↫─Capítulo 142
Do-Heon , que adentrava a entrada do apartamento, ao ver a própria imagem refletida na porta de vidro, estancou por um instante.
Como saíra correndo esquecendo até de trocar de roupa, estava com a camisa e a calça simples que vestia em casa. Também não arrumara o cabelo direito, então, no todo, parecia desalinhado. A própria imagem, sem retoques, era um tanto estranha para ele.
Mas a sensação de estranheza durou pouco, e Do-Heon rumou às pressas para a frente da casa de Cheongyeon.
— Yoo Cheongyeon.
Ainda que fosse hora em que todos dormiam, Do-Heon , sem se importar, chamou o nome de Cheongyeon e apertou a campainha.
— Você está aí dentro?
A voz baixa de Do-Heon ecoou de forma sinistra pelo corredor do apartamento.
De Cheongyeon não veio resposta. Do-Heon , revolvendo o cabelo, encarou a porta firmemente fechada.
Sem conseguir sequer saber se ele estava em casa, o que estava fazendo, com quem estava, ficava aflito.
Como não havia resposta nem ao apertar a campainha nem ao chamar o nome, ele logo começou a socar a porta com o punho, sem critério.
— Se você estiver aí, dá uma saída. Vou só conferir o rosto e ir embora. Não, mesmo que não saia, só responde.
Por mais que chamasse Cheongyeon repetidas vezes diante da porta fechada, o que voltava era, ainda, apenas o silêncio.
Como não dava para saber sequer se de fato Cheongyeon estava lá dentro ou não, a irritação subiu.
No estacionamento estava, como antes, o carro de Cheongyeon que Do-Heon presenteara. Ou seja, se Cheongyeon não estava em casa, queria dizer que ele andava sozinho lá fora, sem carro e sem empresário.
Ao se dar conta de que uma figura pública, de rosto conhecido, estava sem contato e sem um responsável, o interior da boca secou por completo.
E se Cheongyeon não estivesse deixando de atender de propósito, mas se encontrasse numa situação em que não podia atender?
Diante da pior das hipóteses, que surgia por conta própria, teve a ilusão de que o chão sob seus pés se abria. Do-Heon teve de agarrar com força a maçaneta para manter o equilíbrio.
A ponto de que um caso com aquele sujeito ômega chegava a ser um alívio.
— …Se você não abrir, eu simplesmente entro.
Do-Heon disse como quem faz um comunicado, para acalmar a pulsação que disparava de forma desagradável.
Em questão de segundos, Do-Heon , cuja paciência tinha se esgotado por completo, no fim não conseguiu conter a preocupação e a curiosidade e digitou a senha, destravando a fechadura eletrônica. Fora aquilo, nenhum outro método lhe ocorria.
Ao abrir a porta e entrar, um ambiente escuro se estendeu. Fora o ponto onde a luz do sensor, que captara o movimento de Do-Heon , se acendera, era tudo trevas.
Ele, confirmando que não havia os sapatos de Cheongyeon na entrada, deu mais um passo para dentro de casa.
— Yoo Cheongyeon.
Do-Heon começou a vasculhar o interior de ponta a ponta, na ordem cama, banheiro, sacada. Mas em lugar nenhum encontrou Cheongyeon.
Por último, abriu o guarda-roupa e o armário e conferiu o interior. Mesmo sabendo que remexer na bagagem pessoal de outra pessoa sem permissão não era coisa educada, ele não conseguiu deter o gesto.
Vendo que as coisas que ele usava estavam nos seus lugares, sem sinal de terem sido remexidas, parecia que ele não tinha feito as malas e partido de vez.
— Fu.
Do alívio, um longo suspiro escapou sem querer.
Mas logo os nervos se aguçaram de novo, de forma cortante. Se ele nem em casa estava, afinal aonde teria ido.
Do-Heon pensou que, em vez de ficar ali esperando quieto, assim que amanhecesse deveria pôr alguém no encalço e averiguar direito o paradeiro.
Nisso, a luz do sensor da entrada, que se apagara, piscou de repente.
— Que-quem é você?
Ao mesmo tempo, às suas costas ouviu-se uma voz familiar.
Do-Heon se virou às pressas. Então cruzou olhar com Cheongyeon, que acabara de entrar e estava de pé numa postura sem jeito.
— Você.
Assim que viu Cheongyeon, o corpo de Do-Heon enrijeceu por completo.
Quando enfim viu o rosto que procurava com aflição, não conseguiu abrir a boca com facilidade. Como se alguém a estivesse apertando com força, a garganta se contraiu.
Do-Heon , diante da sensação a que não estava acostumado, franziu o cenho e encarou Cheongyeon.
Onde ele tinha estado até aquela hora, com quem estava, o que estivera fazendo, o que raios era aquele sujeito, se não estivera doente de novo de algo, por que não o contatara nem uma única vez, se comera as refeições sem pular…
Curiosidades incontáveis brotaram todas de uma vez, sem ordem. Mas, ao contrário do costume, não saíram na forma de linguagem, de modo claro e organizado, apenas rodaram dentro da cabeça e se dispersaram.
Do-Heon percebeu pela primeira vez que, quando há coisas demais que se quer dizer, pode-se, pelo contrário, não conseguir dizer nada.
Ele percorreu depressa o corpo de Cheongyeon de cima a baixo. Por sorte, à primeira vista, não parecia haver nenhum ferimento.
— É o senhor…?
Cheongyeon perguntou com voz instável. A cada palavra que dizia, um cheiro forte de álcool se espalhava ao redor.
— Ah. Que susto. Hoje é… sexta, era? Quando você voltou para a Coreia?
Apesar de ter feito o outro se corroer inteiro por não atender ao contato, Cheongyeon, com uma expressão infinitamente inofensiva, piscava lentamente os olhos.
— Onde você esteve e o que ficou fazendo esse tempo todo.
Do-Heon , dentre as tantas perguntas, a muito custo selecionou a que mais queria fazer.
Diante da voz singularmente gélida, Cheongyeon por um instante pareceu medir a situação e então torceu os lábios. E, cambaleando, passou por Do-Heon e entrou casa adentro.
— Bebi um pouco, oras.
Com a pronúncia toda arrastada, Cheongyeon respondeu com desfaçatez.
— Por que você desligou o celular.
— Se deixo ligado, o telefone não para de tocar, e aí o que eu faço. Não é só o senhor que me liga agora, também…
— Onde você esteve esse tempo.
Do-Heon inquiriu seguindo bem de perto Cheongyeon.
— Se eu disser onde, o senhor conhece?
— Estava sozinho?
— Estava sozinho, oras. Que vergonha, como é que eu ia encontrar outra pessoa agora.
Cheongyeon respondeu docilmente e então acendeu a luz da sala. Quando o ambiente escuro clareou, Cheongyeon começou a vasculhar, de forma desordenada, a bolsa que trouxera.
Do-Heon fitava com inquietação a figura dele oscilando como se fosse cair a qualquer momento.
— Um instante. O remédio… tenho que tomar primeiro.
Diante do som que ele murmurava como que falando sozinho, a boca de Do-Heon endureceu.
— Para com isso. Não vou fazer nada.
Cheongyeon, como quem não ouviu aquilo, abriu o zíper da bolsa e vasculhou o interior de ponta a ponta.
— Acho que tinha deixado aqui. Haa… Espera só um pouco.
— Yoo Cheongyeon. Você não me ouviu? Está achando que, nesta situação, eu vou fazer alguma coisa com você?
— Então para que veio até aqui. O senhor não deve ter outro motivo para vir aqui além disso…
Quando Do-Heon rebateu com frieza, Cheongyeon, com a voz que se arrastava pela bebida, resmungou.
— Por quê. Você não me contou?
— O quê?
Cheongyeon, como se não entendesse do que se tratava, inclinou a cabeça e ergueu o olhar para Do-Heon .
— Tudo o que está acontecendo agora.
— Ah, isso.
— Mesmo que eu estivesse no exterior, você devia ter dito quando a matéria saiu pela primeira vez. Se tivesse feito isso, a coisa nem teria crescido a esse ponto. Dava para corrigir na hora, com facilidade.
Do-Heon , na aflição, pressionou Cheongyeon, que não tomara nenhuma providência.
— Corrigir na hora, com facilidade… Sei lá.
Cheongyeon, agarrando a bolsa, falou de forma insinuante. Do-Heon ergueu as sobrancelhas e o encarou de volta.
— Para mim não parecia um problema lá muito fácil.
— Foi por isso que você deixou chegar a esse estado?
— A esse estado ou àquele estado, que importa. Agora somos estranhos. Eu já disse para o senhor não se preocupar, que eu me viro sozinho.
— Está me dizendo para eu ficar só olhando parado? Mesmo com uns sujeitos que não sabem de nada falando de você à toa?
Diante da reação de Do-Heon , que passava do descontentamento e parecia com raiva, Cheongyeon parou de vasculhar a bolsa e assentiu como quem se deu conta de algo.
— É mesmo, até o seu nome apareceu, então o senhor deve ter ficado incomodado. Por isso eu peço desculpa. Mas parece que todos ficam meio cautelosos, porque o seu nome quase não foi men…
— Não é disso que eu estou falando. Eu estou é preocupado com você.
— Ah, achei o remédio.
Cheongyeon tirou da bolsa o anticoncepcional que carregava para emergência e o sacudiu à mostra.
— Vamos fazer, né?
Diante do tom extremamente leviano, Do-Heon , num instante, sentiu a emoção transbordar e cerrou o punho com força.
— Você acha que eu…
De novo. O interior do peito latejou. Ao mesmo tempo, o pomo de adão de Do-Heon subiu e desceu com força.
Como parecia que a essência das suas palavras não alcançava Cheongyeon nem um pouco, Do-Heon , no fundo, ficou aflito e irritado.
Por que raios ele achava que Do-Heon tinha vindo até aqui nesta madrugada por causa de um mero sexo.
Ficou com raiva da atitude de Cheongyeon, que entendia que a causa de todos os seus atos — esperar o contato, se preocupar, ir atrás dele até ali — era unicamente por causa da cama.
Achava que bastaria conferir o rosto de Cheongyeon para as entranhas que ferviam como que se queimando se acalmarem, mas, ao contrário, borbulharam com ainda mais violência. E, na mesma medida, a região da boca do estômago latejou.
Mas Do-Heon logo relembrou que Cheongyeon estava embriagado. Por ora, uma conversa como devia ser era impossível. Não seria tarde deixá-lo dormir e, quando ele acordasse, inquirir sobre o que acontecera nesse tempo.
— Guarda o remédio já. Não vim por causa disso.
Do-Heon , que a muito custo dominou a emoção, puxou o braço de Cheongyeon para levá-lo à cama e deitá-lo.
— E não vou fazer nada, então dorme primeiro.
— Ãh-ãh.
Como o corpo se inclinou puxado pela mão dele, o conteúdo caiu da bolsa que Cheongyeon segurava.
O que se derramou no chão de uma vez foram os cadernos de roteiro. Os roteiros do drama que Cheongyeon vinha revisando se espalharam de qualquer jeito.
— Não, meus roteiros…
Entre eles estava misturado também o roteiro do drama cuja escalação fora suspensa.
Cheongyeon se desvencilhou de Do-Heon e desabou sentado no chão, começando a recolher os roteiros. Mas, por estar bêbado, sem força nas mãos, cada um que pegava tornava a lhe escapar.
— Eu recolho.
Do-Heon se abaixou seguindo Cheongyeon. Quando as duas mãos que agarraram o mesmo roteiro se tocaram de raspão, Cheongyeon estremeceu e recuou a mão.
— …É mesmo. Hoje não é sexta.
Como se lhe tivesse ocorrido de repente, Cheongyeon murmurou.
— Se não for para fazer comigo, então vai embora logo.
— …
— Porque agora eu não quero ficar com o senhor.
Cheongyeon, aguçando a guarda como quem vê um invasor, o empurrou para longe. À primeira vista, parecia até estar com medo.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna