↫─Capítulo 148
A respiração ofegante e sibilante que Cheongyeon soltava se dispersava de forma instável pelo ar. Para dizer que ele estava simplesmente dormindo, o canto dos olhos que de quando em quando estremecia e se contraía e a respiração irregular ficavam remoendo em seu coração.
Do-Heon curvou o corpo mantendo o olhar fixo em Cheongyeon deitado na cama.
A testa sobre a qual pousou a mão com cuidado estava quente feito uma brasa. Não só isso; talvez por causa da febre, o rosto inteiro estava avermelhado.
— Sem dúvida agora há pouco…
Não estava assim.
Do-Heon, mesmo confirmando a temperatura corporal quente de Cheongyeon, como quem não acredita, tateou repetidas vezes, alternando entre a testa e a nuca.
A emoção perturbada transparecia por inteiro em sua voz baixa.
Han Iram tinha razão. Cheongyeon estava com febre altíssima pelo corpo todo.
Mas o Cheongyeon que vira de madrugada, sem dúvida, não parecia ter nada. Fora estar com a fala lenta e desordenada por causa da embriaguez.
Claro que na hora ele também tinha febre, mas era, no limite, uma febre baixa, próxima do normal.
Nas poucas horas em que voltara para casa e adormecera, teria acontecido alguma coisa? Em apenas meio dia, o estado pode mudar a esse ponto?
Do-Heon, sem conseguir entender esta situação, ficou por um tempo parado no lugar sem se mexer.
— O que foi que aconteceu.
Sem conseguir esconder a confusão, Do-Heon murmurou. Pouco depois, ele sacudiu com cuidado os ombros de Cheongyeon para acordá-lo.
Mas talvez ele não tivesse ouvido a voz de jeito nenhum, pois, em vez de responder, apenas um gemido tênue de dor escapou dos lábios secos.
— Desde quando você está assim. Até agora há pouco você estava bem.
Ele perguntou com a voz que se cortava aos trancos e alisou os cabelos grudados na testa de Cheongyeon. Talvez o toque de Do-Heon, mais frio que a temperatura do corpo, fosse agradável, pois Cheongyeon deixou a cabeça pender de lado e soltou um longo suspiro.
Num instante, o Cheongyeon que vira no sonho se sobrepôs à realidade que agora encarava. O corpo que cambaleava como se fosse desabar a qualquer momento e o rosto lívido surgiram num relance em sua mente e desapareceram.
— Ãh.
Do-Heon, assustado com o resíduo de imagem que cruzou diante de seus olhos, retirou às pressas a mão de Cheongyeon.
— Acorda, Cheongyeon.
Ele logo se recompôs e tornou a estender o braço.
— Hã…
— Onde e como você está doente. Enquanto ficava assim, o que raios você estava fazendo, hã?
Do-Heon murmurou como quem está aflito e sacudiu Cheongyeon mais algumas vezes. Mas os gemidos de dor só aumentavam, e ainda não havia sinal de que ele fosse despertar.
Não me diga que isto também é um sintoma por efeito colateral do remédio?
— Fu.
Mesmo não havendo como uma febre alta ter se transmitido nesta breve fresta de tempo, a respiração de Do-Heon também ficou ofegante junto com a de Cheongyeon.
Por que este sentimento de aflição me vem assim. Do-Heon por um instante ergueu a cabeça na direção do teto e passou as mãos secas pelo rosto.
Depois de dominar a mente que teimava em se desordenar, chegou logo à conclusão de que devia levar Cheongyeon ao hospital.
Concluído o julgamento, Do-Heon enfiou a mão sob o corpo que fervia de febre. No instante em que ia justamente erguê-lo nos braços, Cheongyeon, que só soltava respirações quentes, mexeu os lábios.
— Hng.
— Yoo Cheongyeon? Você acordou?
Achando que ele tinha se recomposto, Do-Heon chamou o nome, mas Cheongyeon ainda não conseguia abrir os olhos. Bem no momento em que Do-Heon ia chamar Cheongyeon mais uma vez, Cheongyeon negou com a cabeça, num gesto quase imperceptível.
— Não… quero.
— …
Diante das palavras murmuradas de forma indistinta como um gemido, a força escapou de repente de seu corpo. Foi porque as palavras que Cheongyeon um dia gritara com a voz exaltada no hospital rodearam seus ouvidos.
— Você acha que esta situação faz algum sentido? Por que você toca essa coisa por conta própria sem a minha permissão?
Pensando bem, no hospital em que ele fora internado antes do divórcio, Cheongyeon também ficara o tempo todo tremendo, apavorado, com os ombros encolhidos.
No olhar que o fitava de baixo com súplica havia inquietação de sobra, mas Cheongyeon, no fim, estendera o braço com impotência à enfermeira que se aproximara para colher sangue.
Aquela imagem esquálida de então continuava viva na memória como se ele a tivesse visto ontem mesmo.
— Se você me seguir aqui… eu vou sumir assim mesmo e nunca mais atender às suas ligações.
O dia em que ele derramara sangue pelo nariz com o rosto à beira de desabar. Quando lhe veio à mente, em seguida, Cheongyeon virando as costas para ele com uma expressão de quem se depara com um monstro horrível, dizendo que não queria ir ao hospital, Do-Heon ficou sem ar de repente.
Sua mente virou um lamaçal de toda sorte de cenas cruéis. Por mais que não quisesse recordar, as imagens perigosas de Cheongyeon iam se infiltrando por entre a consciência. E aí, sem falta, se repetia a sensação horrível de garganta obstruída e de entranhas se corroendo.
— Droga.
Do-Heon, sem conseguir de jeito nenhum erguer Cheongyeon nos braços, soltou um palavrão.
Não conseguia julgar se podia levá-lo ao hospital por conta própria.
Pensando de forma racional, o estado de Cheongyeon merecia receber cuidados médicos. Mas Do-Heon, como se o corpo tivesse enrijecido, não conseguia se mexer nem um pouco.
Porque temia o olhar de Cheongyeon, que tornaria a fitá-lo como algo horrível depois de acordar no quarto de hospital. E talvez, agora, Cheongyeon nunca mais tornasse a se voltar para ele.
Do-Heon, sem conseguir recompor a respiração, arquejava e fitava Cheongyeon com aflição. Ele se esforçava para dominar a emoção e manter uma atitude o mais serena possível. Mas, à medida que o tempo passava, até a serenidade a que se agarrava até o fim ia desabando.
Ele esfregou a região do queixo com a mão e fechou e abriu os olhos lentamente. Depois de recompor a respiração, Do-Heon tornou a tocar a testa de Cheongyeon e conferiu com cautela o quanto a febre estava.
O motivo de Cheongyeon estar com febre podia não ser apenas por efeito colateral do remédio. Podia ser ciclo de cio, ou talvez uma simples gripe.
Pelo fato de o feromônio ser sentido de forma ínfima, por ora, ao menos, não era ciclo de cio.
— Ah, o antitérmico.
Nisso, tardiamente, lembrou-se do antitérmico que trouxera de Han Iram como quem arranca à força.
Por que ele, tolamente, estava esquecendo disto. Do-Heon logo começou a vasculhar os bolsos. Por ora, se ele tomasse o remédio, quem sabe a febre baixasse.
Num estado meio fora de si, ele rasgou o envelope do remédio quase o arrancando. E, quando ia sem pensar pôr o remédio na boca de Cheongyeon, percebeu que não havia água e deteve o gesto.
Do-Heon se ergueu de forma agitada para ir buscar água. Ao contrário do de costume, seu corpo, perdida toda a compostura, se atarantava.
Ninguém estava estrangulando seu pescoço, mas Do-Heon, como quem não consegue respirar, arfava com o peito ofegante.
— Fuu.
Mesmo sabendo com a cabeça que não era coisa para fazer tanto alvoroço, ao ver aquele rosto que não conseguia abrir os olhos, tingido de febre, não era fácil manter a razão por inteiro. Por ora, a cabeça se enchia a ponto de estourar de dúvidas para as quais não conseguia chegar a uma resposta.
E se isto também for efeito colateral daquele maldito remédio? Está certo deixar assim? Não deveria, mesmo agora, colocá-lo no carro e levá-lo ao hospital?
Por que ele não percebera antes, quando o vira de madrugada. Como não conseguia saber se na hora ele estava bem e o sintoma piorara de repente, ou se Cheongyeon não dissera de propósito, ficava só aflito.
Se ao menos ele lhe dissesse já onde exatamente estava doente. Era duro ver Cheongyeon apenas deitado, e as entranhas ferviam de desalento.
— Yoo Cheongyeon. Acorda só um pouco. Trouxe remédio.
Do-Heon, estendendo a água que trouxera da cozinha, tentou erguer o tronco de Cheongyeon. Mas Cheongyeon apenas negava com a cabeça como quem sofre, sem conseguir abrir os olhos. A água que não conseguiu entrar na boca escorreu pela lateral dos lábios.
Do-Heon pousou o copo às pressas e limpou a água com a manga.
— Por que você…
Por outro lado, mesmo naquela situação, o fato de ele não tê-lo procurado e ter entrado em contato com Han Iram lhe dava raiva.
Porque agora, para Cheongyeon, Moon Do-Heon parecia ser uma existência que não era nada.
Do-Heon, sem saber o que fazer agora, fitou Cheongyeon em silêncio.
A cabeça parecia estar avariada. Diante de qualquer situação ele sempre produzia uma solução plausível, mas agora sua mente estava só em branco como uma folha de papel.
— Hã, ng.
Nisso, Cheongyeon soltou um gemido contido e estremeceu os ombros.
— Yoo Cheongyeon?
Diante daquele som, Do-Heon, que a muito custo se recompôs, segurou com firmeza o braço de Cheongyeon.
— Você consegue falar? Acorda e toma primeiro o remédio.
Quando Do-Heon sacudiu o braço e lhe dirigiu a palavra, o canto dos olhos de Cheongyeon estremeceu.
— Nã-não quero…
— O quê?
— …tirar… não…
Cheongyeon murmurou com a voz toda rachada.
— Sangue, agora… não quero tirar.
Sem conseguir entender de imediato o que aquilo significava, Do-Heon baixou o olhar para o braço de Cheongyeon que segurava.
E, com uma batida de atraso, entendeu as palavras que Cheongyeon murmurara. O braço que agora segurava era o lugar onde ficaram marcas de agulha densamente cravadas quando Cheongyeon fora internado no hospital.
Cheongyeon, mesmo no inconsciente, escondia o braço para dentro e soltava um gemido de dor.
— Simplesmente me deixa… receber alta de novo. Do-Heon … tenho medo.
— Nã-não. Não vou tirar sangue à força.
Do-Heon negou balançando a cabeça. Cheongyeon, como quem não ouviu palavra alguma, repetia delírios e empurrava Do-Heon com obstinação.
Mas não durou muito; talvez a força tivesse escapado logo, pois o braço que revolvia o ar tombou frouxo sobre a cama.
— Falei que tenho… medo…
Diante da imagem de Cheongyeon choramingando, febril, Do-Heon, sem conseguir dizer nada, cerrou os dentes.
O fato de que ele vinha recusando continuamente ir ao hospital era, no fim, por causa da memória do passado que o atormentava.
Quando Do-Heon tirou lentamente a mão do braço de Cheongyeon que agarrava, logo Cheongyeon, que falava sozinho, se aquietou.
— …
Do-Heon baixou o olhar, quieto, para as próprias duas mãos. Tinha a sensação de que, quanto mais punha a mão, tudo se estragava. A situação, a relação, e até Cheongyeon. Tudo.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna