↫─Capítulo 129
—Está no carro?
— Não. Estou no escritório.
—Chegou cedo.
— Ah, só pra você saber, hoje é o dia da prova das roupas que eu vou usar nas próximas agendas, incluindo o figurino do drama. Vou ficar atarefado até a noite, então pode ser que não dê pra falar. Mas o que houve?
—A matéria vai sair do ar por completo ainda hoje.
O movimento de Cheongyeon, que atendia o telefone com uma mão enquanto ajeitava a roupa, parou de repente.
— Hã?
—Também já dei instruções para as medidas posteriores.
— Aah. Aquilo.
Cheongyeon percebeu com um compasso de atraso que Do-Heon ligara por causa da matéria do casamento.
Mas por que ele está me falando isso?
Sem assimilar de imediato a situação, Cheongyeon fez a cabeça girar.
Talvez ele estivesse tendo um cuidado especial por causa daquela vez em que, ao conferir a matéria que Kim Jihan mostrara, ele foi procurá-lo assustado. Se fosse isso, dava para entender, até certo ponto, Do-Heon ligar pessoalmente para dizer aquilo.
—Como você já deve saber, é uma matéria sem relação com a verdade. Provavelmente, por causa do que houve na refeição da última vez, o Park Jonguk…
— Ah, não se preocupe comigo.
Como Do-Heon parecia se justificar mais do que o necessário, Cheongyeon cortou dizendo que estava tudo bem.
—O quê?
— A matéria do casamento. Mesmo que fosse verdade, bem… Uma hora tem que casar mesmo. Você não precisa me explicar cada detalhe.
Do outro lado da linha ficou em silêncio.
— Diretor?
—Estaria tudo bem mesmo que a matéria fosse verdade?
— …Você não pretendia se casar? Nem que fosse pelos negócios, é vantajoso pra você.
Cheongyeon falou como quem perguntava por que ele questionava algo óbvio.
Afinal, não era por isso que ele vivia ocupado durante todo o casamento com ele.
Três anos antes. Era o período em que Do-Heon estava justamente se estabelecendo como herdeiro. Naquela época, em vez de se casar com um ômega dominante de boa família que seria seu suporte em diversos negócios, ele escolheu Cheongyeon. O Yoo Cheongyeon, um ômega recessivo sem nada e sem serventia.
Ele não desconhecia que, por isso, Do-Heon tivera que comprovar sua competência de forma ainda mais rigorosa depois do casamento.
Por isso, por mais que ele o deixasse solitário, Cheongyeon não podia demonstrar.
Se, na época, Do-Heon tivesse escolhido o ômega dominante que a família apresentara, provavelmente tudo teria sido folgado e fácil em vários aspectos. Ele não teria precisado fazer hora extra todo dia nem viajar de alguns dias a algumas semanas.
Por isso mesmo Cheongyeon queria, de todo jeito, ter um filho dele. Afinal, era a única coisa que ele podia fazer.
Bem, agora tudo isso virou passado.
—Não entendo o que você está dizendo. Você está insinuando que não se importa que eu me case com outro ômega?
Cheongyeon, sem saber o que responder, apenas mexeu os lábios. Era uma voz indiferente como sempre, mas, por algum motivo, soava como quem interpelava.
— Casar ou não é decisão sua. Não é algo pra discutir comigo. Eu quis dizer que você não precisa me explicar detalhe por detalhe quem você encontrou ou não.
— Ator. A reunião vai começar agora.
Naquele instante, um membro da equipe entrou no banheiro e sussurrou com cuidado para Cheongyeon.
— Ah, sim. Já vou entrar.
Cheongyeon assentiu e acenou a mão para o membro da equipe, como quem pedia que ele fosse na frente.
— Acho que eu já vou ter que ir. Enfim, você não precisa se preocupar comigo. Então a gente se vê na próxima sexta.
Antes que a resposta de Do-Heon viesse, Cheongyeon desligou o telefone às pressas. E desligou o celular.
Enquanto saía depressa do banheiro e se dirigia à sala de reunião, teve uma sensação incômoda. Será que era por a conversa ter sido cortada no meio?
Do ponto de vista de Do-Heon, ele tinha, à sua maneira, tido a consideração de avisar, então talvez ele devesse ao menos ter agradecido. …Não, não. Isso pareceria exagero.
— Já que estão todos aqui, vamos começar pelo briefing.
Quando Cheongyeon entrou e se sentou na sala de reunião, um dos membros da equipe se levantou e começou a explicar o objetivo da reunião daquele dia.
Ele mencionou em detalhes, com números, o impacto que a atuação anterior de Cheongyeon tivera no país e em determinada região da Ásia e o quanto o volume de buscas aumentara. E disse que naquele dia iriam definir o conceito do novo figurino conforme a reação do público.
A reunião transcorreu num clima sério. Mas a cabeça de Cheongyeon estava tomada pelo teor da ligação com Do-Heon .
Mesmo sabendo que precisava se concentrar na reunião, já que eram pessoas reunidas por ele, pensamentos dispersos entravam sem parar.
Dessa vez Do-Heon tinha dito pessoalmente que o conteúdo da matéria não era verdade, mas uma hora ele também se casaria de novo.
Cheongyeon tentou imaginar a imagem de outra pessoa ao lado dele. Algum ômega com o mesmo traço dominante de Do-Heon e um poder financeiro parecido. Quem quer que fosse, seria bem melhor do que ele.
Se Do-Heon encontrasse o seu lugar, aquela relação também teria um ponto final. Afinal, aquele contrato de patrocínio ridículo, para ele, não passava de uma brincadeira, e Cheongyeon sabia bem disso.
Uma pessoa com uma personalidade obsessiva como Do-Heon não continuaria uma relação inapropriada como a atual depois de se casar com outro ômega. E, se fosse assim, o patrocínio também acabaria, então a carreira de Yoo Cheongyeon como ator seria interrompida assim mesmo?
Se Do-Heon tirasse de vez a mão dele, talvez tudo o que ele viesse acumulando desaparecesse feito espuma.
Nessa hora… ele também teria que desistir de atuar. Afinal, a filmografia que ele acumulara até então como ator tinha sido feita por Do-Heon, não era dele.
Como se nunca tivesse dispensado atenção a um recessivo como ele, Do-Heon logo daria as costas. Uma hora, teria até um filho parecido com ele.
Sinceramente, ele parecia que não conseguiria se alegrar e parabenizar aquela cena de coração, mas Cheongyeon sabia o seu lugar. O lado de Do-Heon não era o seu lugar.
— Cheongyeon oppa. Por que você está tão calado hoje? Não me diga que é por causa daquela história de edema? Se estiver cansado, beba isto.
Terminada a reunião, no intervalo de descanso no meio da prova, Min Hyerin se aproximou hesitante. Ela disse que Cheongyeon parecia não estar conseguindo se concentrar, diferente do habitual, e lhe estendeu um energético.
— Obrigado. Se for edema, não tem jeito. Não estou nem aí.
— Então que bom. Se tiver algo desconfortável quando a gente for provar de novo, fale, viu.
— Pode deixar. Ah, é verdade, Hyerin. Eu vou passar rapidinho no camarim.
Como se algo lhe tivesse ocorrido de repente, Cheongyeon passou por Min Hyerin e saiu do ateliê. E foi até a porta do camarim no fim do corredor e a abriu. Como era um espaço usado principalmente por Cheongyeon sozinho, ali quase não circulava ninguém.
— Esqueci de tomar o remédio de manhã. Haa.
Murmurando consigo mesmo, Cheongyeon pegou a bolsa do lugar onde guardavam os pertences pessoais e tirou um comprimido de cada — o supressor de feromônios e o anticoncepcional que tinha começado a tomar havia pouco.
Como a rotina era irregular, ele às vezes esquecia de tomar na hora certa. Cheongyeon pôs os dois tipos de remédio na boca e os engoliu com o energético que Min Hyerin tinha dado.
Ele sabia que tomar o anticoncepcional e o supressor ao mesmo tempo não fazia bem ao corpo. Mas, por ora, não havia outro jeito. Já que se encontrava com Do-Heon toda sexta-feira, havia possibilidade de gravidez, então o anticoncepcional era indispensável.
Além disso, tomar o supressor também era inevitável. Se os sintomas do ciclo de cio surgissem de repente, além de ser difícil ajustar a agenda, se ele dormisse com Do-Heon nesse período, a chance de engravidar seria alta demais.
— Oppa, a chefe disse pra você sair agora.
Do lado de fora do camarim ouviu-se a voz de Min Hyerin procurando por Cheongyeon.
— Sim, já vou.
Cheongyeon guardou de novo na bolsa os remédios que tinha tirado e se levantou.
*
No dia seguinte.
Depois de terminar a prova de figurino, começou a se preparar para valer para a gravação do drama.
Como o dia da leitura do roteiro do novo drama se aproximava cada vez mais, o mais urgente para Cheongyeon era decorar as falas. Ele organizou a agenda para marcar depressa aulas de atuação e, no tempo restante, decorar o roteiro sempre que possível.
— Ator. Isto aqui, são os pertences pessoais que você entregou à emissora da última vez. Como a gravação terminou, eles devolveram.
O empresário, assim que a primeira aula de atuação do novo drama terminou sem contratempos, apareceu com uma caixa sem estampa alguma.
— Aah. Aquilo.
— Confira direitinho se não está faltando nada.
— Hum, parece que devolveram tudo certinho.
Cheongyeon falou depois de abrir a caixa e conferir o conteúdo. E, fechando a tampa como estava antes, ficou fitando aquilo. Ficou constrangido, sem saber o que fazer com aquilo.
Ele não tinha certeza se podia levar aquilo assim para o apartamento. Porque lhe veio à mente Do-Heon insistindo com toda a firmeza que os seus produtos eram dele.
“Agora isso é meu.”
Parecia brincadeira. Mas, a julgar por ele ter dito sem piscar um olho, também parecia que não era brincadeira.
Não dá para saber o que o Moon Do-Heon pensa da vida. Parece fácil de prever e, quando se observa bem, é meio inesperado.
Será que eu ligo, por ora. Como ontem eu desliguei o contato daquele jeito de repente, de todo modo isso estava me incomodando.
Cheongyeon, enquanto o empresário estava no banheiro, sentou sozinho na van e ligou para Do-Heon .
Mas, como ainda era horário de expediente, talvez estivesse ocupado, porque só um tom de chamada entediante se prolongava, sem resposta.
— Não atende.
Cheongyeon, que ficou por um instante segurando o celular, hesitando, logo abriu de novo a caixa. E, depois de fotografar os produtos que estavam dentro, mandou uma mensagem a Do-Heon .
—Eu: (foto)
—Eu: Diretor
—Eu: Aquilo que emprestei da última vez a emissora devolveu
—Eu: Mando por entrega?
—Eu: Ou eu fico?
Cheongyeon torcia no fundo para que viesse uma resposta dizendo para simplesmente ficar. Eram objetos com um significado e tanto para ele, e, por mais que pensasse, produtos de grupo de ídolo fracassado não pareciam ter serventia para Do-Heon .
— Ator! Vou partir agora mesmo para o apartamento.
Naquele instante, o empresário, que tinha ido ao banheiro, voltou. Quando ele deu a partida na van e estava justamente saindo do estacionamento, uma mensagem chegou ao celular.
Ao conferir de imediato, era Do-Heon .
—Moon Do-Heon : Traga pessoalmente até a minha casa.
—Moon Do-Heon : Até hoje.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna