↫─Capítulo 159
O empresário se assustou com a resposta de Cheongyeon de que se mudaria, se possível, dentro desta semana.
Logo ele passou a argumentar que, numa situação dessas, sair sozinho para procurar casa era perigoso, e que ele tinha de acompanhar sem falta.
Colocando Min Hyerin na frente e ameaçando que, se ele não atendesse ao contato, invadiria a casa de novo, e enchendo o saco, Cheongyeon acabou, ali mesmo, como que empurrado, marcando a data para visitar a imobiliária junto com o empresário.
E, no próprio dia combinado. O empresário chegou vinte minutos antes da hora e esperava dentro da van.
— Bom dia, empresário. Chegou cedo.
Cheongyeon, de boné puxado bem para baixo, abriu a porta do carro. E só depois de se sentar e encostar o corpo no banco é que se deu conta de que, por hábito, tinha entrado no banco de trás.
Agora, sendo uma celebridade só de fachada, sem nem agenda, sentar atrás como se fosse óbvio não é meio esquisito?
Enquanto media a situação sobre se devia, mesmo agora, ir para a frente, o empresário virou-se e sorriu de leve.
— Sente à vontade, ator. Agenda é uma coisa que vira problema se o horário fugir só um pouco, então parece que virou hábito chegar antes e aguardar. Tem algum lugar já decidido para onde vamos?
— Ah, sim. Mas eu não fiz agendamento de consulta na imobiliária…
— Por ora vamos lá. Ponha o cinto.
Cheongyeon, que estava com até a próxima agenda incerta e ainda pensando em largar a atuação, sentia um aperto por dentro toda vez que o empresário ainda o chamava de “ator”.
Quando Cheongyeon partiu rumo ao bairro para onde pretendia se mudar, logo em seguida o celular do empresário começou a tocar. Normalmente ele teria atendido na hora, antes de o toque bater sequer duas vezes, mas, não se sabe por quê, o empresário ignorou a ligação como se nem tivesse ouvido o som.
— Não é para atender?
— Ah. É uma ligação sem relação com o trabalho, então por ora está tudo bem. Se o som incomoda, desligo o aparelho?
— Não. É que pode ser uma ligação urgente…
Mesmo dizendo que estava tudo bem, talvez por causa da desconfiança de que ele era pessoa plantada por Do-Heon, Cheongyeon estranhamente se incomodava com o telefone que continuava tocando.
Para ver quem ligava, virou a cabeça e espiou o lado onde estava o celular, mas não deu para ver bem.
Não me diga que, mesmo tendo até chegado ao acordo de seguirem cada um seu caminho, Do-Heon ainda está recebendo relatório da minha rotina.
…Pensando bem, é meio estranho, né? O empresário não é voluntário nem nada. Por que ele continua se preocupando com um ator como eu, com a imagem no fundo do poço?
Min Hyerin vá lá, mas até o empresário me conceder uma bondade tão exagerada assim é meio suspeito.
— Ãh, mas… empresário, quando você entrou na agência, quem selec, não. Como você foi selecionado?
— O senhor fala do recrutamento?
— Sim.
— Como diziam que estavam contratando um empresário ex-forças especiais, por acaso mandei um formulário de candidatura e, de repente, fui aprovado.
— A entrevista você fez com quem? O diretor Kim Gyeongseop?
— Não. Fiz com o gerente. Como é uma empresa pequena, achei que seria contratado logo, mas o processo era bem complicado. Ah, pensando bem, o entrevistador final parecia não ser gente da parte de entretenimento.
O entrevistador final parecer não ser gente do meio do entretenimento, então quer dizer que, afinal, quem contratou foi o lado do Do-Heon?
Como tinha algo a esconder, achou que é claro que ele evitaria a resposta ou ficaria constrangido, mas, inesperadamente, o empresário explicou o processo da entrevista em detalhe.
Já que o assunto surgiu, Cheongyeon resolveu insistir mais.
— Você trabalhava nas forças especiais e por que de repente foi ser empresário?
— É que disseram que pagavam um salário alto para o tipo de trabalho. Tive de fazer treinamento e o processo de admissão foi mais rigoroso do que eu previa, mas ainda assim acho que fiz bem em ter feito.
— …Que bom que combinou bem com você.
Então, afinal, ele não é alguém que conhece Do-Heon diretamente?
Será que o método era o empresário reportar primeiro o meu estado ou a minha agenda à agência, e a agência transmitir isso a Do-Heon?
— Combina bem com a minha aptidão e, acima de tudo, é gratificante acompanhar as mudanças que surgem ao dar suporte ao senhor. Ver de perto a boa reação que chega toda vez que uma nova agenda é marcada também é recompensador. Nestes últimos meses, graças ao senhor e à Hyerin, eu me diverti de verdade.
— …
— Por isso, eu queria que o senhor não desistisse da atuação.
Na voz do empresário transparecia por inteiro uma paixão sem disfarce.
A mente de Cheongyeon, que analisava com afinco o sentido oculto do que ele dizia, ficou em branco. A suspeita que dirigia ao empresário, num instante, pareceu toda sem sentido.
Veio-lhe até o pensamento de que agora não importava se ele fora ou não instigado por alguém.
— Eu também…
— Ãh? Chegamos. Aqui é o lugar que o senhor mencionou, né?
Eu também gostei de poder trabalhar com o senhor, empresário. Era o que ele ia dizer, mas, antes de a voz sair direito, o empresário avisou que tinham chegado ao destino.
*******
— Seja bem-vindo.
Ao entrar na maior imobiliária das redondezas, o chefe, que estava sentado numa cadeira de braços cruzados dando um bocejo comprido, virou a cabeça.
— Veio ver que tipo de imóvel? …Ué? Nossa, espera. É o Yoo Cheongyeon, né? O ator que sai na TV.
Mesmo ele estando de boné, reconheceu Cheongyeon de imediato e fez os olhos brilharem como quem acha curioso.
— Vim ver um imóvel.
— Ultimamente você não estava trabalhando. Vai arranjar casa? Aluguel de longo prazo? Compra?
Diante da reação do chefe da imobiliária, que o reconhecia com uma voz alta a ponto de constranger, Cheongyeon estremeceu.
Será que vou simplesmente para outro lugar. Foi no exato momento em que lhe veio essa dúvida que Cheongyeon, percebendo que o empresário estava logo atrás, mudou de ideia.
— Aluguel mensal. Quero um quitinete.
— Nossa, eu vi até o drama. Realmente, por ser gente que sai na TV, é bonito demais. As sócias mulheres do clube de trilha em que me inscrevi gostam demais. Vou ter que contar que veio à nossa imobiliária.
O chefe, examinando o rosto de Cheongyeon de um lado a outro, soltava sem parar coisas que ninguém perguntara.
— Tem algum imóvel para ver hoje?
O empresário, sem conseguir mais suportar, intrometeu-se de repente.
— Ah, imóvel para mostrar tem a qualquer hora. Mas por que a mudança? E a atividade, hein, para um bairro tão longe da emissora… ah! É mesmo, parece que deu um rebuliço porque você estava namorando um ator de cinema ou sei lá o quê? Será que é por ser ômega, realmente… Hííc!
Nisso, o empresário foi até diante do chefe, que falava se gabando, e puxou a cadeira bruscamente para trás. A cadeira em que um homem adulto estava sentado ergueu-se bem levemente e pousou no chão.
— Chefe. Se chegou um cliente, o senhor tem que ao menos fingir que se levanta.
— A-não. Que é iss…
— Empresário, se controle.
Cheongyeon segurou o empresário e o conteve. Só então o chefe se levantou de repente.
— Ho-homem jovem tem uma força de gigante, hein. Se-sem puxar a cadeira assim, se falasse com palavras eu também teria me levantado… Ãh-hã.
Talvez não conseguisse acreditar na força descomunal do empresário, o chefe gaguejava. Ele, espiando Cheongyeon e o empresário alternadamente, disse como que sussurrando.
— Ultimamente empresário de ator é selecionado pela força? Meu corpo boiou no ar e achei que meu coração ia parar. Ou então, em vez do sujeito do boato de romance, é este que é o namorado…
— Chega de bate-papo, e mostre o imóvel, chefe.
— Ah, sim! Tenho que mostrar. O que você disse mesmo agora há pouco? Que quer ver aluguel mensal?
O chefe, com um rosto de quem se recompôs de repente, foi até a mesa e começou a remexer os documentos.
*******
Cheongyeon, que graças ao empresário conseguiu sem dificuldade a casa para onde se mudaria, voltou ao apartamento e começou a fazer as malas.
Mas, como se tivesse pesos atados aos braços e às pernas, os movimentos se arrastavam devagar.
Sem dúvida, até alguns dias atrás ele estava cheio da ideia de largar tudo, mas agora não tinha certeza.
Nem quanto a largar a atuação, nem quanto a continuar.
Ouvindo a fala de Min Hyerin e do empresário, parecia que por ora era certo tentar mais um pouco. Ao contrário, se ele criasse expectativa e se frustrasse de novo, temia a perda que sofreria em seguida.
Mesmo que, de um jeito ou de outro, não desistisse da atuação, poderia se ver enrolado de novo numa polêmica absurda como desta vez.
Foi porque havia o patrocínio de Do-Heon que saiu ao menos este resultado; daqui em diante ele tinha de disputar tudo só com a própria capacidade. Se ele mesmo tinha talento à altura, não sabia.
Cheongyeon, que fazia a mala, estancou ao encontrar os roteiros que o empresário tirara da lixeira e deixara ali.
Ao mesmo tempo, veio-lhe à mente o rosto de Min Hyerin, que explicava desesperada que percorrera Dongdaemun para trocar todas as roupas do drama de acordo com a opinião pública.
“Antes da reunião com a chefe Kwon Hyena, fui a Dongdaemun, preparei e fotografei.”
“Ah. Eu ia avisar o oppa de antemão, mas, como não conseguia contato, por ora só escolhi as roupas primeiro. Achei que precisava fazer alguma coisa…”
Afinal, o que é que eu sou para ela ir a esse ponto. Quando reencontrou Min Hyerin pela primeira vez foi só bom, mas agora o coração dela, que o apoiava com sinceridade, pesava demais.
— Aff, sério. Como é que faz.
Cheongyeon, que ergueu os roteiros para tornar a enfiá-los na lixeira, no fim os pousou sobre a mesa e revolveu o cabelo.
Enquanto ficava assim, enrijecido por um tempo, de repente o celular começou a tocar.
— …Ãh?
Ao conferir quem ligava soltando um suspiro, era o diretor do drama.
Depois de terem falado uma vez, no início do estouro do escândalo, para confirmar se ele namorava Han Iram, era a primeira vez que ele o contatava primeiro.
Finalmente decidiram alguma coisa? Nesta situação, o único motivo real para o diretor lhe ligar era algo relacionado à troca de ator.
Cheongyeon engoliu em seco e atendeu com a mão trêmula.
— Sim, diretor.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna