas, o telefone de Do-Heon tocou. Do-Heon fez um gesto pedindo que ele parasse de falar e atendeu.
— Sim. Encontrei. Podem ir para casa.
— …….
— Desculpe por ligar a esta hora.
Pelo visto, como ele e Jiyun sumiram sem avisar, ele tinha acionado gente por toda parte.
Encerrando a ligação em poucos segundos, Do-Heon passou a mão pelo cabelo caído, cansado, e suspirou.
— Vamos parar por hoje.
— Eu já pedi desculpa. Eu errei tanto assim? O que tem de tão errado em ir sozinho ao médico pensando em você…!
— Se você realmente pensa em mim, em vez de não me avisar quando a criança adoece, usa dublê na cena de ação.
— O-o quê? …Ha!
Diante daquilo, Cheongyeon ficou perplexo.
— Como é que a conversa foi parar aí?
— Por que você está sendo tão sensível? Eu só estou pedindo que cuide de si do jeito que eu quero.
— …….
Ao erguer os olhos para Do-Heon, seu rosto estava mais sério do que nunca. Não parecia algo dito no calor da raiva, e sim sinceramente.
— E a resposta?
Já era absurdo o assunto ter mudado de repente para as gravações, e ainda por cima ele parecia não perceber o que havia de errado ali.
— Não quero.
Cheongyeon sentiu a razão que segurava a duras penas em algum canto da mente se romper. Junto com isso, respondeu a Do-Heon pausadamente, o mais claramente possível.
— Aquela cena quem vai fazer sou eu, sem discussão. E eu não vou usar dublê de jeito nenhum.
— É sério?
O olhar de Do-Heon se contraiu de uma vez.
— Sim. É sério. É o meu trabalho, então não pense em se meter.
— Yoo Cheongyeon.
Cheongyeon ignorou o chamado de Do-Heon, virou as costas e entrou em casa. Ele ouviu os passos dele atrás, mas ignorou até o fim, fingindo não perceber.
Foi direto ao banheiro lavar as mãos e depois ao quarto de Jiyun. Mesmo tendo confirmado que ele dormia profundamente, não saiu e ficou enrolando no quarto da criança.
Porque, se fosse para a sala, encontraria Do-Heon na hora, e não pararia no encontro: certamente trocariam palavras ruins.
Passando o tempo à toa assim, entediado, Cheongyeon tirou o celular. Sabendo que estava sem bateria, tentou ligar e, felizmente, a tela acendeu por um instante.
Entrando às pressas nas mensagens, confirmou que a mensagem que ele achava ter mandado a Do-Heon não tinha sido enviada. De tão atordoado, devia ter apertado o botão errado. Se ao menos essa tivesse ido direito, esse mal-entendido não teria acontecido.
— …….
Mas logo concluiu que a mensagem não era tão importante assim. Mesmo tendo visto, Do-Heon encontraria outro motivo e brigaria com ele do mesmo jeito.
Cheongyeon só saiu do quarto de Jiyun depois que os passos de Do-Heon sumiram da sala. Mas, no fim, o único lugar para onde ele podia ir era o quarto que dividia com Do-Heon.
Mesmo que fosse dormir em outro quarto de hóspedes, Do-Heon o perseguiria com obstinação, e aí teriam uma discussão ridícula sobre ir ou não para o quarto.
Já estava exausto e não queria brigar de novo com Do-Heon. Mas também não queria dormir na mesma cama que ele.
Nesse meio-tempo começou a se ouvir fracamente o som de água caindo no banheiro do quarto. Do-Heon devia ter entrado para tomar banho.
Sem conseguir conter a indignação, Cheongyeon ia e voltava bufando entre a sala e o quarto.
Com o passar do tempo, a raiva que subia pouco antes, longe de baixar, só crescia com mais força. Por mais que tentasse se acalmar olhando o roteiro, as letras não entravam.
— Ai!
Cheongyeon acabou atirando o roteiro longe, irritado.
Que tipo de marido é esse que não o apoia e diz que tudo o que ele faz está errado? Nem foi de propósito e ele já entende tudo errado por conta própria.
— Só ele que é bom, é?
Cheongyeon murmurou na direção da porta do banheiro. Pensando bem, Do-Heon ainda impunha o jeito dele sempre que brigavam.
“Se você realmente pensa em mim, em vez de não me avisar quando a criança adoece, usa dublê na cena de ação.”
“Por que você está sendo tão sensível? Eu só estou pedindo que cuide de mim do jeito que eu quero.”
E ainda por cima tudo em tom de ordem. Ele é que está emburrado com o que aconteceu de manhã…
— Você acha que eu não guardo mágoa também?
Cheongyeon, sentado na beirada da cama, se levantou de um salto. Sentiu que, se deixasse passar dessa vez, teria de viver a vida inteira medindo as reações de Do-Heon sempre que surgisse um problema desses.
Tendo tomado uma decisão, Cheongyeon começou a juntar rapidamente o celular e a carteira.
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— E então… a grande decisão foi fugir de madrugada para a minha casa? Enquanto o Moon Do-Heon tomava banho?
Jihan estalou a língua, como quem acha aquilo patético. Ele já ouvia a história com cara de absurdo o tempo todo e, ao final, soltou um riso de escárnio.
— É.
Cheongyeon respondeu com confiança.
— Você veio para cá sem avisar, assim, do nada?
— Eu deixei um bilhete dizendo que ia sair. Mas não disse aonde.
— Você é lou…
Jihan, que ia gritar perguntando se ele era louco, logo olhou para Jiyun, que se remexia brincando ao seu lado. Sem coragem de xingar diante da criança, sussurrou bem baixinho no ouvido de Cheongyeon.
— Seu desgraçado maluco. Que beleza de atitude.
— Ah, ué! Não é absurdo? O temperamento do Moon Do-Heon é estranho demais.
— Mas que tipo de doido foge com a criança enquanto o marido toma banho? Pelo menos a criança você podia ter deixado com o Moon Do-Heon.
— Não dá. O Jiyun teve febre hoje de tarde e eu fiquei preocupado.
— Ai… Sério, o que vai ser… e é pai.
Kim Jihan suspirou sem parar. Diante daquela reação, Cheongyeon se exaltou. É claro que ele esperava que, depois de ouvir tudo, ele ficasse do seu lado, mas Jihan ficava olhando para ele como se o problema fosse ele.
— Kim Jihan. Você está do lado de quem? Você está falando estranho desde agora há pouco.
— Não, do ponto de vista do Moon Do-Heon é óbvio que ele ia se preocupar.
E chegou até a falar como quem compreende os absurdos de Do-Heon. Diante daquela reação totalmente diferente do esperado, Cheongyeon arregalou os olhos.
— Que é isso. O problema não é ele ainda querer controlar cada detalhe do meu trabalho?
— Você não lembra que, na época de Idol, teve um monte de acidente de palco? Lá também, quando alguém se machucava, ficava meses parado e suspendia as atividades.
Jihan trouxe à tona a época em que eram Idols.
— Isso é a mesma coisa que isto?
— E nem é dançar embaixo do palco, é cair de um terraço preso num cabo, então é claro que ele ia se preocupar. Sinceramente, eu entendo a reação do Moon Do-Heon.
— Ah, que absurdo.
Com a sensação de traição subindo, Cheongyeon esfregou o rosto. Com Jiyun ao lado, ele nem podia xingar à vontade. Era de enlouquecer de frustração.
Jihan observou Cheongyeon e voltou a falar.
— Da outra vez o Moon Jiyun rolou da escada e ralou a palma da mão, né? Você mesmo fez o maior escarcéu dizendo que era um problemão…
— Mas é que o Jiyun é criança…
“Sei lá. Criança cuidando de criança me deixa inseguro.”
Cheongyeon, que ia rebater de novo o que Jihan dissera, parou de falar sem perceber ao se lembrar do que Do-Heon tinha dito.
Do-Heon costumava dizer que, aos olhos dele, Cheongyeon parecia uma criança, e na época ele achava que aquilo era mais uma questão de não o considerar igual como cônjuge e tratá-lo sempre como inferior.
Mas e se não fosse uma questão hierárquica, e sim que ele falava com um olhar de cuidado, como ele mesmo se preocupava com Jiyun?
Cheongyeon abraçou Jiyun, que em algum momento começou a cochilar, e repassou as palavras e os atos de Do-Heon.
Na verdade, se fosse questão de hierarquia, alguém como Do-Heon não teria tirado licença-paternidade por ele e por Jiyun, nem apoiaria a carreira de ator a esse ponto. É certo que houve muitos problemas no casamento anterior, mas, depois de se casarem de novo, Do-Heon vinha se esforçando e mudando sem parar para manter aquela relação.
Cheongyeon era quem sentia essa diferença mais de perto que ninguém. Então, por mais que a atitude de Do-Heon naquele dia o magoasse, a preocupação era, como Jihan dizia, legítima.
— Haa…
Será que eu devia ter aguentado mais? Quanto mais divagava, mais vinha o arrependimento de ter saído de casa e só ter aumentado o problema.
Quanto mais pensava, mais via razão no que Jihan dizia. Como ele se sentiu quando Jiyun ralou a mão? Ficou tão mal que preferia sentir a dor no lugar dele. Lembrava vivamente como ficava angustiado toda vez que via o curativo na palma da mão da criança por dias.
Será que Do-Heon não se preocupava com ele com esse mesmo sentimento? Embora a forma de transmitir isso fosse autoritária.
— Jiyun-a. Vamos fazer soninho com o papai.
— Uhum…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna