↫─Capítulo 136
— Estávamos no meio de uma conversa fiada qualquer. Ou não? Isso aqui é fofoca pelas costas?
O ator que antes havia puxado o assunto sobre patrocínio deu de ombros e perguntou ao colega ao lado.
— Sei lá. Chamar de fofoca é complicado, porque nesse meio é coisa tão comum que…
— Mesmo sendo comum, essa história de receber ou não patrocínio ainda me soa como assunto de outro mundo.
— Verdade. Imagina se, por azar, acaba virando boato.
Cheongyeon, em vez de se meter na conversa de afogadilho, ficou quieto, sentado, bebericando água e apenas movendo os olhos de um lado para o outro.
— Boato sempre acaba surgindo. E se aquilo que chamam de rumor se espalhar para fora da emissora, aí sim é que a coisa fica preta. Rabo comprido sempre acaba sendo pisado, não é? Se fosse comigo, ficaria tão preocupado que nem cogitaria.
— A Sea é próxima dos repórteres de fofoca de celebridade. Como sabe de muita coisa, se preocupa ainda mais.
— Será? Precisava me curar dessa mania de ficar colhendo informação.
Bae Sea, escalada como vilã nesse drama, abriu um sorriso e apoiou o queixo sobre a mesa.
Por um instante bem curto pareceu ter olhado na direção dele. Será que foi impressão?
Cheongyeon, sobressaltado por dentro, virou o rosto para outro lado e fingiu desinteresse. Logo pensou que talvez fosse coisa da cabeça dele e voltou a prestar atenção na conversa que continuava.
— Eu simplesmente vivo achando que o que os olhos não veem o coração não sente.
— Aliás, todo mundo ficou sabendo? Dizem que nosso drama recebeu investimento a mais e o orçamento de produção ficou bem gordo.
— É mesmo? De onde veio o investimento?
— Isso eu também não sei. Será que pergunto de leve ao diretor mais tarde?
— O diretor já parece estar bêbado.
Não vai me dizer que foi o Grupo JT… Tomado por uma desconfiança à toa, Cheongyeon mordiscou o lábio inferior.
Não sabia por que, mas todos os assuntos eram difíceis de entrar. Cheongyeon ficou entre os atores que conversavam sobre isso e aquilo, sem dizer nada, apenas observando o clima.
Por sorte, não era só ele que ficava de fora. O ator do outro lado, de estatura especialmente alta, também estava sentado sem soltar uma palavra, com o boné puxado bem para baixo, imóvel feito uma estátua. Talvez por não ter os olhos à mostra, à primeira vista ele até parecia estar irritado.
Nesse meio-tempo, um funcionário trouxe a carne para a mesa. Cheongyeon, que justamente estava ali plantado feito um saco de cevada esquecido num canto, ficou contente por arranjar o que fazer e começou a colocar a carne sobre a chapa.
Preparar a mesa era algo familiar para Cheongyeon. Ele havia trabalhado por um tempo curto como garçom num restaurante de carne, e desde os tempos de idol fracassado, sempre que por acaso comia com pessoal ligado à emissora, era em geral Cheongyeon quem grelhava a carne.
— De qualquer forma, receber muito investimento não é bom? Tomara que caprichem no retoque de pele.
— Pois é. Olha só a penugem do Cheongyeon. Se eu me sentar do lado dele, só vão ficar mais em evidência as rugas ao redor dos meus olhos. Hoje em dia a resolução é tão boa que dá problema.
— Será que o retoque de pele chega até em mim?
Cheongyeon, olhando a fumaça que subia da carne, murmurou de repente, como que curioso.
— O quê? Por que você faria isso, Cheongyeon? Não tem consciência.
— Querer aparecer bem na tela é tudo igual, ora. Bebam todos um copo, vamos.
— Mas por que só na nossa mesa a carne é pouca.
O ator grandão sentado no centro da mesa comprida resmungou e encarou a carne que ia assando.
— Para ator sempre dão pouco por causa da dieta. Se faltar, é só pedir mais depois.
— Vamos, todos peguem um copo. Quando as filmagens começarem, conto com vocês.
— Contamos com você.
— O Han Iram não bebe?
Enquanto os atores erguiam cada um seu copo e diziam uma coisa ou outra, o ator sentado à frente de Cheongyeon continuava sem entrar na conversa e sem sequer levantar o copo, apenas ali sentado, alheio.
Ao ouvir o nome dele, os olhos de Cheongyeon se arregalaram. Han Iram era um ator que, com o filme lançado havia pouco fazendo enorme sucesso, num piscar de olhos despontou para o posto de protagonista.
Claro, Cheongyeon também sabia que ele participava desse drama, mas como estava de boné, não o reconheceu de jeito nenhum.
— …Deixa pra lá.
— Ah.
Com a resposta ríspida de Han Iram, o clima da mesa esfriou de repente.
— Não vai beber nem um copo? Ainda que seja, é a reunião de todos antes das filmagens.
— É que agora não estou a fim de beber.
— …
— N-não vamos ficar segurando à força quem não quer beber e obrigando. Quem quiser comer que coma, e pronto!
O ator mais veterano interveio e mudou o rumo da conversa. Os atores, que trocavam olhares e estavam tensos, só então voltaram a erguer os copos.
Bem no momento em que o clima enrijecido começava a afrouxar, Han Iram, que até então não se mexera do lugar, subitamente se levantou de supetão.
O som estridente da cadeira sendo arrastada ecoou, e a atenção de todos os que estavam à mesa se concentrou nele.
— …
Han Iram puxou o boné mais para baixo ainda e, sem nenhuma palavra digna de nota, virou as costas e saiu do restaurante.
— …O que foi. Por que essa atitude.
Sem aguentar mais, outro ator franziu o cenho e encarou a porta por onde Han Iram havia saído.
— Também não sei. Por mais que seja, é coisa que um veterano está oferecendo, e ele demonstra desagrado assim, na cara dura.
— É alfa?
— Não, acho que era beta.
— É mesmo? Sendo tão espigado, achei que fosse alfa. Não entendo com base em quê ele age assim.
— Ele nasceu em berço de ouro, deve ser por isso que não enxerga nada à frente.
— Ahh. Com razão.
Cheongyeon, mesmo nesse meio-tempo, cuidava com afinco da chapa para a carne não queimar.
— Cheongyeon, o que você vai fazer na sexta?
— Na sexta?
Cheongyeon, que transferia a carne para o prato, estancou por um instante.
— O diretor-geral daqui é famoso por, toda sexta, dizer que não quer voltar para casa e organizar confraternização. Cuidado para não ser fisgado.
— Se te pegam, o básico é até as quatro da manhã.
— Ah… Sim.
Naquele instante, diante da palavra sexta, não achou o que responder e ficou hesitante. Não podia ser, mas ficou difícil administrar a expressão com medo de que tivessem perguntado por saberem que ele se encontrava com Do-Heon toda sexta.
Por sorte parecia ter sido dito sem segundas intenções. Mas depois de ouvir que Bae Sea era especialmente próxima dos repórteres de fofoca, cada vez que ela abria a boca ele sentia o corpo estranhamente enrijecer de tensão.
Pensando bem, no entanto, não havia necessidade de reagir de forma tão exagerada. As únicas pessoas que sabiam o que ele fazia toda sexta eram Do-Heon e o secretário Sim. Não havia como Bae Sea saber disso também.
Além do mais, por ora não teria ocasião de se encontrar com Do-Heon. Depois do dia em que, com vários cansaços acumulados, teve uma hemorragia nasal, Do-Heon avisara que tinha uma viagem de negócios ao exterior, então neste mês ele não precisava deixar as sextas livres.
Depois daquele dia, o médico responsável do hospital universitário onde Cheongyeon se tratava também ligara várias vezes para saber como ele estava, dizendo para não deixar de passar no hospital caso os sintomas piorassem ou surgisse algum incômodo. Junto com a recomendação de que seria melhor interromper o uso simultâneo do supressor e do anticoncepcional.
Mesmo sem precisar perguntar, era evidente que Do-Heon mandara ligar para convencê-lo. Claro, Cheongyeon entrava por um ouvido e saía pelo outro.
Por ora, como não teria ocasião de se encontrar com Do-Heon por causa da viagem, deixara de haver necessidade de tomar o anticoncepcional, mas continuava inalterado o fato de que, de todo modo, quando ele voltasse teria de tomar de novo.
Ao pensar que mais tarde iriam se encontrar e travar outra discussão, já sentia a cabeça cansada. Para começar, não devia ter deixado ser descoberto.
— Mas por que esse Han Iram não volta? Não me diga que foi embora para casa assim mesmo?
— Pois é. É uma confraternização com o diretor e a roteirista presentes, ir embora sem nem se despedir é meio…
— Que absurdo. Ter dinheiro em casa virou título de nobreza, francamente.
Como Han Iram não voltava mesmo depois de passado bastante tempo desde que saíra, aos poucos começaram os comentários à mesa.
Os atores, que trocaram algumas palavras sobre ele, logo pareceram concluir que ele fora embora para casa sem soltar uma única palavra.
Cheongyeon lembrou-se de Han Iram, que ficara excepcionalmente tenso o tempo todo em que estivera sentado. Ainda que fossem desconhecidos, aquela atitude defensiva ficou remoendo na cabeça dele. Não comia nada, e parecia não beber nem um gole d’água.
O rosto, e não só ele, o corpo inteiro embrulhado com tanto cuidado era como se…
— Vou dar uma passadinha no banheiro.
Cheongyeon, que grelhava a carne com afinco, largou a pinça e se levantou. As pessoas à mesa já estavam com a devida alta e a voz mais alta que o normal por causa da bebida.
Como justamente se exaltavam falando de um anunciante insuportável da última gravação de comercial, a voz de Cheongyeon naturalmente se perdeu no barulho.
Cheongyeon tirou o avental que o restaurante havia distribuído e olhou em volta à procura do banheiro.
— Onde fica o banheiro aqui?
— Tem que sair e subir um andar.
— Ah. Obrigado.
Assim que ouviu de um funcionário do restaurante que passava a localização do banheiro, Cheongyeon saiu pela porta e pisou na escada. Como o funcionário dissera, o banheiro comum da galeria estava logo à vista.
Ao abrir a porta do banheiro masculino e entrar, a primeira coisa que lhe saltou aos olhos, das duas cabines, foi a que estava trancada.
Mesmo sem garantia de que Han Iram estivesse ali, Cheongyeon se aproximou da cabine fechada e bateu.
Toc, toc.
— Tem alguém aí dentro?
Como nenhuma resposta veio, Cheongyeon bateu mais uma vez.
— …Ãh, ator Han Iram?
Com medo de que talvez viesse de dentro algum som, por menor que fosse, Cheongyeon encostou o ouvido bem rente à porta. Então, muito tênue, mas percebeu um feromônio ômega.
— Está aí dentro? Aconteceu alguma coisa?
— Quem é você.
— Sou o Yoo Cheongyeon.
— …
Quando Cheongyeon respondeu, o outro do lado de lá da cabine tornou a cerrar os lábios.
Percebendo por instinto que ele era mesmo Han Iram, Cheongyeon mergulhou por um momento em pensamentos.
Esse cara não tinha dito que era beta? Ainda por cima, ele tinha o físico grande a ponto de haver quem o confundisse com alfa, e a aparência geral era do tipo mais rústica.
Mas aquilo era, para qualquer um que visse, sintoma de ciclo de cio.
— Han Iram, será que…
— Você é ômega, né?
Bem no instante em que Cheongyeon ia tornar a falar, Han Iram perguntou de chofre.
— Sim, sou.
— …Então me ajuda.
— Primeiro abre a porta. Você tomou o supressor?
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna