↫─Capítulo 138
Diante da inquirição em que se sentia impaciência, Cheongyeon vasculhou depressa a memória.
— Como assim, me encontrei com quem? Era confraternização, então o diretor… a roteirista, os atores, a equipe? É isso tudo.
— Mas por que uma foto dessas foi tirada e está circulando, rapaz? Vem logo com o celular. Você conferiu o link que eu mandei, ou não?
Cheongyeon, que achou a bolsa, apressou-se em tirar o celular. Já havia mais de dez chamadas perdidas vindas de vários lugares.
Cheongyeon sentiu por intuição que algo tinha dado errado.
Ao mesmo tempo, o episódio de ter levado Han Iram para casa no dia da confraternização passou rápido pela mente.
Não me diga… Cheongyeon, cheio de tensão, engoliu em seco e tocou o link. Então, uma matéria estampada na página principal de um portal famoso surgiu na tela.
— Beta Han Iram em romance com o ômega Yoo Cheongyeon?
Ao ler a manchete provocativa, o cenho de Cheongyeon se franziu de imediato.
— O que aconteceu, Cheongyeon. Não é verdade, né? Agora está uma loucura, com as agências de imprensa ligando.
A matéria trazia uma foto de Cheongyeon e Han Iram lado a lado, grudados.
O fato de, na ocasião, ter dado apoio a ele, que não conseguia se sustentar direito, foi encenado, por um golpe do acaso, como se fosse uma cena dos dois bem encostados um no outro, cochichando ao ouvido.
Ainda por cima, Cheongyeon estava com o rosto completamente à mostra. Han Iram até estava com o boné puxado bem para baixo, mas só pela parte inferior do rosto, revelada ao inclinar a cabeça de lado, já bastava para deduzir quem ele era.
Além disso, alegando que as roupas dos dois na matéria coincidiam exatamente com as flagradas na foto da confraternização postada por um membro da equipe do drama, bloqueava por completo a possibilidade de ser outra pessoa.
Mesmo aos olhos de Cheongyeon, o envolvido, era uma situação que parecia difícil de justificar.
— O Han Iram eu só conheço de rosto, antes disso a gente nunca tinha se encontrado nem uma vez. Naquele dia, trocar umas poucas palavras foi tudo.
— Mas como é que uma foto daquelas acabou sendo tirada?
Kim Gyeongseop retrucou, como quem está aflito.
— Ele disse de repente que estava passando mal, então dei apoio. Provavelmente a foto foi tirada nessa hora… Haa.
Cheongyeon sabia melhor do que ninguém o que significava um ômega ser pego de surpresa pelo ciclo de cio estando fora de casa. Naquele instante, só pensava em ajudar Han Iram de algum jeito. Foi por isso que não imaginou que uma foto seria tirada daquela forma.
— E ainda foram juntos de carro? O que é isso.
— Como ele disse que não estava em condições de dirigir, levei-o para casa, oras.
Depois de dizer, veio-lhe o pensamento de que tinha sido leviano demais.
— Rapaz. Levar até em casa alguém que você viu pela primeira vez, que história é essa. Ainda por cima, o carro que você dirigiu era do Han Iram.
— Pois é. Até para mim, é estranho pra caralho.
O relato de testemunha que Min Hyerin mencionara era esse? Afinal, quem tirou a foto?
Cheongyeon, conferindo uma a uma as manchetes das matérias que já enchiam o portal, mordiscava o lábio inferior.
O tempo que ele levou para trazer o carro de Han Iram para a frente do prédio e, depois de dar apoio, colocá-lo no carro não chegou nem a trinta segundos.
Se fosse medir o tempo desde que desceram a escada do banheiro, cerca de um minuto. Achava que, à sua maneira, tinha observado bem os arredores e se movido no momento em que não havia ninguém, mas pelo visto não fora assim.
Vendo que a direção de onde a foto foi tirada não era a calçada, e sim o lado do prédio, talvez tivesse sido um envolvido da equipe do drama que os descobriu.
•— Han Iram♥Yoo Cheongyeon: flagrados em encontro a sós!•
•— O escândalo cor-de-rosa de Han Iram, o clássico do look de namorado, com o ator novato Yoo Cheongyeon•
•— O ator Yoo Cheongyeon, matador de gente de berço de ouro? O ex-marido do passado vira assunto•
•— Qual é o traço de Han Iram, em romance secreto com o ferrenho ômega Yoo Cheongyeon?•
Ao ver que, no fim, até o conteúdo sobre Do-Heon começava aos poucos a virar matéria, Cheongyeon, com o rosto desalentado, fechou a página.
Ainda que a matéria sobre Do-Heon fosse retirada mais tarde pelo pessoal do Grupo JT, era evidente que se tratava de um caso que ele, que detestava ao extremo a exposição na imprensa, ficaria enojado de ouvir.
Somando a isso, a relação com Han Iram parecia complicada de esclarecer. E também não podia, para desmentir o boato de romance, revelar por conta própria que ele era ômega.
— As matérias que estão saindo agora… não tem como impedir de nenhum jeito, né?
— Do nosso lado não tem nada que a gente possa fazer. Se… s-se você falar com o diretor Moon Do-Heon…
— O Moon Do-Heon não está na Coreia agora. E…
Cheongyeon parou de falar no meio e cerrou os lábios.
Para ser sincero, ele já não tinha mais nem a certeza de que Do-Heon o ajudaria.
Por mais indiferente que ele fosse, na última vez em que se encontraram Cheongyeon armara um escândalo como quem lança uma maldição, então não havia como ele resolver de boa vontade.
Ainda por cima, não queria ligar para uma pessoa que estava no exterior e pedir que desse jeito num escândalo estourado pelo próprio descuido dele.
Mesmo que, de um jeito ou de outro, pedisse e resolvesse, no fim era tudo dívida. Com a personalidade de Do-Heon, era certeza que ele acabaria mandando pagar depois. Do jeito que ele quisesse.
Cheongyeon agora já não tinha nem capacidade nem coragem de saldar a dívida que devia a ele.
— De todo modo, falar não vai adiantar nada.
Cheongyeon murmurou, sem forças.
A matéria sobre Do-Heon estava sendo filtrada, então logo sairia do ar. O maior problema era a relação entre ele e Han Iram.
— Haa. Por ora, não vai ter outro jeito senão conversar um pouco com a agência do Han Iram e ao menos soltar um comunicado. Você disse que hoje ia se encontrar com a chefe Kwon? A reunião fica para depois, então você vai agora mesmo direto para casa. E não fica andando por aí à toa e sendo fotografado.
Kim Gyeongseop soltou um suspiro, como quem está com a cabeça pesada. Do outro lado da linha, o toque dos telefones do escritório da agência e o barulho dos funcionários circulando às pressas se misturavam num alvoroço.
— Ligo de novo depois, então não desliga o celular e espere. Ah, e não pega no volante. Pede para o empresário te levar. Entendeu?
Antes de desligar, Kim Gyeongseop fez mil recomendações.
*
O tempo na Coreia estava radiante. Pelo vidro transparente do Aeroporto de Incheon, a luz clara do sol atravessava cintilando.
Do-Heon, ao contrário do tempo límpido, avançava em direção à saída com o rosto sem expressão.
Depois que o avião pousou, assim que passou pelo controle de imigração, um segurança à paisana e o secretário Shim, que o acompanhara na agenda no exterior, seguiam atrás de Do-Heon a uma distância adequada.
Do lado de fora do prédio, o motorista já havia chegado, estacionara o carro e aguardava. O secretário Shim foi rápido até a frente do carro e abriu a porta de trás. Só depois que Do-Heon se sentou é que o secretário Shim também entrou e se acomodou no banco da frente.
— Me passe os documentos que trouxe dos Estados Unidos.
— Agora só é possível conferir pelo tablet, tudo bem?
Do-Heon mexeu a mão como quem não se importa. O secretário Shim tirou o tablet da pasta de documentos, abriu a janela dos arquivos e o estendeu a Do-Heon.
Ao espiar de relance, o secretário viu que Do-Heon, mesmo tendo acabado de descer do avião após um voo de mais de dez horas, não aparentava o menor sinal de cansaço.
E, na navegação do motorista, como se fosse óbvio, o Prédio da JT Eletrônicos estava marcado como destino.
— Quando chegarmos a Seul, secretário Shim, vá direto para casa.
Do-Heon falou com voz seca.
— Não, senhor. Vou retornar à empresa, conferir as questões que surgiram no país durante a viagem e depois ir para casa.
Diante da resposta firme, como quem diz “faça como quiser”, Do-Heon, em silêncio, conferiu um a um os arquivos que trouxera dos Estados Unidos.
O interior do carro logo ficou silencioso. O secretário Shim, por um momento, fitou a paisagem lá fora, onde o sol do meio-dia entrava, e depois ligou o celular de uso profissional no país.
Por segurança do trabalho, durante a viagem ao exterior usava outro celular e, ainda por cima, como a agenda era apertada, os contatos vindos do país eram transmitidos só por e-mail.
Por isso, havia bastante mensagem acumulada. O secretário Shim começou a conferir o conteúdo em ordem de data.
— Secretário Shim.
Nisso, Do-Heon, que havia um tempo lia os documentos, abriu a boca.
— Sim, diretor.
— …
Depois de chamar como se tivesse algo a dizer, na verdade Do-Heon ficou um bom tempo sem dizer nada.
Como o silêncio se prolongava, bem no momento em que o secretário Shim, que esperava calado, ia dizer para ele falar à vontade se tivesse algo a dizer, Do-Heon abriu a boca.
— O Cheongyeon não entrou em contato?
O secretário Shim, que preparava a caneta imaginando que naturalmente ele daria uma instrução de trabalho, estancou.
— Não houve nenhum contato vindo do Cheongyeon.
— Então entre em contato com ele.
Do-Heon instruiu de forma seca, num tom igual ao de quem pede para trazer um documento para assinatura.
— Entendido.
O secretário Shim, guardando de volta a pequena caderneta no bolso, respondeu meio sem jeito.
— Mas com que assunto eu ligo?
Mesmo diante da pergunta cautelosa do secretário Shim, Do-Heon apenas fitava a tela do tablet apoiado sobre os joelhos, sem dizer nada.
O tempo passou e o cristal branco em que se viam os documentos se apagou. Na tela preta, refletiu-se o rosto do próprio Do-Heon, de lábios cerrados.
— Diretor?
— Deixa. Não se preocupe com o que eu disse agora há pouco.
Logo Do-Heon pousou o tablet ao lado, encostou as costas no banco e fechou os olhos.
O secretário Shim, que observava a reação dele, tornou a se virar e recomeçou a conferir os contatos acumulados.
Do-Heon, que por alguns minutos não fez o menor movimento, abriu os olhos que mantinha fechados diante do som da sirene de uma ambulância que soava na via.
— O professor Han Seonguk, o que ele andou dizendo depois daquilo.
— Do professor Han Seonguk ainda não chegou nenhuma notícia adicional. Pelo que ouvi antes da partida, ele tentou entrar em contato com o Cheongyeon algumas vezes, mas ele não se submeteu ao exame.
O secretário Shim explicou apontando com exatidão o ponto sobre o qual Do-Heon tinha curiosidade. Em seguida, quando ia acrescentar mais alguma coisa, o telefone começou a tocar.
— Atenda.
Ao aceno de cabeça de Do-Heon, o secretário Shim, dizendo “com licença”, apertou o botão de atender.
E a expressão do secretário Shim, ao atender, foi ficando gradualmente mais grave.
Ele, que logo encerrou a ligação, reportou de imediato a Do-Heon o que lhe fora transmitido.
— Diretor. Há uma questão relacionada ao Cheongyeon que o senhor precisa verificar.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna