↫─Capítulo 124
124
— Que isso, ainda assim, um ano é longo demais.
Aos olhos de Cheongyeon, que dava risadinhas, entrou o documento de planejamento publicitário que Do-Heon tinha.
De repente, ficou curioso para saber que conteúdo entrava nos documentos relacionados à publicidade de atores que uma empresa elaborava.
— Aquilo, eu também posso ler?
— À vontade.
Ele achou que ele recusaria alegando sigilo, mas Do-Heon aceitou de imediato.
Então ter um ex-marido empresário de uma grande corporação tem também essa vantagem. Cheongyeon, com medo de que Do-Heon mudasse de ideia, se levantou depressa e foi se sentar ao lado dele.
Do-Heon, que ia lhe passar o documento, estacou ao ver Cheongyeon se enfiar de propósito no lugar ao seu lado e se sentar.
— Ah.
Diante daquela reação enigmática, Cheongyeon percebeu tardiamente que seu comportamento tinha sido exagerado.
— É que… o empresário e a Hyerin sempre se sentam lado a lado assim na van para explicar… Virou hábito.
Com medo de que Do-Heon achasse estranho, Cheongyeon despejou uma desculpa atrapalhada.
Não eram só o empresário e Min Hyerin. Os outros membros da equipe também, quando conversavam olhando o impresso, se aproximavam e sentavam bem perto. Com isso, ele acabou se acostumando com esse arranjo.
— Faça como preferir.
Do-Heon, como se não se importasse, empurrou o documento para o lado a fim de que ficasse fácil de Cheongyeon ler.
O constrangimento durou pouco: Cheongyeon foi lendo o documento página por página.
Havia diversas referências de anúncios externos de loja de departamentos já realizados, junto com uma organização bastante sistemática sobre qual produto seria melhor escolher. Prazo, tamanho do anúncio, até conceito e paleta de cores.
— Uau, é bem mais concreto do que eu imaginava.
Mas por que o valor, que é o mais importante, não está escrito?
Desde antes, ele ficava curioso para saber quanto era preciso investir para realizar um anúncio externo na filial de Apgujeong da Loja de Departamentos Hwamyeong. Cheongyeon folheou o documento depressa para procurar o conteúdo relacionado ao custo.
Mas, até o fim das páginas, o valor exato não apareceu.
Será que ele não indicou de propósito…
— Hã?
Enquanto, sem conseguir se conformar, ele mexia de novo na primeira página, uma foto conhecida tremeluziu no campo de visão de Cheongyeon.
Uma revista de moda comum pousada sobre a mesa. Ele achou que tinha algo familiar e viu o próprio nome escrito bem grande na capa.
—Entrevista exclusiva com o ator revelação Yoo Cheongyeon!
…Por que isto está aqui? Cheongyeon, perturbado, parou de folhear o documento no meio e congelou ali mesmo.
Do-Heon não devia ter posto aquilo ali de propósito. O hotel parecia deixar revistas recentes dispostas aleatoriamente.
Cheongyeon conferiu Do-Heon de esguelha. Ele parecia ainda não ter avistado a revista. Como não era o seu rosto que estava na capa, a não ser que tivesse um olho bom, ele não perceberia.
Antes que ele visse, Cheongyeon cobriu depressa a capa da revista com o documento que segurava.
— O que foi?
— …A publicidade você disse que vai fazer quando começar o drama em que eu passei na audição, né?
Cheongyeon mudou de assunto do modo mais natural possível.
— Sobre essa lista de produtos aqui. Está tudo parecendo bom, então eu não consigo escolher.
— Não precisa decidir agora.
— Então que bom.
De qualquer forma, imaginar a própria cara pendurada bem grande na filial de Apgujeong da Loja de Departamentos Hwamyeong era algo divertido. A voz rachada de Moon Heejin gritando “Você enlouqueceu?” já parecia rondar seus ouvidos.
— Na verdade, aquela refeição da última vez foi bem divertida.
Lembrando de repente da situação de dias antes, Cheongyeon falou.
Moon Heejin tinha dito que jamais aprovaria a publicidade da loja de departamentos com as próprias mãos, mas, de algum jeito, parecia que no fim tudo iria conforme o plano de Do-Heon.
— Às vezes ainda dou risada sozinho lembrando daquela hora.
— Se esse é o seu gosto, eu posso te fazer rir de novo quantas vezes você quiser.
— Puft! Deve ser esse o meu gosto mesmo. Eu também só descobri agora.
— Foi tão bom assim?
Cheongyeon, sentindo o olhar fixo de Do-Heon, enrijeceu as costas enquanto ainda ria.
Ah, dessa vez sim eu exagerei. Por mais que ajam como estranhos, para Do-Heon ainda é família.
— …Eu ri de forma escancarada demais deles, né.
Cheongyeon acrescentou, apagando o riso sem jeito.
— Não. Eu só achei que o som do seu riso é bom de ouvir.
— …
— Porque antes eu nunca tinha te visto rir assim.
Do-Heon falou, tocando com a ponta do dedo o canto da boca de Cheongyeon, que num instante tinha descido sem jeito.
Como era uma resposta inesperada, Cheongyeon hesitou, sem encontrar o que dizer.
A distância dele estava próxima demais. Se descuidasse um pouco, parecia que Do-Heon perceberia que ele perdera a compostura.
— Você ainda me odeia?
Percebendo a mudança de Cheongyeon, que enrijecia ainda mais assim que sua mão o tocava, Do-Heon pressionou de leve o lábio inferior dele.
— …
— Fale.
— …Sim.
Depois de hesitar um instante, Cheongyeon respondeu com sinceridade. Afinal, aquela era a condição do contrato que Do-Heon exigira.
— Ainda, eu odeio você.
— Também é desconfortável eu te tocar assim?
Ocupado em ter consciência da mão de Do-Heon que tocava seu rosto, Cheongyeon assentiu com um compasso de atraso.
Não seria o caso de eu me levantar e me esquivar de uma vez? Ou eu devo ficar parado?
— E beijar?
As pupilas de Cheongyeon, impregnadas de confusão, tremeram sem encontrar onde pousar o olhar.
— Não. Não responda. Faça de conta que não ouviu.
— Hup!
Do-Heon logo baixou a cabeça e cobriu seus lábios. Como se, desde o início, a resposta de Cheongyeon não importasse.
Quando Cheongyeon pousou a mão no ombro de Do-Heon, ele segurou seu queixo e o imobilizou. Era um sinal de que não aceitaria recusa alguma.
— Hmm… ngh.
As respirações se emaranharam por completo. Do-Heon, sem lhe dar tempo de se adaptar, invadiu depressa o interior da boca de Cheongyeon.
Quando os lábios se colaram sem uma fresta, dava para sentir cruamente o quão fundo ele o inalava e o soltava.
Cheongyeon recebeu de bom grado a língua de Do-Heon, que revirava cada canto da sua boca, e a entrelaçou. Afinal, desde o início ele não tinha a intenção de recusá-lo.
Para que alguém como ele ousasse empurrá-lo, ele já tinha recebido coisas demais de Do-Heon como pagamento.
Cheongyeon esfregou a bochecha contra a palma enorme que envolvia seu rosto para que ele não pudesse escapar, e se agarrou a ele. Naquele momento, era só o que ele podia fazer. Apoiar-se no afeto temporário de Do-Heon e corresponder às suas exigências.
— Nnh.
Sentia-se como um peixe preso na rede. Mas se ele mesmo tinha caído ali ou se estava fisgado à força, agora ele já não sabia distinguir.
Cheongyeon ignorou os pensamentos indecifráveis que corroíam seus nervos e enlaçou o pescoço de Do-Heon com os braços.
Veio-lhe o pensamento de que era uma sorte ter tomado de manhã o supressor de feromônios e a pílula anticoncepcional.
— Ngh, diretor… Espere, assim, hmm, de repente…
Do-Heon não parou no beijo e deitou Cheongyeon no sofá. Como seu corpo firme prensava com força o tronco dele, mesmo tentando resistir, seu corpo tombava para trás sozinho.
— O b-banho primeiro… hup, não pode? Haa.
Se ele o deixasse por conta, ele parecia disposto a fazer no sofá sem sequer se lavar direito. Quando Cheongyeon o deteve no intervalo em que os lábios se separaram por um instante, Do-Heon soltou uma respiração pesada, como se ponderasse.
— Eu suei durante a gravação, e ainda estou com a maquiagem meio por tirar, é incômodo…
Cheongyeon insistiu remexendo a mão pousada no peito de Do-Heon. Como a distância era tão próxima que, se ele se movesse um pouco, os lábios logo se colariam de novo, as respirações que ambos soltavam pareciam excepcionalmente quentes.
— Diretor.
Quando a mão de Do-Heon envolveu sua cabeça e tentou puxá-lo para perto de novo, Cheongyeon o chamou às pressas.
— Ótimo. Vamos nos lavar juntos.
Do-Heon respondeu beijando de leve os lábios macios de Cheongyeon.
— Hã? Juntos?
Sem conseguir esconder o ar perturbado, Cheongyeon perguntou de volta.
Da última vez, durante o cio de Do-Heon, eles até tinham se lavado juntos, mas naquela época os dois estavam fora de si. Tomar banho junto num estado perfeitamente lúcido, como agora… será que dava?
Ainda por cima, mesmo quando eram casados, o banho era sempre feito em separado, cada um no seu quarto, então dizer “vamos nos lavar juntos” foi bastante chocante para Cheongyeon.
— Ah, espera!
Antes que ele tomasse uma decisão, Do-Heon ergueu Cheongyeon no colo à revelia. Ele agitou os braços pedindo para ser solto, mas Do-Heon o levou até o banheiro do jeito que quis. Só depois de entrar no boxe é que o pôs no chão.
— Haa, hup…
Ele ia dizer se não dava para simplesmente se lavarem em separado, mas Do-Heon despejou beijos de novo como quem o pressionava. Por um instante seu corpo foi empurrado para trás e sua cabeça bateu com força na parede.
— Ngh!
Assustado, Cheongyeon arregalou os olhos. Mas logo, percebendo que Do-Heon envolvia sua cabeça com a mão, se tranquilizou e agarrou a gola dele.
A esta altura, para dizer para se lavarem em separado, aquilo dele que tocava sua parte de baixo revelava sua presença de forma explícita demais. Cada vez que a calça saliente de Do-Heon roçava a região do baixo-ventre de Cheongyeon, um calor ardente se transmitia cruamente.
— O banho, primeiro… a gente combinou. Se eu escorregar…!
Cheongyeon repreendia Do-Heon, que insistia em se lançar sobre ele de um jeito que não o deixava se equilibrar.
— Eu te seguro.
Ele soltou uma resposta um tanto desinteressada e enlaçou a cintura de Cheongyeon com o braço. Com a outra mão, abria os botões da camisa e descia os lábios sem parar pela nuca.
Sem alternativa, Cheongyeon também começou a tirar a roupa de Do-Heon, que estava de pé diante dele. Quando afrouxou a gravata e abriu os botões do colete, dava para sentir com nitidez o peito de Do-Heon inchar e murchar com força.
— Fuu.
No instante em que ele soltou uma respiração pegajosa e mordeu a pele fina da nuca, o corpo de Cheongyeon estremeceu com força por reflexo.
— Ah, oo.
Ele achou que só tinha estremecido um pouco o ombro, mas talvez tivesse esbarrado no registro com o cotovelo, porque a água começou a jorrar do chuveiro.
Não levou mais que alguns segundos para os dois, ainda vestidos, ficarem encharcados.
Perturbado, Cheongyeon olhou alternadamente para o jato de água que despencava do teto e para Do-Heon.
— É que eu fiquei com medo de cair…
Com medo de por acaso pisar em falso e cair, ele se debateu e acabou naquele estado. Cheongyeon murmurou com uma voz sumida.
— Eu disse que ia te segurar, não disse?
Do-Heon, erguendo uma sobrancelha, acariciou o queixo de Cheongyeon. Ao contrário da voz de algum modo torta, o toque era suave.
— Desculpe.
— Não precisa.
Ainda que tivesse ficado encharcado de roupa por causa dele, Do-Heon, sem se importar, o beijou de novo. E começou a soltar o resto da roupa de Cheongyeon.
Bem, de qualquer forma a gente já ia se lavar junto.
Racionalizando que era algo que podia acontecer, Cheongyeon abriu o colete de Do-Heon. O tecido embebido de água estava mais pesado e rígido do que antes, mas, como Do-Heon virou o tronco, tirá-lo não foi difícil.
Os dois, sob o jato de água, foram se despindo enquanto tateavam desvairadamente o corpo um do outro.
Do-Heon, tendo aberto por completo os botões da camisa, logo mexeu na cintura de Cheongyeon. Depois de descer com destreza até a calça ao chão, ele naturalmente pousou a mão na roupa de baixo que Cheongyeon vestia.
— Isto você vestiu na gravação?
— Ngh. …Hã?
Cheongyeon, que não entendeu de imediato do que se tratava, por alguns segundos apenas soltou a respiração acelerada.
Do-Heon deu leves batidinhas na coxa, como quem pedia que ele conferisse, e, seguindo aquele gesto, a cabeça de Cheongyeon se voltou para baixo.
— Ah.
Ao conferir a própria parte de baixo, Cheongyeon se horrorizou e corou.
Porque uma cinta-liga que apertava as duas coxas prendia bem esticada a camisa branca de Cheongyeon.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna