↫─Capítulo 137
Cheongyeon abaixou a voz e sussurrou, mas Han Iram, como se até controlar a própria respiração já fosse demais, em vez de responder soltou um longo suspiro.
— Han Iram?
— Ãh. Mas é que o momento não bateu certo… e acho que virou problema. Ah, que merda.
Ele soltou um palavrão baixinho. Talvez por estar fora de si, na resposta misturava linguagem informal e formal.
E, pouco depois, a porta trancada da cabine se abriu. Quando Cheongyeon puxou a porta, viu Han Iram sentado sobre a tampa do vaso, todo encolhido.
O feromônio ômega já saturava por completo o interior da cabine. A ponto de dar a entender que, se em vez dele tivesse entrado um alfa, poderia ter dado tudo errado — Han Iram mal conseguia se sustentar.
Cheongyeon pensou no que poderia fazer ali, de imediato. Voltar ao restaurante e pedir ajuda às pessoas era coisa que não fazia o menor sentido. O público não o conhecia como beta? Ainda por cima, vez ou outra parecia haver quem o confundisse com alfa.
Se viesse à tona que um ator desses tinha traço ômega, ele passaria por um monte de aborrecimentos, tal como acontecera com Cheongyeon. Também não faria bem à imagem. Era por saber disso que Han Iram escondia, com certeza.
— Han Iram. Você veio com o empresário? Melhor chamar o empresário e ir de carro…
— Não pode. O empresário também não sabe que eu sou ômega.
Han Iram, ofegante, sacudiu a cabeça com força.
— Então, que tal ligar para a família?
— Isso é ainda mais impossível. Hã… Se a família me visse nesse estado, talvez nunca mais me deixassem trabalhar, então, deixa. Haa.
No fim das contas, queria dizer que não havia ninguém a quem pudesse pedir ajuda naquele momento.
Cheongyeon o fitou de cima, com expressão contrariada. Aquele ter ficado excepcionalmente calado desde que estavam à mesa e ter tratado com frieza até os atores que puxavam conversa era, afinal, por causa do ciclo de cio.
— Você consegue andar, né?
— Talvez… sozinho pareça difícil.
— Eu te dou apoio. Está com a chave do carro? Me diz onde está.
— O quê… o que você pretende fazer.
— Rápido! Vou sair e trazer o carro para a frente do prédio, então espera só um pouco. Volto para te buscar.
— …
— E depois disso, é só ir para casa ou para um hotel, não é? Tá?
Cheongyeon sacudiu os ombros de Han Iram. Ele, escorrendo suor frio, ergueu a cabeça que mantinha baixa.
— Se recomponha. Se alguém entrar assim, pode ser descoberto. Tem carro, ou não?
— No bolso direito da calça…
Han Iram, que hesitava sem conseguir afastar a desconfiança, como se tivesse concluído que não havia outra saída, resmungou a contragosto.
— Qual é a placa do carro?
Cheongyeon, que tirou a chave do carro do bolso da calça dele, perguntou apressado.
*
No dia seguinte.
Cheongyeon, antes de ir para a aula de atuação, abriu o roteiro para conferir uma última vez às falas que havia decorado de antemão. Ainda restava uma folga de uns trinta minutos até a hora de sair.
Talvez porque, graças à viagem de negócios de Do-heon ao exterior, o anticoncepcional tivesse deixado de ser necessário, nos últimos dias, tomando só o supressor, sua condição andava bem melhor. Até a dor de cabeça que, de forma incômoda, latejava de repente, tinha sumido por completo.
Aquela hemorragia nasal, na ocasião, teria sido mesmo por causa do remédio? Por dentro, ele achava que fora coincidência, mas parecia que tomar supressor e anticoncepcional ao mesmo tempo era, de fato, mau para a saúde.
Cheongyeon, lendo o roteiro e girando a caneta com a mão, sublinhou uma fala que o confundia. Enquanto ia anotar à parte a pronúncia que precisava enfatizar, recebeu uma ligação de um número desconhecido.
— Alô?
— É o celular do Yoo Cheongyeon?
Era uma voz estranhamente familiar aos ouvidos, como se já a tivesse escutado em algum lugar. Cheongyeon largou a caneta e aguçou bem a audição para tentar lembrar do dono da voz.
— Sou eu, Bae Sea. A gente se viu ontem na confraternização.
Antes mesmo de Cheongyeon lembrar por conta própria, a outra pessoa revelou o nome primeiro.
— Ah! Sea. Chegou bem ontem? Como conseguiu meu número…
— Sempre tem um jeito de descobrir tudo. Eu cheguei bem ontem, e você, chegou bem? Fiquei surpresa que sumiu sem dizer nada.
— É que…
Cheongyeon deixou a fala morrer e lembrou do que acontecera no dia anterior.
Han Iram, escondido no banheiro, teve o sintoma do ciclo de cio agravado à medida que o tempo passava. Cheongyeon, sem contar a ninguém, deu-lhe apoio e a muito custo o colocou no carro, levando-o em segurança até a casa onde ele morava sozinho.
Na hora, aflito com a ideia de que precisava sair daquele lugar, não teve fôlego para se despedir à parte dos atores e dos outros membros da equipe.
Depois de deixar Han Iram, ficou completamente esgotado e voltou direto para o apartamento, onde desabou — essa era a última lembrança.
— De repente surgiu uma coisa urgente e, no fim, acabei indo embora sem nem poder me despedir. Desculpe.
— Estava atarantado, é? O empresário do Cheongyeon também saiu por aí te procurando.
Por sorte, talvez por não ter ficado ofendida, a voz de Bae Sea estava alegre.
— É que eu não consegui avisar o empresário de antemão. Depois entrei em contato, mas…
— E aquela coisa urgente, resolveu direitinho?
— Sim. Agora está tudo bem.
— Ah, sei. Entendi. Como você sumiu sem dizer nada, liguei só para o caso de haver problema.
— Obrigado por se preocupar. Vou me preparar direito e te vejo no dia da gravação.
Ligou só para perguntar isso? Achando um pouco esquisito, Cheongyeon inclinou a cabeça.
— É mesmo. Aliás, o Cheongyeon já casou e se divorciou uma vez, não foi? Com o diretor Moon Do-heon, da JT Eletrônicos.
— …Como?
Bem quando ia encerrar a ligação, Bae Sea trouxe à tona um assunto inesperado.
— Não, é que me parece ter ouvido em algum lugar que era assim.
Cheongyeon, sem saber o que responder, apenas mexeu os lábios.
Para começar, o pessoal do Grupo JT monitorava a imprensa de forma bem rigorosa, e as matérias relacionadas aos dois tinham sido apagadas havia muito tempo, então eram raros os que se lembravam.
Ainda que se lembrassem, poderiam cochichar por trás, mas casos de perguntar na cara eram quase inexistentes. Fora a época em que, para recomeçar como ator, andava fazendo testes por um bom tempo.
— Agora… é um assunto que não tem a ver comigo.
— O Cheongyeon é bom de habilidade, hein. Entendi, foi só que me veio à cabeça e resolvi perguntar. Vejo você no dia da gravação.
Bae Sea, com aquele tom vivaço tão dela, se despediu e desligou a ligação de forma unilateral.
Foi uma ligação enigmática. Enquanto salvava o número de Bae Sea nos contatos, Cheongyeon remoía a conversa com ela, que tinha algo de incômodo.
Largou o celular e tentou se concentrar de vez no roteiro que estava lendo, mas, como a atenção já estava dispersa, as letras não lhe entravam nos olhos.
Nisso, justamente, chegou uma mensagem de Min Hyerin.
[— Min Hyerin: Oppa!! Chegou bem ontem?:)]
[— Min Hyerin: Até ouvi do empresário oppa, mas mesmo assim fiquei preocupada hihi]
Cheongyeon logo enviou uma resposta.
[— Eu: Cheguei bem sim. Desculpa ter ido embora sem poder avisar ㅠㅠ]
[— Min Hyerin: Que nada! Oppa oppa, mas ontem]
[— Min Hyerin: não aconteceu nada, né???]
Diante da pergunta insinuante, Cheongyeon tocou a tela rapidamente.
[— Eu: Hã? Que coisa?]
[— Min Hyerin: Não, oppa, apareceu um relato de gente que te viu……]
[— Min Hyerin: e o conteúdo é meio sem noção]
[— Min Hyerin: então, só pra garantir kkk]
[— Min Hyerin: dizendo que logo vai estourar um boato de romance.]
[— Min Hyerin: escrevendo essa bobagem com tanto capricho.]
— Ah, era só isso.
Cheongyeon murmurou, como quem não dá a mínima.
Relatos de testemunhas, além de haver muitíssimos falsos, mesmo quando verdadeiros, na maioria das vezes acabam abafados, então não era coisa que merecesse muita preocupação. Também porque as pessoas não costumam acreditar.
Ainda por cima, boato de romance. Não tinha ninguém com quem estivesse saindo e, com Do-Heon nem estando na Coreia, não havia como estourar um boato de romance por causa de um mero relato de origem desconhecida.
[— Eu: Que nada. Não teve nada de mais kkk]
[— Min Hyerin: Entendi >_< Tenha um ótimo dia!]
[— Eu: Você também!]
*
— Ator. Hoje, depois que acabar a agenda, vai direto para casa à noite?
Era o dia em que estava marcada a reunião com a chefe de equipe Kwon Hyena. Depois de algumas horas de reunião complicada, quando chegou o momento de um breve descanso, o empresário, que aguardava do lado de fora, se aproximou e perguntou.
Cheongyeon conferiu o relógio na parede. Já passava bem das cinco da tarde. Ainda por cima, hoje era sexta.
Como não tinha entrado em contato, não sabia ao certo, mas Do-Heon provavelmente ainda estava no exterior. Por isso, não havia necessidade de deixar a noite livre de propósito.
— Não faz diferença ir direto para casa, mas… que tal nossa equipe fazer uma confraternização junto, faz tempo? Da última vez, no dia da confraternização do drama, eu fui embora cedo, não foi?
— Ah. Naquele dia o ator sumiu de repente e me deu um susto.
— Um amigo entrou em contato de repente por um assunto pessoal… Sinto muito mesmo por não ter conseguido avisar antes.
Depois de ter levado Han Iram em segurança para casa naquele dia, não recebera contato dele à parte. Bem, como não eram, de início, do tipo de conhecidos a ponto de trocar notícias, não ficou magoado.
Como tinha ficado até vê-lo deitado na cama e tomando o supressor, imaginou que não haveria problema.
— Você me ligou depois, então está tudo bem. E, se for do agrado do ator, a confraternização é bem-vinda! A Hyerin e a Seonju vão gostar.
Como se soubesse bem, mesmo sem precisar ver a reação, o empresário sorriu de leve. Em seguida, anotou na agenda que sempre carregava consigo.
Cheongyeon girou os olhos e espiou de relance o conteúdo da anotação.
[— Nossa equipe janta fora à noiti.^^]
— …
Por um instante bem curto, hesitou se corrigia a ortografia, mas Cheongyeon logo decidiu ficar de boca fechada.
Enquanto ia combinar com o empresário o que iriam comer, o celular dele começou a tocar.
— Com licença um instante, ator.
O empresário conferiu quem ligava e, pedindo licença a Cheongyeon, atendeu de imediato.
Ao sair da sala de reunião dizendo "Sim, diretor", pelo visto era ligação do diretor Kim Gyeongseop.
Os dois se falam com frequência?
Sentado à mesa, girando a caneta com a mão e matando o tempo à toa, logo o empresário voltou a entrar na sala de reunião.
— Ator. O diretor pediu para passar o telefone para você.
— Para mim?
Quando Cheongyeon perguntou apontando para si mesmo, o empresário, em vez de responder, estendeu o próprio celular.
— Alô?
— Cheongyeon. Rapaz, por que você não atende o telefone?
— Botei o celular na bolsa e não percebi. Você tinha ligado?
— Umas quantas vezes. Enfim, você leu a matéria que saiu hoje?
Kim Gyeongseop, sem nenhuma explicação, foi logo puxando o assunto da matéria.
— Que matéria.
— Vou te mandar o link agora mesmo, então entra e lê.
— Por quê. Aconteceu alguma coisa?
A voz de Kim Gyeongseop estava séria como nunca. Cheongyeon, por ora, se levantou para ir buscar o próprio celular.
— Da última vez você fez confraternização com o pessoal do drama, né? Lá, você se encontrou com quem?
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna