↫─Capítulo 133
Será que o certo é seguir quietinho assim. Além de ter a aula de atuação já marcada, era óbvio que, ao encontrar Do-Heon agora, ele só ouviria coisas cansativas.
Mas, agora que dois guarda-costas tinham aparecido, não parecia haver outra saída. Ele não podia despistá-los sozinho, e, mesmo que por sorte conseguisse escapar, o fato de que seria arrastado até Do-Heon ainda naquele dia não mudava.
Além disso, como se somaram os olhares de alguns moradores que passavam pelo corredor, teve a sensação de que quanto mais tempo perdesse ali, mais sairia perdendo.
— Senhor Yoo Cheongyeon.
Como Cheongyeon ficou por um tempo só parado sem falar, o guarda-costas o apressou.
— Aonde a gente vai.
— Isso não podemos informar.
— Sem nem saber aonde vai, é pra eu simplesmente seguir gente que eu vi pela primeira vez sem mais nem menos?
— Se precisar confirmar, pode entrar em contato com o diretor.
— …
A atitude dos guarda-costas era cortês, mas eles tinham o ar de que, se ele tentasse fugir ou resistir, o levariam à força.
Enfrentar sozinho dois homenzarrões treinados era impossível, e ainda por cima naquele dia, desde que abrira os olhos, seu estado estava excepcionalmente ruim, e ele não tinha nem energia para brigar.
Cheongyeon, sem alternativa, deu passos pesados na direção onde estavam os guarda-costas.
— Por precaução, vista isto primeiro.
Quando Cheongyeon se aproximou docilmente, o guarda-costas estendeu um envelope de superfície irregular que segurava.
Cheongyeon, com um olhar tenso, recebeu o envelope com cuidado e conferiu o conteúdo. Dentro havia um boné e óculos escuros.
— Isso não precisa.
Quanto tempo leva até o estacionamento pra me dar uma coisa dessas.
Cheongyeon devolveu o envelope como quem o empurrava e seguiu em frente. Então um dos guarda-costas caminhava à frente de Cheongyeon e o outro atrás, guiando o caminho.
Mesmo sem intenção de fugir, diante daquele comportamento meticuloso à toa, Cheongyeon soltou uma longa expiração.
Ah. Por que justo eu esqueci a bolsa. Se ontem eu tivesse pegado as coisas direito, não teria que passar por uma situação chata dessas.
Mas de nada adiantava se culpar tardiamente. Do-Heon já tinha visto os remédios.
Quando os três tomaram o elevador e chegaram ao estacionamento, justamente um carro entrava de fora.
— Recue um instante, por favor.
O guarda-costas o fez parar, atento ao carro que entrava.
Cheongyeon olhou sem pensar para o carro que entrava depressa. Um modelo conhecido, uma placa conhecida. Eram de Do-Heon.
Não me diga que ele veio pessoalmente?
Cheongyeon franziu a testa e encarou o carro de vidros bem escuros. Ao mesmo tempo, o carro deslizou até a frente de Cheongyeon.
Logo a porta do motorista se abriu e Do-Heon saiu de dentro.
— Diretor. Como o senhor veio aqui…
O guarda-costas também parecia surpreso, como se não tivesse sido avisado de antemão de que ele viria até ali. O lugar combinado não era o estacionamento?
— Eu vou levá-lo, então aguardem no carro.
A voz sem altos nem baixos de Do-Heon ressoou gélida. O olhar dele, que saíra do carro, estava o tempo todo voltado para Cheongyeon.
— Entendido.
— Você, entra deste lado.
Assim que os dois guarda-costas deram as costas, Do-Heon abriu a porta do carro e ordenou a Cheongyeon.
— O que é isso, de repente.
Cheongyeon deu uma olhada rápida no carro e perguntou a Do-Heon.
— Eu disse pra entrar, Yoo Cheongyeon.
Do-Heon repetiu de novo com olhos afiadíssimos.
— …
— Ou você quer conversar aqui de pé? Por mim tanto faz.
Ele pressionou Cheongyeon, que ficava imóvel de boca fechada. Cheongyeon no fim olhou em volta e, sem alternativa, se sentou no banco do carona que Do-Heon abrira. Logo a porta se fechou e em seguida Do-Heon entrou no banco do motorista, do outro lado.
— Por que você não atende o telefone.
— Porque eu estava dormindo.
Cheongyeon se ajeitou virado para Do-Heon e respondeu.
— E então, qual o motivo de você ter vindo até aqui?
— Está perguntando por não saber?
Uma ruga nítida cortou a testa de Do-Heon. Ele tirou do bolso interno do paletó os remédios que Cheongyeon tinha deixado e os balançou. Um som de chocalho ressoou dentro do carro.
— Explica aí.
Cheongyeon ficou olhando os remédios que Do-Heon jogara sobre seu joelho.
Ter que brigar com ele hoje também, depois de ontem, já lhe trazia um cansaço denso. Talvez fosse impressão, mas a leve dor de cabeça que ainda restava parecia piorar.
— Não sei o que eu deveria explicar.
Naquele curto instante em que lera a mensagem de Do-Heon de manhã, ele pensara com cuidado no que dizer ao vê-lo. Mas uma desculpa convincente não lhe ocorria.
— Não sabe? Está dizendo isso por não saber o que é este remédio?
Não dava para entender Do-Heon agir de forma tão emocional. Ele estava agindo como se fosse Cheongyeon quem tivesse que se justificar desesperadamente sobre os remédios.
— Supressor de feromônios e anticoncepcional.
— Os dois é você que toma mesmo?
— …
— Yoo Cheongyeon. Você esqueceu que chegou a ser internado por causa do supressor?
Quando Cheongyeon fechou a boca, Do-Heon o pressionou friamente.
— Pra trabalhar não tinha jeito. É por isso que você, além de ter mandado gente de manhã, veio até aqui pessoalmente?
— Supressor, anticoncepcional. Os dois é você que toma ao mesmo tempo?
Cheongyeon, com a dor de cabeça que piorava conforme o tempo passava, levou a mão à testa e engoliu um suspiro.
— …Não.
— Eu disse. Pra você não mentir pra mim.
Ah, aquele assunto de novo. Cheongyeon virou a cabeça, entediado.
Ele sabia com a cabeça que precisava se justificar direito nem que fosse agora, mas, por causa da dor latejante nas têmporas, naquele momento até raciocinar direito era difícil.
— O que exatamente você tem na cabeça. Você é dominante? Não é nem um ômega comum, e toma nada menos que o supressor de recessivo e o anticoncepcional ao mesmo tempo? É impossível você não saber o quão perigoso isso é.
— …
— O que exatamente você tem na cabeça.
Quando Do-Heon interpelou a causa, Cheongyeon sentiu de repente uma emoção que não sabia se era mágoa ou raiva subir. Mas ele não queria mais discutir aquilo com ele.
Por isso teve que morder com força o lábio inferior para engolir garganta abaixo as palavras que pareciam prestes a jorrar.
— Eu não tenho cabeça mesmo.
— Yoo Cheongyeon!
— Eu não estou a fim de explicar detalhe por detalhe pra você. Você não vai entender mesmo. Ainda que a saúde piore, é assunto meu.
— Hoje de madrugada eu fui ver o professor Han Seonguk. Ele disse que a incompatibilidade é tão ruim que, como efeito colateral, pode até provocar um transtorno permanente de regulação de feromônios. Então isto está apreendido. Daqui em diante nem pense em tomar.
Do-Heon notificou de forma unilateral e, pegando os remédios, os amassou no punho. Pela respiração pesada, dava para sentir claramente que ele mal continha a raiva.
Que tomar os dois remédios juntos aumentava a chance de efeitos colaterais e por isso não era recomendado, Cheongyeon também já sabia. Talvez surtisse efeito no momento, mas, se criasse imunidade, mesmo tomando o supressor o efeito de suprimir feromônios seria fraco e, pelo contrário, havia grande possibilidade de ficar ainda mais difícil de controlar.
Especialmente os medicamentos de traço recessivo eram mais fortes em comparação com outros remédios, então não havia como fazer bem ao corpo.
— Um efeito colateral desses eu também conheço.
Diante da resposta indiferente de Cheongyeon, os olhos de Do-Heon cintilaram com aspereza.
— Mesmo sabendo disso! Sabendo disso, você tomava esses dois juntos? Você está no seu juízo?
Quando Do-Heon, que quase nunca levantava a voz especialmente com ele, gritou de repente, uma raiva também subiu de supetão por dentro de Cheongyeon.
— E daí. E daí…
Cheongyeon murmurou como quem não entendia. Mesmo tentando fingir indiferença, o fim das palavras tremia de leve.
Desde o início, se Do-Heon pensasse na saúde dele, não deveria ter proposto um contrato daqueles. Quando ele pediu para ser solto, ele deveria tê-lo soltado.
E, ainda assim, quem o tinha amarrado, chantageando-o e mencionando até a equipe, não fora justamente Do-Heon?
Diante da atitude dele, que o pressionava com ferocidade perguntando se ele estava no juízo, uma indignação subiu.
— No contrato não tem nem cláusula dizendo que não posso tomar remédio. Se eu engravidar trabalhando e a barriga crescer, você vai me soltar? Antes de me enrolar numa situação dessas, que a saúde piore um pouco.
Cheongyeon encarou Do-Heon de frente e ergueu os olhos.
— Você sabe o que significa uma gravidez pra um ômega recessivo? Você acha possível ter e criar feliz um filho que pode ser recessivo como eu, sabendo que ele vai ser infeliz? E a minha vida? Você sabe ao menos com que olhar as pessoas ao redor veem um ômega recessivo grávido? Sabendo muito bem que um dia você vai me chantagear dizendo que vai levar a criança, por que eu faria isso?! Eu não quero olhar nem pro meu abismo, nem pro seu abismo!
Cheongyeon, que despejava em Do-Heon tudo o que tinha por dentro como quem estava tomado de fúria, de repente, diante da sensação de algo escorrendo do nariz, ajeitou a respiração por um instante.
— O remédio faz mal à saúde? Então o que você faz comigo faz bem? Eu prefiro ficar doente a chegar nesse ponto. Você, de qualquer forma, só precisa deste corpo até se cansar, não é? O que foi que te deixou tão bravo! Você sofre tanto quanto eu?
Diante da sensação de que a respiração ia faltando aos poucos, Cheongyeon levou a mão ao peito com dificuldade. Mas as palavras que jorravam do fundo da garganta não paravam de jeito nenhum.
— Agora eu, ao te ver, tenho vontade de vomitar. Da cabeça aos pés você é horrível! E ainda assim eu faço sexo por que você é louco. O que exatamente é o problema? Você já tem tudo com esse dinheiro imenso e extraordinário, do que você reclama. Você pode dormir com alguém que te odeia sem parar, como eu, e se você mandar rir eu rio, se mandar chorar eu choro. Simplesmente me deixa em paz, tomando de forma excessiva assim, aconteça o que acontecer. Até isso eu tenho que fazer com a sua permissão…!
No instante em que despejava gritos sem parar, algo morno escorreu do nariz até o queixo.
Cheongyeon parou de falar no meio e, perturbado, limpou depressa o canto da boca com a mão.
Então um sangue de um vermelho escuro ficou nítido no dorso da mão.
— Yoo Cheongyeon!
— …Hã?
Cheongyeon olhou atônito para a própria mão, num instante manchada de vermelho. Mesmo naquela breve fresta, o sangue pegajoso, sem parar, passava pelo sulco do nariz e pingava por baixo do queixo.
Só depois de a palma e o dorso da mão ficarem todos manchados de sangue é que Cheongyeon percebeu que estava sangrando pelo nariz.
🎬 ∙ ∙ ∙ 🎥 ∙ ∙ ∙ 🎭
Continua….
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna