↫─Capítulo 157
Talvez fosse bem antigo, pois as bordas estavam gastas.
— Ah.
— É seu?
Do-Heon, que tinha esquecido o bilhete, estendeu a mão como quem pede para que ele o devolva.
— Não. É seu.
— É meu? Este papel?
Diante da resposta difícil de entender, Cheongyeon inclinou a cabeça.
Fui eu que escrevi quando era criança? Numa letra ao mesmo tempo desajeitada e caprichada, havia algo anotado esparsamente.
Não sabia quando dera uma coisa dessas a ele, mas, considerando que tinham dito ter cruzado algumas vezes na infância, dava para entender mais ou menos.
Mas, além de não ser um conteúdo lá muito importante, ele não queria deixar uma coisa dessas na casa de Do-Heon.
— Então isto também eu jogo fora. De todo modo, nem me lembro.
Antes mesmo de ouvir a resposta, Cheongyeon rasgou o bilhete, tal como o contrato.
Do-Heon, que olhava o bilhete desbotado se partindo exatamente ao meio, estremeceu a mão. Ele logo recolheu a mão que ficara parada no ar e cerrou o punho com força.
— Agora tenho mesmo que ir.
Cheongyeon virou-se como quem não tem o menor resquício de apego. E, com passos leves, saiu do quarto.
— Se cuida.
O interior do carro que voltava ao apartamento estava silencioso.
Originalmente ele pretendia pegar o metrô ou um táxi, mas a vontade do chefe de segurança era muito inflexível. Ele persuadiu Cheongyeon com insistência, dizendo que, se ele se deslocasse sozinho e chamasse a atenção das pessoas, poderia passar por situações complicadas, então que fosse de carro sem falta.
Sem vontade de fazer questão de um longo bate-boca, Cheongyeon resolveu, tal como quando viera até ali, seguir docilmente a fala do chefe de segurança.
— Recentemente tem havido entrada frequente de pessoas de fora no prédio, ou alguém suspeito?
O chefe de segurança perguntou de forma indireta, observando pelo espelho Cheongyeon sentado no banco de trás.
— Não, nada em especial.
— Se vir algo, mesmo que seja depois, por favor me diga na hora. E, se olhar embaixo do banco, deve haver itens de autodefesa para levar consigo quando sair.
— Ah, isto está tudo bem. Mas obrigado por se preocupar.
— Se precisar, mesmo que depois, é só me chamar a qualquer momento.
Quando Cheongyeon recusou com cortesia, desta vez ele também não insistiu no oferecimento.
Ele parecia não saber que a relação entre Do-Heon e Cheongyeon terminara por completo. Como era de se esperar, também não deveria saber que ele ia sair do apartamento.
De todo modo, depois de hoje não haveria mais ocasião de tornar a cruzar com o chefe de segurança, então Cheongyeon não fez questão de explicar a situação a ele.
Quando a conversa cessou, o interior do carro tornou a ficar silencioso. Cheongyeon fitava a janela com o olhar vazio. Só de pensar que ver a paisagem do bairro familiar passando depressa também seria hoje mesmo a última vez, o sentimento era novo.
Não sabia por que, mas o coração estava mais leve que no dia do divórcio. Era estranho.
Ao mesmo tempo, o olhar atento de Do-Heon, que esse tempo todo observava seu semblante, ficava desfilando feito um resíduo de imagem.
Atento, imagina. Era uma palavra que não combinava nem um pouco com ele, mas o Do-Heon que encontrara hoje estava mesmo diferente do de costume. Por isso, não conseguiu se livrar por completo do incômodo.
Fingindo que não, talvez ele tivesse ficado tenso o tempo todo na mansão, pois tinha a sensação de os ombros estarem duros e tensos. Cheongyeon relaxou o corpo o máximo possível e encostou as costas fundo no banco. E, ajeitando-se numa posição confortável, fechou os olhos.
Não, tentou fechar. Mas, como o som de farfalhar no bolso incomodava, não teve escolha senão tornar a abrir as pálpebras pesadas.
O que eu botei aqui? Cheongyeon, com uma expressão de tédio, vasculhou lentamente o bolso da calça. Então saíram alguns pedaços de papel rasgado.
— Ah.
Pelo visto, era o bilhete que saíra havia pouco do arquivo.
Ao que parece, o que ele achava que jogaria na lixeira junto com o contrato ele, sem querer, tinha enfiado no bolso.
De repente surgiu uma curiosidade. Por que Do-Heon guardara isto por tanto tempo, sendo só isto.
Cheongyeon tentou juntar os pedaços rasgados do bilhete. Ao contrário do contrato, esfacelado em cacos, o bilhete estava relativamente inteiro, então não foi difícil montar a forma original.
— Quantos anos tem isto…?
Cheongyeon inclinou a cabeça ao ver as letras esmaecidas. Com a letra apagada aqui e ali e o papel desbotado a esse ponto, parecia ter pelo menos mais de dez anos.
Quebra-cabeça de figura do Power-Herói, relógio do Capitão-Terra, anel e pulseira da Rapunzel, carrinho do Capitão-Terra.
Quanto mais lia, mais enigmático era o conteúdo. Era infantil, mas todos pareciam brinquedos de que já ouvira falar uma vez ou outra. Eu brincava com uma coisa dessas antigamente?
Ao ver que ele até anotara com tanto afinco, sem dúvida era uma lista de favoritos.
Cheongyeon, sem perceber, deu uma risadinha ao olhar o bilhete.
Figura, relógio, pulseira, carrinho…
Achou que, criança ou adulto, sem distinção, o que se quer ter é tudo parecido.
Parecia brinquedo com que só criança de pré-escola ou dos primeiros anos do primário brincaria.
Cheongyeon, que ia tornar a guardar o bilhete no bolso sem dar importância, sem perceber, sentiu um estranhamento e estancou.
Pensando bem, esta lista, não era a das coisas que Do-Heon cada uma tinha lhe presenteado uma vez?
— …
Não me diga que ele lembrou disto tudo e me deu?
Cheongyeon, que tornou a juntar o bilhete espalhado e conferiu as letras, sorriu com escárnio diante da ideia disparatada que lhe ocorrera.
— Que nada.
Deve ser coincidência.
*
— Será que não tem ninguém dentro?
— Não dá para só apertar a campainha mais uma vez?
— E se um morador denunciar. Aí acho que a gente vai ser expulso sem chance.
— Mas então a gente fica parada? Depois de vir até aqui, você quer ir embora assim?
— Isso não pode.
Desde o instante em que chegou ao apartamento e desceu do elevador, uma voz familiar prendeu o ouvido.
Cheongyeon, que por um instante ficou parado apurando o ouvido na conversa cochichada, logo avançou depressa.
— Hye-Hyerin? Empresário?
Como ele previra, diante da porta do apartamento estavam de pé Min Hyerin e o empresário.
— Oppa!
Quando Cheongyeon apareceu, Min Hyerin, que estava com cara de choro, ficou radiante e sorriu de orelha a orelha.
— Por que vocês dois estão aqui…
Como vinha evitando o contato dos dois desde que o escândalo estourara, o encontro repentino foi constrangedor. Como não imaginava que fossem aparecer até em frente à casa, ficou aturdido.
Sendo que ele ainda não tinha feito nenhum preparo do coração. Sem saber por qual fala começar, Cheongyeon, hesitante, aproximou-se da porta.
— O senhor não estava em casa! Por ora, vamos entrar juntos, ator.
O empresário falou com uma voz gentil.
— Isso mesmo. E se a gente ficar aqui e alguém vir? Já estávamos meio cautelosos porque faz um tempinho que chegamos, então que bom.
Ele achava que, ao se encontrarem, eles fossem se irritar ou cobrar por que ele não atendera aos contatos, mas os dois, inesperadamente, trataram Cheongyeon como de costume. Ao ouvir de relance, parecia até que nada tinha acontecido.
— A casa deve estar meio bagunçada… Por ora entrem. Você também, Hyerin.
Cheongyeon, que aturdido destravou a fechadura, fez os dois entrarem. Min Hyerin, com as duas mãos tapando a boca, seguia Cheongyeon com passos acanhados, olhando ocupada para todos os lados do interior do apartamento.
— Oppa… Eu, entrando na casa do Cheongyeon oppa. Não dá pra acreditar… não é isso. Eu me preocupei de verdade, viu! O que aconteceu? Esse tempo todo sem conseguir contato.
Min Hyerin, que parecia só animada, no meio da sala desatou a chorar num instante.
— Hyerin, calma. Se você chorar de novo, o que a gente faz.
O empresário, sempre bem preparado, tirou do bolso um lenço portátil e o pôs na mão de Min Hyerin. Cheongyeon, paralisado no lugar, ficou hesitando e, tardiamente recompondo-se, foi buscar um lenço.
— De-desculpa. Estou tão atarantado que…
— Sem atender ao contato… O chefe… disse que o oppa parecia que ia rescindir o contrato, então…
— Deve estar difícil por estar atarantado, mas viemos porque não conseguíamos contato com o senhor de jeito nenhum. Por preocupação. E a Hyerin também ficava insistindo em vir…
— Eu quis descansar um pouco e não consegui entrar em contato. Nem tinha fôlego… Vocês se preocuparam muito, né. Desculpe. Hyerin, me desculpa.
Cheongyeon pediu desculpas ao empresário e a Min Hyerin, alternadamente.
— Que nada. Snif. O oppa não fez nada de errado.
— Parece que o senhor emagreceu um pouco, mas, por ora, ainda bem que parece saudável, ator. Fiquei preocupado achando que tinha acontecido mesmo alguma coisa.
O empresário afagou as costas de Min Hyerin e sorriu para Cheongyeon.
— Mas o empresário parece um pouco diferente…
Não era hora de dizer isso, mas a impressão do empresário parecia estranhamente diferente do de costume. Quando Cheongyeon, inclinando a cabeça, examinou o rosto, o empresário puxou para baixo a gola do suéter.
— Ah. Como eu estava com a cabeça muito bagunçada, fiz mais uma tatuagem para relaxar. Realmente, o meu ator tem um bom olho.
Como ele dizia, uma tatuagem que ele via pela primeira vez se estendia do pescoço à clavícula. Diante disso, Cheongyeon, surpreso, prendeu a respiração.
— Empresário… Nesse meio-tempo, por acaso o senhor não mudou de profissão nem nada, né?
— A minha profissão é empresário do ator Yoo Cheongyeon, que história é essa.
— Ah, ainda bem.
De forma a desmentir a preocupação de que talvez ele tivesse voltado ao mundo do submundo, o empresário tranquilizou Cheongyeon num tom suave.
— Ainda bem por quê?
— Eu, por causa disso tudo, no fundo me preocupei que o empresário voltasse para a antiga organização.
— Organização? Que organização? O empresário oppa era gângster?
— Hã? Eu…?
As pupilas do empresário, que retrucava apontando para si mesmo, tremeram violentamente.
— A-não era?
— Gâ-gângster… imagina. Eu sou ex-forças especiais, ator.
O empresário se explicou, cabisbaixo, com uma expressão que perdera por completo o sorriso.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna