↫─Capítulo 165
No dia seguinte.
— Haa… Que coisa. Nós também não temos o que dizer. Desculpe…
O clima da sala de espera estava gélido como nunca.
O responsável coreano, diante de Cheongyeon que fazia a maquiagem, escorria suor frio e baixava a cabeça sem parar pedindo desculpas.
Ele era da agência que planejara o cronograma geral da gravação nos Estados Unidos. Queria dizer que ele também estava incluído entre as inúmeras causas de a agenda ter embaralhado tanto assim, uma atrás da outra.
Cheongyeon, mesmo fazendo a maquiagem, mordiscava o lábio inferior, em dúvida sobre afinal como engolir esta raiva.
Se tivesse transcorrido conforme o cronograma montado no começo, era de direito descansar o dia inteiro hoje. Mas, alegando que dera problema na locação alugada prevista para a gravação de depois de amanhã, sofreu um cancelamento unilateral.
Por isso, ao contratar às pressas outro lugar, a agenda foi alterada de repente para hoje de manhã.
— Era para a gente ir comer bife hoje…
Assim que o responsável saiu da sala de espera do estúdio, Cheongyeon murmurou como quem fala sozinho.
A maquiadora, que passava pó com afinco no rosto de Cheongyeon, parou e soltou um suspiro.
— Eu nem consegui dormir três horas. Recebi contato de repente de madrugada.
— Nossa, três horas? Deve estar muito cansada. Eu acho que ainda dormi umas cinco horas…
— Ainda bem que o senhor ao menos dormiu mais. Afinal, quantas vezes aquele sujeito vai errar a agenda. Só vou querer ver eu trabalhar com esse pessoal de novo. …Ufa.
A maquiadora deu um bocejo comprido e pousou o pó no lugar.
Ela, que o tempo todo estava com cara de choro, talvez satisfeita com a imagem de Cheongyeon no espelho, logo sorriu de leve.
— Quase pronto. Ah. A Soeun disse que estudou em Nova York, não foi. Então ela tem muitos conhecidos aqui e conhece bem os restaurantes badalados. Ela disse que ia levar o senhor a um lugar bom depois da gravação de hoje e estava fazendo um monte de reserva…
— Aqui! Desculpe, mas alguém traduz um pouco, por favor!
No exato momento em que, além da fofoca sobre o responsável da agência, ela tagarelava sobre um assunto banal, alguém gritou lá fora em coreano. Na voz sentia-se aflição.
— Aff, quem aprontou de novo? Vou sair conferir e volto, então espere aqui um instante. Se for problema com adereço, eu mato mesmo!
A maquiadora e os membros da equipe que estavam na sala de espera saíram em bando. O cenário, com inglês e coreano coexistindo, era ainda mais uma balbúrdia.
Era de se esperar que o barulho estridente lá de fora despertasse interesse, mas Cheongyeon, cansado demais, nem entrava bem o barulho no ouvido.
Não sabia qual era o problema, mas achou que, se esperasse, se resolveria bem por si só.
— Isto também não é qualquer um que faz.
Cheongyeon murmurou com uma voz exausta e fitou o espelho.
Ao contrário das entranhas em frangalhos por causa da agenda que se sucedia sem descanso, a própria imagem refletida no espelho parecia intacta. A maquiadora não estava ali à toa.
Pouco depois, Cheongyeon, que tirou o olhar do espelho, examinou o interior. Por causa do tumulto de agora há pouco, na sala de espera só restara ele sozinho.
Cheongyeon, entediado de esperar até o início da gravação, para espantar o sono, levantou-se. E aproximou-se da janela do estúdio, cuja lateral inteira era de vidro.
— Uau.
O estúdio contratado às pressas ficava no centro de Nova York. Era baixo para um prédio no centro da cidade, mas graças a isso a floresta de prédios ao redor parecia mais real. Dava até para ver bem as pessoas que andavam pela rua.
Haa. Todo mundo circulando livre pelas ruas de Nova York assim…
Cheongyeon soltou um suspiro comprido, sabe-se lá o quantésimo só de hoje.
Para além da vidraça, sob a floresta de prédios, diversas etnias iam e vinham. Era como a sensação de assistir TV.
Gente andando apressada com pasta de documentos, gente correndo, gente com sacola de pão, gente tirando foto, gente escoltada por seguranças…
— Ãh.
Espera. Segurança?
Cheongyeon, que cintilava de curiosidade, num instante estremeceu. E logo, estreitando os olhos, fitou com interesse, de cima, o grupo que descia do carro e entrava no prédio ao lado.
Três seguranças, cercando um homem, o conduziam para o prédio ao lado do estúdio.
Talvez por ser Nova York, até isto parecia uma cena de filme e arrancava admiração.
Mas a silhueta da pessoa que caminhava escoltada no meio deles era familiar, como se ele já a tivesse visto muito em algum lugar.
Nos Estados Unidos também tem gente feito o Moon Do-heon. Não é um físico comum… Ãh?
— O quê.
Cheongyeon, constrangido, piscou os olhos várias vezes e logo esfregou com força o canto dos olhos com o dorso da mão.
Como havia distância, o rosto não dava para ver em detalhe, mas, por mais que olhasse, o modo de andar, a postura, o gesto compulsivo de reajustar a gravata…
— Aquele não é mesmo o Moon Do-Heon?
Cheongyeon, para não perder esta cena absurda, colou o rosto na janela e arregalou os olhos.
Mas foi um instante de só alguns segundos. O homem parecido com Do-Heon, cercado pelos seguranças, enfiou-se na entrada reluzente do prédio.
— …
Cheongyeon ficou por um tempo paralisado no jeito sem jeito em que se levantara.
Será que, afinal, eu vi errado?
Na Coreia mesmo não tem como se encontrar, e será possível cruzar justamente nesta terra tão vasta dos Estados Unidos?
Ou então… não me diga. Ele me seguiu até aqui? Merda. Isto não é um stalker completo?
— Que loucura.
Ao chegar a esse pensamento, o palavrão saiu sozinho. Só tinha visto um homem parecido com Do-Heon, e o peito disparou e as entranhas começaram a se agitar.
Logo Cheongyeon, respirando fundo, esforçou-se para olhar esta situação de forma mais serena.
Pensando pelo bom senso, não faz sentido Do-Heon me seguir até aqui carregando aquela quantidade de gente.
Mais do que ter feito stalking dele, como ele originalmente é uma pessoa de viagens frequentes, ver isso como tendo vindo a trabalho era mais razoável. Ele também sempre tinha viagens aos Estados Unidos de vez em quando.
— Ainda assim, como é que a gente se cruza bem aqui?
Isso faz sentido?
Cheongyeon murmurou, ainda como quem custa a acreditar. Por estar cansado demais, ele chegou a desconfiar se não teria confundido a pessoa.
Mesmo pesquisando na internet, não havia notícia nova sobre Do-Heon. Só havia algumas matérias sem relação com viagem, dizendo que recentemente ele separara algumas filiais.
Mesmo sabendo que não havia como a agenda de viagem dele circular pela internet, Cheongyeon, lamentando por não conseguir a informação que queria, pousou o celular.
…Bem, pode ser uma pessoa parecida. Mesmo que o que ele acabara de ver fosse mesmo o Moon Do-Heon, não havia razão para ele, do lado dele, se importar. E também não eram do tipo de relação para ir cumprimentar contente.
— Ator. A gravação vai recomeçar… Ai! Ator? O-o que houve com o seu olho?
— O trabalho foi resolvido? Mas o que tem o meu olho?
— Aaah! Meu Deus, que aconteceu. A sombra borrou toda, oras. Vou ter que refazer tudo! Você esfregou os olhos?
— Ãh? Ah, foi…
Ao ouvir o grito da maquiadora, o empresário e os membros da equipe que estavam lá fora entraram feito flecha.
— Que foi. Quem gritou? E agora, que aconteceu?
— Não, o rosto do ator agora… eu não aguento.
Cheongyeon, ao ver a própria imagem refletida no espelho, perdeu a fala.
Como ficara assim por ter acabado de ver uma pessoa igualzinha ao ex-marido e ficar duvidando dos próprios olhos, também não dava para dizer a verdade.
Cheongyeon mexeu os lábios e logo, comportado, sentou-se na cadeira de maquiagem.
*****
A hora em que a gravação terminou foi ao anoitecer, quando o pôr do sol acabara de começar.
E, no fim, a única pessoa que foi a um lugar badalado com a membro da equipe Jeong Soeun, que dizia ter feito intercâmbio em Nova York, foi Cheongyeon.
— Primeiro! Se veio à cidade de Manhattan, tem que ir a este lugar sem falta! É obrigatório. É mesmo. E este bar é um lugar que eu frequentava bastante depois que arranjei emprego, o clima é uma loucura.
Assim que a gravação terminou, Jeong Soeun, com uma expressão bem exaltada, trouxe uma lista de dezenas de lugares que valia a pena visitar em Nova York.
Cheongyeon não conseguia de jeito nenhum dizer a uma pessoa dessas que estava cansado e queria voltar ao hotel.
Ao contrário dos outros membros da equipe, que desabaram pela agenda pesada, Cheongyeon, mesmo lânguido, justamente estava a fim de bebida. Foi porque as entranhas ficaram complicadas por ter visto Do-Heon durante o dia.
Esse tempo todo ele se esforçara bastante para não pensar nele. De forma a desmentir o esforço, o dia inteiro a emoção ficou em polvorosa. Sem nem saber se era o Do-Heon real ou uma pessoa parecida.
Diante da fala de Cheongyeon de que queria beber, Jeong Soeun, dizendo que justamente conhecia um bar magnífico de vista arrasadora, foi na frente.
— Mas ir assim não vai ser muito esquisito? Eu queria me lavar e trocar de roupa…
— Que é isso, Cheongyeon. Quando é que vai dar tempo de ir ao hotel, se lavar e voltar? Vamos assim mesmo. Pedi um favor a um conhecido daqui e consegui a mesa com dificuldade, viu.
— …Será? Então vamos já.
Por mais que aqui seja os Estados Unidos, ir com uma regata assim decotada no peito parece meio exagerado.
Cheongyeon, hesitando, vestiu um blazer de couro preto e se levantou seguindo Jeong Soeun.
Em meio à vontade de beber, ele também estava curioso sobre o quanto aquele bar que dizia ter reservado com dificuldade era badalado. Já que estava sufocado, achou que até que caía bem.
Já que vamos beber juntos, vou puxar de leve o assunto do hospital também.
Ela morara em Nova York e, justamente, o traço também era ômega igual, então deve conhecer um hospital onde dá para receber prescrição de supressor.
*****
— E aí? O clima é sensacional, né.
— Soeun, como você reservou aqui? Só reservando normal parece que não aceitariam.
Cheongyeon, olhando para todos os lados o bar de clima privativo e iluminação baixa, abriu a boca.
Que existisse um bar tão amplo no meio da cidade de Nova York. Ainda por cima, por ser andar alto, a vista da cidade entrava toda de uma vez.
Mesa, cadeira, iluminação, tudo se combinava a ponto de arrancar admiração, e a harmonia geral da decoração era excelente.
— Aí. Tudo tem um jeito. Eu sou colega de faculdade do gerente daqui, então se eu ligo eles arranjam lugar. Ainda bem que a gente veio, né?
Só de ver o traje formal e sofisticado dos clientes sentados, exalava um clima de que não era lugar aonde qualquer um pudesse ir.
— De repente me deu uma animação, Soeun. Vamos tomar logo um coquetel.
— Eu sabia que ia ser assim.
Jeong Soeun deu de ombros, satisfeita. E ergueu a mão fazendo sinal ao bartender.
[Um Blue Hawaii aqui, por favor.]
[Blue Hawaii. E o cavalheiro ao lado, o que vai querer?]
Quando Jeong Soeun terminou o pedido, o olhar do bartender se moveu para Cheongyeon.
— Ah, o Cheongyeon, o que você quer…
[Me vê um Fausto, por favor.]
[Fausto? Para escolher como primeiro copo, é intenso. Precisa de mais alguma coisa?]
[Como primeiro copo é perfeito. Com isto está bom.]
— O quê. Você fala inglês super bem. O Cheongyeon também morou no exterior?
Quando o bartender sumiu, Jeong Soeun arregalou os olhos como quem acha inesperado.
— Não. Antigamente tive uma oportunidade e aprendi.
Cheongyeon coçou a bochecha, constrangido. Para se preparar para idol, estudar inglês era quase um portão obrigatório.
Depois de fazer o pedido, veio-lhe tardiamente a preocupação, como o bartender dissera, de que começar com um Fausto talvez fosse exagerado. Afinal, o teor alcoólico era bem forte.
[Aqui estão. Este é o Blue Hawaii, e este é o Fausto.]
Não muito depois, os coquetéis pedidos saíram. Quando o aroma se espalhou, surgiu a ilusão de que os batimentos subiam junto.
— Temos que brindar.
Cheongyeon ergueu o copo e o estendeu na direção de Jeong Soeun. Só depois de soar o tim-tim é que os dois beberam cada um seu coquetel.
Talvez por ser bebida que ele tomava depois de muito tempo, a descida pela garganta foi absurdamente boa.
Mesmo sabendo que o teor era alto, Cheongyeon virou o Fausto em seguida.
E no instante em que pousou o copo meio esvaziado.
Um feromônio alfa já familiar se espalhou de repente ao redor. Ao mesmo tempo, uma silhueta conhecida entrou pela porta do bar.
Era um feromônio tão dominante que surgia a ilusão de que o fluxo de ar do interior mudava.
Talvez porque também sentiu algo, a cabeça de Jeong Soeun também se voltou para a entrada.
— …
Mas agora não havia tempo para se importar com outras pessoas.
Cheongyeon, sem perceber, fitava o homem que entrava caminhando. E os olhos se cruzaram.
Moon Do-Heon, era ele.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna