↫─Capítulo 160
Cheongyeon chegou ao endereço do estúdio que o diretor enviara por mensagem e apertou a campainha. Não muito depois, criii, junto com o som metálico do atrito da dobradiça, a porta se abriu.
— Ei, Cheongyeon. Chegou rápido, hein? Entra.
Cheongyeon percorreu com um olhar cheio de desconfiança o interior do estúdio. E ali descobriu uma figura inesperada.
Han Iram estava sentado no sofá.
— O Cheongyeon está com uma aparência de pele e osso. E o Iram está com boa cor? Pelo visto andou tranquilo por dentro.
O diretor fez sinal para que entrasse logo e examinou o rosto de Cheongyeon com atenção.
E agora, que história é essa.
Em meio ao atordoamento por ainda não conseguir entender a situação, ao perceber que Han Iram, ao menos familiar, estava no mesmo espaço, a inquietação baixou um pouco que fosse.
— Com que assunto o senhor me chamou de repente? E este estúdio, o que é, e por que o Han Iram está aqui…
Cheongyeon cumprimentou o diretor baixando a cabeça sem jeito. Han Iram, sentado confortavelmente no sofá, com aquela sua expressão ríspida, sacudiu a mão para Cheongyeon.
Pensando só no drama não haveria nada de estranho, mas, considerando a situação atual, era uma combinação intrigante.
— Aqui? Estúdio de um caloura minha. A coisa deu nisso, então chamar vocês dois num café e tal é meio esquisito, né. E hotel a imagem também não é estranha?
O diretor, tirando um cigarro do bolso, fez sinal com os olhos para Cheongyeon se sentar à vontade, tal como Han Iram.
— É mesmo. Posso te tratar de igual para igual, né? Vocês dois são bem mais novos que eu.
Cheongyeon assentiu de leve, e o diretor puxou fundo o filtro do cigarro aceso.
Assim, com Cheongyeon e Han Iram sentados à sua frente, o diretor, como quem pensa em algo, prendeu o cigarro entre os dedos e ficou de boca fechada por um tempo.
— …
— …
— …
O incômodo da fumaça acre que subia durou pouco, e Cheongyeon ficou curioso sobre por que ele chamara ele e Han Iram ao mesmo tempo.
Exigir a saída, ou seguir conforme o previsto sem reverter a escalação. Achou que fosse uma das duas.
Na verdade, a segunda, na prática, tinha probabilidade ínfima demais. Min Hyerin e o empresário pareciam acreditar na fala de Kwon Hyena de que não haveria mudança na escalação, mas para Cheongyeon ainda soava como conversa de agarrar nuvem.
Cheongyeon imaginou a situação depois de receber hoje o comunicado de que devia se retirar por completo do drama.
Se dissesse que não haveria frustração e pesar seria mentira. Não só o esforço que ele despejara esse tempo todo, mas o empenho de Min Hyerin e do empresário também acabaria virando bolha de sabão. Pensando nos dois, o coração doeu.
— Ouvi dizer que vocês dois não estão namorando. Do Cheongyeon eu já sabia que era ômega, e disseram que o Iram também é ômega.
Diante da fala inesperada que o diretor soltou depois de um bom tempo, Cheongyeon virou a cabeça para o lado onde Han Iram estava sentado. Justamente Han Iram, que tivera o traço descoberto, parecia sereno.
— O traço, quem contou foi você?
— Sim. Achei que o diretor precisava saber… É um caso muito especial, oras.
Diante da reação de Han Iram, que respondia com uma expressão sem jeito, Cheongyeon arregalou os olhos como quem acha inesperado.
Como, se se soubesse que uma celebridade é ômega, havia restrições enormes à atividade, ele achava que, quanto ao traço ao menos, ele se calaria até o fim mesmo diante dos envolvidos no drama.
— Então quer dizer que a matéria do escândalo não faz sentido. Se necessário, posso até apresentar o resultado do exame de traço. Como o diretor deve saber por ter ouvido, geralmente não costuma haver caso de ômegas se pegando.
— Ei, para que dizer uma coisa dessas?
Quando Cheongyeon encarou Han Iram, que soltava falas desnecessárias, ele parou por um instante o que dizia.
— …É que a fala é essa. Claro que existem uns sujeitos de gosto peculiar que se pegam mesmo entre o mesmo traço, mas, a menos que seja um baita tarado, isso não acontece. Então o Yoo Cheongyeon e eu não temos nada, tipo, é essa a conversa.
Mesmo diante da explicação insuficiente e de algum modo debochada de Han Iram, o diretor assentiu devagar.
— Haa. Tá.
Ele, depois de apagar no cinzeiro o cigarro do qual não fumara nem metade, abriu a boca.
— E o roteiro, decoraram?
— Sim.
— Claro! Faz tempo que recebi o roteiro. …Embora a parte de trás ainda tenha sobrado um pouco.
— …
— Decorei quase tudo, de verdade. Quase tudo.
Han Iram falou pondo ênfase especial em “quase tudo”.
Cheongyeon também dissera com confiança que decorara todo o roteiro, mas, sem conseguir saber a intenção exata da pergunta, ficou impaciente. Ao ouvir de relance, dava para interpretar como significado de que não haveria reversão da escalação…
Mesmo tendo vindo preparado para ser demitido, com a esperança que oscilava diante dos olhos, a tensão se elevou.
— Eu tenho ambição com esta obra, sabia?
O diretor, esfregando a barba áspera que subira na região do queixo, lançou o olhar a Cheongyeon e a Han Iram alternadamente. A voz dele, sempre só leviana, soou extremamente resoluta.
— Então é o seguinte. Pretendo, preparado para escrever carta de justificativa, ir com vocês dois assim mesmo. Sem trocar de ator.
— …
— O senhor pensou bem.
Ao contrário de Cheongyeon, que não encontrou o que dizer, Han Iram rebateu com desfaçatez. A reação era plácida demais, a ponto de constranger.
— Por quê…?
Alguns segundos depois, Cheongyeon retrucou como quem não entende.
Por mais que houvesse várias circunstâncias envolvidas, na prática, dizer que ia gravar o drama conforme o previsto mesmo depois de uma polêmica dessas era coisa que não fazia sentido.
Ele era ômega recessivo, o passado do divórcio também fora revelado, e circulava como se fosse tese estabelecida que ele mirava e escolhia de propósito só ricos para namorar.
Se o papel que assumia neste drama fosse um personagem parecido com isso, vá lá, mas o personagem que ele tinha de fato de interpretar era de personalidade completamente oposta, apaixonada e íntegra.
Sem dúvida, este escândalo iria atrapalhar a imersão do telespectador no drama.
Por isso, a decisão do diretor era ainda mais difícil de aceitar.
— Por eu ser ômega recessivo e dar pena?
— O quê?
Compaixão? Ou será que Do-Heon deu um jeito até nisso?
— Claro que é pela obra. O que você achou que foi o que eu disse agora há pouco?
O diretor, sem conseguir esconder a irritação, rebateu.
— E é que o meu pai decidiu fazer um investimento gigantesco na produção.
Nisso, Han Iram, que estava sentado quieto ao lado, intrometeu-se. Diante da revelação inesperada, o diretor, assustado, fuzilou Han Iram com o olhar.
— Iram. Para que dizer isso aqui?
— Por quê. É verdade, oras. A condição do investimento era gravar sem troca de papéis.
— É verdade, mas quem decide no fim e toca a coisa sou eu e a roteirista Jeong. O chefe da emissora, sabendo que ele é contra, investimento ou não, e está fazendo escândalo, você diz uma coisa dessas?
— …
— Enfim, se dá pena? Sinto muito, mas nada. Nesse meio eu já vi um monte de coisa dessas. Para ser sincero, o nível do Cheongyeon nem entra na categoria dos que dão pena. A situação é uma porcaria, mas foi só uma questão de interesses se encaixarem.
O diretor respondeu à pergunta de Cheongyeon com frieza cínica.
— Achar já uns garotos que combinem tão bem quanto o Cheongyeon e o Iram também não é fácil. E a quantidade de falas é grande, então não há tempo para reler o roteiro do começo e ajustar. Quanto mais se adia, mais só custo de mão de obra e aluguel de locação vão sendo jogados no ar.
— …
— O ponto da minha fala é que temos de ir sem troca de ator. Isso, no momento, é o melhor.
— Por mim tudo bem.
Diante da fala carregada de firmeza do diretor, Han Iram concordou de imediato. Em seguida, com naturalidade, o olhar dos dois pousou em Cheongyeon.
Cheongyeon, sem conseguir responder logo, piscou os olhos aturdido.
Como se as coisas das últimas semanas, que tinham sido feito um pesadelo, não fossem nada, o diretor e Han Iram marcaram com facilidade a gravação seguinte.
— Cheongyeon. Tudo bem?
No fim, Min Hyerin e o empresário estavam certos. Sendo que ele achava que não havia chance.
— …Sim. Claro, por mim também tudo bem.
A voz de Cheongyeon, que se dispersava no ar, tremia de leve.
Cheongyeon estava em dúvida se estava eufórico ou aliviado. Uma coisa certa era que a emoção que ele sentia não era decepção.
— Ótimo. Só para constar, o primeiro dia de gravação é terça-feira que vem.
— Hã? Já semana que vem?
— Se adiar mais, o prejuízo da produção é grande demais.
— Ah.
— E esse prejuízo o meu pai decidiu cobrir quase todo, então não precisa se preocu…
— Iram, quer ficar quieto?
— Por quê. É verdade.
— Haa. Enfim. Fiquem sabendo assim. Preparem bem o roteiro e as roupas. Confiram direito o local de gravação e a agenda dos membros pessoais da equipe também.
O diretor, encarando abertamente o lado de Han Iram, advertiu com firmeza.
— Se a audiência disto não sair, eu posso nunca mais conseguir grade em horário nobre. Então tem que fazer dar certo de todo jeito.
****
6 meses depois.
Assim que Do-Heon chegou ao andar onde ficava a sala de trabalho do diretor-representante da JT Eletrônicos, desde bem longe Moon Huijin se aproximou depressa em direção a ele.
— Moon Do-Heon .
Mesmo vendo claramente que o rosto dela estava vermelho e roxo, Do-Heon passou por ela e seguiu caminhando.
— Chegou, diretor.
Os secretários que estavam sentados à mesa diante da sala de trabalho se levantaram todos de uma vez e cumprimentaram Do-Heon. Logo um deles saiu e abriu a porta.
Quando Do-Heon entrou, Moon Huijin entrou atrás.
— A sua equipe de secretaria enlouqueceu, é?
Antes mesmo de a porta fechar, ela reclamou em voz alta, como que para os secretários lá fora ouvirem.
— Falaram para mim que, como eu não tinha marcado hora, era para esperar do lado de fora. Que absurdo é esse.
Do-Heon sentou-se à mesa e abriu os documentos.
— Diretor. Trago um lanche?
— Deixa, e saia.
Do-Heon sacudiu a mão de forma displicente e dispensou o secretário. Então um vinco nítido se formou no cenho de Moon Huijin.
— Do-Heon .
— Qual é o problema.
— Onde é que se deixa uma visita de pé lá fora.
— Então você ia ficar aqui dentro sem a minha permissão?
Do-Heon retrucou num tom com evidente tédio. O olhar ainda fixo nos documentos.
— Desde quando você liga para uma coisa dessas?
— E então. Qual o motivo de você ter vindo até aqui sem avisar.
— Haa. Você pergunta isso sem saber mesmo?
Moon Huijin tirou uma folha da bolsa que segurava.
— Plano de publicidade da Loja de Departamentos Hwamyeong, 2º trimestre
Na lista de candidatas ao plano de projeto, que ela pousou na mesa como quem joga, a foto de Cheongyeon estava descaradamente incluída.
— Ainda assim vem dizer que não sabe por que venho? Para rancor, não é infantil demais?
Do-Heon, depois de conferir aquilo de relance, tornou a mover o olhar para os documentos que segurava na mão.
— Não fui eu que aprovei.
— E você quer que eu acredite nisso agora?
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna