↫─Capítulo 123
123
— Por que se desculpar, oppa? Você tem que dizer “obrigada” pra Hayul.
— Sim, o oppa agradece, mas o tio Do-Heon …
— Obrigado. Vou usar com carinho.
Ao contrário do que Cheongyeon temia, Do-Heon aceitou o presente de Hayul como se nada fosse.
— Tio, você não gosta disto?
— Não. Gostei muito.
Embora fosse uma voz dura que não gostava nem um pouco, Hayul, sem preconceito, parecia se satisfazer o bastante mesmo com aquela resposta sem emoção.
— Por que você olha assim?
Como Cheongyeon não conseguia tirar os olhos, Do-Heon perguntou com ar de estranheza, reajustando a tiara que tinha escorregado um pouco. Graças a isso, as orelhinhas de gato ficaram bem em pé.
Por que eu olho assim. Ora, porque parece um puta louco…
— Por nada.
Cheongyeon, sem conseguir falar a verdade, enrolou a resposta. Ele parecia dez vezes mais esquisito do que quando, da última vez no jardim de flores, tinha colocado uma flor na orelha e perguntado se combinava.
Como era uma imagem que ele não veria nem em sonho, ele não achava onde pousar os olhos.
—Hayul, você está aqui?
Naquele instante, do lado de fora da porta, ouviu-se uma voz procurando por Hayul. Cheongyeon, por reflexo, segurou a maçaneta e disse a Do-Heon :
— Diretor, eu vou levar a criança e já volto. Espere um instante.
Também dessa vez, quando se ouviu o som dos guarda-costas à frente barrando a passagem, Cheongyeon abriu logo a porta e saiu.
— Mamãe! A Hayul está aqui!
— Nossa, ator. Enquanto eu saí um instante para comprar um lanche, essa aí acabou indo para o quarto do senhor… Desculpe.
A mulher que rondava o corredor avistou Cheongyeon e Hayul saindo do camarim e soltou um suspiro de alívio.
— Que é isso. Se ela ficou entediada de brincar sozinha, é natural. Né, Hayul?
— Sim. Fiquei entediada de brincar sozinha.
— Você não aguentou aqueles cinco minutinhos. Vem cá, o ator precisa ir embora agora.
Hayul saiu do colo de Cheongyeon e se aninhou docilmente no colo da mãe. E, acenando para Cheongyeon, disse “tchau, tchau”, cumprimentando com alegria.
— Até mais, Hayul. Vamos nos ver de novo.
Depois de se despedir às pressas diante da porta, Cheongyeon voltou ao camarim.
Nesse meio-tempo, talvez a empresa tivesse entrado em contato, porque Do-Heon estava sentado no sofá atendendo o telefone.
— Sobre aquele material, ouvi dizer que está na fase de consultoria antes de ser encaminhado ao Departamento de Comércio dos EUA. O briefing sobre a foundry eu ouço na reunião da diretoria.
— …
Será que é caso de ficar tão sério assim usando uma tiara de gato? E não é como se ele não soubesse com que cara estava, já que tem um espelho bem à frente.
Ao confirmar que Cheongyeon entrava, Do-Heon encerrou a ligação depressa. E, tirando a tiara e a pousando sobre a mesa, se dirigiu à porta. Era divertido de assistir, então, de algum jeito, ficou a pena.
Cheongyeon também tirou a que estava usando e a empilhou certinho bem em cima das orelhinhas de gato que Do-Heon tinha deixado. Pensando que depois pediria a um membro da equipe para devolvê-las a Hayul.
— Vou partir para o hotel, então, quando estiver pronto, saia.
Num instante, ele já tinha entregado a bolsa pessoal que Cheongyeon sempre carregava ao guarda-costas que estava do lado de fora da porta.
Aquilo eu posso muito bem carregar eu mesmo. Do-Heon, desde antigamente, não suportava ver Cheongyeon carregando sozinho nem uma bagagem que fosse.
Como era cansativo ficar apontando cada coisa e ele já estava acostumado, Cheongyeon seguiu Do-Heon docilmente para fora.
Na direção oposta ainda ressoavam os passos dos membros da equipe circulando, mas o corredor por onde ele andava com Do-Heon estava deserto e silencioso.
Cheongyeon, olhando as costas de Do-Heon , lembrou-se do que Kim Jihan tinha dito.
“Você sabe. Cara rico, quando não consegue ter uma coisa, surta ainda mais.”
“O interesse das pessoas esfria rápido, é assim mesmo. Ele está desse jeito porque você está bancando o difícil pra caralho e isso o irrita, mas isso também dura pouco.”
Para uma análise de Kim Jihan, que vivia com vários parafusos a menos, era uma fala com bastante lógica.
Sinceramente, mesmo para ele, não fazia sentido que o Moon Do-Heon mantivesse esse nível de interesse e obsessão a vida toda. Se fosse esse o caso, ele teria agido como agora desde quando se casaram.
Não seria uma obsessão vinda de um sentimento de compensação por ter sido rejeitado primeiro? Como um afloramento do inconsciente.
E não era para menos, já que Do-Heon era alfa dominante e, mesmo naquela famosa família JT, o ser com mais poder depois do presidente Moon. Talvez o orgulho de Do-Heon não aceitasse a realidade de ter sido dispensado por um ômega recessivo sem nada como ele.
Claro, ele não pretendia negar até tudo o que ele o considerara. Mas Cheongyeon achava que aquilo se aproximava, no máximo, de um comportamento vindo do hábito. Afinal, com Cheongyeon era a mesma coisa.
Ele também ainda não ficava à vontade diante dele e perdia a compostura com facilidade em coisas relacionadas a ele. Às vezes chegava, sem cabimento, a se preocupar com ele. Feito hábito.
Isso deve ser inevitável, já que dividiram a pele por nada menos que três anos. No fim das contas, era um sentimento que não duraria muito.
Quando ambos aceitassem por completo que estavam divorciados e eram estranhos, tanto os resíduos daquele sentimento turvo quanto aquela relação ridícula logo se resolveriam.
Da sua posição, não restava senão esperar até lá.
*
Assim que entrou no quarto de hotel, Cheongyeon, sem demora, começou a tirar a roupa. Antes de mergulhar em reflexões mais profundas, queria logo se deitar com ele e acabar com aquilo.
— Por que você está tirando a roupa?
Do-Heon estacou ao avistar Cheongyeon abrindo os próprios botões.
— A gente não veio para transar?
— Eu ia falar sobre a herança dos bens.
— Ah.
Era isso? Podia ter me avisado antes.
Cheongyeon, sem jeito, agarrou com a mão que abria os botões a frente da roupa que se abrira.
— Mas por que a gente veio para um quarto de hotel? É óbvio que eu ia achar que era pra fazer aquilo.
E o objetivo de se encontrarem toda sexta não era sexo, afinal?
— Porque o quarto de hotel é onde a chance de o teor da conversa vazar para fora é a mais baixa. Falar sobre herança, não custa ter cautela.
— Faz sentido.
Cheongyeon concordou e assentiu. Do-Heon abriu a boca com o olhar fixo no peito de Cheongyeon, cuja pele clara ficara à mostra com os botões abertos.
— Eu pesquisei sobre herança para terceiros e, ao que parece, é perfeitamente possível.
— Hã? É? Mesmo não sendo família?
Cheongyeon, com ar de surpresa, se sentou no enorme sofá da sala do hotel e inclinou a cabeça.
— Se um testamento for feito com antecedência, é possível mesmo sem ser descendente direto.
— Então… o que a gente faz agora?
Cheongyeon piscou os olhos grandes e olhou para Do-Heon .
— Quando a vovó falecer, você tem que receber de bom grado.
— Você está dizendo para eu receber isso de verdade?
Como era uma conclusão que ele não previa, Cheongyeon passou a mão pelo cabelo com o rosto perturbado.
— Existe caso de receber de mentira?
— Não… A esta altura, a gente nem é mais família.
Ele até tinha feito bravata dizendo que ia receber de todo jeito, mas aquilo não passava de uma fala solta para irritar o pessoal da família.
Cheongyeon nunca, nem uma vez, tinha pensado que fosse mesmo receber aquele dinheiro.
— A vovó disse que ia passar para você, então é seu.
— Não, mas ainda assim… A vovó deve ter dado achando que eu e você ainda somos legalmente casados. Assim eu estaria enganando a vovó.
— A vovó disse que ia dar porque você é o Yoo Cheongyeon, não porque você é o cônjuge legal do Moon Do-Heon . Isso você deve saber, não?
— …
Era uma verdade tão certeira que ele não teve o que responder.
Mas, ainda assim, ele não conseguia afastar o pensamento de que aceitar de bom grado e prontamente era excessivo para o seu tamanho.
— Se detesta tanto, vá até a Moon Heejin, diga que não vai receber e abra mão da herança.
— Isso eu não quero.
Por que eu preciso justamente ir até a Moon Heejin dizer isso? Cheongyeon fez bico e resmungou.
Sabendo que era o seu gatilho e ainda assim soltando aquilo sem cerimônia, Do-Heon era irritante.
— Ou também há o método de contar a verdade à vovó depois.
— Será que pode? Se ela levar um choque num estado em que ainda não recuperou toda a saúde…
— Para ela não levar, é preciso escolher bem o momento. Isso não me parece uma questão que dê para decidir agora.
— …
De fato, contar tudo às claras parece ser o melhor método. Só que, como Do-Heon dizia, ele teria que adiar um pouco a escolha.
A vovó tinha dito que logo precisaria voltar para os Estados Unidos, então quando surgiria de novo uma oportunidade de contar…
— E, sobre a publicidade da loja de departamentos.
Antes que Cheongyeon conseguisse se situar direito, Do-Heon trouxe um novo assunto.
— …
Mas, como a fala seguinte não vinha por um bom tempo, Cheongyeon ergueu a cabeça, intrigado.
— O que tem a publicidade da loja de departamentos? Não vai dar?
— Não, antes disso. Yoo Cheongyeon.
— …Sim?
Quando Do-Heon, do nada, baixou a voz e o chamou pelo nome, os olhos de Cheongyeon se arregalaram.
— Você não pode vestir a roupa direito?
— Ah.
— A pele está toda à mostra.
Do-Heon apontou a frente da roupa que Cheongyeon abriu ao entrar no quarto e franziu a testa.
— De qualquer forma, só tem eu e você aqui, quem é que vai ver…
Cheongyeon, com o rosto amuado, fechou os botões da camisa.
— O problema é o que aparece aos meus olhos.
— …
Diante daquilo, Cheongyeon, com uma expressão atônita, olhou alternadamente para a frente da própria roupa e para Do-Heon .
E olha que ele nem tinha tirado a calça, agir assim só por ver um pouco do peito também não é fácil.
— Diretor… às vezes eu acho que você tem uma personalidade bem peculiar.
— Não posso negar.
Cheongyeon, que tinha fechado todos os botões até o alto do pescoço, fitou Do-Heon. Ele achou que ele tinha ficado abalado por ter dito para fechar os botões, mas Do-Heon estava sentado com aquele rosto de sempre, sem deixar transparecer emoção, e continuou:
— A publicidade da Loja de Departamentos Hwamyeong, vamos fazer quando começar a exibição do drama que você está gravando agora. Assim é melhor de fazer marketing, tanto do ator quanto do produto.
— Sério? Sinceramente, por mim, contanto que você faça, a qualquer hora tanto faz.
Cheongyeon aceitou de imediato, radiante. Como lhe veio à mente a Moon Heejin, que ficaria indignada ao ouvir a notícia, os cantos da sua boca subiram ao máximo.
— Por que está rindo?
Como Cheongyeon dava risadinhas sem parar, Do-Heon, que ia continuar a explicar, ergueu o queixo como quem perguntava o que era.
— Nada, é que, pensando na cara de nojo que a Moon Heejin e o Park Jonguk vão fazer, fiquei um pouco satisfeito…
Ah. Esse tipo de coisa foi sincero demais. Ter declarado que não precisava de vingança e a sua reação de agora com certeza não batiam.
Ele vai achar estranho, né? Quando Cheongyeon, um tanto tenso, mediu a reação de Do-Heon, logo um sorriso tênue, parecido com o dele, surgiu também nos lábios dele.
Ah, ele está sorrindo.
Cheongyeon engoliu por dentro um suspiro de alívio.
— Então vou ter que deixar a publicidade pendurada o ano inteiro.
E, então, saiu da boca de Do-Heon uma fala que era difícil distinguir se era brincadeira ou sério.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna