↫─Capítulo 147
No ponto mais interno do estacionamento do apartamento, duas vans grandes estavam de costas para a entrada.
Do-Heon estacionou logo à frente da segunda van o carro em que viera. Então, de imediato, o chefe da equipe de segurança saiu de dentro da van e o cumprimentou com deferência.
— Chegou, diretor.
— O Cheongyeon ainda está no apartamento?
— Como, após o senhor ter saído, ele não saiu à parte, avaliamos que continua o tempo todo lá dentro.
O chefe de segurança respondeu conduzindo Do-Heon na direção da van.
— E o Han Iram.
— Está dentro do carro. Vai vê-lo agora?
— Abra a porta.
Quando Do-Heon ordenou com um aceno de queixo, o chefe de segurança abriu a porta da primeira das duas vans estacionadas.
Então, no interior espaçoso, viu-se um homem desconhecido sentado no banco com as pernas esticadas.
Como tinha se deparado com ele dezenas de vezes nas fotos das matérias, deu para reconhecer de imediato que ele era Han Iram.
Do-Heon sentou-se no assento em frente ao de Han Iram e o examinou de ponta a ponta. Han Iram, que estava com o boné puxado bem para baixo, também fitou Do-Heon de volta.
— Que relação você tem com o Cheongyeon?
Do-Heon perguntou mantendo o olhar fixo em Han Iram, apoiando uma das pernas sobre o joelho oposto.
Nisso, Han Iram, que estava com as costas afundadas no banco, puxou o corpo bruscamente para a frente.
— Ei, escuta aqui. Trazem uma pessoa que ia andando tranquila pela rua como se fosse um sequestro, deixam ela sem poder ir nem vir. Aparece depois de um tempão e a única coisa que diz é isso?
Diante da atitude de Do-Heon, que puxava o assunto principal sem nenhum cumprimento nem justificativa, Han Iram soltou uma risada de escárnio.
— Você é que tem que explicar primeiro o motivo de reter uma pessoa.
— Preciso fazer até uma gentil autoapresentação? Você não deve desconhecer quem eu sou.
Do-Heon murmurou com desdém, inclinando a cabeça de lado.
— Ainda assim, num primeiro encontro há um mínimo de educação que se deve demonstrar, não é.
— É ômega, sim.
Antes mesmo de Han Iram terminar de falar, Do-Heon murmurou. Num instante, Han Iram, que vinha zombando à larga, endureceu o semblante.
— …Não passa pela sua cabeça que espalhar feromônio alfa de propósito só para sondar se sou ômega é um método baixo demais?
— É que, desde que vi a matéria, o seu traço me deu curiosidade o tempo todo.
Do-Heon falou com uma voz nem um pouco arrependida.
O traço de Han Iram era o de um ômega comum. Para verificar isso, Do-Heon estimulara Han Iram com um feromônio alfa mais denso que o necessário e observara a reação.
Que um alfa dominante como Do-Heon testasse cobrindo um ômega com feromônio, como quem o esmaga, era um ato extremamente descortês, mas o método mais rápido e preciso de verificar o traço era apenas aquele.
A menos que tivesse tomado supressor, um ômega comum não teria como não se sentir sufocado, num espaço fechado, diante do feromônio denso de um alfa dominante.
— Então, qual o motivo de você ter feito questão de tentar encontrar o Cheongyeon nesta situação incômoda?
Do-Heon, com a cabeça inclinada de viés, fitou de cima Han Iram, que escorria suor frio.
— Ah, é por isso que eu detesto os malditos alfas. Não conhecem essa coisa chamada consideração.
Diante da pressão do feromônio que o invadia, Han Iram, encolhendo o corpo de forma defensiva, murmurou. Então o segurança que observava os dois em silêncio no banco de trás se intrometeu.
— Diante do diretor, poupe-se de palavras e atos descorteses.
Do-Heon o conteve com um aceno de mão, como quem diz que estava tudo bem e para deixar. Diante disso, o segurança baixou a cabeça e cerrou a boca.
Han Iram, diante da sensação de estar sendo oprimido pelo feromônio alfa, inspirou fundo e umedeceu o lábio inferior com a língua.
— O senhor tem um talento para deixar o humor das pessoas uma porcaria.
— Vou perguntar de novo. Que relação você tem com o Cheongyeon?
— Que relação, que nada. Não é óbvio? Uma relação bem apimentada, que virou escândalo.
Do-Heon, com o rosto indiferente, apoiou o braço no encosto do banco e escorou o queixo.
— Por que você tentou entrar no apartamento.
— Porque o Yoo Cheongyeon me chamou.
— Ele deve estar dormindo agora.
Claro que, nesse meio-tempo, ele podia ter acordado, mas, pelo bom senso, numa situação em que a imprensa estava desesperada para ligar os dois de qualquer jeito, não lhe entrava na cabeça que Cheongyeon tivesse chamado Han Iram ao apartamento.
— Ora, essa. Dormindo? Uma pessoa que está com febre de doença ia estar dormindo tão bem assim.
— O Cheongyeon está doente?
Diante das palavras de que Cheongyeon estava doente, Do-Heon, que acenava a mão que escorava o queixo, estancou.
— Você não sabia, é? Dizem que é ex-marido, mas parece que é uma relação menos apimentada que a minha.
Os olhos de Do-Heon, que o tempo todo observava Han Iram com o rosto sem expressão, se estreitaram.
Mesmo sabendo que ele usava de propósito um tom debochado para provocá-lo, não havia como não se irritar.
Já lhe desagradava que, do lado de fora, um sujeito daqueles e Cheongyeon fossem amarrados juntos e as conjecturas grassassem, e o envolvido no escândalo, diante dele, ousar zombar como quem conhece bem Cheongyeon revirava suas entranhas.
Se Han Iram fosse alfa ou beta, e não ômega, jamais teria deixado que ele estalasse a língua daquele jeito.
— Ele estava bêbado e parecia meio fora de si, mas quando o vi de madrugada estava, sem dúvida, bem.
— O Yoo Cheongyeon não estava bem, viu? Ah, e quem bebeu com ele até de madrugada fui eu.
Han Iram sorriu com um olhar cheio da intenção de provocar. Do-Heon, para não se deixar levar por aquilo, cerrou o punho com força.
— Bobagem.
— Não é bobagem, não. Quer conferir a ligação que veio do Yoo Cheongyeon?
Han Iram, para provar que suas palavras não eram mentira, tirou o celular e mostrou a lista de chamadas.
De fato, o número de Cheongyeon aparecia registrado várias vezes.
Quando se abriu a possibilidade de que tudo o que Han Iram dizia pudesse ser verdade, a serenidade de Do-Heon trincou.
Doente? Como ele estava alcoolizado, não dava para dizer que Cheongyeon estava totalmente bem, mas, durante a conversa, ele não mostrara sinais diferentes do de costume. Se o estado dele não fosse bom, não haveria como ele não ter percebido.
— Estava sozinho, oras. Que vergonha, como é que eu ia encontrar outra pessoa agora.
Ainda por cima, ele não dissera, com certeza, que estava sozinho? Fora mentira?
Como não conseguia julgar em qual dos lados acreditar, as entranhas de Do-Heon ardiam de aflição.
— Quem bebeu com o Cheongyeon foi você? Por quê?
Do-Heon encarou Han Iram com um olhar cortante.
Ele tinha um pouco de febre, mas Do-Heon achara que era por causa da bebida. O médico também dissera que não havia problema. Ainda por cima, Cheongyeon, durante toda a conversa com ele, nem uma vez demonstrara estar doente.
Ele não tinha percebido?
— Por que ele bebeu? E o que mais dá para fazer agora. Os dois estão ferrados. Claro que o mais ferrado que eu é o Yoo Cheongyeon, mas…
Han Iram parou de falar no meio e virou a cabeça de lado para conter as entranhas que enjoavam.
— Haa. Mas, ei. Se, por consciência, você reteve um ômega, não devia dar um jeito no feromônio? Até bandido de esquina seria mais cavalheiro que isso. O Yoo Cheongyeon sabe que você é desse jeito arbitrário?
— O Cheongyeon não vai ter como saber, então acho que você não precisa se preocupar.
— …Que baita cavalheiro apareceu. Enfim, como tenho um motivo cabível, eu queria que me deixassem sair de uma vez. Combinei de levar antitérmico para o Yoo Cheongyeon.
Diante das palavras de Han Iram de que ele iria mesmo assim atrás de Cheongyeon, uma das sobrancelhas de Do-Heon se ergueu de viés.
— Não passa pela sua cabeça que subir agora não traz benefício a nenhum dos dois? Se o Cheongyeon precisa de remédio, é só eu levar.
— Você por quê? Quem o Yoo Cheongyeon chamou fui eu.
— Pelo visto você não tem nem um mínimo de senso de responsabilidade sobre esta situação. E se alguém flagrar o envolvido no escândalo indo até a casa dele?
— Então o que você quer que eu faça. Eu também estou penalizado com o Yoo Cheongyeon por a coisa ter dado nisso, mas quem entrou em contato primeiro foi ele. Eu, à minha maneira, para esconder o rosto, usei máscara e boné à risca, o que mais eu tenho que fazer.
— Ele tem empresário, por que ele foi justo pedir a você?
— Isso deve ser porque você plantou todo mundo em volta do Yoo Cheongyeon como gente sua e ele não confiou. Em vez de perguntar a mim, pergunte primeiro à sua própria consciência.
— …
Como Han Iram rebateu sem travar, Do-Heon cerrou a boca.
— E eu também só estou tentando ajudar o Yoo Cheongyeon. Não é que eu queira piorar a situação.
— Ainda assim, não pode. O remédio eu levo. Se te fotografarem entrando e saindo do prédio agora, a coisa só fica mais complicada.
Como, por mais que continuasse bate-boca, Do-Heon não parecia disposto a deixá-lo ir de boa vontade, Han Iram mordeu o lábio inferior como quem hesita, em conflito.
— A propósito, desde quando o Cheongyeon estava doente?
— …Ontem, será? Por aí. Mas dá para confiar isso a você mesmo?
— Por que você fez ele beber.
— Não fui eu que fiz, ele mesmo é que disse que queria beber.
Quanto mais ouvia por meio de Han Iram, menos Do-Heon conseguia entender o íntimo de Cheongyeon, e as entranhas se enredavam de forma ainda mais aflitiva. Coisas dispersas que ele desconhecia estavam acontecendo a Cheongyeon em número grande demais.
Da renúncia à herança ao escândalo e ainda ao problema de saúde. Não conseguia afastar a sensação de que Cheongyeon estava bloqueando todas as informações para que não houvesse brecha para ele intervir.
Se ele estava mesmo doente, com que ideia teria conversado com ele de madrugada fingindo estar bem.
No fim, Do-Heon julgou que não havia outra saída senão conferir pessoalmente.
*
Depois de mandar Han Iram de volta à força, Do-Heon entrou sozinho no prédio.
Ao descer do elevador e destravar a fechadura, ele entrou no apartamento e examinou o interior em detalhe.
A paisagem da sala estava tal como vira de madrugada.
— Yoo Cheongyeon?
Do-Heon chamou o nome de Cheongyeon, mas não veio resposta. Diante do ar gélido que baixava em silêncio, Do-Heon, sentindo inquietação, avançou de imediato a passos largos na direção da cama.
O aspecto abatido de Cheongyeon que vira no sonho revolvia sua mente por conta própria. O rosto que o fitava de baixo com um olhar murcho e roxo era tão vivo que ele não conseguia distinguir com clareza se aquilo tinha sido mesmo um sonho ou realidade.
— Cheongyeon. Está dormindo?
Ele, erguendo a voz, procurou Cheongyeon. Não sabia por que, mas, quanto mais o corpo se aproximava da cama, mais as entranhas enjoavam. Como se o chão sob seus pés oscilasse, andar reto ia ficando cada vez mais difícil.
Logo Do-Heon, de pé diante da cama, parou os passos de repente. Diante de seus olhos surgiu Cheongyeon, escorrendo suor frio e de olhos fechados.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna