↫─Capítulo 158
— Gâ-gângster… imagina. Eu sou ex-forças especiais, ator.
O empresário se explicou, cabisbaixo, com uma expressão que perdera por completo o sorriso.
— Nossa. Sério…?
O quê. Não era gângster? E ainda por cima forças especiais. Nem imaginava.
Cheongyeon, sem perceber, tapou a boca e examinou o empresário de cima a baixo.
Pensando bem, tinha algo estranho, sim. Com a personalidade de Do-Heon, não haveria como ele colocar um ex-bandido como empresário dele, não é.
— Oppa. Pelo motivo de alguém ter tatuagem, snif. Achar que a pessoa é gângster é puro preconceito.
Só desta vez, Min Hyerin também, como quem não pode tomar as dores, apontou o raciocínio simplório de Cheongyeon. Num instante, Cheongyeon ficou envergonhado da estreiteza cravada em seu inconsciente.
Pensando bem, o empresário sempre teve palavras e atos suaves e serenos. Nunca o vira gritar ou tratar alguém com rispidez. Ir cometer um mal-entendido tão sem noção pelo motivo de ele ser musculoso, ter tatuagem e não saber bem ortografia.
— Desculpe, empresário. Faça de conta que não ouviu.
Cheongyeon, diante da vergonha que se abatia, não conseguiu erguer direito a cabeça. O empresário, como sempre fora, sorriu de leve e sacudiu a mão.
— Que nada. Ainda assim, ao ver que o senhor tem fôlego para pensar em coisas disparatadas, chego a achar que é até um alívio. Eu e a Hyerin estávamos muito preocupados. Por ora, como não conseguíamos contato, também ficamos meio sem chão.
— Ah, isso…
— Não só eu e a Hyerin, mas os outros membros da equipe também ficaram aflitos junto esperando o contato do senhor.
— Eu, como o oppa não atendia o telefone e nem via as mensagens, achei que tivesse acontecido alguma coisa…
Min Hyerin, tornando a choramingar, deixou a fala morrer.
Cheongyeon só então fez uma reflexão tardia sobre se, por só olhar para os próprios problemas, não teria sido indiferente demais com as pessoas ao redor.
Sem precisar de longa explicação, sentia com clareza o quanto Min Hyerin e o empresário tinham sofrido por causa dele.
— Mas, oppa, você vai para algum lugar? Por que as coisas estão todas empacotadas, que aflição. La-largar o trabalho, isso não é verdade, né? O chefe entendeu errado, né? Rápido, fala alguma coisa. Hã?
Min Hyerin, que a muito custo se acalmou e enxugou com força as lágrimas com o lenço, começou a despejar sem parar as perguntas acumuladas.
Cheongyeon, revirando os olhos sem jeito, no fim admitiu a verdade.
— Aqui não é a minha casa, então agora vou sair. E largar a atuação, é verdade.
— Hã…? Que, não pode ser. Sério mesmo?
Min Hyerin ergueu o olhar para Cheongyeon com uma expressão de quem perdeu o mundo. O empresário também, talvez surpreso, arregalou os olhos e enrijeceu.
— …Ator. Tem CF com prazo de contrato ainda em vigor, também. E o drama cuja escalação estava confirmada só teve a gravação adiada, ainda não houve conversa sobre saída. Largar a atuação não é um julgamento um pouco precipitado?
— É-é isso. E agora, com esse tio que é deputado ou sei lá o quê estourando uma cagada, as matérias do oppa estão sendo bastante enterradas. Não é só para consolar, mas de verdade, comparado a alguns dias atrás, as buscas diminuíram e quase não saem matérias…
Min Hyerin, que tagarelava atropelado para de algum jeito persuadir Cheongyeon, sem querer virou a cabeça e ficou paralisada. O olhar dela deteve-se demoradamente na lixeira.
Alguns segundos depois, ao perceber que o que estava lá dentro eram os roteiros, Min Hyerin, como quem levou um choque, abriu a boca.
— …
O olhar do empresário, que percebeu a reação estranha, também se voltou para a lixeira. E a expressão tranquila dele, que até então trazia ainda que de leve um traço de sorriso, enrijeceu num átimo por causa do choque.
— O-oppa. Por que os roteiros… você jogou fora mesmo? Não vai fazer? Isto não pode. Se você largar mesmo assim… ninguém vai reconhecer o esforço que o oppa fez até agora.
— …
Cheongyeon, depois de mexer só os lábios por um bom tempo, sem encontrar o que dizer, esboçou um sorriso ambíguo.
Na verdade, por ora ele queria deixar tudo para trás, atuação ou o que fosse, e descansar em silêncio. A Cheongyeon já não restava fôlego para persuadir Min Hyerin e o empresário.
— Ah, ator. Aliás, nós acabamos de vir de uma reunião com a chefe Kwon Hyena.
O empresário, a muito custo espremendo uma voz suave, aproximou-se do lugar onde estava a lixeira.
— A chefe está prevendo que, por dois atores principais do drama saírem de uma vez, o diretor e a roteirista também devem estar hesitando na decisão.
— Isso mesmo. Ao ver que até agora só adiam a gravação e não há conversa sobre nova escalação, o lado deles também está numa situação muito lamentável. Averiguando, a empresa que mais investiu neste drama também ainda não fez menção sobre escalação.
— Como a Hyerin disse, ao ver que a maior investidora está quieta, para nós é uma boa notícia. Pode significar que não é preciso fazer questão de trocar de ator.
— Por isso a chefe disse que há grande chance de entrarem em gravação sem nova escalação, com os atores atuais mesmo.
Min Hyerin falava com uma voz desesperada como nunca. Quanto mais ela fazia isso, mais Cheongyeon ficava constrangido.
— Ainda assim, com uma foto daquelas tirada… será que não vai ter mesmo troca de ator? Na pior das hipóteses, mesmo que dê para gravar, os membros da equipe de campo e os atores nunca vão ver isso com bons olhos. E deve haver muito mais telespectadores que vão detestar.
Cheongyeon murmurou lembrando dos olhares gélidos das pessoas com quem cruzava de vez em quando na rua depois que a matéria do escândalo saíra. Ao contrário do olhar anterior, próximo da simpatia, era um olhar misturado de curiosidade e desdém.
— O senhor já decorou todo o roteiro. A esta altura, sei que não é fácil achar um ator que decore de novo esta quantidade de falas e entre já na gravação. Ainda por cima, achar um ator que combine com a imagem do papel é ainda mais difícil.
O empresário parou de falar no meio, pigarreou por um instante e revirou os olhos.
— Hum, e… isto eu averiguei por via das dúvidas, mas ouvi que o lado do ator Han Iram ainda não tem o domínio perfeito do roteiro da parte final. Então, se um dos dois atores do escândalo for trocado, não seria o ator Han Iram a sair, e não o nosso ator?
— Eu também penso assim. …Ah, é verdade. As-as roupas do drama que já tínhamos preparado eu troquei tudo por peças de brechó… Numa situação como a de agora, vestir coisa cara pode até fazer mal à imagem. Como pode entrar em gravação conforme o previsto, é bom deixar tudo montado de antemão, oras.
Min Hyerin, que de repente pousou a bolsa que carregava, abriu o zíper às pressas e começou a vasculhar o interior. E, agarrando um punhado de algo, o estendeu a Cheongyeon.
— …
O que ela lhe entregou foram dezenas de fotos polaroides. Cheongyeon, em vez de pegá-las, ficou só fitando, quieto, por um tempo.
Como Min Hyerin dissera, ela trocara todas as roupas do drama que já tinham sido aprovadas de antemão e ajustara uma a uma as candidatas a novas roupas, fotografando-as em polaroide.
Diante da sensação de a região abaixo do pescoço esquentar, Cheongyeon cerrou os lábios por um instante.
— Isto… quando você fotografou tudo?
Cheongyeon, que a muito custo recompôs a respiração, depois de dominar a emoção, perguntou.
— Quando foi. Acho que faz alguns dias… Antes da reunião com a chefe Kwon Hyena, fui a Dongdaemun, preparei e fotografei.
— …
— Ah. Eu ia avisar o oppa de antemão, mas, como não conseguia contato, por ora só escolhi as roupas primeiro. Achei que precisava fazer alguma coisa… E, como está meio complicado usar o cartão da empresa, por ora comprei as roupas novas com dinheiro do próprio empresário oppa.
— Hyerin, para que ficar contando uma coisa dessas.
— Enfim, então, oppa… em vez de largar precipitadamente, não dá para esperar só mais um pouco? Com certeza vai ter algo mais que a gente pode fazer.
Cheongyeon, sem saber como reagir, hesitou por um bom tempo.
Sem nenhuma confiança de conseguir encarar o olhar reto de Min Hyerin, a cabeça pendeu por conta própria em direção ao chão.
Ele, Min Hyerin e o empresário tinham passado, de forma igual, o mesmo tempo, e sentir-se envergonhado por ter sido o único a cruzar os braços e ficar de espectador era insuportável.
— Hyerin. Mesmo fazendo isso… para ser sincero, você sabe que tipo de coisa vão dizer. Não é uma coisa que depende da minha vontade; mesmo que eu queira trabalhar, só dá se a equipe de produção e o público precisarem de mim…
— Por esse raciocínio, você ainda nem foi demitido, oras. Sendo que você nem está namorando o Han Iram de verdade. O oppa não fica revoltado?
— Eu também penso assim, ator. Você nem foi demitido, desistir é cedo demais.
O empresário, que sem perceber já tinha retirado da lixeira os roteiros e os organizava um a um sobre a mesa da sala, apoiou Min Hyerin. A voz dele era suave, mas ao mesmo tempo trazia certa firmeza.
— O oppa não fez nada de errado, por que tem que largar? Antes também. Seja qual for o traço do oppa… não entendo por que raios isso importa a ponto de você ter que levar xingamento das pessoas.
— …
— E agora também… Todo mundo, sem nem saber direito, mesmo você tendo dito que não, interpretando do jeito que quer e apontando o dedo… eu não entendo. Eu não quero deixar que essas pessoas apontem o dedo para o oppa até o fim. Desta vez também eu não entendo por que o oppa tem que se retirar primeiro feito um criminoso.
De novo, os olhos de Min Hyerin se encheram de lágrimas. Mas, em vez de enxugar ou piscar, ela cruzava o olhar com Cheongyeon com insistência. Como quem tem de ouvir a resposta já.
— Só uma semana, não. Só mais um dia, dá para pensar e então decidir? Por favor, oppa.
Cheongyeon pegou as fotos polaroides que Min Hyerin segurava.
Sentia que não tinha sequer o direito de ousar recusar. Não conseguia de jeito nenhum pôr para fora a palavra “não”.
— …Tá. Vamos fazer assim.
Ao fim da hesitação, quando Cheongyeon no fim confirmou, Min Hyerin, que juntava as duas mãos, aflita, sorriu de orelha a orelha.
Ao ver aquele sorriso, uma dor surda se espalhou desde o fundo do peito.
Afinal, o que é que eu sou para ela ir a esse ponto…
— Você pensou bem, ator. Adiar um pouco a escolha também é uma boa opção.
— Isso mesmo. Ainda não se sabe o que vai ser, oras. Então a mudança também fica em suspenso, né?
Cheongyeon, pressionando com força a região dolorida do peito, sacudiu a cabeça.
— Isso não. Independentemente de continuar a atuação, daqui eu pretendo sair.
— Ah. Então o senhor tem alguma data de mudança em mente?
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna