↫─Capítulo 167
[Posso mesmo tocar?]
[À vontade.]
Quando o homem consentiu, sorrindo, Cheongyeon pousou a mão com cuidado sobre os cabelos loiros.
Oh, parece pelo macio de cachorro.
Cheongyeon se admirou por dentro. Cada fio era muito fino, e havia ao mesmo tempo uma sensação de maciez e de desalinho. Um toque bem agradável.
O cabelo de Do-Heon é liso, então sempre foi sedoso. Este é outro tipo de sensação… não, espera. Por que eu estou comparando com aquele sujeito?
Cheongyeon se assustou com o pensamento que lhe surgira inconscientemente e tirou a mão da cabeça do homem.
[É mais macio do que eu imaginava.]
[É a primeira vez que ouço isso, mas fico feliz.]
Talvez tenha interpretado o toque no cabelo como permissão para se aproximar, porque o homem se sentou de imediato no lugar onde Jeong Soeun estivera.
[Qual é o seu nome? Eu sou o Jeff.]
Diante daquela naturalidade fluida, Cheongyeon ficou um instante em dúvida.
Sinceramente, o inglês dele não era lá muito fluente, então conversas longas eram um peso. Além disso, ele não sabia se era certo sentar tão perto assim de um alfa desconhecido.
Será que fiz besteira em tocar o cabelo. Se acabar saindo alguma foto estranha de novo, vai ser um problemão. Sendo nos Estados Unidos, a chance é mínima, mas nunca se sabe.
Ele teve medo de arruinar num instante a carreira que tinha reconstruído com tanta dificuldade.
[Yoo Cheongyeon.]
Vou me apresentar de qualquer jeito, com cara de peixe morto, e quando a Jeong Soeun voltar digo para irmos embora rápido.
[Cheong… yon?]
Jeff pronunciou o nome de forma desajeitada. Achando louvável o esforço dele em pronunciar direito, Cheongyeon acabou rindo sem querer.
[Chegou bem perto.]
[Ufa. Que bom que a pronúncia não estava ruim. Você mora aqui? Ou de onde veio?]
[Da Coreia.]
[Turismo? Negócios? Estudo? Férias? O que te trouxe até aqui?]
[Vim por pouco tempo, a trabalho. Ah, é verdade. Você perguntou antes se eu tinha vindo sozinho, né? Vim com uma amiga, mas ela foi ao banheiro agora há pouco.]
[Eu sei. Na verdade, eu estava te observando desde o começo. Perguntei só para conseguir puxar assunto de algum jeito.]
Jeff deu de ombros e confessou a verdade.
[Ah.]
[Depois que sua amiga saiu, você pareceu entediado.]
[É mesmo? Devo estar cansado, vim direto do trabalho.]
Sentindo de novo, Jeff tinha habilidade para conduzir o clima. Bastava ver como levava a conversa com fluidez mesmo agarrado a alguém sem a menor disposição, como ele.
Além disso, sem que percebesse, o espaço entre eles já estava bem menor do que quando ele se sentara.
Quando foi que ele chegou tão perto?
Cheongyeon voltou a analisar lentamente o tal Jeff.
Cabelo loiro, olhos com um tom azulado. Objetivamente, um rosto bonito. Mas os ombros pareciam um pouco mais estreitos que os de Do-Heon. As mãos também um pouco mais curtas…
Não acontecia com frequência, mas, diferente da boca de Do-Heon, cujos cantos subiam numa curva como se fosse desenhada quando ele sorria, os lábios de Jeff se abriam em linha reta, o que dava uma impressão estranhamente sufocada.
O cheiro do corpo, o feromônio, o porte físico: no geral, tudo deixava a desejar em comparação a Do-Heon. Faltava algo mais simétrico, mais elegante, mais reto…
[Ah. Falando nisso, faz pouco tempo eu fui a um restaurante coreano.]
O novo assunto puxado por Jeff arrancou Cheongyeon de seus devaneios.
[…Ah, comida coreana? Pode me dizer onde fica?]
Era um assunto muito entediante e previsível, mas dessa vez Cheongyeon ergueu a cabeça de imediato. Ouvir falar de comida coreana lhe abriu o apetite de repente.
Desde que chegara aos Estados Unidos, só tinha feito filmagens em ritmo de marcha forçada, e ele nem lembrava direito como tinha resolvido as refeições até ali. Só comia salada ou sanduíche embalados em algum restaurante próximo e desabava no hotel, sem nem ver um arroz decente.
[Um instante. Não é longe daqui. E a comida é excelente.]
Jeff pegou o celular e abriu o aplicativo de mapas. E, com toda a naturalidade, pediu o contato.
[Eu te mando as fotos e o endereço. Pode me passar seu contato?]
[…Ah. Acho que isso vai ser um pouco difícil.]
[Ainda é cedo para o número? Então posso te pagar uma bebida?]
Cheongyeon baixou os olhos para a taça de coquetel diante de si. Aquele já era o terceiro.
[Desculpa, mas minha acompanhante já vem…]
Enquanto virava o rosto, sem jeito, para recusar, seus olhos acabaram encontrando os de Do-Heon.
Ele estava com o copo na mão, encarando exatamente Cheongyeon.
— Cof…
Não, não era só encarar. Aquilo era um olhar fuzilante.
Cheongyeon se sobressaltou, deu uma pequena tossida e voltou o rosto para Jeff.
[Que pena. Seria bom ficar mais um pouco junto.]
Por que esse cara vai ficando cada vez mais meloso? E a Jeong Soeun, quando é que volta? E aquele Moon Do-Heon, por que está me encarando desse jeito, com os olhos arregalados?
Era uma situação sem saída em vários sentidos.
[Senhor. Está tudo bem?]
Nesse momento, o bartender se aproximou e falou com Cheongyeon.
[Se precisar de ajuda, é só me dizer. Se quiser que eu chame um táxi, ou se precisar que eu indique o banheiro.]
Ele provavelmente achou que Jeff estava sendo insistente demais.
[Está tudo bem. Se precisar, eu chamo.]
Quando Cheongyeon respondeu sorrindo, Jeff franziu o cenho por um instante, aparentemente incomodado. E lançou um olhar atravessado ao bartender.
Cheongyeon pensou em dispensar Jeff de uma vez, mas, com Do-Heon encarando daquele jeito, com fogo nos olhos, veio-lhe a teimosia.
Não era como se ele estivesse cometendo algum crime. Era desagradável ser vigiado como se fosse um marido infiel. Ainda mais vindo de alguém que espalhava feromônio por toda parte.
Era praticamente anunciar que estava à procura de um parceiro.
[Então vamos conversar pelo menos até sua amiga chegar. Você costuma gostar de bebida? Que tipo de bebida costuma tomar?]
[Ah! Eu gosto de vinho.]
Cheongyeon pensou um pouco e lembrou os nomes dos vinhos que costumava beber na casa de Do-Heon.
[Não sei como se pronuncia em inglês, mas… Château Latour…? E acho que eu bebia Lafite Rothschild com frequência.]
A expressão de Jeff mudou de um jeito estranho. Cheongyeon inclinou a cabeça, achando que talvez ele não tivesse entendido sua pronúncia.
[Você tem gosto bem definido. Além de caros, não são fáceis de encontrar.]
[É mesmo? Como tinha em casa, eu não sabia…]
Vendo Cheongyeon responder com toda a naturalidade, os olhos de Jeff brilharam.
[Haha. Chang-i-yon-ssi tem muito dinheiro? Deve ser rico.]
Diante daquilo, Cheongyeon hesitou.
Quem é Chang-i-yon. Agora há pouco ele estava falando até bem, por que a pronúncia apodreceu de repente?
[E, aliás, Chang-i-yon-ssi, qual é a sua profissão?]
Em seguida, Jeff colou o corpo no de Cheongyeon e sussurrou.
Diferente de antes, quando mantinha uma distância adequada, agora estava tão perto que quase encostavam os rostos. Os ombros já se tocavam, e o feromônio alfa de Jeff era sentido de forma crua.
Concluindo que aquilo já tinha passado do limite, Cheongyeon se levantou.
[Ah, desculpa. Vou até o banheiro procurar minha acompanhante.]
[Ah. Eu agi de forma precipitada demais? É que eu gostei muito de você, Chang-i-yon-ssi…]
Jeff agarrou às pressas o pulso de Cheongyeon, que se virava para sair.
Assustado com o contato repentino, Cheongyeon prendeu a respiração. A força daquele aperto era considerável.
[Isto…]
No instante em que ia dizer para soltar seu braço imediatamente, uma mão enorme surgiu de algum lugar e agarrou com força o ombro de Jeff.
— Filho da puta, onde é que você acha que está pondo a mão.
Quando aquela voz grave e rouca escorreu para dentro de sua orelha, os pelos da nuca de Cheongyeon se arrepiaram.
Talvez pela dor no ombro apertado, a boca de Jeff se contorceu.
[Ai. Ei, quem é você?]
[Ele disse que não quer. Solta.]
Do-Heon, que já se aproximara de onde os dois estavam, murmurou de forma ameaçadora.
Jeff, com uma expressão perdida, olhou alternadamente para Do-Heon e Cheongyeon.
[Sua acompanhante… era um alfa dominante? Antes você estava com uma ômega mulher.]
[Não é da sua conta, então cai fora.]
Do-Heon respondeu no lugar dele à pergunta dirigida a Cheongyeon e fez um gesto com o queixo.
Então dois seguranças, sentados a uma mesa no canto do bar, levantaram de um salto e vieram andando naquela direção.
[Eu, eu vou embora, então solta isto…]
Apavorado com o tamanho dos seguranças, Jeff recuou aos tropeços assim que Do-Heon soltou a mão. E, depois de medir a situação, disparou como um raio e saiu do bar antes que os seguranças o alcançassem.
[Meu Deus. O que aconteceu aqui?]
O bartender se aproximou tarde demais, tentando entender a situação, mas um dos seguranças o impediu.
Quando todos os olhares ao redor se voltaram para ali, o rosto de Cheongyeon esquentou e ficou vermelho.
— Que é isso? Se metendo do nada.
Cheongyeon virou o corpo na direção em que Do-Heon estava e reclamou quase num sussurro.
Só então, ao ver Cheongyeon de frente como devia, as sobrancelhas de Do-Heon se contorceram, ameaçadoras.
— Você está louco? Andando por aí seminu desse jeito?
Tirando às pressas o paletó que vestia, ele o pôs sobre os ombros de Cheongyeon. Havia mais feromônio impregnado no paletó do que o habitual, e Cheongyeon, assustado, encolheu os ombros.
— Está decotado demais.
Do-Heon rosnou baixo.
— É figurino de filmagem.
Cheongyeon rebateu com aspereza. Nesta situação, a primeira coisa que ele diz é criticar a roupa. Era tão típico de Do-Heon que dava vontade de rir de nervoso.
— E seu empresário.
— Não está aqui..
— O quê? Como assim, em Nova York, sem empresário, sozinho…
Ele falava com os dentes cerrados quando parou no meio e levou a mão à testa, como alguém acometido por uma dor de cabeça terrível. Depois baixou o rosto e regulou a respiração, como quem tenta engolir a raiva.
Vendo aquele homem, que normalmente não reagia a nada, tão abalado, Cheongyeon ficou confuso, sem saber o que dizer.
Não era para menos: Do-Heon reagia com uma sensibilidade excessiva, como se ele estivesse circulando sozinho por uma cidade tomada pelo crime.
— Vou enlouquecer.
Do-Heon murmurou consigo mesmo, esfregando o canto da boca.
— Por que o senhor diretor vai enlouquecer? E que diferença faz como eu me visto? Você mesmo é que fica espalhando feromônio para todo lado…
Cheongyeon parou de falar no meio e fechou a boca. De tão exaltado, tinha soltado um “você” grosseiro.
Passei do ponto? E se ele ficar bravo, o que eu digo…
Enquanto encolhia e media a reação, o tórax de Do-Heon, envolto na camisa, subia e descia com a respiração ofegante.
— Eu? Não me faça rir. E você, então?
Ele, na verdade, parecia não dar a mínima para o tratamento grosseiro e, com o rosto de quem tinha muito a dizer, virou a flecha contra Cheongyeon.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna