↫─Capítulo 163
— Hoje o senhor chegou bem tarde. Já jantou?
Quando Do-Heon voltou para casa após terminar o trabalho da empresa, a empregada, que arrumava as coisas, saiu para recebê-lo.
Como saiu gente de uma casa que ele achava que não tinha ninguém, Do-Heon inclinou a cabeça como quem estranha.
— A senhora não foi para casa?
— O senhor disse que vai viajar amanhã, não foi. Não vou poder vê-lo por alguns dias, então, por mais tarde que seja, tenho que ao menos me despedir antes de ir.
— Não precisa disso. Vá logo.
Ao ver Do-Heon tirar os sapatos e entrar no corredor, os olhos da empregada se arregalaram.
— Ei, mas… por que o senhor comprou tanta coisa? Se tinha compras a fazer, era só avisar antes.
— Ah.
— Me dá isso. Eu guardo e arrumo.
Nunca na vida ela o vira trazer algo de fora, mas, de forma estranha, hoje nas mãos de Do-Heon havia várias sacolas coloridas.
— Está tudo bem. Eu mesmo levo.
Do-Heon, esquivando-se da mão que a empregada estendia, recusou com firmeza. E logo subiu para o segundo andar, onde ficava o quarto.
— Já me viu, então a senhora também já pode ir para casa.
— Não precisa de nada para a viagem? Tipo alguma coisa que eu deva preparar à parte…
— Não.
A empregada fitou por um instante Do-Heon subindo a escada e logo, baixando a cabeça num cumprimento, virou-se.
Do-Heon, que entrou no quarto, pousou sobre a mesa os perfumes que comprara na loja. Ele alisou o cabelo e, com um semblante grave, baixou o olhar para os perfumes vistosamente embrulhados.
— Haa. Que coisa idiota.
Um suspiro saiu sozinho. Ir comprar tanto perfume que ele nem usa. Que negócio é um cartaz daqueles.
Nem é o Yoo Cheongyeon real, é uma foto que aparece na hora só pesquisando na internet.
Como ao redor de Do-Heon não havia ninguém a quem presentear um perfume que só ômega usaria, era até complicado dar um destino.
Do-Heon chegou à conclusão de que seu gesto de arrastar toda uma linha da loja de perfumes agora há pouco fora bastante impulsivo.
Logo, no exato momento em que ia tirar da mesa, descobriu os cartazes encaixados no meio. Do-Heon, que ia guardar as sacolas no closet fora de vista, estancou.
Ele, depois de soltar a alça da sacola que acabara de segurar, pegou o primeiro dos quatro cartazes. Ao desenrolar o que estava enrolado, surgiu uma foto com uma pose diferente e uma roupa diferente da que ele vira na loja.
— Hum.
A funcionária deu errado?
Como saiu uma foto diferente do que ele esperava, ele, intrigado, com naturalidade tirou o segundo cartaz. Desta vez coincidia com o que ele vira na loja.
Só então Do-Heon descobriu, na parte de baixo do cartaz, em letras pequenas, o aviso de que havia duas versões da foto. Ao desenrolar também as duas restantes, eram idênticas à versão que ele desenrolara primeiro.
Ele, de braços cruzados, ficou por um tempo fitando quieto os cartazes que abrira.
O Cheongyeon da foto, sob uma árvore florida de folhagem farta, sorria de orelha a orelha a ponto de os olhos se apertarem, segurando o perfume. Na outra versão, com os olhos semicerrados, tinha os lábios ligeiramente entreabertos.
— …Droga.
É lindo pra caralho. Captaram a imagem de Cheongyeon bem demais.
Sobretudo o rosto que sorria radiante sob a árvore florida era como a imagem que ele vira no jardim quando visitaram juntos a casa da avó após o divórcio.
No mesmo instante em que relembrou o Cheongyeon daquela época, uma dor surda e desagradável se espalhou desde o interior do peito de Do-Heon. E, quanto mais olhava a foto, mais a dor aumentava.
Era um sintoma que ele sofria todo dia desde que Cheongyeon saíra de casa, mas não se acostumava de jeito nenhum. Ele, depois de respirar fundo, pressionou o cenho com a mão até a sensação de latejamento da boca do estômago sumir.
Pouco depois, de repente sentiu sede. Para saciar a sede da garganta ressecada, precisava de bebida.
Ele afrouxou com brusquidão a gravata que apertava o pescoço.
— Diretor, posso entrar um instante?
Enquanto Do-Heon ficava em dúvida sobre se descia ao andar de baixo e trazia um uísque, junto com o som de uma batida veio do lado de fora da porta a voz da empregada.
Quando Do-Heon ia responder por hábito para que entrasse, entraram em seu campo de visão os cartazes espalhados sobre a mesa.
— Um instante.
Ao contrário do de costume, sem excessos, com um gesto um tanto apressado, ele empurrou os cartazes e o perfume para um lado.
— Diretor?
— …Entre.
Assim que a fala de Do-Heon terminou, a porta se abriu e a empregada entrou.
— Ainda não foi?
— É que, de todo modo, fiquei preocupada. Guardei na geladeira a sopa e os acompanhamentos que fiz hoje à noite, então, antes de ir viajar amanhã, coma sem falta. E, na hora de partir, também há algumas coisas que dá para pôr na bagagem e levar…
— Entendido. Amanhã, quando o motorista vier buscar a bagagem, vou mandar guardar.
A empregada, percebendo o cansaço que transparecia na voz de Do-Heon, com uma expressão de “ops”, parou de falar.
— …Aiaiai, fui intrometida à toa. O senhor deve estar cansado, descanse logo.
A empregada saiu do quarto às pressas e Do-Heon conferiu o embrulho de perfume que deixara de lado.
Ele, com uma expressão de emoções complexas enredadas, esfregou a testa e soltou um suspiro.
— Fu.
A sensação incômoda que dilacerava o peito quase desaparecera. Logo ele, para trocar por pijama, entrou no closet desabotoando a camisa.
De todo modo, beber a esta hora era má ideia.
Como logo viria o ciclo de rut e ele tinha de partir para os Estados Unidos amanhã, o certo era dormir cedo.
Acima de tudo, como ultimamente, se ele bebia, ligava para Cheongyeon por hábito, tinha de ser cauteloso com a bebida.
Ele já ligara várias vezes esse tempo todo depois de beber, mas Cheongyeon nem uma única vez atendera ao contato. De modo que ele não pudesse sequer pôr na boca a desculpa miserável de que fora engano, Cheongyeon não respondia a nada que fosse relacionado a Do-Heon.
Do-Heon, que trocou por pijama e saiu do closet, apagou de vez a luz do quarto.
******
No dia seguinte.
Talvez por ter dormido mal ontem, a cabeça estava pesada. Ou talvez fosse porque o ciclo de rut estava perto.
Do-Heon, assim que abriu os olhos, saiu da cama e pegou o tablet. Ao conferir a data, parecia que o ciclo de rut podia se sobrepor ao período da viagem aos Estados Unidos. Ele pensou que devia tomar o remédio na hora certa, sem esquecer.
Mas não fez anotação à parte. Antigamente, como Cheongyeon temia a cama conjugal e, acima de tudo, sempre sofria, ele tomava o supressor à risca com medo de perder a razão no período de rut e assustá-lo.
Mas, depois do divórcio, não havia mais necessidade de anotar as datas à risca como antes. O ciclo de rut de Do-Heon era só o feromônio ficar mais denso a ponto de ser um pouco incômodo; mesmo sem tomar remédio, o sintoma não era grave a ponto de atrapalhar o trabalho.
Do-Heon terminou depressa o preparo para o trabalho. Antes de embarcar no avião da tarde rumo aos Estados Unidos, tinha um assunto rápido na empresa.
Como sempre, Do-Heon, que entrou no prédio da empresa, seguiu não na direção do elevador, mas para o lado do saguão central do primeiro andar do prédio.
— Diretor. Não vai para o escritório?
O secretário Shim, que o seguia checando a agenda, perguntou fechando a agenda.
— Vou tomar um café.
Talvez por ter se revirado até de madrugada, mesmo tendo passado um bom tempo desde que acordara, a mente estava turva.
— Ah, eu peço e trago.
O secretário Shim entrou depressa no café interno e ficou na fila diante do balcão.
Já havia bastantes funcionários aglomerados para fazer pedidos. Até receber o café, provavelmente levaria bem mais de dez minutos.
Do-Heon, conferindo o relógio de pulso, esperava de pé ao lado do amplo balcão de retirada.
— Nossa. O ônibus não veio na hora de novo e quase me atrasei.
— Vem mais cedo, Jihyeon.
— Quem mora em Gyeonggi, mesmo saindo cedo, não adianta.
— Querida, isso é tudo desculpa, viu?
Da mesma forma, a conversa de funcionários desconhecidos que esperavam café perto do balcão de retirada chegou até os ouvidos de Do-Heon .
— Aff. A Sumin não é colega, é só uma chata careta.
— Pela cara do problema que estourou ontem, parece que hoje vai ter que fazer hora extra…
— Haa. Detesto demais.
— Aliás, ultimamente parece que virou moda mexer um a um com negócio de entretenimento? Vivem enchendo o saco para fazer marketing por aquele lado.
— Drama e filme fazem sucesso no exterior, oras. Parece que produto global, se enfiar uma vez ou outra, tem bom efeito.
— Quem não sabe disso? O problema é o custo, o custo.
— Ainda assim, a geladeira que saiu da Baehan Eletrônicos entrou como PPL num drama e estourou, oras. Dizem que naquele mês vendeu um milhão de unidades.
— Ah, aquele drama de reencarnar e se vingar? O que tem o Yoo Cheongyeon.
— Isso mesmo!
Do-Heon, que entediado, encostado na janela, mexia os dedos, num instante estremeceu.
O olhar dele se moveu depressa para o lado das pessoas que, perto dele, estavam atarantadas tagarelando.
— Diretor, aqui está.
Nisso, o secretário Shim aproximou-se com o café. Do-Heon, que nem sabia que o café tinha saído, ergueu o corpo que estava encostado na janela.
— E acabei de receber contato, disseram que a bagagem da viagem já partiu para o aeroporto.
Do-Heon pegou o café quente e tomou um gole.
Justamente as bebidas dos funcionários que tagarelavam ao lado também devem ter saído, pois cada um pegou um copo para viagem e começou a se deslocar em bando para o lado do elevador.
— Então aquele CF* da geladeira quem gravou foi o Yoo Cheongyeon?
— Ator estourar é numa tacada só, de verdade.
— Pois é. Dizem que agora ele vai gravar um novo drama logo com o diretor Park Yeongchan.
Os passos de Do-Heon, com naturalidade, seguiram a rota de deslocamento dos funcionários.
— Diretor? O elevador exclusivo dos executivos fica do lado oposto…
— Hoje vou pelo elevador comum.
O secretário Shim, que não ouvira a conversa, sem saber o motivo de Do-Heon agir diferente do de costume, estremeceu por um instante.
Mas logo, conforme a fala de Do-Heon, seguiu na direção do elevador comum.
O elevador comum tinha um tempo de espera muito longo. As pessoas que chegavam ao trabalho também continuavam a afluir, e a multidão ao redor ia aumentando.
Normalmente ele teria voltado ao exclusivo dos executivos, incomodado com o alvoroço, mas, como Do-Heon estava com a atenção presa em outro lugar, só hoje não se importou.
Apenas o secretário Shim, com um ar incomodado, espiava os funcionários que aumentavam.
Como a maioria olhava o celular ou olhava só para a frente, e o clima era de conhecidos trocando amenidades leves, até então ninguém tinha reconhecido Do-Heon.
— Já que a coisa deu nisso, tomara que o Yoo Cheongyeon grave um romancezão bem apimentado.
— Ah, é mesmo. Será que é por ser ex-idol, mas a proporção dele é boa.
— Eu já enjoei de coisa de beta e ultimamente estou a fim de coisa de alfa e ômega. Queria ver ele grudado num alfa bonitão.
Só então o secretário Shim, que ouviu o conteúdo da conversa dos funcionários, mediu a situação. Para Do-Heon ouvir, era um conteúdo extremamente inadequado.
No exato momento em que ele ia, tardiamente, tentar convencer Do-Heon a usar o elevador dos executivos. Tim, junto com o som de aviso, o elevador chegou.
Antes mesmo de a boca do secretário Shim se abrir, os funcionários que estavam de pé na frente entraram primeiro, e Do-Heon, com tranquilidade, embarcou em seguida.
Sem alternativa, o secretário Shim embarcou por último no elevador apinhado de funcionários da JT Eletrônicos. Com uma expressão cheia de confusão.
N/R: CF é um filme publicitário ou comercial de televisão.
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Continua….
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Tradução, revisão Raws:Faby&Belladonna