↫─Capítulo 153
— Fala direitinho com ele, Cheongyeon. Hã? Mesmo que você não esteja muito a fim, você também sabe que isso é uma coisa difícil de resolver no nosso nível, né.
Kim Gyeongseop partiu para a persuasão com um olhar suplicante.
— A publicidade do próximo trimestre a gente já dá como perdida. Mas o drama, esse a gente não pode perder. Foi um papel que você conquistou com tanto esforço. Se tiver algum contato do diretor Moon Do-Heon…
— Até agora ele não disse nada.
— Haa.
Quando Cheongyeon cortou a fala com firmeza, Kim Gyeongseop, perdendo o que dizer, mexia os lábios.
Logo ele, sem conseguir esconder a expressão aflita, tirou um cigarro do bolso e o pôs na boca. Kim Gyeongseop, sem acender, mastigava só o filtro e soltou um longo suspiro.
— A coisa cresceu tanto, aquele homem não deve estar por fora, né?
Diante da voz de algum modo cautelosa, Cheongyeon, que massageava o pescoço duro e enrijecido, estancou por um instante.
— …
Pensando bem, ao contrário do que ele previa, talvez Do-Heon já tivesse sido informado deste escândalo. Talvez estivesse quieto até agora, sem nenhum contato, sob o motivo de não ter vontade de tomar providências à parte.
Bem, sabendo ou não Do-Heon, Cheongyeon não tinha intenção de pedir ajuda a ele.
Se resolvesse desta vez também tomando emprestado a mão dele, no fim seria como voltar de novo ao ponto de partida. E algum dia teria de pagar uma recompensa à altura, talvez até maior. Como sempre fora até agora.
Cheongyeon queria interromper aqui o círculo vicioso que ele mesmo alimentara.
— Talvez ele não tenha vontade de ajudar.
— Por quê. Que história é essa. Não eram próximos, os dois?
Diante da pergunta ridícula, o cenho de Cheongyeon franziu-se de imediato.
— Chefe, você não sabe o que é patrocínio? Uma pessoa como o Moon Do-Heon o que é que faltaria a ele para querer continuar apoiando, e ainda saindo com um ator que sujou a imagem por causa de um escândalo?
Cheongyeon rebateu com frieza, mandando que ele encarasse a realidade.
— Você disse que não tem nada com o Han Iram. E que ele até é ômega, não é? Então é só dar uma explicação, oras.
— É duvidoso se o diretor Moon Do-Heon vai acreditar nisso, e, mesmo que acredite, provavelmente… agora ele já pode ter se enjoado. Por isso está sem dizer nada até agora.
— Cheongyeon.
— De todo modo, mesmo que eu entre em contato primeiro, não vai mudar muita coisa. E nem quero fazer isso… Afinal, desde o começo, quando aquele homem se enjoasse, tudo acabava. O escândalo só antecipou esse momento.
— …
— Não espere demais do diretor Moon Do-Heon. Mesmo tendo sido casado comigo, no fim é um estranho.
Kim Gyeongseop, que fitava Cheongyeon falar de forma serena com a voz toda rachada, assentiu de leve um bom tempo depois.
Como sorte dentro do azar, o advogado, ao fim da análise dos contratos de publicidade e do drama, concluiu que não havia base legal para ter de pagar multa rescisória por causa do escândalo.
Kim Gyeongseop, que temia uma batalha judicial por causa da multa, pareceu tirar um peso das costas. Cheongyeon, que ficava apreensivo por haver dinheiro envolvido, também sentiu o coração bem mais leve.
De todo modo, dali em diante a única coisa que Cheongyeon podia fazer era recolher-se. Enfiar-se em casa e torcer para cair no esquecimento das pessoas era o melhor a fazer.
Assim se sucederam dias sombrios, um parecido com o outro. Em certo momento ele até esqueceu de contar os dias e a noção de tempo ficou vaga.
Quanto tempo teria passado desde que, sem uma única saída, se enfiou em casa levando uma vida de reclusão.
Cheongyeon, que estava deitado na cama feito um cadáver, abriu os olhos e ligou o celular. Assim que o aparelho ligou, como ele previra, as notificações de chamadas perdidas e mensagens dispararam.
— Sou o Han Iram, me liga por favor
A mão de Cheongyeon, que percorria a tela do celular para conferir os contatos acumulados sem conta, estancou por um instante. Não conseguiu simplesmente ignorar a frase que aparecera na pré-visualização.
— O quê. É golpe de isca?
Cheongyeon, que ficara o dia inteiro deitado na cama sem forças, remexeu-se, afastou o edredom e olhou desconfiado para a tela.
Para ser mesmo Han Iram, havia pontos suspeitos. Porque já tinham se passado vários dias desde que o escândalo estourara.
Se tivesse a intenção de entrar em contato, já teria feito antes.
— Os jornalistas lixo têm cada método criativo para zombar da gente.
Foi no exato momento em que Cheongyeon, falando sozinho sem energia, ia apertar em apagar.
O número que se dizia Han Iram tornou a ligar.
— Aff. Que susto…
Cheongyeon, que hesitou por um instante sobre atender ou não, meio incrédulo, por ora apertou o botão de atender.
— …Alô.
— Este é o número do Yoo Cheongyeon?
— É, sim.
— Ah. Sou o Han Iram. Não viu a mensagem?
Assim que ouviu a voz, Cheongyeon teve certeza de que quem ligava era Han Iram.
Ao mesmo tempo, uma emoção intensa refluiu desde o interior do peito.
— Dá para falar um instante?
— Ei, você tá de brincadeira? Fica sumido e agora liga do nada perguntando se dá para falar. Vendeu a consciência no brechó de segunda mão?
A situação ter dado nisso foi por causa de quem. De tanta indignação, a mão que segurava o celular tremia.
Se Han Iram estivesse à sua frente, ele teria dado um belo cascudo.
— Hã? Não, é-é que… Hum.
— É que o quê.
— …
— …
Correu um silêncio tão longo que ele chegou a achar que Han Iram tinha desligado por ele ter se irritado um pouco. Mas talvez não tivesse mesmo desligado, pois o tempo de chamada continuava correndo.
Um som de água escorrendo junto com um gole, gole, o som de engolir algo. E, em seguida, o som de atrito de um copo sendo pousado sobre a mesa, um atrás do outro.
Esse sujeito, está bebendo? Com razão a voz estava frouxa.
— Se não tem nada para falar, vou desligar.
— Ah! Espera! Aff, espera aí um pouco.
— Aff?
O quê. Ele mesmo liga, não fala nada, e ainda se irrita.
— Desculpa. É vício de linguagem. Cancela, cancela.
Ele quase se irritou de novo, mas, por ter chorado demais antes de dormir, agora não tinha nem energia para ficar mais bravo do que isso.
Cheongyeon, esfregando com o indicador a têmpora que latejava, soltou um suspiro.
— Enfim. O ciclo de cio acabou?
— Sim…
— Que bom. Para você.
— Bom por quê.
— Ah. Não é bom, é? Mas você não disse que é de berço de ouro, Han Iram? Se não vazou para a imprensa que você é ômega, algum dia dá para você voltar, oras.
A família de Han Iram, tinham dito, administra uma rede famosa de restaurantes que qualquer um conhece só de ouvir o nome, então, ainda que não fosse já, ele teria a qualquer momento a oportunidade de atuar.
— Você não é parecido, não? Disse que casou com um magnata. Para um ômega recessivo, esse não é o melhor cenário possível?
Han Iram, achando que consolava, ficou tagarelando coisas estranhas. Cheongyeon, sentindo a dor de cabeça piorar com aquela fala sem noção nenhuma, afastou de repente o edredom que estava por cima até a metade.
— Eu me divorciei, porra. Está tirando com a minha cara?
— Ah…
— E ainda por cima você é mais novo, por que fica falando comigo de igual para igual. Eu sou seu amigo? Que coisa mais sem noção.
Diante do palavrão de Cheongyeon, correu um breve silêncio. Nessa brecha, gole, o som de Han Iram engolindo em seco ecoou nítido.
— Mesmo divorciado, de todo modo… não dá para receber ajuda?
De algum modo o jeito de falar ficou bem mais cortês que antes. Na voz sentia-se com clareza o constrangimento por que ele passava.
— Eu já tentei isso e me ferrei, viu. Aliás, por que você ligou? Para falar besteira de bêbado? Está de brincadeira comigo?
— Nã-não é isso. …Mas você tem um gênio danado, hein.
Han Iram negou na hora e murmurou com uma voz sem confiança.
— Então agora que está ferrado, você vai ficar todo educado a esta altura? Com alguém mais velho que você.
— É verdade, mas… hum, enfim. O motivo de eu ter ligado é…
— …
— …lpa.
— Hã?
Diante da voz tênue como o rastejar de uma formiga, Cheongyeon franziu o cenho e retrucou.
— Que me desculpa. De verdade…
— …
Diante daquilo, a mente que estava cheia de toda sorte de xingamentos ficou de repente em branco. A irritação e a raiva que jorravam sem parar também se apagaram num instante, como quem joga água fria.
Ah, eu queria receber um pedido de desculpas do Han Iram.
Cheongyeon, percebendo tardiamente o próprio sentimento, mordiscou o lábio inferior.
— Alô?
— Ah. Tá bom. A culpa foi minha também, por ter sido descuidado.
— A entrevista… vi que você não deu à parte. De que sou ômega. Obrigado pela consideração.
— Como é que eu ia revelar uma coisa dessas. E, revelando isso, você acha que ia acabar com um “eba! Como não temos nada, que ótimo!”? Eu ia levar o dobro de xingamento por ter exposto o traço de um colega ator.
— Ah. Ainda assim, me desculpa de verdade. Como, o quê… nem tenho como te indenizar.
Diante da voz cabisbaixa de Han Iram, Cheongyeon encarou o celular como quem não acredita.
— Por que não tem como indenizar. Por que você decide uma coisa dessas sozinho, sem nem me perguntar?
— Hã? É-é verdade. Se precisar de alguma coisa, me diz.
— Já que você fala assim, vou aproveitar e pedir um favor.
Cheongyeon umedeceu com a língua os lábios secos e escolheu as palavras por um instante. Na hora de fazer o pedido, os lábios não se abriam com facilidade.
— É que… são os membros da minha equipe. Se por acaso eles ficarem sem para onde ir, dá para você recrutá-los? Ou pelo menos indicar…
Nos últimos dias, por mais que virasse a cabeça, a possibilidade de ele voltar em segurança parecia ínfima.
Escândalo, por natureza, era um problema bastante fatal para um ator novato que estava justamente prestes a firmar-se. Ainda por cima, o traço, justo, ômega recessivo.
Como o público o veria dali em diante era óbvio sem precisar experimentar, e era duvidoso se haveria algum diretor que o contratasse.
Que ter, nesta situação, a ambição de tornar a atuar era, em si, coisa de tolo, Cheongyeon sabia melhor que ninguém.
Por isso, Min Hyerin e o empresário ficavam remoendo em seu coração. Embora o empresário fosse capacho de Do-Heon, ainda assim que ele dera o melhor de si durante todo o tempo em que trabalhara era um fato imutável.
E ficava pensando no que seria se o empresário, que se desviara do caminho, voltasse para o mundo do crime organizado. Não estava claro se ele fora mesmo do crime organizado, mas, de todo modo, o que mais preocupava Cheongyeon no momento eram aquelas duas pessoas.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna