↫─Capítulo 207
Ex-Patrocinador — Extras
Extra 5 🎬 ∙ ∙ ∙ 🎥 ∙ ∙ ∙ 🎭
Felizmente, Jiyun estava sentado quietinho na cadeirinha, passando o tempo dobrando um lencinho de um lado e de outro. Valeu a pena ter ido ao médico: ele não parecia doente.
Aliviado, Cheongyeon conferiu em seguida as horas. E logo não teve como não se horrorizar.
21h08.
— Merda. E agora.
Uma exclamação cheia de desespero lhe escapou sozinha.
Ele achava que tinha dormido pouco, mas já passava das nove da noite.
— Ei, Moon Jiyun. Você que vive choramingando, por que não acordou o papai?
— Papai fez soninho. O Jiyuni cantô musiquinha pra dormi.
— Não, mas justo hoje, você que sempre me acorda, foi cantar cantiga de ninar…!
Cheongyeon, que de tão incrédulo já ia culpar Jiyun, logo se lembrou da idade dele. O que uma criança vai saber? Ainda mais de três anos.
Com a situação tão urgente, ele já estava falando bobagem até com o filho. Fechando a boca com firmeza, Cheongyeon tirou o celular.
— Papai dormiu bem?
— Hmm… O problema é que dormi bem demais, agora.
— Por quêee?
— O papai Moon Do-Heon deve estar muito aflito. E agora, Jiyun-a.
32 chamadas perdidas. Cheongyeon fechou os olhos com força.
Ao reabri-los, nesse meio-tempo entrava outra ligação. O remetente, obviamente, era Do-Heon.
Cheongyeon respirou fundo e apertou o botão de atender.
— Alô…
— Onde você está.
— Aqui… no estacionamento da sua empresa…
Cheongyeon falou com um fio de voz. A rigor, a única coisa errada que ele fez, foi dormir no estacionamento. E não era um erro tão grande.
Mas o problema era que, pelo contexto, era uma situação em que Do-Heon tinha motivo para se preocupar. Tinham discutido de manhã e, por coincidência, naquele dia não tinha ido trabalhar.
Num dia desses, sumir com Jiyun e ficar incomunicável — não havia como Do-Heon não se inquietar.
— Estacionamento da empresa? Espera aí.
Quando aquela voz grave saiu pelo alto-falante, Cheongyeon sentiu o sangue esfriar.
— Não! Não, Do-Heon-ssi, você está em casa? Eu vou para aí agora.
— Você…
— O-o Jiyun disse que quer ir para casa também. Eu vou.
— Não aconteceu nada, certo?
Do-Heon perguntou num tom sem oscilação. À primeira audição era uma voz parecida com a de sempre, mas Cheongyeon sabia. Que ele estava contendo a raiva.
— Não aconteceu nada. Desculpa por não atender. Eu só ia fechar os olhos um instante aqui…
— Chega em trinta minutos.
— Sim. Vou já!
Antes mesmo de terminar de responder direito, a ligação caiu de uma vez.
No começo ele achou que Do-Heon tinha desligado de raiva, mas logo descobriu que a bateria tinha acabado e o aparelho se desligou.
E se o Do-Heon entender errado de novo? Preocupado com isso, Cheongyeon dirigiu às pressas para casa.
Jiyun, com a febre já completamente baixada, cantava cantigas com afinco sozinho.
— Coelhinho, coelhinho. Aonde você vai?
— Haa, eu só queria fazer as coisas direito.
— Pulando! Pulando! Correndo.
Cheongyeon riu e ao mesmo tempo fez cara de choro ao ver Jiyun animado pelo retrovisor.
— Ainda bem que pelo menos você está animado…
Ele avistou Do-Heon de pé diante da casa pela janela do carro.
Cheongyeon reduziu a velocidade e parou o carro devagar.
Então a cabeça de Do-Heon, imóvel como uma estátua, se voltou para aquela direção.
Mesmo sendo quase dez da noite, ele estava com o mesmo terno com que saiu de manhã.
— Desce.
Assim que Cheongyeon parou o carro diante de casa, Do-Heon se aproximou e disse. Ele logo tirou Jiyun da cadeirinha no banco de trás.
Ao mesmo tempo, uma empregada saiu de dentro da casa. Parecia ter vindo às pressas após um chamado de Do-Heon. Do-Heon entregou Jiyun a ela.
Medindo a situação, a empregada recebeu Jiyun e entrou em silêncio na casa.
— …….
— …….
Ficando os dois sozinhos, a expressão de Do-Heon era mais fria do que nunca. Como ultimamente ele não via aquele rosto, Cheongyeon sentiu o coração afundar.
— Do-Heon-ssi. Deixa eu explicar primeiro. Hoje era o dia em que a babá e a senhora não vinham, e justamente o Jiyun teve febre. Então a gente foi ao médico e…
— Para que serve o motorista, então.
Do-Heon cortou e rebateu.
— Eu disse para você não andar sozinho por aí. Esqueceu?
— E-eu achei que isso eu podia fazer sozinho. Era tudo de carro. E eu mandei uma mensagem na frente da sua empresa…
— Se você tivesse ao menos deixado uma mensagem, a esta hora não teria um monte de gente na rua procurando você e a criança.
Aquilo era um mistério. Ele tinha certeza de ter mandado a mensagem. Será que se confundiu de tão atordoado?
Cheongyeon, inquieto, observava a reação de Do-Heon.
— Que estranho. Eu mandei mensagem de verdade.
— Além disso, hoje, se você sai na rua, tem gente aos montes que reconhece o seu rosto, e você levou a criança ao médico sozinho?
— Eu estava de máscara e boné, ninguém me reconheceu.
Quanto mais Cheongyeon falava, mais a expressão de Do-Heon se contraía com aspereza. A ponto de dar medo de encará-lo.
— Você acha que isso é desculpa para ficar incomunicável até tão tarde? Para começar, se a criança estava com febre, você devia ter falado comigo primeiro.
— Porque você devia estar ocupado. Eu só… não queria te preocupar…
A voz de Cheongyeon foi ficando menor. Do-Heon soltou um longo suspiro.
Depois de um breve silêncio, ele falou.
— O Moon Jiyun é seu filho, mas também é meu filho. E você é meu marido. Qual é o problema de um pai e marido se preocupar com a família?
— Eu…
O tórax de Do-Heon inflava e esvaziava repetidamente. O pomo de adão subindo e descendo, as veias saltadas no queixo, tudo mostrava o quanto ele estava suportando aquela situação.
Cheongyeon queria se justificar dizendo que apenas fez o melhor possível dentro da situação daquele dia. Mas, para insistir nisso, Do-Heon estava certo.
Se ele tivesse ligado para ele desde o início, se tivesse chamado o motorista, não teria sido preciso preocupá-lo a esse ponto.
Mesmo repetindo para si mesmo que não havia um único ponto errado no que Do-Heon dizia, num canto do coração de Cheongyeon a mágoa não desaparecia.
— Diz logo que você está com raiva do que aconteceu de manhã. Em vez de ficar dando desculpas esfarrapadas assim.
Era justamente essa atitude que o magoava.
Ele desconfiava que Cheongyeon tinha deixado de atender de propósito e sumido por causa da divergência daquele dia. E era com isso que Do-Heon estava ainda mais bravo.
Mesmo sem má intenção alguma, não havia como evitar que a situação fizesse parecer aquilo. E, por mais sinceramente que ele se explicasse ali, Do-Heon também consideraria aquilo desculpa.
Ele queria gritar perguntando por que ele ficava interpretando seus atos e pensamentos ao próprio bel-prazer, mas, quando erguia a cabeça e encarava Do-Heon, o que ia dizer voltava garganta abaixo.
Porque seus cabelos desgrenhados e a camisa amassada entraram em seu campo de visão. E até a gravata que ele mesmo amarrara de manhã sumiu sabe-se lá para onde. Olhando bem, três botões da camisa estavam abertos.
Ao ver alguém que valoriza acima de tudo a impecabilidade daquele jeito, mais desalinhado do que nunca, sua disposição de brigar cedeu um pouco.
Cheongyeon mudou de ideia e decidiu pedir desculpas. De qualquer forma, ele tinha passado o tempo todo dormindo tranquilamente, e nesse meio-tempo Do-Heon esteve preocupado.
— Desculpa. Eu jamais faria isso de propósito para te preocupar.
Quando Cheongyeon se desculpou primeiro, Do-Heon estreitou os olhos e baixou o olhar para ele.
— Mas… se a criança está doente, dá para levar ao médico sozinho, não dá?
— Não te ocorreu que devia me contar?
— Eu sei que você está na empresa, não dá para pedir para você vir na hora.
— Estando eu na empresa ou no exterior, é óbvio que eu tenho que saber. Se tivesse avisado ao menos o motorista, eu não teria me preocupado assim.
Mesmo depois do pedido de desculpas, o sermão de Do-Heon continuou. Não tinham se passado nem alguns minutos desde que ele jurara ser paciente, e a paciência de Cheongyeon também chegava ao limite.
Ele, à sua maneira, tinha tentado fazer bem as coisas, e o outro não entendia nada, o que dobrava a mágoa.
Além disso, Do-Heon era pai de Jiyun, mas ele também era. Se a criança adoece, é óbvio levá-la ao médico. Ele não entendia por que precisava ser tratado como um problema por causa disso. Não conseguia se livrar da impressão de que era Do-Heon quem o tratava não como pai do Moon Jiyun, mas como criança.
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna