↫─Capítulo 162
Mas, no fim das contas, ele acabou não realizando nem uma coisa nem outra, nem a família estável nem o negócio.
Cheongyeon, mais que enjoado, como quem chegou ao ponto do enfado, partiu sem sequer olhar para trás. Até o fim ele se agarrara a um contrato ridículo e agira de forma mesquinha tentando de algum jeito prender Cheongyeon, então era um resultado óbvio.
Comparado a ele, que transbordava de apego a ponto de os pés atolarem, Cheongyeon era frio. Como se aquilo de explicar sobre “a nossa casa” com uma voz perfumada a ponto de fazer cócegas no ouvido tivesse sido tudo um sonho, sem tocar sequer com a ponta do dedo nos objetos da casa, ele simplesmente saiu da “nossa casa”. O que para Do-Heon era uma coisa difícil a ponto de fazer reconsiderar a filial dos Estados Unidos, para Cheongyeon parecia mais fácil que qualquer coisa.
Cheongyeon, tanto no dia em que choramingava pedindo o divórcio quanto no dia em que rasgava o bilhete com um rosto em que não restava nenhum sentimento, era lindo a ponto de mal se conseguir ficar de pé bem diante dele e respirar.
Com medo de que, se o segurasse com obstinação, daquele rosto lindo e daqueles lábios vermelhos cerrados saísse a palavra “horrível” e o trespassasse, Do-Heon não conseguiu segurar Cheongyeon. Mesmo sabendo que se arrependeria.
Embora o contrato tivesse sido anulado, Do-Heon não tinha intenção de tirar a mão de Cheongyeon por completo. Enquanto Cheongyeon fizesse um trabalho de exposição na mídia, apoiá-lo sem dar na vista era coisa que ele podia fazer o quanto quisesse.
Mas, logo depois de rasgar o contrato, por causa da inquietação de que, quanto mais ele mexia em Cheongyeon, nos assuntos de Cheongyeon, mais a situação piorava, ele hesitava em agir precipitadamente.
Ainda por cima, como Cheongyeon parecia não ter mais apego à atuação, ele não conseguia nem julgar se podia mesmo agir.
Mas, ao contrário do que ele temia, Cheongyeon gravou o drama conforme o previsto, e, sem Do-Heon precisar dar um jeito, os problemas desencontrados foram sendo resolvidos um a um.
Era como ver o processo em que as coisas que estavam embaralhadas por causa dele iam encontrando seus lugares.
O drama, assim que foi ao ar, alcançou uma audiência recorde. A repercussão foi grande a ponto de escândalos de atores serem esquecidos num instante.
Nesse processo, o que Do-Heon interveio foi apenas apressar para que as matérias espalhadas na mídia caíssem mais depressa e tomar providências de antemão para que não se alastrasse até os problemas de família.
Talvez, desde o começo, ele nem precisasse, na condição de patrocinador, se envolver nos assuntos de Cheongyeon.
— Diretor. Desculpe interromper, mas tenho uma coisa a reportar.
Em meio às reclamações de Moon Huijin que se sucediam sem parar, ouviu-se do lado de fora da sala de trabalho o som de uma batida do secretário.
— Ainda estou falando, onde é que você se mete?
Moon Huijin rebateu com aspereza, dirigindo-se ao secretário que estava de pé lá fora, através da porta. O grito estridente penetrou os tímpanos.
Diante disso, Do-Heon , que estava mergulhado nas impressões que sentira nos últimos meses, inclinou a cabeça de viés com uma expressão de tédio e olhou para Moon Huijin.
— Já pode ir? Por causa da viagem aos Estados Unidos amanhã, tenho muita coisa para resolver de antemão.
— Do-Heon. Ir para os Estados Unidos eu não vou impedir. Mas continuar resolvendo os assuntos da empresa do seu jeito assim…
Do-Heon, antes mesmo de a fala terminar, estabeleceu ligação com a secretaria.
— A Moon Huijin vai sair. Abram a porta.
— Entendido, diretor.
— Moon Do-Heon !
Junto com o grito cortante de Moon Huijin, a porta da sala de trabalho se abriu e o secretário entrou.
Do-Heon fez sinal com o queixo para o secretário como quem manda tirar Moon Huijin logo dali.
*****
Do-Heon, que acabara de sair da academia, ficou de pé diante do elevador para tornar a subir ao andar onde ficava a sala de trabalho.
Apertou o botão e esperava quieto quando sentiu o olhar das pessoas que passavam pela redondeza. Por ser uma academia dentro do prédio da empresa, havia bastantes funcionários que reconheciam Do-Heon.
— Não é o diretor?
— Deve ser engano. Nunca vi ele frequentar aqui.
— Parece que é ele…
Abaixavam a voz, mas de vez em quando se ouvia o cochicho.
Normalmente ele se exercitava principalmente numa academia perto de casa, mas hoje, por ter sobrado documento que não conseguira terminar de revisar, o horário estava apertado para se deslocar.
Como a partir da tarde de amanhã estava marcada a viagem aos Estados Unidos, ele tinha de finalizar sem falta o trabalho restante até hoje.
Achando que perdera tempo demais com Moon Huijin durante o dia, Do-Heon estalou o pescoço de um lado a outro.
Os funcionários que reconheceram Do-Heon ficavam a uma boa distância, perambulando com gestos sem jeito, em dúvida sobre se podiam cumprimentar.
— …
Justamente hoje o elevador estava lento. Do-Heon, que esperava quieto diante da porta, de repente teve um pensamento de sufoco. Mesmo tendo se exercitado, uma sensação incômoda estranhamente permanecia.
Ele se deu conta, tardiamente, de que ficara o dia inteiro enfiado só na sala de trabalho.
Será que caminho um pouco.
Alisando o cabelo ainda úmido após o banho, ele virou a cabeça e fitou a janela.
Talvez por já ter passado bastante da hora de saída, o céu estava escuro. Em compensação, as placas coloridas dos estabelecimentos brilhavam a ponto de ofuscar.
Do-Heon deixou de lado o elevador que esperava e virou o corpo para a saída do lado da escada.
Ao sair do prédio, um vento fresco varreu seu rosto. Só então o sufoco que pesava sobre o peito pareceu ficar um pouco mais leve.
Do-Heon, avançando, examinou de leve os arredores da empresa. Inúmeros estabelecimentos, enfileirados, cercavam o prédio da JT Eletrônicos, que se erguia no centro da cidade.
Embora fosse o caminho que ele fazia todo dia, ao ver a rua tranquila, diferente do de costume, de algum modo parecia estranho.
Justamente um cheiro apetitoso que vazava de um restaurante próximo revolvia a rua. Por estar logo após ter saído de se exercitar, Do-Heon sentiu fome com o cheiro de comida.
Ele apressou o passo para dar uma olhada, com a intenção de comer alguma coisa, se havia uma loja de saladas.
— …
Nisso, Do-Heon, que sem querer pousou o olhar na vitrine de um estabelecimento, parou os passos. No mesmo instante em que percebeu um aroma vistoso a ponto de fazer cócegas na ponta do nariz, descobriu o rosto de Cheongyeon estampado na vitrine.
— O sparkling floral escolhido por Yoo Cheongyeon. Oferece um aroma acrescido do discreto humor da estação.
Ao ver Cheongyeon no cartaz, segurando um perfume e sorrindo radiante, Do-Heon aproximou-se, como que enfeitiçado, da frente da loja de perfumes.
Ele, com uma roupa de treino justa ao corpo, com as mãos no bolso da calça, ficou de pé fitando por um bom tempo o rosto liso de Cheongyeon.
— Senhor, precisa de alguma coisa?
Nisso, uma funcionária que estava lá dentro saiu com cuidado e aproximou-se de Do-Heon. Pelo visto ela achou que ele estava olhando o interior da loja.
— O produto que o senhor está vendo tem sido muito comprado ultimamente como presente também, e a reação é ótima. Originalmente era uma edição lançada exclusiva para ômegas, mas ultimamente há muitas pessoas que usam independentemente do traço.
Ela, sorrindo com simpatia, soltava explicações variadas sobre o perfume que Cheongyeon segurava.
— Se entrar, o senhor pode até experimentar o aroma.
A funcionária, com naturalidade, conduziu Do-Heon para dentro da loja. Diante da fala de que podia experimentar o aroma, Do-Heon a seguiu docilmente para dentro.
Enquanto Do-Heon examinava a parede onde estavam expostos frascos de perfume reluzentes, a funcionária o espiava e procurava um testador de perfume.
— A pessoa que vai receber o presente tem algum aroma que costuma preferir? Ou então uma imagem que combine…
Do-Heon, mesmo aos olhos de um beta geralmente insensível a traços, era o alfa em si. Não havia como um homem que exalava com o corpo inteiro o traço alfa como ele tivesse vindo a uma loja dessas comprar o próprio perfume. Por isso a funcionária, é claro, julgou que ele viera para comprar um presente.
— Por favor, o perfume que está no cartaz.
Do-Heon, por impulso, apontou o perfume que Cheongyeon segurava.
— Não quer experimentar o aroma?
— Está tudo bem.
— Então vou embrulhar este produto. Ah, agora, se o senhor comprar acima de cento e cinquenta mil wones na loja, estamos dando junto com uma amostra também um cartaz do Yoo Cheongyeon. Precisa de mais alguma coisa?
A funcionária, percebendo que o olhar de Do-Heon o tempo todo se detinha na foto de Cheongyeon, informou de forma indireta o conteúdo da promoção.
Então o canto dos olhos de Do-Heon, que o tempo todo estivera indiferente, estremeceu de leve.
— Então me dê o que está do lado também.
— Sim, entendido.
A funcionária tirou de sob a prateleira o produto que Do-Heon apontou.
Ele esperava o embrulho terminar com uma expressão que, para qualquer um, era de quem não tinha interesse em perfume.
Não tem cara disso. Será que é fã do Yoo Cheongyeon?
A funcionária, enquanto tirava o cartaz e o encaixava ao lado da caixa de presente, inclinou a cabeça. E, sem perceber, espiava o tronco de Do-Heon, cujo contorno firme se marcava sob a roupa de treino, e mexeu os lábios.
— …O senhor tem sorte. Do cartaz só restam quatro unidades agora.
— Quatro?
— Ah, é edição limitada.
Diante da fala que a funcionária lançou só para puxar mais um assunto, Do-Heon estremeceu e virou a cabeça bruscamente para o lado dela.
— Se eu pagar acima de seiscentos mil wones, posso receber as quatro unidades?
— Hã…? Do cartaz? É que… sim.
— Me dê tudo o que está exposto aqui.
Do-Heon decidiu a compra adicional sem a menor hesitação.
— To-toda esta linha…? Entendido! Um instante.
A funcionária pareceu constrangida por um instante e logo se recompôs, começando a tirar e embrulhar os perfumes que Do-Heon pediu.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna