↫─Capítulo 135
Cheongyeon, antes de tudo, duvidou dos próprios olhos. Por mais que a aula de atuação tivesse terminado mais cedo que o habitual, como ele ainda passara no hospital, no mínimo deviam ter se passado umas boas cinco horas.
Por que ele ainda está aqui? E a empresa. Ou ele já foi e voltou?
Cheongyeon, parado a uma boa distância da entrada, conferiu mais uma vez se a pessoa parada à frente era mesmo Do-Heon .
E não era para menos, pois Do-Heon estava encostado no carro em que viera de manhã, e ainda fumando um cigarro.
Talvez ainda não tivesse avistado Cheongyeon, ele inclinou a cabeça de lado e derrubou a cinza do cigarro no chão. Aos seus pés já havia bitucas empilhadas de forma bastante suja.
O paletó, por ser de cor escura, continuava impecável, mas na região da manga da camisa havia a marca da hemorragia nasal da manhã. Além disso, a gravata, que ele apertava de forma obsessiva, estava afrouxada e pendurada torta no pescoço.
A imagem geral desalinhada de Do-Heon parecia bem distante do Do-Heon que Cheongyeon conhecia.
— Cheongyeon. O hospital.
Do-Heon avistou Cheongyeon com um compasso de atraso e jogou o cigarro no chão, apagando-o esfregando com o sapato.
Quando seus olhos se encontraram, Cheongyeon, sem conseguir esconder a perturbação no rosto, se aproximou dele.
— Não me diga que você ficou esperando aqui esse tempo todo?
Quando Cheongyeon se aproximou, Do-Heon acenou com a mão para dispersar a fumaça de cigarro que restava em volta.
Vista de perto, a marca de sangue na manga estava mais escura e encharcada do que ele pensava. Provavelmente ele não tinha ido à empresa. Se tivesse ido, com o gênio de Do-Heon, ele já teria trocado de roupa.
— E a empresa.
— Você fez o exame?
Os dois soltavam só o que cada um queria dizer.
— Você fumou cigarro também, diretor?
Quanto exatamente ele fumou. Olhando as bitucas caídas no chão, Cheongyeon não conseguia conter o espanto.
Só então Do-Heon baixou o olhar e conferiu os próprios pés.
— Ah. Achei que ia precisar fazer alguma coisa.
— Ainda assim, que história é essa de fumar tanto…
— Eu não fumo. Você sabe.
— …
Eu sei muito bem. Quando morava com Do-Heon , ele nunca vira que ele sequer tivesse cigarros. Por isso ele achava, obviamente, que Do-Heon detestava cigarro. Mas, agora que via, parece que não era bem assim.
— O que o médico disse. Começa contando que exame você fez.
— …
— Ele disse que é por causa do remédio?
Do-Heon, como se nunca tivesse estado desalinhado, ajustou a gravata que estava afrouxada e fechou os botões do paletó.
— Perguntei ao professor Han Seonguk e ele disse que entre os efeitos colaterais houve casos parecidos. Se você quiser, nem que seja agora, um exame minucioso…
— Eu já fui ao hospital. Disseram que é por excesso de trabalho.
Cheongyeon enrolou uma desculpa qualquer e olhou em volta, com medo de que alguém os visse.
Talvez tivesse percebido o sentido daquele gesto, Do-Heon abriu a porta do carro e tirou de dentro um chapéu.
— Usa.
— …Vou emprestar só um instante.
Ele pensou em dizer que não precisava, mas julgou que ali não valia a pena fazer questão de orgulho por uma coisinha dessas.
Achando que cautela não fazia mal, Cheongyeon recebeu o chapéu bucket e o pôs. A julgar por ser um design que via pela primeira vez, parecia que Do-Heon o comprara para emergências.
— Isso foi por excesso de trabalho? Você sangrou daquele jeito, faz sentido?
Do-Heon franziu a testa com ar frustrado. Diante do tom insatisfeito, Cheongyeon ficou olhando fixamente para os olhos dele.
Será que Do-Heon não percebia que o comportamento de ter ficado ali parado por horas sem se mexer, para saber se ele tinha ido ao hospital, era anormal?
Como se as palavras rudes que ele tinha despejado de manhã, tomado de fúria, não tivessem a menor importância, ele dedicava atenção apenas ao que Cheongyeon tinha ouvido no hospital.
Depois de ouvir palavras tão duras, será que Do-Heon estava indiferente? Ou será que o estado dele parecera tão grave assim.
Certamente, para uma hemorragia nasal por cansaço, tinha sido muito forte. Mas também não era excessivo a ponto de precisar fazer um exame na hora.
Cheongyeon não estava a fim de fazer um exame minucioso na hora, como Do-Heon queria, e, mesmo que fizesse, também não queria compartilhar com Do-Heon cada detalhe.
— Pois é…
Cheongyeon respondeu por educação e soltou um suspiro.
Ao contrário de Do-Heon , mais sério do que nunca, Cheongyeon simplesmente achava tudo cansativo e chato. A maior vontade que tinha era de enfim entrar em casa e descansar.
Mesmo que fosse efeito colateral, já que tinha que se encontrar com Do-Heon, não havia como parar de tomar.
E, a essa altura, era difícil entender por que ele fazia tanto escândalo.
— Enfim, eu estou bem, então você também volte agora, diretor. É só perguntar depois, que história é essa de ficar esperando.
Cheongyeon, sem energia nem para retrucar mais, ajeitou a bolsa.
— É só isso?
Do-Heon perguntou de volta como quem não acreditava. Ruminando bem aquela fala, Cheongyeon piscou devagar.
— Então o que mais sobra?
— …
— Ah. Na sexta eu vou aparecer, claro…
— Para com essa ladainha! Quando é que eu disse que estava curioso sobre isso?
Do-Heon franziu a testa com ferocidade e cortou a fala.
— Então você não vai me ver na sexta?
— …
Diante da pergunta calma e clara de Cheongyeon, os lábios de Do-Heon se fecharam numa linha reta.
Pouco depois, uma emoção ainda mais complicada do que a que ele vira de manhã surgiu no rosto dele.
Era uma expressão de quem não sabia o que dizer.
— Agora eu estou muito cansado, então vou entrar. Quando decidir o hotel, me manda mensagem.
Cheongyeon, deixando aquilo, ia justamente se dirigir à entrada comum, mas estacou por um instante. E deu meia-volta, voltou até Do-Heon e tirou o chapéu emprestado para devolvê-lo.
— Fica com isto. Porque eu não quero ir de novo àquela casa só pra devolver.
Assim que Do-Heon recebeu o chapéu docilmente, Cheongyeon, sem hesitação, entrou no apartamento.
Depois de voltar para casa, tomar banho e trocar de roupa, agora só lhe vinha mesmo a vontade de dormir. Cheongyeon, tendo fechado com cuidado os botões do pijama, tomou um copo de água quente.
Por via das dúvidas, quando olhou pela janela, viu vagamente a fumaça de cigarro se dispersando no ar na direção do estacionamento. Parece que Do-Heon ainda não tinha partido.
— …
Por que ele fica assim, me deixando incomodado.
A imagem de Do-Heon de pouco antes, encostado no carro com o visual desalinhado, fumando, insistia em pairar diante dos seus olhos.
“Isso foi por excesso de trabalho? Você sangrou daquele jeito, faz sentido?”
Aquela imagem tão aflita foi a primeira. Como será que estava a minha cara pra ele ficar assim.
Se ficasse parado, parecia que pensamentos inúteis se sucederiam sem parar. Logo Cheongyeon apagou a luz e se deitou na cama. Era ainda cedo demais para dormir, mas seu corpo estava cansado como nunca.
Ainda que precisasse decorar o roteiro e não tivesse preparado direito a agenda do dia seguinte, naquele momento tudo era um saco.
Cheongyeon, esfregando os olhos e bocejando, puxou o edredom até o pescoço.
*
Junto com um tilintar, a porta automática da churrascaria se abriu. Cheongyeon olhou em volta procurando a mesa onde ia se sentar.
O amplo interior estava lotado de rostos desconhecidos da equipe. Mas achar a mesa do diretor e do time de atores foi fácil. O diretor tinha a voz mais alta, e a aparência dos atores era chamativa demais.
— Ei, isso. É isso! Fazer confraternização é pelo sabor de se dissolver nesse clima.
Ele ainda não tinha esvaziado nem um copo de cerveja e o diretor gritava com a voz rouca a ponto de fazer o salão vir abaixo. Só de ouvir a voz, parecia que ele já estava bem bêbado.
— Ator. Acho que é aquela mesa.
O empresário, que vinha atrás, sussurrou apontando a mesa onde Cheongyeon devia se sentar.
— Eu e a Hyerin vamos estar naquela mesa lá no fundo, então, se precisar de algo, chame.
— A Hyerin e você podem ir na frente depois da refeição.
— Que isso. Como a gente vai, deixando você sozinho? Depois da confraternização a gente te leva até em casa, então converse à vontade com a equipe. E, se possível, não beba.
O empresário, sorrindo como quem pedia para ele ficar tranquilo, levou Cheongyeon até a mesa e depois voltou para um lugar bem afastado. Min Hyerin e os outros membros da equipe de Cheongyeon já estavam tagarelando enquanto arrumavam talheres e água na mesa que tinham ocupado.
Cheongyeon, antes de se sentar, percorreu mais uma vez a churrascaria com o olhar. Havia atores que conversavam à vontade, talvez por já se conhecerem, e também atores que, sem jeito, só mediam o ambiente e bebericavam cerveja.
— Olá, diretor. Sou o Yoo Cheongyeon.
Cheongyeon, antes de tudo, foi até a mesa onde estava o diretor e o cumprimentou.
— Aê. Cheongyeon. A gente se vê de novo depois da audição, hein? Vem cá. Senta aqui.
— Ora, francamente, diretor. Vamos deixar os mais novos sentarem à parte. Coloca ali pra o pessoal de idade parecida ficar íntimo.
Cortando de imediato a fala do diretor, o roteirista-chefe fez um gesto com os olhos para Cheongyeon. Queria dizer para ele ir à mesa bem ao lado.
— É mesmo? Bem, a geração Z de hoje é diferente da nossa, né? Hehe. Isso, então. Senta onde for confortável.
— Os velhos só gostam de gente jovem, é um problema.
Diante da fala do diretor, de quem a pena escorria, o roteirista-chefe estalou a língua e encheu o copo dele de cerveja. Cheongyeon, em sinal de agradecimento, baixou de leve a cabeça e foi para a mesa dos atores.
Talvez já tivessem se apresentado, porque alguns atores conversavam enquanto esperavam a carne chegar.
— Então ela saiu completamente do elenco?
— Ouvi dizer que ela se desentendeu com quem a patrocinava. O que se pode fazer.
— Ah, olá. Sou o Yoo Cheongyeon, que ficou com o papel de Seo Jaemin desta vez.
— Ué? É o Cheongyeon. Olá!
— Senta aqui. Agora todos estão se conhecendo, né?
— Acho que já veio quase todo mundo.
Cheongyeon se sentou no lugar que um ator que parecia da sua idade indicava e sorriu em sinal de agradecimento.
— Mas do que vocês estavam falando?
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna