↫─Capítulo 161
— E você quer que eu acredite nisso agora?
— Marketing não é o meu domínio.
Quando Do-Heon se esquivou, Moon Huijin, como quem não acredita, cruzou os braços. Os olhos estreitados se detiveram por um bom tempo em Do-Heon, que remexia ocupado os documentos.
Não havia como ele não ter sentido o olhar gélido, mas ele não se mexia nem um pouco do lugar em que estava sentado. Como se não percebesse que Moon Huijin estava no mesmo espaço, era o cúmulo da indiferença.
— Você e o Yoo Cheongyeon, afinal, o que é. Não tinha acabado?
— Acabou.
Desta vez Do-Heon admitiu docilmente.
— Mas o que você está fazendo, Do-Heon. Faz tempo que vocês se divorciaram, e você enfia ele em drama, arruma CF. A avó também, e você, até quando vocês vão ficar limpando a barra dele, se intrometendo em cada coisinha?
— Intrometer? Nada disso.
Do-Heon deu de ombros e, com tranquilidade, virou a página do documento e assinou no campo de assinatura.
— Então quer dizer que ele entrou sozinho num drama daqueles, sem a sua ajuda? E conquistou até esta publicidade grande? Depois de todo aquele rebuliço.
Na voz de Moon Huijin havia escárnio.
Do-Heon, que ouvia quieto a fala dela, relembrou com atenção a imagem de Cheongyeon que aparecera recentemente na mídia.
Bastava prestar um pouco de atenção que, ultimamente, dava para se deparar com notícias sobre Cheongyeon na mídia mais facilmente do que nunca.
Até Moon Huijin, que não tinha interesse em celebridades, estar por dentro das novidades era prova de o quanto Cheongyeon andava em alta. Só que parecia haver o mal-entendido de que esse sucesso não era inteiramente graças à capacidade de Cheongyeon, mas de que ele controlava a produtora nos bastidores.
— Pelo visto você acha que eu dei algum pitaco no processo de produção. O Cheongyeon ter conseguido tocar o drama depois do escândalo foi decisão do diretor. Como demitir um ator e remontar a equipe exige muito tempo, ele deve ter querido ter o menor prejuízo possível.
— Para quem disse que acabou com o Yoo Cheongyeon, você sabe os detalhes por dentro de um jeito bem minucioso, hein.
Moon Huijin soltou uma risada de escárnio. Só então Do-Heon se deu conta, com uma batida de atraso, de que sua explicação fora prolixa.
Fora do meu feitio, tagarelei mais do que o necessário.
Mas, como as palavras já tinham saído, ele acenou a cabeça como quem diz que ela podia pensar o que quisesse.
— Sabendo de tudo tim-tim por tim-tim assim e dizendo que não deu pitaco? Que cara de pau… Mas, sabe. Se eu fosse o Yoo Cheongyeon, acho que ficaria meio arrepiado.
— Por quê.
A mão de Do-Heon, que girava a caneta ocupada, parou de repente.
— Faz tempo que vocês se divorciaram, e você fica recebendo relatório nos bastidores e vigiando ele, oras.
Só então Do-Heon, pela primeira vez desde que ela entrara ali, ergueu a cabeça e cruzou o olhar.
— Gente comum acaba só espiando o SNS um do outro. Mas você fica revolvendo tudo até o fundo.
— Não perguntei diretamente nem dei a entender. É coisa de arrepiar?
— Claro que é.
— …Então não tem jeito.
Do-Heon murmurou tornando a pegar os documentos.
Diante da reação desinteressada, como se não tivesse o menor impacto, a boca de Moon Huijin se contorceu.
— No fim das contas quer dizer que você ainda está limpando a barra dele. Otário assim eu nunca vi.
— Se eu limpo a barra do Cheongyeon ou faço stalking, não sei o que você tem a ver com isso.
— Porque você fica criando trabalho chato para deixar ele brincar de ser ator! É isso que é o problema!
Diante da atitude de Do-Heon, que o tempo todo fingia não saber de nada e cortava o fim das falas, Moon Huijin, irritada, ergueu a voz.
— Que trabalho chato.
Ao contrário dela, que perdera a serenidade, a voz de Do-Heon continuava plana, sem altos e baixos.
— O que você faz é isso, oras. Depois que a matéria do Yoo Cheongyeon saiu daquela vez, separação forçada de filiais, e até a conversa sobre operar a filial dos Estados Unidos voltou à tona.
Do-Heon não fez questão de rebater a fala dela. Porque era tudo verdade.
A separação de filiais podia ser um ganho se a base da empresa fosse sólida. Mas, quando não era o caso, estar dentro do enorme Grupo JT e então se tornar independente, pelo contrário, prejudicava o valor e a imagem da empresa desmembrada.
Sobretudo para as várias filiais miúdas nas quais Moon Huijin detinha participação considerável, era ainda mais fatal.
— Até quando você vai agir do seu jeito. Você vai fazer as famílias brigarem feito cão só para brincar de namoro?
— Então você achou que ia armar aquele tipo de coisa e passar sem nada acontecer?
— Aquela matéria do escândalo, fui eu que escrevi? Eu não meto a mão na parte de entretenimento. Afinal, até quando você vai ficar com uma coisa de meses atrás…! Você acha que ele liga para isso agora, por você fazer isso? Duvido.
— Eu sei. Tanto faz. Não é o Cheongyeon, é você e o seu irmão que eu quero que se importem.
Do-Heon encostou o corpo confortavelmente no espaldar macio da cadeira e fitou Moon Huijin.
Ela teve a impressão de que, mesmo Do-Heon estando, pela disposição, olhando para ela de baixo para cima, era como se ele a olhasse de cima. E logo aquele olhar lhe pareceu desagradável.
— Estou avisando para você não pensar em tornar a mexer com o Cheongyeon à toa.
— Eu já disse. Não fui eu que tentei mexer. …E. Por que você não me avisou de antemão que o tio estava doente? Você sabe o quanto eu passei uma vergonha das brabas na assembleia por causa disso?
Como ele imaginara, a conversa sobre Cheongyeon não passava de uma introdução para chegar ao assunto principal. No fim, ela viera para cobrar sobre este problema. Como sempre, o mais importante era o dinheiro.
Como, recentemente, os assuntos da empresa não vinham sendo compartilhados de jeito nenhum, era compreensível.
Ainda assim, para a personalidade de Moon Huijin, ela até que se conteve bastante, pensou Do-Heon. Pelo contrário, ele estava até admirando por dentro que a paciência dela fosse mais longa do que ele previra.
— De que adianta espalhar por aí. Só ia complicar a questão da herança quando ele falecer mais tarde.
— Então é isso, por que você decide tudo isso sozinho!
— Esqueceu? Que eu sou o único herdeiro aqui.
Do-Heon relembrou a diferença entre ele e Moon Huijin com uma firmeza a ponto de quase soar arrogante.
Ela pareceu por um instante perder o que dizer, com a boca ligeiramente aberta, inclinando a cabeça. E logo, talvez percebendo que continuar o bate-boca sobre este problema era só perda de tempo, engoliu um suspiro. Ao fechar os olhos lentamente, os cílios dela tremiam.
— Você disse que vai para os Estados Unidos. E isso, que história é essa. Afinal, por que de repente?
— Ainda não foi totalmente decidido. A conversa está no nível de “posso ir”.
— …De todo modo, pelo visto você tem intenção de ir. Isso não tinha sido definitivamente arquivado da última vez?
Se a JT Eletrônicos expandir os negócios de forma efetiva nos Estados Unidos, a posição de Moon Huijin e Moon Taejin no país fica, de várias formas, ambígua.
Se o negócio fracassar, tanto faz, mas o problema era o caso de dar certo.
Por isso, a entrada nos Estados Unidos era um assunto muito delicado para Moon Huijin e Moon Taejin. Para minimizar o impacto na posição, era preciso preparar a entrada das outras filiais em consonância com a expansão da JT Eletrônicos, então não era um problema para decidir em curto prazo.
— Arquivei. Porque o Cheongyeon foi contra. Mas agora não tem mais marido raposa para se opor, e também não tem família com que me preocupar, indo ou não para a filial no exterior, então, para expandir o negócio, não há momento melhor que este.
— Espera. O motivo de ter arquivado naquela vez foi porque o Yoo Cheongyeon foi contra?
Moon Huijin, como quem não acredita, deu um grito estridente.
— Se formos rigorosos, também não foi totalmente arquivado. Só finalizei o que era urgente e deixei em suspenso; devagar, mas continuava em andamento.
Do-Heon relembrou o rosto de Cheongyeon, que o segurava choramingando, perguntando se ele não podia deixar de ir aos Estados Unidos.
Na época ele só achou que era conversa disparatada. Sendo tantos os projetos que ele tinha de ir tocar pessoalmente nos Estados Unidos, ir dizer para não ir só pelo motivo de detestar e se preocupar com os Estados Unidos.
Cheongyeon era jovem demais para entender toda esta situação e a posição dele.
Claro que no começo ele ignorou aquela fala. Cheongyeon parecia temer o próprio solo daquela terra pela razão de o pai biológico ter morrido nos Estados Unidos. Por isso ele fez as malas sozinho e partiu.
Uma vez que fora pessoalmente aos Estados Unidos, tinha certeza de que, é claro, conseguiria se dedicar aos negócios que vinha concebendo.
Mas, toda vez que na Coreia chegava a notícia de que Cheongyeon não conseguia se adaptar bem sozinho, começou a lhe surgir uma dúvida sobre o próprio ato de tocar este negócio.
“Isto, como faz tempo que o senhor não vem para a Coreia, eu mesmo fiz. Perguntei à dona e ela disse que o senhor come de tudo, então fiquei em dúvida no cardápio…”
“…”
“Se o senhor me disser a comida de que gosta, eu faço de novo.”
Cheongyeon, depois do dia em que primeiro comunicou que ele partiria, nunca mais tornou a se opor a ele ir para os Estados Unidos. Ao contrário do conteúdo dos relatórios, diante de Do-Heon ele não demonstrava dificuldade. Sempre com o rosto sorridente ele dirigia a palavra a Do-Heon .
Quando Cheongyeon trazia um pão que ele mesmo assara ou uma comida que ele fizera e tagarelava ao lado, surgia a impressão ridícula de que era como um pássaro da floresta que colhe uma flor, traz e fica gorjeando sem parar ao ouvido “olha só o que eu trouxe”. Ainda que ele nunca tivesse visto uma cena dessas.
E, em certo momento, Do-Heon se descobriu insensível mesmo diante de altos resultados.
Ele pensou que talvez, por ora, mais do que expandir o negócio, ter um filho com Cheongyeon e formar uma família mais estável do que agora viesse primeiro.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna