↫─Capítulo 169
— Você. É melhor voltar para o hotel agora mesmo.
Da voz grave, tomada pelo calor, saiu um leve som metálico.
Cheongyeon também sabia o que aquela mudança sutil significava. De algum modo, sentindo a boca ficar seca sem parar, Cheongyeon engoliu em seco.
— …Eu me viro.
— Cheongyeon-a.
— …….
Do-Heon , que já tinha se aproximado dele, falou com brandura, como quem tenta convencer.
— Não posso te deixar ir sozinho a esta hora da noite. Você sabe disso.
Cheongyeon pretendia rebater dizendo que ele não se metesse, caso ordenasse de forma arbitrária mais uma vez. E pensava em se desvencilhar e sair.
Mas falar com preocupação, como agora, era jogo sujo.
Do-Heon voltou a pôr o paletó sobre os ombros de Cheongyeon.
— Veste. Sair assim é perigoso.
E não parou por aí: fechou ele mesmo os botões.
Cheongyeon baixou os olhos para o alto da cabeça de Do-Heon, que se curvara para abotoar o paletó, grande demais para ele.
Por algum motivo, as pontas dos dedos formigavam. A garganta também parecia se fechar.
— Eu tenho um casaco também…
No fim, em vez de empurrá-lo com rispidez, Cheongyeon murmurou quase para si mesmo.
— Aquilo é curto demais.
— …Antiquado.
— Estou tentando corrigir, mas essa parte não sai bem.
— …….
Antes ou agora, havia em Do-Heon um lado imutável. Mesmo depois do divórcio, depois de dizerem um ao outro palavras que feriam, depois de terem visto até o abismo um do outro até enjoar, Do-Heon continuava tratando-o como antes.
Não. Vendo-o agora sentir ciúme e raiva sem constrangimento, parecia até mais sincero do que antes.
Por que será? Ele também estaria bêbado? Ou a pessoa teria mudado nesses seis meses em que não se viram?
[Aqui está a conta.]
Quando o funcionário trouxe a conta junto com a caneta, Do-Heon sacou o cartão.
Cheongyeon observou aquilo, aturdido. As sobrancelhas bem-feitas dele, a orelha branca, a veia saltada na nuca…
E, logo em seguida, sentindo uma espécie de perigo, virou o rosto.
Se continuasse assim, sentia que não aguentaria e enlaçaria os braços naquele pescoço longo e elegante para beijá-lo.
Era certo que tinha perdido o juízo. Era por causa da bebida. Depois de ter se decepcionado e enjoado tanto de Do-Heon, e ainda assim se deixar seduzir de novo pela aparência dele.
— Aonde você vai?
Quando Cheongyeon se virou às pressas em direção à saída, Do-Heon perguntou.
— Ao banheiro. Eu me viro para voltar, então o senhor diretor também pode ir embora.
Ao que parecia, ele precisava lavar o rosto. Ah. Será que ainda havia maquiagem na região dos olhos? Então era melhor pelo menos lavar as mãos com água fria.
Antes que Do-Heon respondesse, Cheongyeon caminhou como quem foge na direção da placa do banheiro.
Como convinha a um bar sofisticado, felizmente havia um banheiro exclusivo para ômegas masculinos. Cheongyeon parou diante da pia e se olhou no espelho.
O rosto estava avermelhado pelo álcool. As pupilas estavam levemente dilatadas e a postura parecia mais torta que o normal. Como o paletó de Do-Heon era grande demais, ele também parecia meio ridículo.
De todo modo, qualquer um veria uma pessoa bêbada. Quatro taças foram demais mesmo?
Ao abrir a torneira e lavar as mãos, a sensação gelada se espalhou a partir das pontas dos dedos. A razão embotada começou a voltar lentamente.
— Por favor, vamos cair na real.
Cheongyeon disse, respirando fundo e longamente. Logo fechou a torneira e secou com papel a água que restara nas mãos.
Mas manter a sanidade não era tão fácil quanto dizer. Aquela situação custava a lhe parecer real.
Sinceramente, ele ainda não conseguia acreditar que estivera sentado lado a lado com Do-Heon numa mesa de bar naquele país estranho, trocando bate-bocas infantis.
Chegou-lhe até o pensamento absurdo de que talvez estivesse bêbado e sonhando.
Quando saiu, como que a lembrá-lo de que aquela situação não era um sonho, Do-Heon esperava em frente ao banheiro. Ele estava com aquele olhar indiferente de sempre, contemplando a paisagem noturna de Nova York que se estendia do lado de fora da janela.
Encostado à parede com uma das mãos no bolso, ele era belo o bastante para varrer toda a angústia de instantes atrás. Mesmo apoiando ou inclinando o corpo em algum lugar, sua postura nunca ficava curvada, e ele sempre exalava um ar nobre.
Ao ver o corredor que se estendia longamente ao lado dele e as luzes cintilantes da metrópole à frente, dava a sensação de estar apreciando uma cena de filme.
Era o que ele sempre pensava, mas Do-Heon era um homem que combinava com a cidade.
— Por que não foi embora.
Quando Cheongyeon se aproximou, fingindo que não o havia espiado, Do-Heon finalmente virou a cabeça.
— Qual é o número do quarto.
Ele aparentemente concluíra que era óbvio que Cheongyeon estivesse hospedado no hotel daquele prédio.
Mas o próprio Cheongyeon nem sabia que havia um hotel ali.
— Não estou hospedado aqui.
— Então em que hotel.
******
O hotel em que Cheongyeon estava hospedado não ficava longe do bar, mas era uma distância ambígua para se ir a pé. Ainda mais bêbado.
Quando Cheongyeon abandonou a teimosia e disse o nome do hotel, Do-Heon pareceu entender de imediato onde ficava. Dava a impressão de conhecer muito bem Manhattan.
O motorista de Do-Heon chegou rapidamente à frente do prédio, e Cheongyeon voltou ao hotel no carro dele.
Mesmo assim, Do-Heon fez questão de insistir em levá-lo até o quarto.
Ele até desconfiou por um instante se não estaria armando alguma, mas, ao ver os próprios passos cambaleando a cada movimento, entendeu até certo ponto a reação dele.
— …Boa viagem de volta.
Cheongyeon se despediu, sem jeito, parado bem em frente ao quarto.
Quando tirou o cartão-chave, destravou a porta e segurou a maçaneta, Do-Heon fez um gesto com o queixo, como que dizendo para ele entrar.
Cheongyeon não entrou de imediato e parou. Os olhares se enlaçaram no ar.
As pupilas negras dele foram descendo aos poucos e percorreram o corpo inteiro de Cheongyeon. Mesmo agasalhado, ele se sentia despido diante daquele olhar que o atravessava por dentro e por fora.
— Vai.
Do-Heon apressou em voz baixa.
Entre os dois não houve sequer a despedida protocolar que promete um próximo encontro.
Cheongyeon sentiu um aperto, como se tivesse algo entalado na garganta. Sem responder, empurrou com força a porta pesada e entrou no quarto.
Alguns segundos depois, a porta do quarto de hotel se fechou por completo.
— Haa…
Cheongyeon encostou as costas na porta e respirou com dificuldade.
O interior do quarto às escuras era apenas frio e silencioso.
Seu coração estava profundamente abalado. Aquilo era o certo, mas ele tinha a sensação de que estava errado.
Cheongyeon ficou em silêncio, pensando em Do-Heon. As palavras que ele lhe dissera hoje, os gestos, o olhar… cada detalhe se infiltrava por dentro dele e revirava tudo, de forma vertiginosa.
Será que Do-Heon já foi embora?
— …….
Depois de mordiscar o lábio inferior por um bom tempo, Cheongyeon desencostou o corpo da porta.
Sentia que só se acalmaria a agitação interna se confirmasse que ele tinha ido embora.
Hesitante, Cheongyeon abriu a porta de novo. Colocou apenas a cabeça para fora, para ver se o corredor estava vazio.
Naquele instante, quase escapou um grito de sua boca.
Do-Heon ainda estava parado diante da porta.
Assustado, Cheongyeon enrijeceu as costas e olhou para ele.
— Por que não foi embo… hnn!
Assim que abriu a boca, depois de hesitar, Do-Heon o beijou como se avançasse sobre ele.
As palavras que ele ia dizer, perguntando por que não tinha ido embora, sumiram garganta abaixo.
Talvez fosse uma pergunta desnecessária. Afinal, o motivo devia ser o mesmo pelo qual ele mesmo tinha se dado ao trabalho de abrir a porta e sair de novo.
— Hmm… hng.
O feromônio está forte demais.
Com o beijo de Do-Heon, a razão que ele segurava com tanto empenho se dissipou num piscar de olhos.
Quanto mais denso o feromônio alfa, mais eletrizante. Era como se não só o corpo inteiro, mas até a mente estivesse sendo devorada por ele.
— Ah!
Beijando-o desnorteado, Do-Heon empurrou Cheongyeon para dentro do quarto de hotel. O som da porta batendo às suas costas soou terrivelmente obsceno.
— Huu.
No breve intervalo em que separaram os lábios, o hálito quente de Do-Heon se espalhou pela bochecha de Cheongyeon. Cheongyeon estremeceu e a pele da nuca se arrepiou.
Do-Heon voltou a segurar o rosto de Cheongyeon e a beijá-lo. Entre os lábios, o hálito denso passava sem perder uma gota. A língua percorria insistentemente a arcada e as gengivas, depois procurava a língua de Cheongyeon e a sugava como quem a prende.
— Hng… hnn. Haa.
Cheongyeon, sacudido sem defesa por aquele beijo intenso, ainda assim o puxava para mais perto. Quando enlaçou os braços em seus ombros e colou os corpos, o feromônio alfa familiar se derramou sobre ele por inteiro.
Era mais do que ele tinha imaginado no bar. A cabeça esquentava a ponto de parecer que ia explodir.
— Haa, haaa.
Quando Cheongyeon se remexeu tentando se enterrar mais no abraço dele, Do-Heon ergueu seu corpo de uma vez.
A surpresa da sensação de flutuar durou pouco: com familiaridade, Cheongyeon enlaçou as pernas na cintura dele e se pendurou. E o beijou.
E não parou por aí; com as mãos, acariciava sem cessar o pescoço e os ombros de Do-Heon.
Depois de deitar Cheongyeon sobre a cama, Do-Heon passou a mão bruscamente pelo cabelo. Apressado, afrouxou a gravata e começou a tirar a roupa de Cheongyeon.
Quando abriu o paletó que ele mesmo lhe vestira, revelou-se a pele de Cheongyeon, já ruborizada. Como a peça era muito decotada na frente e sem mangas, os pequenos mamilos apareciam a cada vez que ele se remexia.
Do-Heon contemplou aquilo e cerrou os dentes.
— Como é que você teve a ideia de sair de casa com uma roupa dessas?
— Figurino, de filmagem, já disse…
— Você faz ideia de como aquele desgraçado olhava para você, com que segundas intenções?
Não era exatamente uma fala bonita, mas a voz de Do-Heon instigava sua excitação.
Cheongyeon tentou tardiamente agarrar a razão que já tinha praticamente evaporado.
Mas, por mais que repetisse para si mesmo que precisava parar ali, que já tinha acabado entre eles, não conseguia se controlar. Cabeça e corpo agiam completamente separados.
Para empurrá-lo a esta altura, tanto o feromônio quanto o cheiro dele eram doces demais.
No fim, Cheongyeon o segurou e implorou por outro beijo.
— Droga, você melhorou nos beijos.
Ele mordeu o lábio inferior de Cheongyeon e se irritou, como se aquilo fosse motivo de rancor. Era quase um interrogatório.
Cheongyeon soltou o ar contido, segurou o rosto de Do-Heon com as mãos e encarou seus olhos. Ao mirar aquelas pupilas oscilando apenas de desejo por ele, um arrepio percorreu sua espinha.
— …Ha. Não posso melhorar?
Em seguida, exatamente como tinha imaginado no bar, Cheongyeon beijou o dorso liso do nariz de Do-Heon. E chegou a estender a língua e lambê-lo, provando o sabor.
— Com que desgraçado você praticou.
Do-Heon murmurou, bufando.
Embaixo, ele já sentia a coluna dele dura e ereta. A cada vez que os quadris se chocavam, a temperatura escaldante era transmitida de forma crua e fazia o ventre formigar.
Do-Heon segurou a pélvis de Cheongyeon, pressionando-a para baixo, e voltou a enterrar os lábios nos dele, avançando. Mesmo com dificuldade para respirar, Cheongyeon se contorcia, embriagado de êxtase.
— Quem é. Não fiquei sabendo que você estava saindo com alguém.
— Ah, hng.
— Se encontraram escondidos? Hein?
Do-Heon desceu os lábios e mordeu com força a nuca de Cheongyeon. E enfiou a mão por dentro da roupa fina.
— Você se vestiu assim para mostrar para aquele desgraçado?
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna