↫─Capítulo 154
Ainda por cima, como se tivessem combinado, tanto Min Hyerin quanto o empresário continuavam, quase todo dia, entrando em contato revezando-se em horários diferentes.
De forma estranha, justamente o contato daquelas duas pessoas era o mais difícil de atender, e ele vinha evitando de propósito. Por serem a companhia mais próxima que tivera esse tempo todo, mostrar a imagem crua da própria queda era mais detestável do que nunca.
— Sim. Isso, claro que dá para fazer. Mas, além disso, dá para eu te indenizar de outras formas. As matérias e a imagem que já se espalharam eu não tenho como mudar, mas… dinheiro, ou indicação de agência, ah!
Han Iram, como se algo lhe tivesse ocorrido, interrompeu o que dizia e puxou outro assunto.
— Ou então, que tal você ser modelo do restaurante que meu pai administra?
Sem entender o que aquilo significava, Cheongyeon remoeu várias vezes a fala descabida de Han Iram.
— Está de brincadeira comigo?
— Por quê. Não é uma boa ideia? Recebe dinheiro e ainda grava a propaganda…
— Estourou um escândalo com você, Han Iram, e se eu gravo a propaganda da empresa que o seu pai administra, as pessoas vão ver isso com bons olhos?
— Não vão achar que a gente é gente boa de bola?
Han Iram, diferente da primeira impressão, ficava soltando coisas alegres, inadequadas à gravidade da situação.
Esse aí, será que tem noção, ou não. De tanta aflição, num instante ele perdeu a fala.
— É melhor você só ficar de boca fechada, isso ajudaria.
…Bem. Vinte anos ainda é uma idade jovem.
— Deixa. Depois só cuida dos membros da equipe. Ainda não sei o que vai ser deles, mas…
— E você, o que pretende fazer daqui pra frente?
Han Iram retrucou com a voz um tanto desanimada.
— Eu, agora, pretendo acabar com tudo.
Na verdade, insistir em tentar atuar mais de algum jeito aqui também não fazia sentido. Toda a vontade que, até bem pouco tempo, estava plena, parecia ter se esvaído como uma mentira.
Cheongyeon às vezes pensava em si mesmo como um peixe fisgado que se debate preso na rede. Sabendo que não havia como escapar e ainda assim se debater sem parar era coisa que agora ele também queria parar de fazer.
— O quê? Acabar com o quê. Ei, escuta. Você ainda tem muitos dias de vida pela frente. Você é uma existência preciosa.
— Ei? Que é isso. Quem falou que vai morrer? Vou acabar com a atuação, a atuação.
— Ah.
Han Iram, que tinha entendido tudo errado, alongou a fala como quem se alivia.
Junto com o som de tornar a servir bebida, uma música que anda na moda saiu pelo alto-falante, nítida a ponto de incomodar o ouvido.
— Aliás, onde você está? Faz um tempo que dá para ouvir música.
— Agora? Estou num bar.
Num bar?
— …Você é doido de verdade? Justo nesta situação, por que você vai a um bar?
— Se eu ponho um boné, ninguém me reconhece.
— Haa. Que absurdo.
Parecia que a dor de cabeça que se aquietara vinha voltando de novo. Quando apoiou a testa, parecia até que estava com febre.
Por não ter se alimentado direito nesses dias, o corpo não tinha nenhuma força. Ao mesmo tempo, surgiu uma sede densa que fervia por dentro. Se fosse pela vontade, queria sair, comprar uma cerveja, virar um monte, ficar bêbado e desabar no sono.
— Na verdade, aqui é o bar de um conhecido meu. Hoje é dia de folga e não tem ninguém, então não tem como ninguém ver.
— Ah, se é assim, então… ainda bem que você não é totalmente sem noção.
— Então você quer vir também?
Diante da voz de Cheongyeon, que abrandara uma camada, Han Iram, com a pronúncia frouxa pela bebida, fez um convite absurdo.
*
E assim, cedendo ao convite absurdo, ele lembra até o ponto em que bebeu no bar vazio que, segundo Han Iram, um conhecido dele administrava.
Sabia que era uma loucura inadequada ao momento, mas na hora, achando que ia perder a cabeça se continuasse só em casa, foi sem plano nenhum até o endereço que Han Iram enviara.
O problema é que a partir do meio o filme cortou e as cenas ficaram nebulosas.
— Cara. Eu de verdade não sou um lixo desses, viu. Porra, me desculpa mesmo. Por minha causa… buááá.
Depois de um bom tempo lamentando a situação um do outro, Han Iram começou a fazer cena de bêbado e a chorar…
— Deixa. De todo modo eu ia sair desse meio mesmo. Levanta a cabeça, Han Iram.
Cheongyeon, ao ver aquilo, também se emocionou e começou a choramingar junto.
De repente tudo ficou pesaroso. Porque tinha se esforçado para tentar, mas parecia que nada dera certo como ele queria.
Do ex-marido em quem confiara também levara várias facadas nas costas. E não só uma, mas nada menos que várias vezes. Ainda por cima, a atuação que tanto desejara também acabou virando bolha de sabão.
Como o tio e o irmão diziam, desde o começo um ômega recessivo como ele não devia nem ter posto os pés no mundo do entretenimento.
— Eu estava louco, de verdade.
Quando as lembranças passadas lhe vieram embaralhadas de qualquer jeito, Cheongyeon murmurou com um arrepio.
Não bastasse o estado do corpo estar ruim por ter passado dias enfiado em casa choramingando, ainda ir beber, em meio ao alvoroço do escândalo, justo com Han Iram e não com outra pessoa.
Quanto mais revia o próprio comportamento, mais imprudente e insensato parecia, e o palavrão saía sozinho. Han Iram acabara de completar vinte anos e era um sujeito com uma retaguarda confiável, então tudo bem. Mas ele, por que raios fizera uma coisa tão sem noção.
No fim, bebendo sem ver o tempo passar, só de madrugada ele conseguiu, a muito custo, pegar um táxi e voltar para casa.
Pensando bem agora, ter voltado sem ser flagrado pela imprensa foi quase um milagre. Lembrava-se vagamente de ter se deparado com Do-Heon na entrada, mas não conseguia recordar exatamente o que ele dissera.
Provavelmente algo como: você acabou andando com outro sujeito e foi fotografado? Comporte-se direito. Alguma dessas falas que machucam. Como fora antes, também.
Se recebera uma crítica cortante daquelas, era até melhor não se lembrar direito.
De todo modo, Do-Heon, que fora até em casa, parecia ter voltado no meio do caminho, já que ele estava bêbado e não dava para conversar.
Depois que, de um jeito ou de outro, deitou na cama e adormeceu, parece que de repente lhe deu uma moleza no corpo. A temperatura subiu num instante a ponto de lhe dar a preocupação disparatada de que talvez a cabeça fosse explodir de tão quente.
Também estava em dúvida se quem trouxera o antitérmico na hora fora Do-Heon ou Han Iram.
— Que novela.
Cheongyeon resumiu de forma simples a situação atual e sorriu com escárnio. E, para tomar o remédio de dor de cabeça que restava, conferiu o envelope de remédio que deixara sobre a mesa. Dentro ainda havia antitérmico e analgésico.
Cheongyeon, que jogou o antitérmico na boca, pegou o celular e caminhou cambaleando até desabar no sofá. Então os roteiros que ele mesmo enfiara na lixeira do canto ao dormir entraram em seu campo de visão.
Afinal, por que ele levara os roteiros ao ir encontrar Han Iram. Que apego era esse, sendo que tudo já tinha acabado.
Ao mesmo tempo, só de pensar que agora não haveria mais oportunidades como antes, um canto do coração ficou vazio. Mesmo tendo decidido acabar com tudo, ao ver os roteiros jogados fora, as entranhas doeram.
Um momento cheio de expectativa e paixão como os dias passados, provavelmente ele nunca mais tornaria a viver. Se ao menos ele não tivesse conhecido aquela sensação de conquista e felicidade, não seria difícil a esse ponto.
Cheongyeon, encolhendo o corpo e fungando, logo, aproveitando que se recompusera direito, ligou para Kim Gyeongseop.
— Chefe. Liguei por causa do contrato.
— Ah, sim, oi, Cheongyeon.
Kim Gyeongseop respondeu de forma serena, como quem já imagina mais ou menos o que ele vai dizer.
— Rescinde o contrato, por favor. A esta altura, a volta parece impossível… e agora eu também vou procurar outro caminho. Desculpe.
— O contrato até vá lá. Mas, se você largar isso, o que vai fazer daqui pra frente?
Diante da voz que parecia ter desistido de tudo, Kim Gyeongseop suspirou.
— Vou arranjar algum bico e ganhar dinheiro. Entrar numa fábrica.
— Pri-primeiro vamos nos ver pessoalmente. Não é que eu não queira rescindir, mas, de todo modo, uma coisa dessas é um assunto que a gente tem que conversar cara a cara.
— Tá…
— E não é para consolar, mas as matérias já caíram bastante… Agora, com a corrupção do político, o assunto seu e do Han Iram ficou completamente enterrado. Nesse nível, foi ao ponto de Deus ter ajudado.
— Ainda assim, se eu recomeçar a trabalhar, vai dar rebuliço.
Cheongyeon, lembrando dos comentários maldosos que lera em algumas matérias, cerrou os olhos com força. Só de pensar que todos o veriam e avaliariam com aquele olhar, mesmo que lhe dessem outra chance, ele não tinha confiança.
— Enfim, então isso a gente finaliza pessoalmente.
— …Tá. Entendi. O corpo está bem? Da última vez você parecia mal. Ah, e… é sobre o diretor Moon Do-Heon. Ele disse que estava te procurando por não conseguir contato. Você conversou com ele?
— Sim, mais ou menos. Acho que a gente se encontrou.
— Se encontrou, encontrou, oras, que história é essa de “acho que se encontrou”. O que ele disse?
Sem conseguir esconder a expectativa, Kim Gyeongseop alongou o fim da fala num tom empolgado.
— Não conversamos nada de mais.
— Isto é palpite meu. Aquela matéria do político que está se espalhando. Será que não foi coisa do lado do diretor Moon Do-Heon?
Diante do circuito de positividade exagerado de Kim Gyeongseop, Cheongyeon de algum modo achou graça.
— Deve ser coincidência. Ele não é o tipo de pessoa que faria uma coisa dessas.
Depois de encerrar a ligação com Kim Gyeongseop, Cheongyeon percorreu com o olhar o interior da casa.
Pretendia sair daqui dentro desta semana. De todo modo, não era casa dele e também não daria mais para continuar atuando, então não havia justificativa para ficar neste lugar, nem tampouco vontade de permanecer.
Agora sim tinha de finalizar de vez com Do-Heon. Não sabia o motivo, mas, se fosse agora, parecia que ele não o seguraria de propósito. Tinha essa certeza.
Cheongyeon relembrou as cenas que ficaram na memória de forma entrecortada, no meio da febre alta.
— Não posso passar… para o senhor…
— Pode passar o quanto quiser.
O período em que teve a vida conjugal aparecera no sonho. Parece que ele estava com uma gripe terrível e vinha fugindo de Do-Heon.
Na hora, a expressão de Do-Heon estava desesperada como nunca antes, a ponto de as entranhas revirarem só de tornar a lembrar.
Não era que restasse apego, então por que sonhara uma coisa dessas. Será que o coração tinha ficado fraco por estar doente.
De todo modo, agora, dissesse quem dissesse, era mesmo o fim.
Cheongyeon, num movimento lento, juntou as roupas e as pôs na mochila. A mala de grife e os pertences que trouxera de casa quando se divorciara de Do-Heon ele pretendia deixar para trás também.
— Ah, mas para onde eu vou. Para a casa do meu pai eu realmente não quero ir.
Cheongyeon, com a mochila no colo, murmurou com o olhar vazio.
E também não dava para estender a mão de novo a Kim Jihan.
Dizia-se que a febre baixara graças a ter tomado remédio e dormido bem, mas, ainda assim, ele também não estava lá muito saudável. Se largasse o trabalho e saísse do apartamento, o que mais o preocupava era como iria se sustentar já de imediato.
E os bens que a avó dissera que lhe daria ele já recusara.
— Será que eu devia ter aceitado, afinal.
Achou que talvez tivesse feito bravata à toa, mas Cheongyeon logo mudou de ideia. Se aceitasse aquilo, tornaria a ser manipulado por Do-Heon e a situação se repetiria como um refrão. Agora sim era o momento de, fosse o que fosse, se tornar independente por conta própria, sem a ajuda de ninguém.
Nisso, o celular que guardara no bolso começou a vibrar.
Assim que sentiu a vibração, Cheongyeon tirou o celular, irritado. Se fosse de novo ligação de agência de imprensa, tencionava desligar o aparelho de vez.
— Ãh, Moon Do-Heon?
Mas na tela aparecia um nome que ele não esperava. Ao confirmar que quem ligava era Do-Heon, o coração de Cheongyeon despencou.
Não que ele já não pretendesse contatá-lo primeiro. Mas, na hora em que a ligação dele chegou, por não ter feito o preparo do coração, o peito disparou.
🎬 ∙ ∙ ∙ 🎥 ∙ ∙ ∙ 🎭
Continua….
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna