↫─Capítulo 166
Cheongyeon ficou tão surpreso que virou o rosto bruscamente para o lado oposto.
— Uau, faz tempo que não venho aqui e o pessoal está de outro nível. Antes não era tanto assim.
Por sorte, Jeong Soeun não percebeu o comportamento estranho de Cheongyeon e sussurrou com a voz animada.
— Pois… é.
O olhar dela, que ele captou de relance, estava voltado para Do-Heon .
E não era só Jeong Soeun. Os olhares das pessoas sentadas no bar, elegantemente vestidas em trajes de gala, também se concentravam no mesmo ponto.
Não era para menos: com aquele corpo inteiro exibindo traços de alfa dominante, seria mais difícil não olhar.
— Haa.
Vou enlouquecer.
Cheongyeon suspirou e virou de uma vez todo o resto do coquetel. Ainda assim, o coração acelerado não se acalmava.
Não. Aquilo que ele viu mais cedo, à tarde, era mesmo o Moon Do-Heon? Por que diabos ele veio parar aqui? Entre tantos bares nesta cidade, por que logo este?
— Que coincidência mais…
Murmurando sozinho, Cheongyeon virou levemente o corpo na cadeira para evitar ao máximo olhar na direção de Do-Heon.
Sinceramente, era uma coincidência tão absurda que ele mal conseguia acreditar naquilo.
Será que ele também veio a trabalho? Ou só para tomar um drinque?
O homem que entrou junto com Do-Heon, provavelmente americano, tinha jeito de empresário a quilômetros de distância. Tanto Do-Heon quanto ele estavam de terno, e não pareciam ter uma relação descontraída. Ele tinha visto tudo por menos de um segundo, então não dava para ter certeza…
[Uma margarita, por favor.]
Com a sensação de ter a garganta ardendo, Cheongyeon pediu mais um coquetel ao bartender.
Se dependesse da vontade dele, sairia do bar naquele instante, mas levantar-se primeiro parecia, de algum modo, uma derrota. Além disso, não via motivo nenhum para ter que fugir dele.
Se alguém tem que evitar, que ele evite. Por que eu?
Na prática, Do-Heon não parecia ter dado a mínima para aquele lado desde que entrara, mas uma teimosia estranha tomou conta de Cheongyeon, que fechou os punhos.
— Cheongyeon-ssi bebe bem? Que ritmo rápido.
— Deve ser porque o clima está bom. Ahaha…
— Mais tarde tem o coquetel exclusivo da casa, experimenta. Sempre que recomendo para alguém, todo mundo diz que é delicioso.
— Termino este e peço. Soeun-ssi não vai beber mais?
— Eu sou do tipo que bebe devagar. Depois que esvaziar este. Cheongyeon-ssi disse que é a primeira vez em Nova York, né? Então recomendo pegar o ferry na folga. Perto do cais do rio Hudson tem muita coisa para ver…
[Meu Deus, Soeun! Você veio mesmo? Quanto tempo.]
No meio da explicação de Jeong Soeun, alguém se aproximou chamando o nome dela.
Cheongyeon e Jeong Soeun viraram naturalmente a cabeça na direção do som.
[Chris! Quanto tempo faz?]
Um homem de cabelo curto avermelhado e camisa branca estava de pé diante da mesa do bar. Pelo contexto, devia ser o colega de faculdade de Jeong Soeun e gerente daquele bar.
O traço dele é beta? Cheongyeon inclinou a cabeça, analisando-o de cima a baixo.
[Levei um susto quando você me mandou mensagem do nada. Tudo bem com você? Vai ficar quanto tempo em Nova York?]
[Vim a trabalho, então não fico muito. Ah, Chris. Este é o Cheongyeon. É o ator coreano com quem estou trabalhando agora.]
Jeong Soeun se inclinou e apresentou Cheongyeon, que estava no banco ao lado. Ao ouvir “ator”, Chris arregalou os olhos e estendeu a mão para ele.
[Ator? Não é à toa que a aura é diferente. Olá, sou o Chris. Gerente daqui, o The Upstairs NYC. E colega de faculdade muito especial da Soeun.]
[Sou Yoo Cheongyeon. Ouvi dizer que é difícil conseguir reserva, obrigado por permitir que a gente viesse.]
Cheongyeon apertou a mão dele e sorriu.
[Amigo da Soeun é bem-vindo a qualquer hora.]
[O Cheongyeon-ssi está bombando na Coreia agora. É hora de causar boa impressão. Aliás, você não disse que tinha garimpado alguma coisa naquela loja de antiguidades?]
[O quê? Ele é famoso assim? Você devia ter me contado antes uma coisa importante dessas!]
[Mesmo se soubesse antes, você não é o tipo de pessoa que poderia fazer alguma coisa. Enfim, me conta o que você garimpou.]
[Ah, eu encontrei uma coisa incrível. É só dar uma lixada, pintar e colocar em leilão que vai ser um sucesso. Quer ver agora?]
[Quero! Preciso ver já.]
Ele lembrava de ter ouvido que a formação de Jeong Soeun era na área de artes. Talvez por serem da mesma turma, Jeong Soeun e Chris pareciam ter muita coisa em comum.
[Está na sala dos funcionários. Mas quando entrar, o pessoal está no horário de intervalo descansando, então tem que fazer silêncio.]
— Cheongyeon-ssi, vou ver rapidinho a coisa que ele comprou. Ele se gabou tanto que preciso conferir se é tudo isso mesmo.
— Vai com calma.
Cheongyeon sorriu e acenou como quem diz que estava tudo bem. Por dentro, porém, ele gritava desesperadamente: não pode.
Por mais rápido que fosse, ele odiava ser deixado sozinho assim. O Moon Do-Heon estava sentado ali, bem visível, e o que ele deveria fazer sozinho no meio daquele constrangimento?
Cheongyeon observou aflito as costas de Jeong Soeun indo com Chris em direção à sala dos funcionários.
Pouco depois, soltando um suspiro que beirava a resignação, ele voltou a beber em pequenos goles o coquetel recém-servido.
…Vou terminar só este e voltar rápido para o hotel.
Com o queixo apoiado na mesa, Cheongyeon conferiu as horas. Achava que tinha passado pouco tempo, mas já fazia quase uma hora desde que entrara no bar.
Quando o segundo copo estava chegando ao fim, o bartender apareceu e trouxe um novo coquetel em tom pastel.
[Senhor. Aqui está o coquetel exclusivo do The Upstairs.]
[Mas eu não pedi isto.]
Cheongyeon olhou confuso do bartender para o coquetel e de volta.
[É cortesia do gerente Chris.]
O bartender, de olhos verde-azulados, piscou de um jeito meloso.
Será que não puseram nada estranho aqui.
Ser de graça deixava a coisa um pouco suspeita, mas não parecia que fariam algo tão baixo num bar sofisticado daqueles. Acima de tudo, era um lugar onde o colega de faculdade de Jeong Soeun era gerente.
Como era constrangedor recusar e Jeong Soeun ainda não tinha voltado, Cheongyeon não teve escolha senão dar um gole no terceiro coquetel.
Dizia-se ser o drinque exclusivo da casa, e de fato o sabor era peculiar e docinho na medida. Parecia ter várias bases alcoólicas misturadas, com um gosto estranhamente viciante.
…Não. Aliás.
Cheongyeon pousou o copo na mesa com força suficiente para fazer barulho e olhou de esguelha na direção em que Do-Heon estava sentado.
Em vez de se sentar nas mesas altas do bar, ele estava num assento com sofá, de frente para o acompanhante.
O absurdo era que ele agora exalava feromônio alfa mais denso do que em qualquer momento em que Cheongyeon o conhecera.
— Por que ele está assim… é carente de atenção?
Cheongyeon resmungou com a voz carregada de insatisfação.
Se fosse outra pessoa, ele pensaria “ah, é assim mesmo”, mas o Do-Heon que ele conhecia sempre foi obsessivamente rigoroso quando o assunto era feromônio.
Com aquela personalidade, jamais toleraria feromônio jorrando desse jeito. Nem fora de casa, nem dentro dela.
E logo um Do-Heon desses expor o feromônio de forma tão evidente em público.
Mesmo sentindo aquele feromônio grudento no corpo inteiro naquele exato instante, era difícil acreditar.
— Certo, agora ele é solteiro, é isso.
Passou de homem casado a solteiro. Deve querer aproveitar e namorar à vontade.
E fingia que só trabalhava. Do-Heon, no fim das contas, era alfa como qualquer outro.
Cheongyeon zombou por dentro.
Como a embriaguez também estava subindo, e uma vez que começou a reparar em Do-Heon, ele passou a notar também como as pessoas ao redor o observavam.
A mulher sentada na ponta da mesa mexia sem parar nos cabelos volumosos e ondulados enquanto olhava descaradamente para Do-Heon.
O ômega masculino sentado na mesa central também espiava, medindo o momento certo de puxar conversa.
O próprio Do-Heon, ocupado conversando com o seu acompanhante, não parecia dar atenção nenhuma àquele lado. A impressão fria contribuía, mas era a postura reta e impecável dele que emanava um clima de difícil aproximação.
Como sempre, o cabelo estava penteado para trás com esmero, deixando à mostra a testa reta e o dorso do nariz de linha impecável.
No fim, um ômega qualquer, seduzido pela beleza refinada de Do-Heon, não aguentou, levantou-se e foi até a mesa dele.
Cheongyeon não conseguiu assistir àquilo até o fim e virou o rosto.
Os olhares deles não tinham se cruzado mais cedo? Não tinha como ele não o ter visto, e mesmo assim aquela indiferença?
— …….
Vendo que ele não piscava sequer depois de se depararem de frente em terra estrangeira, era certo que, nos últimos seis meses, Do-Heon tinha ficado bem mais insensível a seu respeito.
Não, talvez já o tivesse esquecido por completo. Afinal, mesmo quando viviam juntos, pele contra pele, era um homem extremamente indiferente.
Foi ele próprio quem gritou que eram estranhos e que não se metesse na vida dele, então devia estar aliviado…
Cheongyeon piscou devagar e passou a mão pelo cabelo.
De algum modo, parecia que só ele estava consciente de Do-Heon, e isso feriu seu orgulho.
Talvez por ter emborcado três coquetéis seguidos, ou talvez pela naturalidade de Do-Heon, que o ignorava mesmo tendo-o visto, o corpo começou a esquentar.
Sentindo calor, Cheongyeon tirou a jaqueta de couro preta que estava vestindo e a pendurou na cadeira.
[Você parece cansado. Veio sozinho?]
Nesse momento, alguém se aproximou de Cheongyeon e puxou conversa.
Cheongyeon ergueu os olhos, um tanto marcados pelo cansaço, e olhou para o interlocutor.
Um homem loiro de cachos ondulados estava diante dele. Sorrindo com os olhos azuis brilhando, exalava feromônio apenas o suficiente para deixar claro que era alfa, sem exageros.
Cheongyeon esqueceu até de responder à pergunta e ficou algum tempo encarando o rosto dele. Era a primeira vez que via tão de perto uma pessoa de loiro claro e olhos azuis vívidos.
[Você está encarando meu rosto muito abertamente. Haha. Estou quase ficando envergonhado.]
[Ah. Desculpa. É que… a cor do cabelo é curiosa…]
Voltando a si de repente com as palavras dele, Cheongyeon se justificou rapidamente, corando.
Ah, será que pareci muito caipira agora.
[Se é por esse motivo, tudo bem. Se acha curioso, pode tocar, se quiser.]
O homem se inclinou e adiantou um pouco a cabeça. Com a distância diminuindo de repente, Cheongyeon recuou um pouco.
Ainda assim, não era a ponto de ser incômodo. Como se estivesse acostumado a esse tipo de flerte, o homem mantinha a distância certa com uma precisão impressionante.
De repente, ele sentiu vindo de trás um olhar tão fixo que chegava a arder na nuca.
Ele imaginava de quem era aquele olhar, mas Cheongyeon não se deu ao trabalho de virar a cabeça para conferir.
Em vez disso, sorriu e estendeu a mão para o homem loiro.
[Posso mesmo tocar?]
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna