↫─Capítulo 130
Por que será que esse homem está assim de novo. Cheongyeon fez bico e encarou a mensagem que Do-Heon tinha mandado.
Até hoje. E ainda pessoalmente? Isso é pura tirania, não é? Ele não pensa que eu posso estar ocupado e não conseguir ir. Enfim, antes e agora, era um homem egoísta que só pensa em si.
E eu preocupado porque a voz dele na ligação de ontem pareceu mais baixa que o normal. De todo jeito, foi preocupação à toa.
— …
Cheongyeon, com o olhar fixo na tela, mergulhou em dúvida.
Como sempre, não estava a fim de ir pessoalmente até a casa. Se ele quer tanto assim os produtos de grupo de ídolo fracassado, não é só ele mandar alguém buscar? Ou será que eu insisto em mandar por moto-táxi mesmo.
— …Haa.
Mas a voz de Do-Heon , com aquele leve tom afiado de ontem, insistia em rondar seus ouvidos.
Cheongyeon guardou o celular no bolso e esfregou o rosto.
Pensando bem, do ponto de vista de Do-Heon , era uma situação bem passível de indignação. Uma matéria nem verdadeira saiu e ele deve ter virado assunto por toda parte, então não havia como ser agradável. E ele era uma pessoa que detestava demais aparecer na mídia.
Cheongyeon logo mudou de ideia e pegou a caixa.
— Empresário, lembrei de repente de um lugar em que preciso passar. Pare o carro ali na frente, por favor.
Sim. Em vez de ficar cutucando a fera à toa, vou entregar direitinho.
*
Cheongyeon, que desceu do táxi diante da casa de Do-Heon, digitou a senha com naturalidade e entrou.
Como já tinha feito isso várias vezes, agora nem sentia hesitação. A essa altura, ele até achava que quem estava errado era o Do-Heon , desatento à segurança. Será que é assim que se sente um ladrãozinho reincidente?
— Ele mesmo mandou eu vir, então não vai reclamar.
Cheongyeon, tendo destrancado a porta com toda a firmeza e entrado, foi direto para o sofá da sala.
— Ai! Ai, ai! …Senhor Cheongyeon? A que veio aqui?
A empregada encarregada da limpeza, que estava limpando o armário-vitrine, avistou Cheongyeon e, assustada de antemão, deixou cair o pano que segurava.
— Ah, é que tem uma coisa que o Moon Do-Heon pediu para eu entregar, então passei rapidinho.
Cheongyeon apontou com o queixo a caixa que segurava no colo. A empregada, com uma expressão de quem não entendia nada, apenas assentia com afinco.
— Entendi. O diretor ainda não voltou do trabalho, então o senhor vai ter que esperar um pouco…
— Sim. Eu já imaginava. Não é de hoje que esse homem chega tarde.
Cheongyeon, com naturalidade, pousou na mesa da sala a caixa e a bolsa que trouxera.
Mandar trazer as coisas pessoalmente não devia significar literalmente descarregar as coisas e sair correndo. Devia ser para ao menos vê-lo antes de ir.
Cheongyeon se sentou à vontade no sofá e ligou a TV com o controle. Quando apertou o controlador instalado no sofá e estendeu até o apoio para os pés, completou-se uma posição bem confortável, meio deitado.
— Senhor Cheongyeon, chegou? Ouvi dizer que está esperando o diretor. Quer que eu traga uma bebida e um lanche?
Talvez tivesse sido avisada de que Cheongyeon chegara, porque a empregada que trabalhava na cozinha se aproximou.
— Estou bem. Eu belisquei isso e aquilo no set.
Cheongyeon, que trocava de canal, respondeu com desânimo.
— Aliás, o Moon Do-Heon não disse a que horas vem?
— Não. Hoje ele não me disse nada em especial.
— Esse homem ainda anda sem comer, né?
Diante da pergunta de Cheongyeon, a empregada não conseguiu responder de imediato e mediu a reação. Parecia em conflito sobre se podia dizer.
Cheongyeon já deduziu da hesitação dela a resposta que queria. Ou seja, ele continua sem comer direito de tanto trabalhar.
— Não precisa responder. Eu posso esperar me distraindo sozinho, então fique à vontade, senhora.
— Então, se ficar com fome, avise, nem que seja mais tarde.
A empregada, mexendo no avental que usava, entrou na cozinha.
Cheongyeon, que ficou olhando aquelas costas em silêncio, voltou o olhar para a TV. Pensou em ligar para Do-Heon perguntando a que horas ele viria para casa, mas logo até isso deu preguiça e ele pousou o celular.
De qualquer forma, Do-Heon devia ter sido avisado pela empregada de que ele tinha chegado. Como ele mesmo mandara vir, achou que, mesmo sem cobrança, ele certamente viria mais cedo.
— Senhor Cheongyeon. Beba um chá quentinho.
— Hã?
Ele achava que ela tinha ido fazer o que estava fazendo, mas num instante a empregada apareceu com uma xícara. Cheongyeon, que justamente assistia a uma cena empolgante na TV, inspirou fundo e virou a cabeça.
— Dizem que é um chá novo, o aroma é muito bom. O diretor anda tomando com bastante frequência ultimamente.
— É um sabor que esse homem gostaria mesmo, hein.
Cheongyeon, que recebeu a xícara e bebeu um gole do chá quente, murmurou.
Um amargor de concentração adequada, com aroma de bergamota mas que, ao ser mantido na boca, não era denso demais. Era exatamente o gosto de Do-Heon .
Enfim, deve ser porque é um homem rico, mas ele tem um faro sobrenatural para gostar só de coisa cara.
Cheongyeon, bebericando o chá que tinha gosto de dinheiro desde o momento em que tocava a ponta da língua, olhou em volta a sala.
Agora que pensava nisso, o número de pessoas que trabalhavam na casa parecia continuar o mesmo de quando ele morava ali. Surgiu-lhe a dúvida de se, agora que só uma pessoa morava ali, era mesmo preciso tantos empregados assim.
Da última vez em que viera, o motorista que o acompanhava antes do divórcio também continuava…
E olha que Do-Heon, além de ter vários secretários, ficava fora todo dia por causa da empresa, então não devia precisar de todo esse pessoal.
Achando aquilo estranho sob vários aspectos, Cheongyeon, ainda assim, foi bebendo o chá e apagou aquela dúvida inútil.
Bem, esse tipo de coisinha o Do-Heon deve resolver por conta própria.
****
Um boneco de pelúcia, surgido não se sabe de onde, prensava seu corpo. Como era várias vezes maior do que ele, seu peito estava pesado e sufocado. Irritado, Cheongyeon franziu a testa e empurrou o boneco.
Aff, sai daí!
Quando gritou irritado, de repente os olhos fechados se abriram de supetão.
— …
Assim que abriu os olhos, Cheongyeon congelou por alguns segundos, atônito, diante da paisagem escura do ambiente.
Ah, era um sonho.
Sem saber quando tinha adormecido, Cheongyeon estava deitado reto sobre o amplo sofá da sala. Ele achou que algo o sufocava e era o paletó pesado de Do-Heon cobrindo seu corpo.
Cheongyeon, tateando o paletó com estranheza, revirou os olhos depressa. Então seus olhos se encontraram diretamente com os de Do-Heon , sentado na cadeira à frente do sofá.
— Aah, que susto!
Cheongyeon, ao mesmo tempo em que se horrorizava, se levantou de um salto.
— Que susto. Qua-quando você chegou?
— Agora há pouco.
Do-Heon, sem se mexer, apenas abriu os lábios e respondeu baixinho.
— É? Mas por que você não trocou de roupa nem… Não, antes disso. Por que não me acordou?
Cheongyeon, sem jeito, pegou o paletó de Do-Heon que caíra no chão quando ele se levantou fazendo alarde.
Com medo de por acaso ter dormido babando de um jeito deselegante, ele passou o dorso da mão pela boca. Por sorte, não saiu nada.
— …
Cheongyeon espiou Do-Heon , que estava sem resposta. Ele não parecia de bom humor. Aconteceu alguma coisa na empresa?
Uma sala escura com toda a iluminação apagada. Em meio à luz da tela da TV que oscilava de forma agitada, Do-Heon fitava Cheongyeon sem se mexer nem um pouco. E Cheongyeon, como que enfeitiçado, o encarou.
A luz reluzente se estendia pelo rosto de Do-Heon e se infiltrava no cavalete do nariz, na região entre as sobrancelhas e assim por diante, esculpindo o formato do rosto dele de forma ainda mais tridimensional. Daquela aparência asseada e sem defeitos sempre se sentiam, ao mesmo tempo, uma frieza e uma nobreza difíceis de descrever.
Talvez fosse por ele ainda estar meio grogue. Era como se ele tivesse entrado em uma cena de filme.
O que será que ele está pensando. Cheongyeon, de tempos em tempos, era tomado pelo impulso de querer puxar os pensamentos de Do-Heon para conferir. Mesmo sabendo que era algo eternamente impossível.
— …Os produtos que você emprestou, eu trouxe.
Cheongyeon, recuperando a duras penas a atenção que Do-Heon tinha roubado, mencionou o motivo de ter vindo ali.
Mas isso está certo? Devolver, dizendo que usou bem, o que emprestara e que originalmente era dele, era uma sensação bem incômoda.
E era um absurdo a teimosia de Do-Heon de insistir que todos os produtos com a cara dele estampada eram dele.
— Você comeu?
Mas a reclamação que estava por dentro não saiu e, da boca, só escapou uma pergunta desconexa.
— Ainda não.
— …Coma. Por que você fica pulando refeição? Não é criança.
Cheongyeon, empurrando a caixa que estava sobre a mesa na direção de Do-Heon , o repreendeu.
— Você ainda está tão ocupado que não tem tempo nem de comer?
— Você quer comer comigo?
Do-Heon, ainda com o olhar fixo em Cheongyeon, disse algo do nada.
— Agora?
Eu tenho que ir. E não está tarde demais?
Ele queria só entregar as coisas rápido e sair, mas, por ter adormecido, já era quase meia-noite.
— Se não quiser, tudo bem.
Cheongyeon olhou o relógio e ficou em dúvida. Ele não estava a fim de comer nada, mas teve a certeza de que, se fosse embora assim, Do-Heon no fim pularia a refeição.
— Está bem. Vamos comer juntos.
— Se não quer, não precisa comer à força.
— Não é bem à força… Enfim, coma direito e com antecedência.
Agora que pensava, ele até parecia ter emagrecido um pouco. Não dava para entender por que um homem adulto ficava pulando refeição.
Cheongyeon, soltando esses e outros sermões, se dirigiu à cozinha. Como já era hora de os empregados terem ido embora, para comer teria que preparar ele mesmo.
Será que eu não devia ter dito que comeria e iria? Enquanto acendia a luz da cozinha e abria a geladeira, Cheongyeon soltou uma risada seca, achando aquela situação um absurdo.
Era engraçado Do-Heon de repente pedir, altas horas da noite, para comerem juntos, e ele também não se entendia por ter aceitado. Ele pretendia ir cedo, mas, por algum motivo, era difícil soltar uma recusa para o Do-Heon que estava à sua frente.
— Você também vai comer sopa, né?
— Eu faço.
Quando Cheongyeon abriu a prateleira de cima para tirar as tigelas, Do-Heon se aproximou.
— Deixa. Só tira os acompanhamentos da geladeira.
No instante em que Cheongyeon, tendo tirado com prática dois jogos de prato, virou a cabeça, algo bateu com força na região da testa.
— Ai.
Cheongyeon ergueu a cabeça esfregando a testa, que recebera o impacto repentino.
Ele quase bateu a cabeça na quina da prateleira, mas, por sorte, como a mão de Do-Heon cobria sua testa, não chegou a bater direto.
— Cuidado. Você esquece toda vez.
— …Ah, é verdade.
Cheongyeon, sem jeito, fechou a prateleira que estava aberta. E esfregou a região onde a mão de Do-Heon tinha tocado.
Também quando moravam juntos, como Cheongyeon batia a cabeça sempre que entrava na cozinha, Do-Heon soltava sermão com frequência.
Cheongyeon mordeu o lábio inferior e engoliu um suspiro. Parece que um hábito, uma vez adquirido, custa a se corrigir.
— …
— …
De algum jeito, o clima ficou ainda mais constrangedor.
🎬 ∙ ∙ ∙ 🎥 ∙ ∙ ∙ 🎭
Continua….
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna