↫─Capítulo 206
Ex-Patrocinador — Extras
Extra 4 🎬 ∙ ∙ ∙ 🎥 ∙ ∙ ∙ 🎭
— Toma o remédio e vamos ao médico com o papai.
— Papai. Papai não vai trabalhá?
Jiyun perguntou com os dois braços enlaçados no pescoço de Cheongyeon, piscando os olhos grandes. Ao ver aquelas pupilas tão parecidas com as suas, veio-lhe uma compaixão que ele não sabia explicar.
Cheongyeon deu tapinhas nas costas do menino enquanto procurava um antitérmico infantil.
— Com o meu Jiyun doente, eu vou aonde?
— Hehe.
— Da próxima vez, se estiver doente, você tem que avisar o papai.
— Uhum. Mas o papai grande sabe. Que o Jiyuni tá doentinho. Sabe assim, rapidinho.
— …Pois é. O papai grande percebe tão rápido, e o papai percebeu tarde demais. Desculpa.
Talvez por ter passado mais tempo com Jiyun quando ele era bebê, Do-Heon percebia logo quando ele estava doente, mesmo sem ele dizer nada.
Naquela época, Cheongyeon, pressionado pelo medo de não conseguir voltar depois do parto, se esforçava para dar conta de toda a agenda além da conta. Ele era grato por Do-Heon compreender e cuidar de Jiyun, mas, na mesma medida, ficou com um sentimento de dívida com os dois.
Culpando a si mesmo por ser desajeitado na criação, Cheongyeon pegou o antitérmico e deu a Jiyun. Felizmente Jiyun não chorou nem fez mais birra.
Será que agora eu ligo para o Do-Heon e digo que vou ao médico?
Cheongyeon ponderou observando Jiyun, que se acalmava depois do remédio. Mas o que mudaria se contasse a ele? Ele estaria ocupado com a empresa e, se dissesse que ia ao médico, no fim só o deixaria preocupado. E a conversa de manhã tinha terminado mal, por divergência de opinião…
— Justo num dia desses eu estar sozinho.
Foi um momento em que ele percebeu com nitidez o quanto vinha vivendo com a ajuda de muita gente.
Cheongyeon sentiu tudo à frente ficar nebuloso. Mas logo mudou de ideia.
Não dava para viver só recebendo ajuda. Levar sozinho o filho ao médico não era nada demais. Qualquer pai faz isso, e ele também teria de passar por isso algum dia.
Por ora, como podia ser vírus ou gripe, o certo era fazer exames logo.
Cheongyeon se preparou para sair com Jiyun no colo. Depois de separar fraldas de reserva, lenços umedecidos, álcool em gel, sapatos, sacola plástica, banana, queijo e suco, a bolsa ficou pesada.
Por fim, com boné e máscara cobrindo o rosto, Cheongyeon foi com Jiyun até a garagem.
Fosse pelo efeito do remédio ou pelo cansaço da doença, Jiyun tinha adormecido nesse meio-tempo. Ao tocar seu rosto com cuidado, a febre estava considerável.
— Jiyun, hoje a gente não vai à creche, vamos ao médico com o papai.
Cheongyeon sussurrou para Jiyun, de rosto avermelhado, enquanto o sentava na cadeirinha. E então empunhou o volante com determinação.
A médica examinou a garganta de Jiyun e pôs o estetoscópio em seu peito. Depois de ouvir a respiração por um instante, ela logo baixou o estetoscópio.
— A garganta está um pouco vermelha, mas o som dos pulmões está limpo.
Depois de conferir mais alguns sintomas e a temperatura, a médica assentiu com convicção.
— Não há indícios de gripe nem de pneumonia, parece um resfriado simples. Acho bom acompanhar a evolução tomando remédio por alguns dias.
Ao ouvir o parecer, Cheongyeon soltou enfim um suspiro de alívio. Jiyun, que já tinha acordado e piscava devagar, se remexeu em seu colo. Talvez nem tivesse energia para chorar: ficou quietinho enquanto mediam a temperatura e o auscultavam.
— Só tomar o remédio e descansar e não tem problema, certo?
— Sim. A febre não está alta e a disposição está razoável.
— Obrigado, doutora.
Depois de se despedir, Cheongyeon pagou a consulta e recebeu a receita. Quando pegou os remédios na farmácia, junto com o alívio veio o esgotamento.
A pediatria estava cheia e o tempo de espera foi longo. Como só havia crianças ao redor, tudo era choro e barulho de correria. No começo havia tanta gente que ele teve de esperar dezenas de minutos de pé.
Depois de tanto tempo acalmando Jiyun na sala de espera, seus braços e sua cintura formigavam. Como a criança também parecia entediada, depois da consulta ele foi com a sacola de remédios até um parque próximo. Então, como ele disse que estava com fome, deu-lhe um lanche e passearam um pouco.
Jiyun já se movia muito bem. Bastava desviar os olhos por um instante para ele disparar longe como um coelho. Por isso não dava para relaxar nem um segundo.
Entre fotografar o menino pulando para tentar pegar uma borboleta e correr atrás dele para trazê-lo de volta quando ia longe demais, o tempo voou.
Felizmente, o remédio prescrito pareceu funcionar bem e a febre de Jiyun logo baixou.
— Jiyun-a, vamos para casa.
— Quero brincar mais!
— Está tarde. Se a gente não for agora, vai ter muito carro.
— Iin…
Ele fez birra por um instante, mas logo Jiyun estendeu os braços pedindo colo. Pelo jeito estava mais cansado que o normal por causa do resfriado.
Ao erguer o menino no colo, um cheirinho doce de leite em pó roçou a ponta de seu nariz. Cheongyeon inspirou fundo aquele cheiro e foi até onde tinha estacionado.
— Quando o papai vem? Papaaai…
— O papai grande? Ainda vai demorar um pouco.
Quando o sentou na cadeirinha, Cheongyeon inclinou a cabeça e perguntou.
— Está com saudade?
— Sim! Tô com saudadi.
— Hummm… Então vamos buscar o papai na empresa dele?
— Buscá? Que é buscá?
Jiyun inclinou o rosto para o lado e perguntou com olhos curiosos. Inclinar a cabeça sempre que aparecia uma palavra desconhecida era um hábito de Jiyun.
Cheongyeon riu e ligou o carro.
— Ir buscar o papai é o que a gente chama de buscar.
— Sim. Vamo buscá. O Jiyuni quer.
Conferindo o relógio, faltava uma hora e meia para Do-Heon sair do trabalho. O dia todo já tinha ido embora assim. Pelo visto eles tinham passado muito tempo na pediatria.
Cheongyeon segurou o volante sorrindo.
— Isso. Vamos buscar o papai na empresa.
Quando Cheongyeon estacionou no subsolo do prédio do Grupo JT e olhou para trás, Jiyun tinha adormecido nesse meio-tempo. Não era à toa que ficou quieto o caminho inteiro.
Ao conferir as horas, faltava apenas cerca de uma hora para Do-Heon sair.
O clima de manhã tinha sido meio frio, mas ainda havia espaço de sobra para resolver conversando. Pensando em ao menos mandar uma mensagem primeiro a Do-Heon, Cheongyeon tirou o celular.
— Papaaai?
— Ué? O Jiyun acordou?
Ele estava justamente mandando a mensagem para Do-Heon quando ouviu Jiyun chamando atrás. Apertou rápido o botão de enviar e, ao se virar, viu Jiyun com cara de choro.
— O Jiyuni, banheiro…
— Banheiro? Espera um pouquinho. O papai leva você rapidinho.
Diante da palavra banheiro, Cheongyeon soltou o cinto e saltou para fora do carro. Ele ia correr com Jiyun no colo até o banheiro do primeiro andar, mas Jiyun fez birra dizendo que queria correr sozinho.
— Eu! O Jiyuni quer! Assim. Sim?
— Ha, vou enlouquecer. Com essas perninhas curtas.
— Não! O Jiyun é grande!
Sem conseguir vencer Jiyun, que se debatia para escapar do colo de qualquer jeito, Cheongyeon acabou pondo o corpinho no chão.
— Olha, não pode fazer xixi no caminho, hein, sério…
— Uhum!
Correndo atrás do menino que disparava sem nem olhar para a frente, Cheongyeon sentiu um cansaço profundo. Criar filho sozinho não era fácil mesmo.
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Quanto tempo teria passado? Junto com a sensação de um silêncio incomum ao redor, seu corpo parecia bem mais leve.
Era uma sensação de descanso, como acordar de manhã depois de dormir bem. Mas o entorno estava escuro e silencioso. Não havia sinal de luz da manhã nem procurando com lupa.
— …O quê?
Quando Cheongyeon falou sozinho sem perceber, saiu uma voz turva.
Quanto tempo eu dormi, afinal? Onde é que eu estou mesmo?
Ainda com a mente nublada pelo sono, ele olhou ao redor e a primeira coisa que viu foi o volante. Em seguida, os carros estacionados em ordem entraram em seu campo de visão.
— Ué, por que…
Por que eu estava dormindo no carro?
No instante em que teve essa dúvida, tudo o que aconteceu naquele dia lhe atravessou a mente.
A briga com Do-Heon de manhã. A febre de Jiyun. Depois o hospital, e o passeio com Jiyun, e a espera no estacionamento da empresa de Do-Heon…
Ah. E, como Jiyun insistiu que queria ir ao banheiro, eles subiram correndo ao primeiro andar. Como ele fez birra para andar sozinho, ao voltar do banheiro com a criança ele estava realmente exausto.
De volta ao carro, Cheongyeon se sentou e adormeceu junto com Jiyun.
Ele tinha certeza de que só ia fechar os olhos um instante, mas, ao acordar, um bom tempo parecia ter passado.
— Moon Jiyun…!
Cheongyeon conferiu depressa o banco de trás.
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna