↫─Capítulo 168
— Eu? Não me faça rir. E você, então?
Ele, na verdade, parecia não dar a mínima para o tratamento grosseiro e, com o rosto de quem tinha muito a dizer, virou a flecha contra Cheongyeon.
— Eu o quê.
— Quem é que estava se engraçando todo animado com aquele cara?
O quê? Se engraçando?
— Do que é que você está…
Ia negar por hábito, mas Cheongyeon parou de falar.
Sinceramente, era verdade que ele tinha ficado colado em Jeff justamente porque estava consciente de Do-Heon e queria que ele visse, então não teve vontade de se justificar.
Pensando bem, tanto ele quanto Do-Heon podiam flertar com quem quisessem, não? Agora ambos eram oficialmente solteiros e não estavam mais ligados por nenhum contrato.
Então esquentar a cabeça daquele jeito era inútil. E não havia motivo para receber repreensão.
— Pensando bem, é verdade que eu estava me engraçando. Mas e daí?
Quando Cheongyeon admitiu sem resistência, a expressão de Do-Heon endureceu num átimo.
Ele ficou imóvel como uma estátua, apenas encarando Cheongyeon por um bom tempo.
[Mais uma bebida aqui, por favor.]
Encara à vontade, e daí?
Ignorando levemente aquele olhar, Cheongyeon sentou-se de novo na cadeira e chamou o bartender.
— Chega. Você já bebeu três.
Quando foi que ele viu tudo isso. Cheongyeon lançou-lhe um olhar atravessado, incrédulo.
— Não quero. Se o senhor diretor também veio procurar um parceiro, encontre logo e vá embora.
O bartender, ocupado limpando copos e atendendo outros clientes, parecia não ter escutado o pedido. Cheongyeon estalou a língua, frustrado.
— Parceiro?
— Por que fingir que não sabe? Desde que entrou já veio anunciando aos quatro ventos com o feromônio.
— Não sei do que você está falando.
Não sabe mesmo? Só agora o feromônio está transbordando a ponto de encher o bar inteiro?
Cheongyeon achou detestável a cara de pau com que ele mentia daquele jeito descarado.
— Para quem nega, estava bem risonho e cheio de simpatia com uma ômega que nem conhece.
— O quê? Quando.
É claro que aquilo era invenção da cabeça dele. Ele não tinha visto Do-Heon rindo e se divertindo com nenhum ômega.
O que vira de fato foi apenas um ômega espiando Do-Heon e depois se aproximando dele.
Se os dois riram juntos depois disso, se trocaram números, isso ele não sabia.
— Se não foi, tanto faz.
Cheongyeon disse com uma voz leve, sem o menor traço de responsabilidade pelas próprias palavras.
Do-Heon, parecendo bastante injustiçado, soltou um “Ha!” e pôs a mão na cintura.
Pouco importando a ele, Cheongyeon voltou a gesticular para o bartender, tentando pedir outro coquetel.
— Quando foi que eu me diverti com outro ômega? E quanto ao feromônio…
Do-Heon parou no meio da frase. Contra seu feitio, parecia não ter encontrado o que dizer.
Como quem já esperava por isso, Cheongyeon ergueu o queixo.
— De todo modo, não aconteceu nada disso.
— …….
— E não tenho a menor intenção de me envolver com outro ômega.
Do-Heon disse, bem mais calmo. Havia na voz dele uma indignação que não conseguiu esconder por completo.
Ainda assim, mesmo naquele instante, Cheongyeon sentia o feromônio dele de forma muito explícita.
Para ser exato, se fosse outro alfa, não seria algo que chamasse tanta atenção; o que ele queria dizer era “explícito para os padrões do Moon Do-Heon”.
Se o critério era estranho, não havia o que fazer. Desde o início era impossível colocar Do-Heon no mesmo patamar dos outros alfas. Ele sempre foi um ser que se distinguia dos demais de forma incomparável.
Ainda mais que, quando morava com ele, escondia o feromônio a ponto de fazer duvidar se não era beta. E agora expor mais do que o necessário não lhe agradava nem um pouco.
Por qualquer ângulo que se olhasse, só dava para interpretar como alguém querendo encontrar um ômega para passar a noite num bar.
— Sim. O senhor diretor não fez nada disso. Entendi, então pode ir embora? Se ficarmos juntos e alguém tirar mais uma foto, minha situação vai ficar realmente complicada.
— …Aqui só entra quem tem a identidade verificada. Isso não vai acontecer.
Do-Heon disse, indicando com os olhos onde estavam os seguranças. Cheongyeon também virou a cabeça acompanhando-o e conferiu a direção em que os seguranças estavam sentados.
Aquilo queria dizer que eles estavam o tempo todo de olho? Cheongyeon inclinou a cabeça e olhou ao redor.
Sem que ele percebesse, as pessoas no bar já estavam concentradas em seus próprios assuntos e não pareciam mais interessadas naquele lado. Para começar, não era um lugar com muita gente.
Se fosse na Coreia, vá lá, mas ali eram os Estados Unidos. Para eles, tanto ele quanto Do-Heon eram apenas desconhecidos, então pareciam ter tratado a confusão de pouco antes como algo qualquer.
Bem, de fato. A chance de haver justamente um americano que o reconhecesse num bar sofisticado daqueles, onde nem os locais conseguem reserva com facilidade, era baixíssima. E a possibilidade de um jornalista infiltrado, mais improvável ainda.
[Desculpe a demora. Deseja fazer um novo pedido? O cavalheiro ao seu lado mudou.]
O bartender, que estava ocupado preparando coquetéis, aproximou-se de Cheongyeon e sorriu gentilmente.
[Esta pessoa já vai embora. E me traga mais um coquetel exclusivo da casa.]
— Yoo Cheongyeon. Você vai mesmo beber mais aqui? E aonde foi a pessoa que veio com você.
Como se não tivesse escutado a pergunta de Do-Heon, Cheongyeon apoiou o queixo na mão, impassível.
Bem nessa hora, começou a tocar uma ligação de Jeong Soeun, que tinha sumido com o gerente do bar. Cheongyeon limpou a garganta rouca e atendeu.
— Alô?
— Cheongyeon-ssi. Você não viu minha mensagem? Como não teve resposta, liguei para ver se tinha acontecido alguma coisa.
— Ah, eu não cheguei a conferir.
— Imaginei. Desculpa pela demora. Enquanto a gente conversava, um funcionário daqui estava justamente indo comprar bagels! É um lugar em que se pega fila para comer. Ele disse que traria um para mim e outro para você, então acabei me atrasando esperando.
Jeong Soeun explicou com a voz cheia de animação.
Cheongyeon afastou por um instante o celular do ouvido e conferiu as horas. Tinham se passado cerca de vinte minutos desde que ela saíra.
Com a cabeça inteiramente tomada por Do-Heon, ele tinha, na verdade, esquecido completamente de Jeong Soeun.
— Espera só mais um pouquinho! Já estou subindo. E aí, você experimentou o drinque exclusivo? O Chris disse que ia mandar de cortes…
— Não, não precisa subir. Eu já vou embora também.
Diante da fala dela dizendo que viria em seguida, Cheongyeon se assustou e tentou dissuadi-la. Bateu-lhe o medo de que Jeong Soeun o visse com Do-Heon.
Só de imaginar ser flagrado sentado lado a lado com o ex-marido por uma colega de trabalho, sua vista escurecia.
Jeong Soeun não parecia ter reconhecido quem era o homem que entrara no bar, então era melhor que tudo passasse assim, sem que ela soubesse de nada.
— O quê? Como assim?
— Soeun-ssi também pode ir direto para o hotel. Ou pode ficar mais um pouco com seus amigos, não faz diferença. Enfim, eu me viro e volto sozinho.
Cheongyeon falou de forma categórica à confusa Jeong Soeun e desligou o telefone. E se arrependeu no mesmo instante.
Ah, se era para isso, em vez de pedir um coquetel novo eu devia ter simplesmente saído do bar.
Os pensamentos na cabeça mudavam de forma atropelada e desordenada, e ele começou a ficar tonto.
Com um idioma que não lhe era familiar e num lugar estranho, tinha a sensação de que seu discernimento estava mais turvo que o normal.
[Aqui está o coquetel que pediu.]
O bartender, que já tinha preparado o drinque exclusivo, piscou e pousou a taça diante de Cheongyeon. Então ouviu-se Do-Heon soltar um suspiro.
Cheongyeon revirou os olhos, inquieto, com medo de que Jeong Soeun aparecesse de repente. E bebeu em goles rápidos o coquetel recém-servido.
[Traga um igual para mim, por favor.]
Do-Heon, que parecia ter desistido de impedi-lo, chamou o bartender. Além disso, sentou-se sem permissão no banco ao lado de Cheongyeon.
— Que está fazendo. Senta em outro lugar, não aqui.
Pensando bem, a pessoa que tinha vindo com ele já devia ter ido embora, porque não se via mais ninguém no bar.
— Faço o que eu quiser.
— …Por que essa infantilidade, sério?
— Não posso ser infantil?
— Quem disse que não pode? Por que aqui… por que fazer isso aqui.
Sentindo o feromônio de Do-Heon a uma distância excessivamente próxima depois de tanto tempo, Cheongyeon recuou sem perceber.
Talvez pelo efeito do álcool, o feromônio dele parecia particularmente doce. Com aquele tal de Jeff, ele não tinha sentido absolutamente nada.
Seria também por estar acostumado demais a ele?
Como sabia melhor que ninguém o quanto era arrebatador se aproximar, enlaçar os corpos e se encharcar do feromônio dele, ficava ainda mais aflito. Quanto mais imaginava, mais a respiração acelerava sozinha.
…Você está louco, Yoo Cheongyeon. Faz tanto tempo que não bebia que ficou bêbado.
Cheongyeon tentou apagar à força as cenas provocantes que surgiam à revelia em sua cabeça. Tinha medo de que, num descuido, o próprio feromônio denunciasse que o desejava. Ainda mais com o ciclo de cio logo aí.
Vou terminar só este e sair rápido. Do contrário, sentia que acabaria se pendurando em Do-Heon implorando para ser abraçado.
Cheongyeon apertou a taça com força enquanto pensava depressa em como voltaria sozinho para o hotel.
— Antes. Por que você tocou o cabelo daquele desgraçado?
Nisso, Do-Heon, que estava sentado em silêncio por alguns minutos, abriu a boca de repente.
Diante daquele comentário do nada, Cheongyeon virou a cabeça. Ele o encarava fixamente, como se aquela não fosse uma pergunta jogada por acaso. Parecia disposto a continuar encarando daquele jeito até receber a resposta.
— Porque o cabelo era loiro e achei curioso.
— …Ufa.
Do-Heon voltou a olhar para a frente e esvaziou a taça por completo.
Cheongyeon espiava o perfil dele de canto de olho, mordendo o lábio inferior.
Era um rosto bonito a ponto de embaçar a consciência que ele tentava manter com tanto esforço. Ele queria lamber ali mesmo com a língua aquele belo dorso do nariz, os lábios de proporção perfeita, a linha do queixo.
Será que eu já lambi aquele nariz antes?
…Ai, porra, não! Se toca, Yoo Cheongyeon. Por que você está tendo esses pensamentos de tarado com o próprio ex-marido?
Soltando um grito curto por dentro, Cheongyeon levantou-se de supetão. E, apressado, tirou o paletó que Do-Heon tinha posto sobre ele e devolveu.
Agora precisava mesmo ir embora. Se ficasse mais tempo ali, sentia que faria besteira.
— Vou indo. Leva sua roupa. Eu não preciso.
Cheongyeon pediu a conta ao bartender para pagar. Recebendo o paletó, Do-Heon levantou-se junto com ele.
— Vai sozinho? A esta hora…
Ele ia dizer alguma coisa, mas parou ao ver de novo os ombros brancos excessivamente à mostra, a nuca e o colo de Cheongyeon.
O pomo de adão grosso subiu e desceu com força, e em seguida ele esfregou o rosto com as mãos.
Do-Heon murmurou uns palavrões como se falasse consigo mesmo, e então abriu a boca.
— Você. É melhor voltar para o hotel agora mesmo.
Da voz grave, tomada pelo calor, saiu um leve som metálico.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna