↫─Capítulo 205
Ex-Patrocinador — Extras
Extra 3 🎬 ∙ ∙ ∙ 🎥 ∙ ∙ ∙ 🎭
— Ator. Não seria bom informar o senhor diretor sobre o conteúdo do roteiro com antecedência?
Terminada a leitura, no carro a caminho de casa, o empresário abriu a boca com cautela.
Àquela altura ele nem tentava mais esconder que era um vigia instalado por Do-Heon, e às vezes até puxava ele mesmo o assunto sobre Do-Heon.
Cheongyeon também sabia disso, e, como o empresário não relatava tudo a Do-Heon, ele não se incomodava muito.
Casado com Do-Heon e já com um filho, seria estranho não querer que notícias do trabalho chegassem aos ouvidos dele; e ele já sabia que aquilo era menos vigilância e mais preocupação.
— Por quê? Nem é cena de amor.
— Mas, como envolve o corpo, acho que ele vai se preocupar.
Cheongyeon ponderou um instante. Ele não costumava discutir o trabalho em detalhes com Do-Heon. Se explicasse tudo, de cabo a rabo, se lamentando, Do-Heon não sabia dosar e ficava tentando ajudar por trás.
Ele ainda ouvia de vez em quando que era ator graças ao prestígio do marido empresário, e não tinha a menor intenção de transformar o boato em fato. Um dos motivos de Cheongyeon levar essa cena de ação tão a sério era justamente a consciência desses boatos. Ele queria mostrar que também conseguia se dedicar ao máximo a qualquer gravação, sem se esquivar.
— Está tudo bem. Ele não é uma pessoa tão fechada assim.
Cheongyeon tranquilizou o empresário. Em vez de insistir, o empresário assentiu.
— Se for assim, melhor.
Mas ele percebeu que aquilo era apenas uma ilusão sua logo no dia seguinte.
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— Ouvi que as gravações do filme começam em breve.
Do-Heon tinha acabado de comer e já estava pronto para sair. Aproveitando o tempo que sobrava, ele segurava Jiyun, que acabara de acordar.
— Isso. Ouvi dizer que o cronograma sai dentro do mês que vem.
Cheongyeon respondeu sem dar importância. Nesse meio-tempo, Jiyun se remexeu com afinco no colo de Do-Heon e acabou subindo e se sentando em seus ombros. Então agarrou seus cabelos e curtiu a nova altura.
— Moon Jiyun. O papai grande precisa ir trabalhar, como é que você estraga todo o cabelo e a roupa dele?
Cheongyeon advertiu Jiyun e estendeu a mão, mandando que viesse. Jiyun balançou a cabeça e resistiu.
— Não. Papai não vai. Brinca com o Jiyuni…
O próprio Do-Heon não se importava nem um pouco de a roupa amassar.
Para Cheongyeon, que conhecia o Do-Heon de antes, que gostava de tudo em ordem e vivia dentro das regras que ele mesmo definia, aquela imagem ainda lhe era estranha às vezes.
O certo é que ele amava também o Do-Heon de antes, mas agora passou a amá-lo ainda mais.
— O papai te põe nos ombros, vem cá, Jiyun.
— Não. Nãããooo!
Por mais que Cheongyeon tentasse convencer, Jiyun era irredutível. Talvez porque Do-Heon fosse alto, Jiyun gostava muito mais de ficar nos ombros dele do que nos de Cheongyeon.
— O que deu nele hoje. Do-Heon-ssi, não cede a toda a birra dele.
— Vamos descer.
Só então Do-Heon o acalmou e o tirou dos ombros. Mas Jiyun não parou de fazer manha.
Ele só saiu do colo de Do-Heon docilmente depois de arrancar de Cheongyeon a promessa de comer biscoito.
— Você disse que hoje nem a babá nem a senhora vêm?
— Sim. A senhora já ia folgar mesmo e a babá teve um imprevisto.
Cheongyeon respondeu enquanto ajeitava tardiamente o cabelo bagunçado de Do-Heon. Do-Heon baixou um pouco a cabeça para que Cheongyeon alcançasse com facilidade.
— Vai dar conta sozinho?
— Eu cuido muito bem do Moon Jiyun. Você não confia em mim?
Cheongyeon disse com confiança, rindo.
— Sei lá. Criança cuidando de criança me deixa inseguro.
— …….
Como não parecia provocação, mas algo que ele realmente pensava, Cheongyeon fez bico. E então se lembrou de que estavam falando do filme.
Com criança em casa é assim, uma loucura. O assunto muda a cada segundo.
— Enfim, desta vez eu vou ter que fazer umas aulas na escola de ação antes das gravações.
— Tinha cena de ação?
Do-Heon devolveu a pergunta como quem ouve aquilo pela primeira vez. Cheongyeon assentiu sem dar importância. E estendeu a mão para ajeitar a gravata, agora torta.
— É um salto de um prédio, mas com cabo de aço…
— Pular de onde?
Do-Heon franziu o cenho e devolveu a pergunta.
— Ah. Não é um prédio de verdade, é um set com altura de quatro andares.
— Não pode.
— …Como?
— Não pode porque é perigoso. Para pular de prédio, usa dublê.
Diante daquela recusa categórica, Cheongyeon arregalou os olhos e ergueu o rosto para Do-Heon.
— É uma cena importante e, se usar dublê, vai dar para perceber, então eu quero fazer pessoalmente se der.
— Cheongyeon-a. Nada que te coloque em perigo pode.
Do-Heon reafirmou a recusa com calma. Ao mesmo tempo, a mão de Cheongyeon que ajeitava a gravata estancou.
A atitude de Do-Heon de dizer um “não” categórico sem sequer ouvir direito o que ele tinha a dizer era frustrante e, ao mesmo tempo, magoava.
Mas logo lhe ocorreu que, do ponto de vista de Do-Heon, era compreensível se preocupar. Ele já tinha ido a um set, mas não conhecia em detalhe como as coisas funcionam.
— Hoje em dia tem todos os dispositivos de segurança. A aterrissagem é em airbag, nem é tão perigoso quanto parece. Eu pulo do quarto andar e depois eles fazem CG para parecer que foi de um andar alto. E…
— Esses dispositivos não garantem segurança total.
— Eu vou tomar mais cuidado. Sim?
— O que não pode, não pode.
Do-Heon cravou. E então conferiu o relógio no pulso e se virou para a entrada.
— Eu vou indo.
— …….
Cheongyeon ficou parado, aturdido, vendo Do-Heon sair para o trabalho. Jiyun, que estava quietinho entre os dois, só então saiu andando com os passinhos dele tentando segurar Do-Heon.
— Papaaai…. Buááá.
Jiyun agarrou a barra da calça de Cheongyeon e caiu no choro. Ao mesmo tempo, Do-Heon fechou a porta e saiu de casa.
Cheongyeon pegou a criança no colo e suspirou. Pelo visto não seria fácil conseguir permissão.
Desde cedo o humor despencou.
Quando Cheongyeon ia pôr arroz com acompanhamento na boca de Jiyun, ele fechou os olhos com força e balançou a cabeça.
— Você prometeu para o papai que ia comer direito.
— Não quero comer. O Jiyuni não come.
— Eu disse que na hora de comer a gente fica sentado, né? Por que hoje você não obedece?
Cheongyeon advertiu segurando Jiyun, que se levantou de um salto e tentava descer da cadeira.
Àquela altura a birra já devia ter parado, mas Jiyun insistia em sair da mesa. E não bastasse, pegou o copo à sua frente e tentou jogá-lo.
— Moon Jiyun!
No fim, Cheongyeon ergueu a voz. Ele pegou o copo às pressas antes que Jiyun realmente arremessasse o que tinha na mão.
— Buááááá!
Ao mesmo tempo, Jiyun irrompeu num choro alto.
Concluindo que não daria mais para comer, Cheongyeon tirou todos os pratos e pegou Jiyun no colo. Não era choro de mentira: os olhos estavam vermelhos e lágrimas grossas escorriam.
— O que deixou meu bebê de mau humor assim? Hã?
— O Jiyuni, fungada, não quer, comê…
— Não queria comer tanto assim? Então não come. Não precisa comer.
— Hiin.
— Se não vai comer, o que a gente faz? Hum, brinca com o papai?
Com pena do choro, Cheongyeon beijou a bochecha de Jiyun e o acalmou. Só então Jiyun se aquietou. Piscou choramingando e se aninhou no colo de Cheongyeon.
Não sabia se era impressão, mas a temperatura dele parecia um pouco mais alta que o normal. Cheongyeon se virou às pressas para procurar o termômetro.
— Onde está o termômetro.
Ele naturalmente ia chamar a babá ou a senhora, mas logo se lembrou de que nenhuma das duas tinha vindo e abriu ele mesmo as gavetas. Vasculhando alguns lugares, felizmente achou um termômetro infantil.
Ao medir a temperatura às pressas, 38 graus. Aquilo certamente estava fora do normal. Era febre mesmo.
— Então o Jiyun estava difícil de manhã porque estava doente.
— Uhum. O Jiyuni tava doentinho.
Jiyun assentiu e ergueu os olhos para Cheongyeon com ar sofrido.
— Onde dói? A cabeça ou a garganta?
— O rosto tá quente. Assim, pegou fogo.
— O rosto estava quente como se tivesse pegado fogo?
— Uhum…
Respondendo como quem balbucia, Jiyun voltou a se enfiar no colo de Cheongyeon. Ele ficou com pena de ter brigado achando que ele estava só manhoso naquele dia, sem saber de nada.
Quando não estão bem, as crianças ficam mais irritadas e manhosas. É natural, e ele é que não percebeu logo. Devia ter prestado mais atenção.
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna