↫─Capítulo 202
Epílogo
— Encerramos a gravação por aqui hoje. O que sobrou, gravamos amanhã.
— Sim!
— Só peço que a equipe cuide da arrumação, tá?
Assim que deu cinco da tarde, o diretor declarou o encerramento das gravações, pontualmente.
Os membros da equipe, espalhados, começaram a desmontar o set e arrumar tudo de forma coordenada.
O interior do estúdio, onde até pouco antes as gravações estavam a todo vapor, mudou num instante para um clima de encerramento. Como quem vira a palma da mão.
— Ah, Cheongyeon, você também pode ir. A dicção e os cortes de hoje ficaram bons.
O diretor se aproximou de Cheongyeon, que estava diante da câmera, e lhe deu um tapinha nas costas.
— Obrigado.
Cheongyeon baixou a cabeça em cumprimento, conferiu as horas e entrou depressa no camarim.
Nesse mesmo horário, bem em frente ao prédio do estúdio, alguns membros homens da equipe estavam reunidos fumando.
— Ele é assalariado? Quem está por trás dele que ele vai embora pontualmente às cinco todo santo dia?
— Hoje em dia nem assalariado sai no horário assim. Todo mundo faz hora extra.
— Nem me fale. Dizem que o diretor e a produtora também se desdobram por ele.
Eles falavam mal de Cheongyeon, que, excepcionalmente, encerrava as gravações pontualmente às cinco e ia embora.
— O pessoal da direção disse que o set tem que estar todo em standby antes de o Yoo Cheongyeon chegar. E a agenda de gravação é toda antecipada para ele primeiro.
— Uau. Então ele chega, atua só o que precisa e sai? Que moleza.
— Mas por quê? Ele tem esse nível? Porra, eu não vejo isso, não. Ele só emplacou algumas obras por sorte e subiu por um instante, um instante. Aquilo ali é fogo de palha.
— Sei lá. Deve ter arrumado um bom patrocinador. Não sai uma linha de matéria sobre ele. Se você reparar, é impressionante, pqp.
— …Porra, e mesmo assim ninguém fala nada?
Tragando o cigarro, o membro da equipe cuspiu no chão.
— O salário da equipe dobrou, então não deve ter reclamação. O diretor também deve ter embolsado uma grana, porque deixa tudo passar.
— É verdade. Não sei se isso é real, mas o Song Heejun disse que esse patrocinador é…
— Com licença. Por que vocês ficam falando mal das pessoas pelas costas, que covardia?
Nisso, Min Hyerin surgiu de repente no meio do círculo dos membros da equipe. Os olhares dos que fofocavam à vontade se voltaram todos para Min Hyerin.
— O que é, quem é você. Que diferença faz se a gente fala mal de quem quer que seja.
— E vocês sofreram algum prejuízo por o ator e a equipe saírem no horário?
Min Hyerin cobrou o que acabara de ouvir.
— Que isso.
— Ei, ela é stylist do Yoo Cheongyeon.
O membro da equipe fez um X com os braços, sinalizando ao colega para parar.
— Ah… É? Nem é atriz e vem com essa. Você é quem?
Descobrindo que Min Hyerin era stylist de Cheongyeon, o membro da equipe soltou uma risada de escárnio.
— E aqui é área de não fumantes. Mesmo com a gravação encerrada, parem de fumar e de jogar bituca no chão.
— É isso. Que diferença faz para você?
— Faz, porque sou eu que limpo toda vez.
— Rá, rá. Quem mandou você limpar? Por que está arrumando confusão, hein?
O membro da equipe ergueu a mão na direção de Min Hyerin, fingindo que ia bater. Achando que o tapa viria mesmo, Min Hyerin estremeceu.
— Ha, olha só. Ficou com medo?
— Não fiquei.
— Gyuseong, deixa. Para com isso.
— Ai, se não fosse mulher já teria apanhado. Ah, sério!
— Aaah! Empresáááário!
Nisso, Min Hyerin, que estava de olhos arregalados, começou a gritar de repente.
Diante daqueles decibéis inesperados, os membros aglomerados se desconcertaram em grupo.
— O que foi, Hyerin! O que aconteceu?
O empresário, que estava dentro do prédio, ouviu o grito e veio correndo.
Min Hyerin se grudou no braço do empresário como quem nunca esteve ali de peito estufado.
— Empresário! Aquelas pessoas estavam fumando um cigarro atrás do outro em área de não fumantes, falando mal de todos, atores, diretor, roteirista, e, quando eu falei para não jogar bituca, disseram que, se eu não fosse mulher, teriam me batido…
Min Hyerin dedurou em rajada o que acabara de acontecer, como quem esperava por isso. Mas havia um leve exagero em cada frase.
— Ei, quando é que eu falei mal do diretor e da roteirista? Que menina engraçada. E o quê, colegas de trabalho não podem nem falar à vontade?
— É isso. Ficar escutando escondido é que é sinistro. Nem parece que aquele ator merece essa equipe…
Quando os membros riram de Min Hyerin, o empresário deu um sorriso ameno com os olhos e se adiantou.
— Ainda assim não se pode ameaçar as pessoas. Ainda mais três homens contra uma garota.
— Que diferença faz para você. E então, a gente bateu, fez o quê?
O mais alto entre os membros se adiantou e se aproximou do empresário de forma ameaçadora. Como o clima foi ficando pesado, a atenção das pessoas ao redor se concentrou.
— Espera, empresário! Por mais bravo que você fique, não pode bater nas pessoas. A gente combinou de viver com integridade depois de sair, não foi?
Min Hyerin agarrou com força o cardigã do empresário e o sacudiu, num gesto ambíguo de quem tenta apartar a briga, mas talvez não estivesse apartando de verdade.
Logo o cardigã, com os botões mal fechados, esvoaçou e escorregou pelos ombros, revelando cruamente as tatuagens assustadoras do empresário.
Ao ver aquilo, o membro da equipe se assustou e recuou sem perceber.
…Saiu? Ele esteve na cadeia?
Os membros da equipe trocaram olhares silenciosos e hesitaram.
— …Ei, vamos.
— É. Isso. Já terminamos o cigarro. Vamos entrar.
— Entre colegas de equipe, tomem mais cuidado da próxima vez.
O empresário advertiu as costas deles enquanto recuavam, hesitantes. Ao contrário da bravata de pouco antes, os membros assentiram docilmente e logo sumiram bem juntinhos uns dos outros.
Quando restaram só o empresário e Min Hyerin, ele suspirou.
— Hyerin. O que as pessoas vão pensar se você diz “depois de sair”? É porque você fica falando assim que todo mundo acha que eu saí da prisão. Da última vez o ator também…
— Eu quis dizer que você era das forças especiais e, depois de dar baixa, voltou à vida civil. E isso também é “sair”, não é?
Diante da resposta cara de pau de Min Hyerin, o empresário soltou um riso bonachão.
— Isso também é verdade, mas…
Na verdade, o próprio empresário também aproveitava bem aquela imagem de bandido sem futuro nem amanhã sempre que não queria bater de frente com alguém, então não tinha o que dizer a Min Hyerin.
— Hyerin, aconteceu alguma coisa? Não fica brigando por aí. Eu falei para ignorar quando aparecerem sujeitos estranhos.
Cheongyeon, que saíra tardiamente depois de se trocar, se aproximou olhando ao redor a frente do prédio, com aquele clima estranhamente agitado.
— Ah, dá raiva. Quem eles pensam que são para ficar falando bobagem sem saber de nada? Sem terem sofrido nenhum prejuízo!
— Ator. O senhor disse que tinha um lugar para ir hoje, né? Eu o levo imediatamente.
O empresário cortou a fala de Min Hyerin e tirou a chave do carro do bolso.
*
O lugar aonde chegaram foi a frente da casa da avó, na Coreia. A van dirigida pelo empresário partiu e, sozinho, Cheongyeon respirou fundo diante do portão.
Como fazia tempo que não visitava, não teve como não ficar tenso.
— O Cheongyeon chegou!
— Vovó. Quanto tempo.
Quando a porta se abriu, Cheongyeon cumprimentou animado e entrou. Na sala havia rostos familiares reunidos.
— …Chegou?
Entre eles, justamente com Moon Heejin seu olhar se encontrou de frente. Ela o cumprimentou friamente, olhando-o de lado com um olhar áspero.
Em seguida, Park Jongwook e Moon Taejin também acenaram com os olhos, sem entusiasmo.
— Sim, olá… Uk!
Quando ele ia cumprimentá-los, uma ânsia de vômito subiu de repente.
— Cheongyeon-a, você está bem?
Ultimamente os enjoos quase tinham sumido, então era estranho. Do-Heon, que já estava ali, também se assustou e saltou para amparar Cheongyeon.
— Ele… teve ânsia de vômito ao ver a nossa cara?
Moon Heejin apontou alternadamente para si e para Park Jongwook, incrédula. Diante disso, a avó franziu o rosto e estalou a língua.
— Heejin. Por que você fala desse jeito. Ainda mais com um menino que já está no terceiro mês de gravidez e nem consegue comer direito.
— A senhora também viu. Ele vomitou assim que viu a nossa cara.
— Ainda tão imatura. Você já mandou pelo menos um caminhão de café para o set do Cheongyeon?
A avó começou de repente uma conversa sobre caminhão de café, sem relação nenhuma com o que estava acontecendo.
Tendo praticamente terminado o tratamento que fazia nos Estados Unidos, um de seus novos hobbies era mandar às escondidas food trucks a Cheongyeon, se apresentando como um grupo anônimo de fãs.
— Vovó, por que eu mandaria caminhão de café? Ele já está estampado na loja de departamentos, o que mais ele quer…
— Aliás, vocês não vão tornar pública a reconciliação?
Moon Taejin abriu a boca espiando Cheongyeon.
— Daqui a uns dois meses?
Do-Heon respondeu, dando tapinhas nas costas de Cheongyeon.
— Por que daqui a dois meses?
— Porque é quando as gravações da série do Cheongyeon terminam.
De novo foi Do-Heon quem respondeu.
— …Você é empresário do Cheongyeon-ssi? Por que essa proteção toda?
— Pois é. Do jeito que vai, ele ainda vai dizer que vai criar a criança sozinho.
A avó, que sabia o quanto Do-Heon andava exagerado ultimamente, disse em tom brincalhão.
— Aliás, eu estou considerando. Licença-paternidade.
Do-Heon rebateu com tom frio. Então um silêncio gélido pairou no ambiente.
Ele deveria estar do mesmo lado, mas Cheongyeon também não encontrou o que dizer e cerrou a boca.
— …….
— …….
— …….
Então, ao contemplar sem querer as expressões atônitas de todos ao mesmo tempo, Cheongyeon quase caiu na gargalhada.
Quando Cheongyeon voltou a tapar a boca e virou o rosto para não rir alto, Do-Heon agarrou seu ombro com firmeza.
— Não dá. Vamos sair.
— Ué…? Não vamos ficar mais?
— Você não está bem. De todo modo eu já pretendia sair sem jantar.
Do-Heon puxou a mão de Cheongyeon sem o menor apego, dizendo que era hora de ir.
— C-certo. Se não está bem, vá. Já nos vimos, está bom.
— Ah…
— Ainda tão enjoado assim, o que a gente faz. Quando melhorar, venha visitar.
Como fazia tempo que não via a avó, ele pretendia ficar mais, mas Do-Heon foi inflexível e, na verdade, aquele lugar também não era confortável para ele.
Cheongyeon assentiu a contragosto, fingindo aceitar. E o enjoo, que ultimamente nem aparecia, foi começar justamente naquele momento.
Deixando para trás aquele clima constrangido, no fim eles saíram da casa da avó sem completar nem dez minutos.
Antigamente ele teria sentido culpa, mas agora sentiu apenas alívio. A avó ele podia visitar depois sozinho.
Pensando que era melhor ir quando não houvesse os outros, Cheongyeon entrou no carro assim que Do-Heon abriu a porta do carona.
Pouco depois, chegando logo em casa, Cheongyeon, achando uma pena entrar já, olhou para o céu à toa.
— A gente pode andar um pouco antes de entrar?
— Vamos?
Do-Heon, que parou o carro em frente à casa, assentiu docilmente. Ele pegou a mão de Cheongyeon e começou a caminhar devagar pelo beco.
Andando uns cinco minutos a partir de casa havia um pequeno parque. Ultimamente, sempre que tinham folga, os dois vinham passar um tempo ali.
Cheongyeon se sentou no banco e recuperou o fôlego. Ele ainda não sentia os movimentos do bebê, mas o baixo-ventre ia ficando mais pesado e ficar muito tempo em pé estava ficando incômodo.
Por algum motivo, Do-Heon não se sentou como Cheongyeon e continuou de pé. Sua expressão era inexpressiva como sempre, mas naquele dia ele parecia de algum modo desconfortável.
— O que foi. Não me diga que… você ficou de pau duro de novo?
Cheongyeon sussurrou com voz desconfiada. Diante disso, uma sobrancelha de Do-Heon se contorceu.
— Você fala cada coisa.
— Então por que está tão inquieto? Feito um tarado.
Meses antes, ficou provado que era tudo mentira quando Do-Heon disse que não o tocaria até o médico liberar.
Depois de fingir aguentar por alguns dias, dormindo na sala e no escritório por educação, Do-Heon chegou ao limite da paciência antes mesmo de uma semana e avançou sobre Cheongyeon no banheiro.
Uma vez liberado, ele dominou como um cavalo desembestado todas as práticas, exceto penetração e sexo oral. Tão obstinado que ele chegava a confundir com ciclo de rut.
Além das carícias, entre as coxas, pés, mãos, ventre… ultimamente Cheongyeon vinha experimentando todo tipo de posição difícil de mencionar. Como os empregados já não passavam tanto tempo na casa e havia mais horas só para os dois, sem ninguém para se preocupar, aquilo parecia piorar cada vez mais.
Um dia ele achou que a paciência dele era admirável. Nesse nível, ele desconfiava que tinha sido enganado no casamento.
— Chamar o marido de tarado.
Do-Heon disse com uma voz nem um pouco assustadora.
Pouco depois, ele tirou do bolso uma caixinha de veludo de anel. Ele parecia hesitante, algo nada típico dele.
— Mandei fazer novos e estava pensando em quando entregar.
— Anel… você mandou fazer novos?
— Aliança de casamento.
Do-Heon enfatizou que não era um anel qualquer. E abriu a caixa e encaixou o anel no dedo anelar de Cheongyeon.
— Uau…
— …….
— E agora?
— …….
Não, tentou encaixar.
Mas, ao contrário do que se esperava — que entraria certinho no dedo —, como suas mãos e pés estavam um pouco inchados pela gravidez, o anel travou na primeira articulação.
— Droga, nada sai como planejado.
Do-Heon murmurou baixinho, sem disfarçar a aflição.
— A-a vida é assim mesmo.
Cheongyeon tentou consolá-lo em seu sofrimento. Infelizmente não pareceu ter muito efeito.
Tomando o anel da mão dele, Cheongyeon observou o diamante enorme e delicadamente lapidado.
— E o seu anel, onde está?
Na verdade, ultimamente Cheongyeon se sentia estranhamente bem sempre que ele mostrava essas falhas. Era divertido descobrir seus aspectos humanos.
Do-Heon tirou o anel do bolso, mostrou-o e suspirou. Recebendo-o, Cheongyeon o colocou com cuidado no anelar de Do-Heon.
— Assim está bom, né?
— Não, nem um pouco.
— Ah, francamente. Como você é exigente.
Cheongyeon riu beijando o anelar de Do-Heon com o anel igual ao seu.
— O meu eu vou transformar em colar e carregar comigo até o Rechonchudinho nascer.
Cheongyeon prometeu, apertando com força a mão dele.
— Embora agora eu não possa usar no dedo… obrigado, Do-Heon-ssi. E também…
Depois de hesitar, Cheongyeon acrescentou:
— Na verdade, mais cedo eu tive um pensamento assustador.
— Que pensamento.
— Assim que eu entrei na casa da vovó e vi a cara daquelas pessoas, meu estômago revirou e minhas mãos e pés enrijeceram… Mas, mesmo assim, como o Do-Heonn-ssi estava ali no meio…
— …….
— De repente me deu o pensamento de que, se eu puder ver o Do-Heon-ssi, tudo bem viver a vida inteira vendo aquelas caras que eu detesto todos os dias.
— Se você não quer ver, não precisa ver.
— …Não, não é isso. É que eu amo tanto assim o Moon Do-heon.
Cheongyeon resmungou, achando insuportável Do-Heon apontar aquele detalhe estranho.
— Eu preciso mesmo dizer de forma tão direta para você entender?
— Sim. Eu sou assim.
Do-Heon respondeu com firmeza.
— Por isso você precisa dizer várias vezes.
— …Que absurdo.
— Fala de novo.
— Que absurdo.
— …Isso não.
Cheongyeon parou com a brincadeira e encarou Do-Heon com sinceridade. O Moon Do-Heon que foi seu ex-marido e voltava a ser seu marido.
— Eu te amo. Mais que tudo no mundo.
— Eu também te amo.
Do-Heon ergueu um pouco o boné de Cheongyeon e lhe deu um beijo rápido.
— Agora vamos para casa, Cheongyeon-a.
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Fim do epílogo
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna