↫─Capítulo 122
122
Mesmo dando os passos com docilidade, Cheongyeon fazia a cabeça girar, intrigado com o motivo de Do-Heon ter vindo até ali.
Sem tempo de achar a resposta, assim que pôs os pés dentro, a porta se fechou logo atrás dele. E, como Cheongyeon previra, ali estava Do-Heon .
— Até aqui… como você veio?
Talvez porque lhe voltasse à mente que, da última vez em que se viram, ele tinha chorado alto diante de Do-Heon e só despejado o que ele tinha a dizer, a visita repentina dele o deixou perturbado.
Do-Heon, sentado no sofá, balançou de leve o celular que tinha na mão.
— Por que você não atende o telefone.
— Você veio por causa disso?
O relógio mal passava das duas da tarde. Ainda que naquele dia fosse sexta-feira, ainda faltava um bom tempo para a hora combinada de encontrar Do-Heon .
Ele até tinha entrado em contato havia um tempo, mas, por causa do editorial, ele estivera sem folga desde a manhã, e como estivera com a atenção tomada por Hayul, que não parava de aparecer no camarim a cada intervalo, não teve brecha para responder.
E ele também tinha achado que, como já iam se encontrar à noite, não haveria problema em não entrar em contato.
— Aconteceu alguma coisa?
— Não.
— Você chegou de repente, sem avisar, e me assustou.
Por um instante ele ficou tenso, achando que tinha acontecido algo relacionado a Moon Heejin ou à herança dos bens. Tranquilizado com a resposta de que não era nada, Cheongyeon passou a mão pelo peito e avaliou a expressão de Do-Heon .
— Eu não pude atender por causa da gravação. Você não ouviu do empresário ou de outra pessoa?
Mesmo sem que precisassem lhe dizer, ele não vinha acompanhando sua agenda esse tempo todo? Do-Heon também não devia desconhecer que ele tinha um editorial desde a manhã, então ele não entendia que ele aparecesse de repente sob o pretexto de não conseguir contato.
— Ouvi.
— Então por quê…
— Pois é. Por que será que eu fiz questão de vir.
Do-Heon murmurou baixinho, como quem perguntava a si mesmo. E, ao fim de um breve silêncio de alguns segundos, abriu a boca de novo.
— Eu também não sei. Recebi o relatório de que você estava bem, mas ficava me vindo o pensamento de que eu tinha que verificar pessoalmente.
— …
— Esse tempo todo, eu achava, conforme os relatórios, que você estava bem, mas você acabou dizendo que não estava.
Ele achou que ele tinha vindo pessoalmente com medo de que ele fugisse nesse meio-tempo ou simplesmente ignorasse o contrato e não aparecesse. Como era uma resposta inesperada, Cheongyeon ficou por um instante sem palavras.
— Bom, ou seja, você veio porque ficou curioso para saber se eu estava bem.
— Isso. Fiquei curioso.
Do-Heon repetiu exatamente as palavras de Cheongyeon, como alguém que tinha acabado de achar a resposta para o próprio comportamento.
— E ainda restam coisas que eu quero perguntar.
— O que você quer saber?
— Da última vez você disse. Que não era a primeira vez que a Moon Heejin era grosseira com você.
Ah, era daquele assunto mesmo. Cheongyeon assentiu, baixando o olhar com ar de cansaço.
— Se é assim, isso quer dizer que o Moon Taejin também te atormentava? Se atormentava, como. Igual à Moon Heejin e ao Park Jonguk?
— Diretor. Que importância isso tem para você ficar cavando? O que você pretende fazer…
— Não posso deixar barato.
Do-Heon respondeu com firmeza. Era uma voz presa à emoção, a ponto de ser difícil acreditar que tinha saído da boca dele.
Cheongyeon olhou para ele, sentado no sofá, com olhos um tanto surpresos.
— …É coisa de muito tempo atrás. E eu não quero uma vingança tardia. A esta altura, que serventido isso teria. Naquela época, naquele momento, eu só queria que você ouvisse o que eu dizia e acreditasse em mim.
— É por isso que eu estou tentando ouvir agora.
Do-Heon se levantou e deu um passo na direção de Cheongyeon.
— Você poderia ter me explicado com mais detalhes na época. Se eu não entendi o suficiente, você devia ter falado com o secretário Shim ou com outro acompanhante.
Parece que a ligação com Moon Heejin, que ele ouvira junto ao lado dele dias antes, fora bastante marcante para Do-Heon. A julgar pelo fato de ele ter vindo procurá-lo para falar disso.
— …
Vivendo, a gente vê de tudo. Aquele Moon Do-Heon, sem conseguir vencer a curiosidade, largando o trabalho da empresa e vindo até ali.
Mas, ao contrário de Do-Heon, Cheongyeon já tinha, à sua maneira, colocado um ponto final naqueles assuntos de muito tempo atrás. Desistira de desemaranhar as emoções emaranhadas daquela época e as deixara ali onde estavam.
Por isso mesmo, ele custava a se comover com Do-Heon, que se exaltava tardiamente com aquilo.
— Você não teve a intenção de descobrir por conta própria?
— Como eu ia?
Do-Heon perguntou de volta.
— Se ninguém fala, de que jeito eu ia saber?
— …Pois é. Isso também é verdade.
Ele era um homem ocupado e extraordinário demais para perceber uma rachadura numa relação humana orgânica e sutil.
Diante da pergunta de Do-Heon, de como ele iria saber se ninguém lhe contasse aquelas coisas insignificantes e sem importância, Cheongyeon sentiu na pele, mais uma vez, a distância entre ele e Do-Heon.
— Que você é muito mais indiferente do que uma pessoa comum, isso agora eu também sei.
Cheongyeon murmurou com um sorriso tênue. Foram nada menos que três anos passados sofrendo sozinho por dentro, sem conseguir admitir aquilo e sem conseguir abandonar as expectativas.
Ao contrário dele, que, na medida em que amava Do-Heon, queria saber sobre ele, entendê-lo e fazer qualquer coisa junto com ele, Do-Heon era uma pessoa que não dava acesso ao seu lado.
Ele não sabia por que precisava conversar mais do que o necessário, nem entendia o motivo de ter que dispensar a alguém mais atenção do que o necessário.
— Mas… e daí que seja assim?
Cheongyeon rebateu colocando força na voz.
— Se a pessoa com quem se vive está bem, qual é o hobby dela, se ela se enturma bem com as pessoas ao redor, do que ela gosta e o que ela faz por prazer. Mesmo que o outro não fale, não dá curiosidade?
Ao menos daquela vez, sem uma pontinha de choro, com a voz seca, Cheongyeon continuou:
— Você até teria a intenção de cuidar de mim como um cão de estimação… mas não tinha a intenção de zelar por mim e me considerar. Saber, a esta altura, o que a Moon Heejin e o Moon Taejin fizeram não muda nada. Como eu venho dizendo, o meu antigo eu só precisava da sua atenção. E dizer de repente que vai se vingar depois de virarmos estranhos também é algo estranho do meu ponto de vista…
—Não pode entrar.
Enquanto Cheongyeon explicava com calma, de repente, do lado de fora silencioso, começou a se ouvir um barulho. Cheongyeon parou naturalmente de falar e seu olhar se voltou para a porta do camarim.
—No momento a entrada não é permitida.
—…Hã?
Diante da voz de uma criança perguntando de volta de um jeito meio abobado, Cheongyeon percebeu que Hayul tinha vindo até a porta do camarim.
—Não é possível entrar.
—Eu… eu vim ver o Cheongyeon oppa. Este é o camarim do tio?
— …
— …
Sem se intimidar com a atitude profissional dos guarda-costas, Hayul disse com toda a firmeza o que queria dizer. Diante da voz atrevida da criança, Cheongyeon por um instante esqueceu até o que estava dizendo.
—O Cheongyeon oppa disse que a Hayul pode vir a qualquer hora.
— Aliás. Deixando isso de lado, por que você veio de um jeito tão chamativo?
Cheongyeon de repente virou a cabeça para Do-Heon e o repreendeu. Mesmo sem ele fazer tudo aquilo, ele pretendia ir na hora certa naquele dia ao hotel que ele determinara.
Nem que fosse pela questão dos bens recebidos da vovó, eles teriam que se encontrar de qualquer forma.
— Eu não vim de um jeito chamativo.
— Por sua causa, agora só vai sair fofoca estranha.
Cheongyeon, sem conseguir só assistir aos guarda-costas expulsarem Hayul, que tinha vindo vê-lo, abriu a porta ele mesmo.
A Do-Heon ele disse com o movimento dos lábios: “A gente termina de conversar depois.”
— A Hayul chegou?
— Sim! Eu vim brincar com o oppa!
Assim que avistou Cheongyeon, Hayul atravessou por entre os guarda-costas e entrou correndo no camarim.
— A sua mãe foi aonde?
— A mamãe foi comprar biscoito.
— Então você tem que ficar quietinha sentada no camarim. Se ficar circulando assim, como é que fica?
— Sim, é que eu estava entediada e queria muito brincar com o oppa, por isso eu vim.
Hayul, aninhada em Cheongyeon e tagarelando, avistou Do-Heon com um compasso de atraso e piscou.
— Mas esse tio quem é?
— …
Tio. Cheongyeon, de forma incoerente com a situação, fez muita força nos lábios para conter o riso que por um instante quase escapou.
É verdade. Trinta e dois anos, para essa criancinha, é tio mesmo.
— Este é o tio Do-Heon. Fala “olá”.
Cheongyeon, segurando a mãozinha de Hayul, pequena feito um seixo, que ele erguera de uma vez no colo, a balançou de leve na direção de Do-Heon. Só depois de soltar aquilo lhe veio a preocupação se estava tudo bem revelar o nome de Do-Heon assim.
Do-Heon não parecia gostar de uma criança desconhecida ter se metido de repente no meio da conversa, mas justamente o fato de Cheongyeon ter revelado seu nome parecia não incomodá-lo.
— Olá.
Hayul fez uma reverência e cumprimentou Do-Heon. E logo estendeu a mão para Cheongyeon, mostrando o que tinha trazido.
— Oppa, a Hayul tem tiara.
— Ah, é? Deixa eu ver.
— Aqui! Eu trouxe porque quero dar pro oppa.
Hayul estendeu a Cheongyeon duas tiaras infantis que segurava com firmeza na mão. A julgar por nunca as ter visto no set, deviam ser pertences pessoais dela.
— Uau, é pra mim?
— Sim. Pega!
— A Hayul coloca no oppa.
— Sim!
Quando Cheongyeon inclinou a cabeça, Hayul mexeu a mãozinha desajeitada e colocou a tiara em Cheongyeon. Era pequena para um adulto usar e apertava um pouco, mas não a ponto de ser um incômodo insuportável.
— E aí?
— Fofo!
Quando Cheongyeon, com a tiara de orelhinhas de cachorro, inclinou a cabeça e perguntou, Hayul franziu os dois olhos e abriu um sorriso.
Você é mais fofa, Hayul.
Contendo a vontade de beliscar a bochecha dela, Cheongyeon respondeu que obrigado. E, de esguelha, virou o olhar e avaliou a expressão de Do-Heon .
Agora eu acho que preciso mandar a Hayul de volta com jeitinho…
Incomodado com Do-Heon , que estava de pé, com as costas encostadas na parede, fitando-o de um jeito constrangedor, ele ficou aflito.
— Isso aqui a Hayul coloca no tio Do-Heon também.
Enquanto Cheongyeon pensava em que desculpa usaria para enfim tirar Hayul dali, Hayul esticou o bracinho curto na direção onde Do-Heon estava.
Ao avistar a tiara de orelhinhas de gato pendurada na mãozinha dela, Cheongyeon se horrorizou e congelou.
— O, o tio Do-Heon …
Do-Heon , para quem quer que olhasse, não era uma pessoa que usasse um brinquedo tosco daqueles. Mas, aos olhos sem preconceito de Hayul, ele também parecia um ser que precisava de tiara, porque ela estendeu a mão sem hesitar a Do-Heon, que estava de pé, sem expressão.
— Rápido. Hã?
Diante do choramingo, Cheongyeon, sem querer, inclinou o corpo da criança que segurava no colo na direção onde Do-Heon estava.
Nunca imaginei uma situação dessas, então estou perturbado. Não me diga que ele vai ficar bravo.
Cheongyeon, sem saber que reação ele teria, revirou os olhos aflito.
Ele achava que ele se esquivaria com ar de aborrecimento, com aquele rosto sem sangue nem lágrimas característico, mas, para sua surpresa, Do-Heon inclinou de leve a cabeça para que Hayul pudesse colocar a tiara.
— …
Graças a isso, o cabelo que estava impecavelmente ajeitado, sem um fio fora do lugar a ponto de ser quase obsessivo, se desmanchou, e, ao mesmo tempo, orelhinhas de gato surgiram em Do-Heon .
E-estou ferrado.
Esse pensamento cruzou sua mente feito um alerta de emergência.
— Desculpe.
Cheongyeon, sem perceber, se desculpou com Do-Heon mais rápido do que qualquer um.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna