↫─Capítulo 201
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O que ele disse com tanta ousadia da última vez, sobre estampar seu ensaio na loja Hwamyeong, finalmente deu frutos. Ele passou por muita coisa atuando esse tempo todo, mas nunca sentiu sua posição de forma tão concreta quanto naquele instante.
— E-espera. Vai mais devagar. Deixa eu tirar foto.
Cheongyeon tirou o celular às pressas e registrou com afinco na câmera aquela cena emocionante que via pela janela.
— Assim?
— Mais devagar. Ai, tremeu. E agora!
— Damos mais uma volta?
O carro logo passou pela parede com o anúncio. Como não dava para estacionar no meio da via, não havia jeito.
Cheongyeon entrou no álbum e conferiu as fotos que tirava. Como o prédio era enorme e o carro estava em movimento, não foi fácil enquadrar direito. Ainda assim, felizmente, algumas ficaram razoáveis.
— Acho que salvei uma ou duas. Hehe.
— Que bom.
— Não precisa dar mais uma volta.
— Entramos na loja?
— Sim.
Cheongyeon assentiu com um sorriso aberto. Estava feliz de um jeito indescritível.
Originalmente eles iam comprar roupas para o Rechonchudinho, mas, com fome por causa do cheiro de comida vindo do setor de alimentos do subsolo, Cheongyeon insistiu em fazer compras e o plano mudou.
Ultimamente Do-Heon vinha experimentando incontáveis momentos em que todos os planos que traçava se tornavam inúteis diante de Cheongyeon. E toda vez concluía que o melhor era aceitar com humildade.
Com boné e máscara, Cheongyeon começou a percorrer animado os corredores com os alimentos expostos. Era mais espaçoso e organizado que um supermercado comum, então era fácil circular.
Ali Cheongyeon descobriu uma coisa: Do-Heon, inesperadamente, não sabia fazer compras.
— Isto não é demais para duas pessoas?
Cheongyeon encarou desconcertado Do-Heon, que ia colocar no carrinho um kit gigante de três quilos de carne bovina para churrasco.
— São três.
Ele disse apontando com os olhos a barriga de Cheongyeon.
— Ele… ainda não tem boca. E, mesmo sendo três, é demais. Isto dá para quinze pessoas.
E não parou por aí: no setor de frutos do mar, Do-Heon apanhava sem o menor medo peixes que não estavam limpos.
— Do-Heon-ssi, você sabe limpar isto?
— Nunca fiz.
É claro que não. Diante daquela resposta confiante, era de dar risada.
— Basta pedir para a senhora.
— Ela já foi embora…
— …Se você quiser comer, eu tento limpar.
Veio uma resposta estranhamente solene, nada típica dele.
— Ah! Senhor, não se preocupe com isso. Peixe, pagando a taxa adicional, a gente limpa aqui, seja qual for.
Nisso, um funcionário do setor de frutos do mar que ouvia a conversa dos dois se aproximou com simpatia.
— Então dá para comprar. Mas mesmo assim isso é demais. Acho melhor comprar aquele menor ali.
— Se for para dois, é melhor levar o menor mesmo.
Depois de algumas tentativas barradas por Cheongyeon, Do-Heon passou o resto das compras seguindo Cheongyeon. E, quando ia comprar algo, sempre passava pelo procedimento de pedir a opinião dele.
— Este é um suplemento para gestantes ômegas. Não é melhor comprar?
Cada vez que Do-Heon perguntava antes de colocar no carrinho, ele o achava fofo, porque parecia estar meio dependente dele.
— A gente recebeu prescrição no hospital da outra vez. Comprando isso também acho que vai ser demais.
Diante da fala de Cheongyeon, Do-Heon assentiu e devolveu imediatamente o suplemento à prateleira.
Depois de fazer as compras juntos, Do-Heon e Cheongyeon voltaram para casa sem se atrasar muito.
Havia uma geladeira cheia de acompanhamentos preparados pela empregada, mas Cheongyeon decidiu experimentar cozinhar junto com Do-Heon. Era um dos itens de sua lista de desejos antes do divórcio.
Assim como as compras, esse processo também não foi tranquilo. Cheongyeon era desajeitado na cozinha, e Do-Heon estava além do desajeitado, quase no nível de não saber nada.
Ele lavou os ingredientes com calma, conforme Cheongyeon mandava, e segurou a faca desajeitadamente cortando os legumes tortos. Como os dois eram lentos, levou um bom tempo até a comida ficar pronta.
Mas descobrir uma a uma as coisas em que Do-Heon também era desajeitado era uma grande alegria e satisfação. Cada instante foi divertido a ponto de ele se perguntar se seu gosto não estava meio torto. A ponto de nem perceber o tempo passar.
Comparado ao habitual, era um cardápio modesto, mas o sabor ficou melhor que o esperado. Cheongyeon raspou os pratos como quem lava a louça.
Do-Heon tirou alguns dias de folga e Cheongyeon adiou compromissos, então os dois passaram pela primeira vez alguns dias inteiramente sozinhos.
Não tiveram empregada arrumando a casa nem chamaram motorista. Quando precisavam de algo, iam eles mesmos, limpavam, faziam compras, cozinhavam, jogavam o lixo fora e, às vezes, dirigiam.
Cheongyeon não achava esses processos triviais nem um pouco chatos. Tudo o que fazia a sós com Do-Heon era divertido.
E assim aqueles dias de sonho passaram rápido, e a agenda que não podia mais ser adiada chegou logo.
— Do-Heon-ssi. Amanhã eu tenho compromisso. Prova de figurino e gravação de entrevista.
Cheongyeon, meio deitado no sofá da sala decorando o roteiro, disse como quem lembra de repente.
Diante da ideia de deixar para trás o breve descanso e voltar ao cotidiano para resolver o que fora adiado, sua voz estava mais grave que o tom habitual.
Diante disso, Do-Heon desviou os olhos do tablet com a pasta de documentos aberta e virou a cabeça na direção de Cheongyeon.
— Demora muito?
— A prova demora um pouco. Mas, Do-Heon-ssi, quando você volta a trabalhar? Faltando assim a empresa não vai à falência?
Como quem ouviu algo divertido, Do-Heon ergueu um canto da boca.
— Prova de figurino? Não dá para fazer isso depois?
— A chefe Kwon Hyena disse que não dá mais para adiar.
— Hum… Eu não queria que você se esforçasse demais.
— Não é um trabalho tão pesado assim.
Na verdade, prova de figurino não era tarefa fácil, mas, com medo de que, se confessasse, ele mandasse largar tudo e ficar em casa, ele mentiu sem perceber.
— Amanhã você vai ficar ocupado. Então vamos dormir.
Do-Heon disse tomando o roteiro das mãos de Cheongyeon.
— Se a gente dormir, você vai sumir de madrugada de novo.
— …….
Cheongyeon resmungou, apontando que Do-Heon desaparecia toda noite.
Fazia dias que dormiam na mesma cama, mas, quando ele acordava de madrugada, Do-Heon nunca estava ao seu lado. Ele já o encontrara várias vezes trabalhando no escritório ou dormindo no sofá da sala ao sair para procurá-lo.
Do-Heon dobrou a página do roteiro que Cheongyeon lia para marcar, pousou-o e ergueu Cheongyeon nos braços.
— Então você ficou magoado?
O que realmente o magoava era essa atitude. Ele queria ouvir que dali em diante ele não iria a lugar nenhum e ficaria ao seu lado a noite toda, mas Do-Heon só dava respostas ambíguas.
Com Cheongyeon nos braços, Do-Heon subiu ao quarto no segundo andar. E o deitou com cuidado na cama, para não causar impacto em seu corpo.
— Odioso.
Cheongyeon beliscou o braço de Do-Heon à toa.
— Na verdade, acho que agora mesmo eu preciso ir ao escritório.
— Por quê? Mesmo sem ir trabalhar você tem tanto serviço assim?
Cheongyeon agarrou seu braço para impedi-lo de sair. E então enfim a parte de baixo saliente de Do-Heon entrou em seu campo de visão.
Desconcertado num instante, Cheongyeon congelou como uma tela em pausa.
— …Não. A gente não fez nada… por que ficou assim?
— É uma pergunta difícil de responder. Porque nem eu sei.
Do-Heon deu de ombros. Só então ele entendeu mais ou menos por que ele se ausentava todas as noites.
— Ainda assim não vai para o escritório.
— Isso é tortura.
Do-Heon murmurou baixo.
— Ah, então… quer que eu faça ao menos com a boca?
Depois de uma breve reflexão, Cheongyeon perguntou olhando para ele.
— Não pode. O médico disse que é melhor não tentar nada até ele dizer que está tudo bem.
Ele balançou a cabeça com firmeza, como quem não tem a menor intenção de contrariar o parecer médico.
— Espera aqui. Vou trazer um chá.
Esfregando o rosto e expelindo uma respiração quente, ele desceu como quem foge.
Sinceramente, ele achou que ele não voltaria mais, mas pouco depois ele realmente trouxe um chá quente numa caneca.
Sabe-se lá como ele resolveu, mas nesse meio-tempo a parte de baixo, que se manifestava com tanta força, também se comportou. O feromônio intenso de Do-Heon se espalhou por todo o quarto e o clima ficou sensual.
Cheongyeon limpou a garganta e tomou um gole de chá. Pensando bem, ultimamente, morando naquela casa, já fazia vários dias que ele não ia à casa onde morava. Precisava ao menos passar lá uma vez para organizar ou dar destino às coisas…
— Que bom.
Enquanto ele estava mergulhado nesses pensamentos, Do-Heon falou primeiro.
— O que é bom.
— Ficar com você o dia inteiro sem me separar de você.
Sentado na beirada da cama, ele disse algo tão óbvio. Um sorriso se espalhou pela boca de Cheongyeon.
— É natural que seja bom estar a sós com quem se gosta.
— Eu não sabia.
— Como não sabia? Bobo.
— …Me ensina mais. Daqui em diante, ao meu lado.
Do-Heon se inclinou na direção de Cheongyeon e enterrou o rosto em sua nuca. Ele inspirou fundo e engoliu o cheiro de Cheongyeon.
Cheongyeon, que hesitava, pousou a caneca na mesinha de cabeceira e colocou a mão nas costas de Do-Heon. E engoliu em seco para conter a tensão.
— Do-Heon-ssi. Posso perguntar uma coisa?
— O quê.
— Escuta. Eu… depois que o bebê nascer… eu não posso continuar atuando?
Assim que ele terminou de falar, Do-Heon ergueu a cabeça e o encarou como quem pergunta do que se trata.
— C-claro que voltar de imediato seria difícil. Mas gravando só esta série… e descansando cerca de um ano. Não. Será que preciso de dois anos?
Sem conseguir ler o olhar de Do-Heon, que o encarava fixamente, as palavras de Cheongyeon foram se embolando.
Sinceramente, até um mês antes ele não imaginava que faria um pedido desses, mas, uma vez grávido, seus pensamentos mudaram.
Se tivesse um filho, alguém teria de criá-lo, e ele naturalmente passou a se perguntar se era certo continuar com uma carreira de agenda irregular como a atuação. Ele também temia que Do-Heon, a certa altura, o comunicasse de que já bastava e ele deveria largar.
— Criar uma criança é muito difícil? Então… eu poderia trabalhar só de vez em quando…
— Isso é você quem decide. Se quiser, continue atuando.
— S-sério?
Diante da resposta inesperada, os olhos de Cheongyeon se arregalaram. Como se achasse aquela reação absurda, Do-Heon franziu o cenho.
— Você achou que eu diria para largar?
— Sim.
Cheongyeon assentiu sem hesitar.
Pensando com base no Do-Heon de antes do divórcio, é claro que ele mandaria largar o trabalho depois do parto.
— Eu sei o quanto você leva a atuação a sério. Então volte quando quiser. Claro que, se quiser, pode trabalhar até o parto. Só que sem forçar. Virar a noite ou gravar por tempo demais, é claro que não pode.
— …….
Ouvindo aquilo, Cheongyeon ficou feliz, mas, por outro lado, se perguntou se seria mesmo possível trabalhar sob princípios tão rígidos de Do-Heon.
O que Do-Heon dizia com tanta naturalidade eram, na verdade, condições quase impossíveis de cumprir no meio artístico. Gravar a noite toda era o normal, e, no trabalho, era comum ficar sem comer.
Mas, por ora, ele não tinha dito um não. Só o fato de não ter fechado por completo a possibilidade já era satisfatório naquele momento.
— Mas, quando o Rechonchudinho nascer, eu vou ter que ficar em casa mais ou menos um ano, né? Porque alguém precisa cuidar…
— Sei lá. Existe a opção de contratar uma babá e, se não der jeito, existe a opção de eu tirar licença-paternidade.
Do-Heon enfiou a mão por dentro da roupa de Cheongyeon e acariciou seu baixo-ventre. E deu beijos leves e sucessivos em seu ombro.
— Você tirando licença-paternidade?
Num instante as pupilas de Cheongyeon oscilaram.
— Empregados podem tirar até um ano.
— …É sério?
— Você está tão ansioso que eu estou dizendo que existe esse caminho também.
— Ah.
— E é claro que é sério. Só que tem uma condição.
Diante da palavra “condição”, surgida do nada, Cheongyeon o encarou com apreensão.
— Qual é?
Assim que Cheongyeon terminou a pergunta, Do-Heon se levantou como quem esperava por isso. Indo até a escrivaninha, ele voltou com um envelope de documentos que preparara com antecedência e o estendeu a Cheongyeon.
Que documento é esse? Outro contrato?
Estancando por causa das lembranças passadas, Cheongyeon hesitou alguns segundos e recebeu o envelope. Ao tirar o documento de dentro, viu as palavras “certidão de casamento”, com as quais não contava.
— Agora volte de verdade para casa. E sem quartos separados, vamos juntar os quartos.
Do-Heon dobrou os joelhos diante de Cheongyeon, sentado na cama, e uniu as mãos como quem as sobrepõe.
— E fique ao meu lado para sempre. Essa é a condição.
Cheongyeon olhou em silêncio para a certidão de casamento. Do-Heon já tinha preenchido todos os campos. Bastava ele preencher a parte dele e assinar.
Num instante, junto com a sensação de a tensão se soltar, um riso tênue e vazio escapou de sua boca.
Ao desviar o olhar da certidão, viu Do-Heon aguardando ansiosamente sua resposta.
— É uma condição fácil demais.
Quando Cheongyeon enlaçou os braços no pescoço de Do-Heon e se aninhou nele, um sorriso radiante enfim se desenhou na boca dele, que o abraçou de volta.
Os dois pensaram: enfim é como se tivéssemos voltado ao nosso lugar de origem.
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Fim da História Principal
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna