↫─Capítulo 132
— Desculpe, mas comida… não vou conseguir comer mais. Não preciso comer à força, né?
O cheiro da comida, que não o incomodava, de repente lhe pareceu repugnante. A região do peito se revirava como se, a mais uma garfada, ele fosse botar tudo para fora ali mesmo.
— Não estou dizendo no sentido de que você fique só em casa como antes. Se você quiser, pode continuar como ator, como agora.
Do-Heon falou segurando o pulso de Cheongyeon, que ia se levantar.
— Você não precisa participar à força de encontros aonde não quer ir. Não precisa escolher minhas roupas toda semana nem tomar café da manhã comigo todo dia. No vestir, no comer, no falar, faça como bem entender. Estou dizendo que não vou te forçar a nada. Então volte para casa, Yoo Cheongyeon.
— Me solta. Está desconfortável.
Cheongyeon sacudiu o braço para tirar a mão presa. Mas, mesmo tendo ouvido para soltar, Do-Heon não afrouxou a força.
— Estou dizendo que tenho medo.
Quando o rosto de Cheongyeon, tomado de medo, empalideceu, só então Do-Heon soltou a mão.
— …Já entreguei as coisas, então eu já vou. Amanhã tenho aula de atuação.
— Eu respondi errado?
Cheongyeon se levantou remexendo o pulso que estivera preso. Ao contrário do seu interior em frangalhos, ele estava apenas infinitamente calmo. Como se ainda não soubesse o que tinha dado errado.
Houve um tempo em que ele amava profundamente até aquela indiferença, mas agora…
— Numa situação dessas, teria sido mais convincente você mentir, dizer para eu voltar porque gosta de mim, porque me ama demais. Assim, nem que fosse por um instante, eu teria vacilado.
Era só grato por ele não tê-lo abalado assim.
— Quando encontrar outra pessoa, fale exatamente desse jeito.
Cheongyeon, que murmurou com um sorriso tênue, deu as costas sem hesitar.
*
Só depois de sair da casa de Do-Heon e chegar ao apartamento é que as lágrimas jorraram.
Quando será que eu vou conseguir ficar impassível. Ele achava patético a si mesmo por, a cada vez, não conseguir abandonar expectativas inúteis, se machucar com ele e chorar. Ter sido manipulado por três anos inteiros não bastou?
Cheongyeon jogou o casaco no chão e foi direto para a cama. E começou a socar o travesseiro fofo.
— Desgraçado. Quem pediu pra ele dizer uma coisa extraordinária?
Cheongyeon, arregalando os olhos úmidos, socou o travesseiro com força imaginando que era o Moon Do-Heon.
— O desgraçado! que me convida! pra morar junto! O quê? Digno de pena? Conveniente?
Fica dizendo esse tipo de coisa a vida toda. Como se eu fosse voltar pra ele. Nem morto. Nem morto.
— Haa…, haa…
Depois de esmurrar o travesseiro por alguns minutos, sua respiração subiu até o topo da garganta. A raiva difícil de controlar tinha diminuído bastante, mas a miséria continuava a mesma.
Ainda assim, dessa vez foi um alívio não ter chorado diante de Do-Heon. Ao contrário de antes, quando toda vez soluçava e retrucava, parece que dessa vez ele disse tudo com calma. Por outro lado, seu peito estava aliviado.
— Ufa, isso. Assim já foi, hup. Uma reação madura. Snif.
Cheongyeon, repetindo aquilo para si mesmo, deu tapinhas no travesseiro, de onde as penas escapavam por causa dos socos impiedosos. Sobre ele, as lágrimas que ainda não tinham parado pingavam, ponto a ponto.
Cheongyeon, que esfregou o canto dos olhos de qualquer jeito com o dorso da mão, se deitou desabando na cama.
Talvez por ter se movido de forma brusca demais em pouco tempo. Sua cabeça parecia um pouco tonta.
Depois de encontrar o Moon Do-Heon era sempre assim. O desgaste emocional era sempre grande. Agora, mesmo querendo sair da sombra dele, não era fácil como parecia.
Cheongyeon, enquanto ajeitava a respiração, se enfiou aos poucos sob o edredom. Quando fechava os olhos, o rosto de Do-Heon aparecia em sua cabeça.
Mas seu peito não doía como antes, a ponto de despedaçar. Também naquele dia ele tinha ficado bem sereno diante dele, então talvez, com mais tempo, chegasse mesmo um dia em que ficaria indiferente.
Talvez porque a força tivesse se esvaído do corpo inteiro, suas pálpebras foram ficando cada vez mais pesadas. Esquecendo até de apagar a luz, relaxado, Cheongyeon caiu num sono profundo.
*
No dia seguinte. No apartamento silencioso, um alarme começou a soar. Mesmo tentando ignorar tapando os ouvidos com o travesseiro, o som era alto a ponto de machucar os tímpanos.
Cheongyeon, tateando com o braço, achou o celular em algum lugar da cama e desligou o som. Ele tentou se levantar logo, mas o sono custava a passar e ele se remexeu na cama por alguns minutos.
— Nnng…
Um gemido saiu sozinho. Como por um tempo ele teria que ir a aulas de atuação quase todo dia, se não se lavasse e se preparasse agora, se atrasaria.
Ultimamente, acordar na hora certa era um suplício singular. Mesmo dormindo bem, não se sentia leve como antigamente.
Será que é problema de físico. Agora que pensava, ele até parecia ter passado a ter dor de cabeça ultimamente. A cabeça doía e logo melhorava, mas de algum jeito o incomodava.
De qualquer forma, ultimamente seu estado geral estava péssimo sob vários aspectos.
— Ah, é verdade. Eu preciso tomar o remédio.
Cheongyeon, que se remexia feito uma larva enterrado no edredom havia um bom tempo, ergueu a cabeça de repente. Sem sentido algum diante da promessa de ontem de tomar na hora certa, ele esqueceu de novo de tomar o remédio.
Cheongyeon, pressionando com a palma a testa latejante, se sentou na cama.
Onde foi que eu deixei a bolsa em que guardei os remédios.
Cheongyeon, que vasculhava a memória com afinco, conferiu sem pensar o celular que segurava.
—Moon Do-Heon chamadas perdidas (13)
— Hé. O que é isso.
Havia nada menos que treze chamadas perdidas de Do-Heon.
Como ele tinha mudado a configuração para o silencioso por causa do trabalho, parece que nenhum alarme tocou durante a noite.
Mas por que ele ligou tantas vezes seguidas. É uma pessoa que nunca fez isso. Será que aconteceu algum incidente?
Cheongyeon, com um semblante sério, começou a conferir as outras notificações acumuladas no celular.
Além das chamadas, havia também mensagens de Do-Heon.
—Moon Do-Heon: (foto)
—Moon Do-Heon: Explique o que é isto.
—Moon Do-Heon: O que exatamente você está fazendo.
—Moon Do-Heon: Atenda o telefone.
A foto que Do-Heon tinha tirado e mandado era o supressor de feromônios e o anticoncepcional que Cheongyeon tomava.
— Por que isto está ali… Ah!
Cheongyeon, que olhava perturbado a foto na tela, logo levou a mão à testa como quem se lembrou de algo.
Ontem. Quando fui entregar os produtos, deixei a bolsa lá. Deve ter sido por isso que Do-Heon encontrou os remédios dentro da bolsa.
Por que eu justamente esqueci aquilo naquela casa?
Quando entendeu a situação, seu peito começou a bater rápido.
— Estou ficando louco.
Cheongyeon, falando consigo mesmo, percorreu mais uma vez os contatos de Do-Heon.
Ele parece bem bravo… O que eu invento de desculpa.
Pelo clima, não parecia que, se ele simplesmente ignorasse o contato assim, aquilo passaria em silêncio.
Cheongyeon, aflito, mordeu o lábio inferior.
A rigor, que remédio ele tomasse não era algo em que Do-Heon tivesse o direito de se intrometer. Mas, agora que fora descoberto, ele não ficaria só assistindo.
Ele tinha recusado várias vezes, mas Do-Heon ainda era um louco que queria que ele morasse de novo em sua casa como antes e, se possível, desejava que ele tivesse até um filho.
Pela razão de ser digno de pena e conveniente.
— Ah, a hora… Por ora, por ora vou me preparar primeiro pra aula.
Perturbado, Cheongyeon despejou um monólogo atrapalhado.
A aula de atuação vinha primeiro e entrar em contato com Do-Heon era o depois. Não era nem sexta, então não havia obrigação de responder na hora.
Ainda que Do-Heon dissesse alguma coisa, ele não precisava se abalar. Isso não tinha nada a ver com ele.
Tendo organizado os pensamentos, Cheongyeon se preparou depressa para sair.
Quando abriu os olhos com o som do alarme, o sono ainda estava ali e sua cabeça estava lerda, mas agora sua mente estava límpida e nítida como quem levara um banho de água fria.
Cheongyeon, sem tempo nem de tomar o café da manhã, se lavou e se vestiu e logo vasculhou a escrivaninha para pegar o roteiro.
— Ah, a bolsa.
Mas o roteiro também estava dentro da bolsa que ele deixara na casa de Do-Heon na véspera.
Não tem uma coisa que dê certo. Cheongyeon, escarnecendo baixinho da própria situação, no fim desistiu do roteiro e começou a calçar os sapatos.
— Senhor Yoo Cheongyeon.
Assim que abriu a porta às pressas, do nada dois homens surgiram e barraram sua passagem.
— …Quem são vocês?
Cheongyeon, sem perceber, recuou e olhou para eles de baixo. Os dois homens de terno fizeram uma reverência a Cheongyeon.
— O diretor Moon Do-Heon pediu para escoltá-lo. Acho que o senhor precisa vir conosco agora.
Cheongyeon, que estava com a mão sobre o peito descompassado de susto, logo se controlou e observou os dois com atenção.
Eram rostos que ele via pela primeira vez, mas, a julgar pelo tom e pelos gestos uniformes e impregnados no corpo, pareciam ser guarda-costas. Era claro que Do-Heon os enviara para levá-lo por causa daquele maldito remédio.
Mas isso não é excessivo demais? Por mais que eu não tenha atendido o telefone, mandar gente. Sem nem perguntar a minha opinião.
Mas, por outro lado, ele até pensou: já foi alguma coisa não terem destrancado a porta e entrado enquanto ele dormia, e terem esperado até ele sair com as próprias pernas.
— Por que eu iria?
— É uma ordem do diretor.
Mesmo diante da atitude atravessada de Cheongyeon, o homem respondeu com toda a cortesia e firmeza. Tinha o ar de quem não recuaria com facilidade nem que ele dissesse não.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna