↫─Capítulo 164
Logo a porta do elevador cheio de gente se fechou e, com cada um apertando o andar de destino, correu um breve silêncio.
Alguns segundos depois, o grupo que estava reunido desde o café tornou a cochichar, bem grudados uns nos outros.
— O Yoo Cheongyeon é bonito, sim. Faz um tempo uma amiga viu ele ao vivo e disse que o rosto é muito pequeno e branco. Ela se surpreendeu porque a pele não tem uma imperfeição sequer, é do jeitinho que aparece na tela.
— Um rosto desses… mais do que bonito, não é mais próximo de lindo?
— É verdade. De tão lindo, aquilo, sabe. O diretor…
Assim que a palavra “diretor” saiu, o ombro do secretário Shim estremeceu.
— Jihyeon…! Para que ficar falando uma coisa dessas justo aqui? Fica quieta.
— Ai. Falei alguma coisa errada? É coisa antiga, oras…
A funcionária repreendida, espiando às pressas os colegas, cerrou a boca.
— …
— …
Logo o elevador, junto com o clima constrangido, ficou silencioso a ponto de não se ouvir nem a respiração.
Nessa brecha, Do-Heon, que ouvia a conversa quieto, tomou um gole de café em silêncio.
Assim que Do-Heon entrou na sala de trabalho, o secretário Shim entrou atrás.
Os dois agiram como de costume, como se não tivessem ouvido nada no elevador.
Do-Heon discutiu sobre a agenda ainda não definida ao certo durante a viagem aos Estados Unidos, e o secretário Shim, com bloco e caneta, ia anotando o conteúdo com afinco.
— Ah. E a avó mandou avisar à parte que, quando terminar a agenda de trabalho em Nova York, é para o senhor visitar uma vez a casa de campo em Nova Jersey.
Quando a conversa relacionada ao trabalho terminou, o secretário Shim informou a Do-Heon a notícia que recebera na noite anterior por meio do acompanhante da avó.
— A avó? Por que de repente.
Do-Heon encostou as costas na cadeira e apoiou o braço.
— O assunto detalhado ela não disse.
— Não houve nada sobre saúde à parte?
— Sei que a evolução do tratamento é positiva. Como o médico disse que ela já pode voltar de vez para a Coreia e dar continuidade ao tratamento, acho que não é por causa da saúde que ela o convidou.
— Hum.
Do-Heon, com os braços apoiados nos dois braços da cadeira, mergulhou em pensamentos por um instante.
Era a primeira vez que a avó pedia para vê-lo à parte durante uma viagem ao exterior.
Pelo que ele ouvira, não parecia ser um assunto lá muito urgente. E a saúde é de opinião positiva também. Então com que assunto ela está chamando?
Como não havia nada de que ele imaginasse, ficou intrigado.
— Sendo fala de uma pessoa que normalmente não faz isso, não tem como não ir. E nem é coisa difícil.
— Para quando o senhor prefere a data?
— Que tal dois dias antes da volta.
— Como a agenda desta viagem está folgada, acho que dá. Vou ajustar o horário para o dia que o senhor disse.
O secretário Shim, depois de anotar o conteúdo da conversa, fechou o bloco.
— Se não precisa de mais nada, vou me retirar.
— …
Do-Heon, em vez de fazer sinal para ele ir, esfregou a região do queixo em silêncio. O secretário Shim, percebendo que aquilo significava que ainda restava algo a dizer, fitou Do-Heon.
— Diretor. Precisa de alguma coisa…
— É sobre o Park Yeongchan.
Quando Do-Heon mencionou um nome inesperado, o secretário Sim vasculhou depressa a memória atrás de informações sobre a pessoa chamada Park Yeongchan.
Mas era um nome que ele nunca ouvira entre as pessoas ligadas a assuntos da empresa.
— Diretor de drama.
Logo Do-Heon acrescentou a explicação. Só então o secretário Shim entendeu o sentido.
— Sim.
— …
Em seguida, na mente de Do-Heon, que mexia os lábios para dizer algo, de repente passou a fala de moon Huijin.
“Se eu fosse o Yoo Cheongyeon, acho que ficaria meio arrepiado.”
“Faz tempo que vocês se divorciaram, e você fica recebendo relatório nos bastidores e vigiando ele, oras.”
“Gente comum acaba só espiando o SNS um do outro. Mas você fica revolvendo tudo até o fundo.”
Se formos rigorosos, a fala dela não estava errada. Do-Heon, até agora, sabia bem sobre o estado de saúde de Cheongyeon, as pessoas ao redor dele, a atividade de atuação e afins. De forma tão detalhada a ponto de Cheongyeon manifestar repulsa se soubesse.
Do-Heon, por hábito, apertou a gravata. O silêncio se prolongava, mas o secretário Shim esperou com paciência que ele desse continuidade à fala.
— Disseram que ele vai entrar num novo drama.
— Quer que eu confira as informações internas? O porte da produtora e da gravação…
— Basta saber que gênero é.
Do-Heon puxou o corpo para o lado da mesa e segurou a caneta.
Na verdade, mesmo que o drama que Cheongyeon acabara de contratar fosse mesmo romance, como ele ouvira no elevador, agora aquilo era um domínio com que ele não podia se importar.
…Ainda assim, só averiguar não faz mal, né.
Do-Heon racionalizou o próprio apego por Cheongyeon.
— Entendido. Como está previsto partirmos para o aeroporto daqui a duas horas, se precisar de algo mais, por favor me diga.
Do-Heon, que confirmou as costas do secretário Shim saindo da sala de trabalho após o cumprimento, tornou a voltar o olhar para a mesa.
******
— Que negócio é esse de tanta roupa? Assim eu vou voltar para a Coreia só trocando de roupa.
Cheongyeon murmurou como quem se enjoa, olhando as roupas penduradas na arara. Então a nova estilista, que viera junto para esta gravação nos Estados Unidos, ficou perambulando sem jeito ao redor de Cheongyeon.
— É que isto tudo é patrocínio que tem que postar no Byeolsta. Ouvi que, já que viemos gravar numa locação em Nova York, é para fotografar tudo nos pontos e ir postando devagar ao longo de dois meses.
Mesmo com a explicação da estilista, o humor abatido de Cheongyeon não melhorava com facilidade.
Diante da agenda que se sucedia sem escolher horário, da manhã à madrugada, como quem quer recuperar o investido, ele já estava a ponto de enjoar.
— A-a agenda está apertada demais, o senhor deve estar cansado… Mas, por causa do problema do aluguel de locação, nós também não temos jeito. Por ora, mesmo que sobrem fotos não usadas, é melhor fotografar primeiro. E a Hyerin unnie disse que tem que vestir tudo isto e fotografar sem falta…
— Haa. A própria Min Hyerin escapou.
Cheongyeon murmurou com ressentimento.
Normalmente a gravação nos Estados Unidos deveria ser daqui a duas semanas. Mas, por causa de um desencontro de comunicação entre a equipe de gravação nacional e a equipe de gravação local dos Estados Unidos, a agenda acabou sendo antecipada às pressas.
Por ser coisa fora do previsto, Min Hyerin, por já ter agenda marcada, não pôde acompanhar aos Estados Unidos. Ultimamente ela parecia especialmente ocupada por assumir outros trabalhos ao mesmo tempo, além de Cheongyeon.
Ela, sob o pretexto de que era uma pena não poder ir junto, chegou a beber de madrugada e ligar. E fez mil recomendações de que as roupas que enviava tinham de ser todas vestidas, acontecesse o que acontecesse.
— Oppa. Ainda assim, agora falta mesmo pouco. Mesmo que hoje seja difícil, amanhã é folga. Aí dá para fazer o tour de Nova York e descansar, então aguente só mais um pouco.
A estilista, fixando o cabelo, animava Cheongyeon. Mas, aos ouvidos de Cheongyeon, que só gravara sem folga desde que chegara ao aeroporto de Nova York, o consolo dela não entrava bem.
— Bem, não tem jeito… Você descansou um pouco?
— Ah. Eu, antes de trocar de turno há pouco, na van da equipe comi um lanche e dormi cerca de uma hora. Hehe.
— Tá. Ainda bem que ao menos você descansou.
Cheongyeon, que soltou um suspiro, depois de receber as roupas, caminhou arrastando os pés para o lugar onde a van estava estacionada.
Então a iluminação da câmera, que estava acesa e brilhante, se apagou, e os membros da equipe que cercavam Cheongyeon se dispersaram um a um.
Como na gravação no exterior não há horário de descanso definido à parte, o tempo em que Cheongyeon ia trocar de roupa era o horário de descanso tácito.
Cheongyeon, que via dezenas de membros da equipe, americanos e coreanos misturados, ficou com uma sensação aturdida. Que tanta gente se reunisse num só lugar para trabalhar só para gravar ele sozinho ainda era difícil de acreditar.
Depois do escândalo, se fosse para apontar o que mais mudara depois que o drama que ele gravara achando que talvez fosse o último teve a sorte de estourar, era o porte da gravação.
Antigamente, a menos que fosse cenário de gravação com outro ator, era difícil a equipe passar de cinco pessoas, mas agora é de dez para cima e, nas vezes com mais, chega até dezenas. Como agora.
Mas, por ora, não havia fôlego para se emocionar com o porte diferente do de antes.
— Ah, estou aflito de enlouquecer.
Cheongyeon, assim que entrou na van para trocar pela roupa nova, murmurou como um suspiro. E, por hábito, ligou o celular e conferiu o calendário.
Pelo que ele calculara, este ciclo de cio, sem dúvida, seria no mais cedo esta semana, no mais tarde a semana que vem.
Comparado a antes, quando era sempre irregular, como resultado de ter parado o anticoncepcional e receber tratamento no hospital com constância, ultimamente o ciclo mudou para bastante regular.
O problema é que agora não tem supressor de feromônio.
Por causa da agenda de gravação que mudou sem aviso prévio, ele não teve tempo de pegar o que originalmente tomava na Coreia.
Claro que, tal como na Coreia, nos Estados Unidos também dá para comprar supressor com facilidade em mercado ou farmácia. Mas, justo no estado de Nova York, o supressor que Cheongyeon tomava só se conseguia com prescrição médica.
Como quebra-galho, ele até comprara um supressor recomendado numa farmácia americana, mas o quanto teria efeito nele era uma incógnita. Se por acaso não tivesse muito efeito…
— Aí sim eu me ferro de verdade.
Cheongyeon murmurou desesperado.
— Ator. Já terminou de trocar de roupa?
Como Cheongyeon, que entrara na van, não saía por um bom tempo, alguns membros da equipe se aproximaram e bateram na janela.
— Já saio.
Cheongyeon, que respondeu com uma voz sumida, ajeitou o caimento da roupa que trocara.
Nada menos que Nova York, e viera para locação, mas, com a atenção presa no maldito ciclo de cio, a cidade vistosa não lhe entrava nos olhos de jeito nenhum.
Por ter se queimado feio com o escândalo passado, era muito cauteloso até para pedir ajuda a alguém. Se fosse outra coisa vá lá, mas justamente por ser problema de ciclo de cio, não tinha como não ficar ainda mais impaciente.
E o pior é que Min Hyerin, a mais próxima e de percepção rápida, estava fora da gravação, então a situação era sombria.
Mas dizer ao empresário ainda era desconfortável. Ainda por cima, ele era um beta homem típico, então o conhecimento sobre traços era quase inexistente, tanto quanto a ortografia dele.
— Vamos fotografar uma vez aqui e nos deslocar para o próximo lugar. É o último, então anima, ator.
O empresário, que não sabia de nada, estava de plantão diante da van e, assim que Cheongyeon desceu, entregou-lhe água.
🎬 ∙ ∙ ∙ 🎥 ∙ ∙ ∙ 🎭
Continua….
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna