↫─Capítulo 134
134
— O que houve com você. Hã?
Do-Heon segurou o queixo de Cheongyeon e o fez olhar para ele. E, tirando um lenço do bolso, limpou de imediato o sangue no rosto dele.
Aquele gesto foi agitado e apressado de um jeito que ele nunca vira antes.
— Chega. Não toca. Eu mesmo limpo.
Cheongyeon, que tomou o lenço de Do-Heon , limpou o sangue ele mesmo. Talvez porque o lenço fosse justamente branco, o sangue parecia excepcionalmente escuro.
O susto durou pouco: Cheongyeon, com uma expressão cansada, manteve o lenço no nariz e esperou o sangue estancar.
— Não dá. Vamos pro hospital agora mesmo.
Do-Heon , que estava fora de si, se recompôs tardiamente e tirou o celular. Como ele ia justamente ligar para o hospital, Cheongyeon ergueu depressa uma das mãos e o impediu de digitar o número.
— Eu já disse que estou bem. É só uma hemorragia nasal.
— Sangrando desse jeito, você diz uma coisa dessas?
Quando Do-Heon levantou a voz, foi como se sua cabeça retumbasse.
Por causa da tontura, Cheongyeon baixou a cabeça por um instante e devagar fechou e abriu os olhos. Então o lenço embebido de sangue e a mão apareceram bem de perto.
Que nojo.
Um arrepio subiu pela nuca de Cheongyeon.
— A minha cabeça já está tonta, então não grita…
Sinceramente, como não sangrava pelo nariz desde a infância, ficou confuso.
Será que eu andei tão cansado assim ultimamente? Eu não achava que a agenda estava tão cheia. Só que o estado do corpo estava mesmo ruim.
Será que é por causa do remédio de verdade.
— Por ora, cancela todas as agendas de hoje e faz um exame no hospital primeiro.
— Não é tão grave assim.
Cheongyeon murmurou de cabeça baixa.
— Você nunca sangrou pelo nariz até agora, nem uma vez.
— …
— Yoo Cheongyeon. Ergue o rosto. Ainda está tonto?
Do-Heon , com ar frustrado, pousou a mão com cuidado no ombro de Cheongyeon.
Como Cheongyeon não respondia, ele soltou um suspiro profundo e ligou para algum lugar.
— Vou levar o Cheongyeon pro hospital agora, então marca uma consulta. Os sintomas…
— Quantas vezes eu vou dizer que estou bem? Marca ou não marca, eu não vou lá.
Cheongyeon ergueu a cabeça de repente e retrucou com aspereza.
— Agora é hora de teimar?
Do-Heon repreendeu, como quem não tinha folga para ouvir uma bobagem daquelas.
— Você é que não devia teimar, diretor. Hemorragia nasal dá até em quem estuda para vestibular, dá de excesso de trabalho. Me dá o meu roteiro. Tenho que ir pra aula.
— Aula nesse estado? Ficou louco? Cancela agora.
Do-Heon ignorou a vontade de Cheongyeon e deu a partida no carro à revelia.
— Eu resolvo, então me deixa em paz!
Cheongyeon gritou apertando com força o lenço. Então a dor de cabeça, que por um instante tinha diminuído, voltou a subir aos poucos.
— …Eu não vou fugir pra lugar nenhum. De qualquer forma, a gente tem que se ver na sexta.
— Isso é o que importa?
Como ele já estava atordoado e Do-Heon não parava de cobrá-lo, seus nervos ficaram ainda mais à flor da pele. Cheongyeon, antes que ele de fato partisse para o hospital, endireitou o corpo e virou a cabeça para trás.
Por sorte, a bolsa que ele tinha deixado na véspera estava bem posta no banco de trás.
Cheongyeon pegou a bolsa, abriu a porta do carro e saiu depressa. Nesse meio-tempo, a hemorragia nasal tinha quase parado. A visão, que parecia girar, logo melhorou também.
Viu? Não é nada. Cheongyeon achou que Do-Heon reagia de forma exagerada a algo que não era nada.
— Yoo Cheongyeon!
Em seguida, Do-Heon saiu do carro atrás de Cheongyeon.
— Haa. Não me segue.
— Sabendo com que cara você está, você diz uma coisa dessas?
Cheongyeon estendeu a mão para que ele não se aproximasse dele e sinalizou para ele parar.
— Se você me seguir aqui… eu vou sumir assim e nunca mais atender o seu contato.
— …
— Então, por ora, me deixa em paz. Eu já estou passando mal, e quanto mais você faz isso, mais parece que a minha cabeça vai rachar.
Ele achou que uma fala infantil dessas não faria efeito nele, mas Do-Heon, que justamente ia dar um passo, parou de fato no lugar como se estivesse pregado.
Quando ergueu o olhar e conferiu o rosto dele, ele estava com uma expressão que ele nunca vira até então.
Parecia bravo e também parecia frustrado. Por outro lado, também parecia uma pessoa aturdida de susto.
Era a expressão mais humana e ao mesmo tempo mais idiota do Do-Heon que Cheongyeon já tinha visto. A ponto de deixar perturbado até o próprio Cheongyeon, que a via.
— …Eu vou.
Cheongyeon, tendo limpado de qualquer jeito com a mão o sangue seco embaixo do nariz, logo deu as costas e saiu do estacionamento.
*
— Cheongyeon. Hoje vá indo. Você está com o rosto muito pálido.
Cheongyeon, aproveitando o intervalo, estava tomando água por um instante. Naquele momento, o professor que dava a aula de atuação, fechando o roteiro que estava aberto, falou com uma voz preocupada.
— Ah, o meu estado está meio assim. …A minha prática ficou tão ruim assim?
Cheongyeon, pousando a garrafa de água que segurava, perguntou hesitante. Eles tinham acabado de ensaiar a nona cena.
Ao professor ele tinha dado a desculpa de que estava cansado por ter dormido tarde na véspera, mas parece que ficou claro que seu estado não estava bom o tempo todo. Além disso, sua cabeça também estava cheia de coisas complicadas.
Mesmo se esforçando para fingir que estava bem, o fato de não conseguir se concentrar de forma singular devia estar visível aos olhos do professor também.
— Num dia com o estado assim por baixo, você tem que descansar um pouco, rapaz. Aula a gente faz amanhã também.
— Quando cheguei, eu estava razoavelmente bem.
O professor fez um gesto com a mão como quem pedia que ele se aproximasse. Quando Cheongyeon, com uma expressão intrigada, deu um passo, ele pousou a mão na testa dele.
— Você está com febre também. É melhor mesmo voltar e descansar.
Cheongyeon tateou a própria testa e inclinou a cabeça. A cabeça doía um pouco, mas ele não estava com febre.
— Vá trocar de roupa também. A camiseta ficou manchada de sangue. Que história é essa de hemorragia nasal.
— …Pois é. Acho que hoje eu vou ter que ir cedo mesmo.
Cheongyeon, que hesitava, logo concordou com o que o professor dizia.
— Boa decisão. No caminho, passa no hospital e pega remédio também, sem falta.
— Sim.
Cheongyeon respondeu docilmente e começou a juntar as coisas. Ele queria, se possível, assistir à aula até o fim, mas, como estava passando mal e ainda por cima tinha gritado à vontade desde a manhã, estava sem energia. Ouvindo o professor, parecia que ele estava mesmo com febre.
— Então eu vou indo. Nos vemos na próxima aula.
— Isso. Decora só a parte da frente do roteiro e, ao chegar em casa, dorme bastante primeiro. Ah. Vai ao hospital, sem falta!
*
— Pelos sintomas, parece ser por causa de cansaço. E, vendo que há febre também, vamos receitar um remédio para gripe e acompanhar a evolução.
Um médico de idade, depois de ajeitar os óculos, digitou devagar o conteúdo da consulta no computador.
Cheongyeon, enquanto ele digitava, olhou em volta o interior antigo do consultório.
Em vez do hospital universitário aonde ia com Do-Heon , ele escolheu de propósito visitar um pequeno hospital perto da escola de atuação. Como era um lugar onde os pacientes eram principalmente moradores do bairro, o médico parecia não reconhecer de forma alguma quem era Cheongyeon. Graças à atitude indiferente dele, ele ficou tranquilo.
— Ah, e… como era. Você disse que estava tomando supressor e anticoncepcional juntos?
— Sim. Será que a hemorragia nasal de hoje também foi por causa disso?
— Hum.
— Normalmente, mesmo cansado ou passando mal, nunca tinha sido assim.
— Qual era exatamente o nome do remédio que você disse que estava tomando?
O médico, que por um instante pareceu mergulhado em pensamentos, falou ajeitando os óculos de novo.
*
“Como médico, eu não posso recomendar isso. Tomar um de cada vez, por pouco tempo, uns dois ou três meses, tudo bem… mas tomar o anticoncepcional e o supressor juntos tem efeitos colaterais maiores do que tomar só um. Ah, efeitos colaterais? São variados. Sudorese, náusea, cansaço, perda de apetite. No caso grave, dá para considerar que surge até infertilidade. A farmacêutica anuncia que não tem problema, mas não faz bem ao corpo de jeito nenhum, então, se possível, não tome os dois juntos. Com uma única hemorragia nasal é difícil dizer com exatidão qual efeito colateral é. Se ultimamente você vem sentindo cansaço de forma contínua, dá para considerar que há certa influência do remédio.”
Cheongyeon, ruminando bem o que o médico dissera, se dirigiu ao apartamento. Como era um conteúdo que ele já sabia, não havia nada de surpreendente, mas ele não imaginava que os efeitos colaterais surgiriam tão cedo.
Mas a vontade de parar de tomar continuava não vindo. Sem o supressor e o anticoncepcional, no fim era óbvio que ele engravidaria por causa do ciclo de cio.
Assuntos de família, atuação, e até Do-Heon. Já havia tantos problemas espinhosos espalhados que ele mal conseguia respirar, e não podia ainda carregar o problema de um filho.
Até quando será que eu vou conseguir manter isso.
Cheongyeon, sem conseguir se livrar dos pensamentos sombrios, soltou um suspiro. Embora só tivesse passado meio dia, o dia lhe parecia penoso demais.
Quando avistou o apartamento ao longe, com o alívio de que enfim poderia descansar, seus passos ficaram um pouco mais leves por um instante.
De qualquer forma, Do-Heon também já devia ter voltado, então falar sobre o remédio depois não seria tarde. Naquele dia ele queria enfim se deitar na cama e dormir.
— Ué?
Cheongyeon, que justamente ia entrar no prédio do apartamento, congelou no lugar ao ver uma silhueta conhecida parada na entrada do estacionamento.
Era o Do-Heon que ele tinha visto de manhã, parado no mesmo lugar, exatamente igual.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna