↫─Capítulo 200
Ao desligar com Do-Heon, o silêncio naturalmente desceu sobre a casa. Foi ele mesmo que o empurrou para a viagem, e já se sentia vazio.
Na verdade, quando brigava com Do-Heon depois do divórcio, ele só sentia raiva e desgosto ao vê-lo e quase nunca pensava em que tipo de pessoa ele era. Mas, vendo-o garantir que podia mandar até numa produção daquele porte, ele passava a sentir de verdade a influência dele.
Bem, é por isso que o pessoal da JT também vive aflito.
Antigamente, por causa do complexo de se achar insuficiente, ele não enxergava essa estrutura de poder. Simplesmente assumia a posição de subalterno.
Ele não sabia por que, na época, ficava tão intimidado diante das pessoas daquela família.
Havia coisas que faltavam, mas, no fim das contas, Do-Heon também vinha fazendo o possível para se ajustar a ele. E ele não tinha percebido nada disso. Quanto mais olhava para trás, mais pena sentia de si mesmo no passado.
Cheongyeon passou algumas horas jogado à toa no sofá, pensando nessas e noutras coisas. Sabia que precisava ligar para o empresário e a agência, mas, de tanta moleza, não tinha vontade nem de mexer um dedo.
Como Do-Heon cravara que podia até ajustar a agenda de gravação, ele ganhou um porto seguro, e a pressa parecia ter se dissipado.
Cheongyeon não conteve o sono que voltava a invadi-lo e fechou os olhos.
Ele parece ter adormecido levemente assim mesmo, mas foi voltando a si aos poucos com a voz da empregada chamando.
— Senhor Cheongyeon. Fiz uns acompanhamentos e uma sopa, quer comer um pouco?
Quando Cheongyeon ergueu a cabeça esfregando as pálpebras pesadas, a empregada de avental lhe estendeu um copo d’água.
— Ah, obrigado.
— Come alguma coisa e depois dorme mais. Sim?
— Hum…
Estranhamente, com Do-Heon longe, seu apetite sumia como por encanto e a vontade de comer desaparecia.
Se o Do-Heon souber depois vai dar sermão. Ele até pensava em comer alguma coisa, mas não sentia a menor vontade.
Pensando bobagens do tipo “e se eu desenvolver ansiedade de separação do Do-Heon?”, Cheongyeon balançou a cabeça.
— Eu como depois. A senhora deve estar cansada, pode encerrar o expediente.
— Que isso. Está num horário meio ambíguo, então vou cortar frutas e arrumar os armários da cozinha. E é bom eu ver o senhor comer antes de ir. Como o senhor diretor parece preocupado com poeira, eu vou recolher todos os tapetes e lavar.
…Tapetes? Então inclui o do closet?
Justamente por terem cometido ali naquele dia um ato inapropriado, ficou pesado em sua consciência.
— A senhora estava de folga e foi chamada de repente, e ainda limpou e cozinhou. A senhora também precisa descansar.
Cheongyeon sugeriu que ela encerrasse o expediente, fingindo naturalidade.
— Tendo motivo de festa, é claro que eu tinha que vir. Que bom que vim. Ainda ouvi uma notícia dessas.
— Enfim, eu consigo comer sozinho. Eu estou realmente bem, pode ir primeiro.
— Ai… Será que pode…
Depois de várias trocas de “está tudo bem”, a empregada, a contragosto, encerrou o expediente meio hesitante.
Sozinho na mansão enorme, Cheongyeon se espreguiçou e terminou de beber a água que restava no copo.
Como ficara muito tempo na mesma posição, seu corpo estalava a cada movimento.
Já que tinha acordado, ele pensava em finalmente ligar para o empresário quando Kim Jihan ligou.
— Ei, ei. Pelo visto você contou? Parece que a conversa fluiu que foi uma beleza.
Assim que a ligação foi atendida, Kim Jihan foi direto ao ponto, sem nem cumprimentar.
— Você ligou errado? Do que você está falando.
— Como é que você não entende de primeira. Aquilo de você ter ido ao hospital, você contou direito para o Moon Do-Heon?
— Ter ido ao hospital o quê… Ah.
Só então Cheongyeon entendeu o que Kim Jihan queria dizer.
— Mas como você soube que eu contei para o senhor diretor?
Quem sabia que ele estava grávido era Do-Heon, Kim Jihan, o médico e a empregada, no máximo. Como Kim Jihan sabia que ele tinha contado a Do-Heon a ponto de ligar? E, com aquele temperamento, Do-Heon não sairia espalhando.
— Hã? A internet está inundada de matérias sobre o Moon Do-Heon agora.
— Matérias?
Era a primeira notícia. Que matérias tinham saído agora?
Cheongyeon, largado no sofá feito um vagabundo, se ergueu às pressas.
— Uau, como é que você não sabe de nada? Você já pegou a doença de artista, agora eu tenho que te dar tudo na boca todo dia? Hein?
— Ah, se é para contar, conta logo. Está de brincadeira?
— Seu ex-marido foi a um evento em Taiwan e tiraram um monte de foto dele. Ele estava com a boca escancarada, sem conseguir fechar.
— Do que você está falando…
— Você vê e entende. Enfim, vendo a expressão do Moon Do-Heon, parece que a conversa correu bem, então liguei para dar os parabéns, só isso.
Como ele sabia da viagem a Taiwan, não parecia brincadeira.
Cheongyeon colocou os fones sem fio e, mantendo a ligação, entrou na internet imediatamente.
— Agora só aparece isso nos shorts, então mesmo sem querer eu estou vendo à força. Seu ex-marido faz sucesso no exterior também. Metade dos comentários é de estrangeiro.
— Se é para explicar, explica de um jeito que dê para entender. Sempre só fala o que quer…
— Ai, ei, ei. Perdi o monstro. Preciso pegar aquilo para ir para a guerra de guildas, porra. Ah! Vem cá, desgraçado. Enfim, o resto você procura. Estou ocupado, vou desligar.
Devia estar jogando, porque Kim Jihan, como no início, falou só o que quis até o fim, aos berros, e desligou de uma vez.
— Ai, sério.
Cheongyeon fuzilou a tela com a ligação encerrada e retomou a busca que ia fazer.
— Expectativa cresce sobre a terceira fábrica da JT Eletrônicos
— O “verdadeiro” motivo do sorriso do diretor Moon Do-Heon
— Moon Do-Heon visita conferência em Taiwan após inspeção impecável das instalações produtivas
— O sorriso enigmático do diretor Moon Do-Heon, da JT Eletrônicos, será um bom presságio para a indústria de semicondutores?
Como Kim Jihan dissera, choviam matérias relacionadas a Do-Heon, ligadas à JT Eletrônicos. O motivo eram fotos tiradas na viagem a Taiwan.
Sentindo a dopamina disparar, seus olhos se arregalaram num instante. Cheongyeon começou a conferir uma a uma as fotos anexadas às matérias.
Kim Jihan tinha exagerado, mas, ao contrário da imagem de Do-Heon conhecida pela imprensa, os cantos de sua boca estavam nitidamente erguidos.
Não era uma ou duas fotos por acaso: Do-Heon sorria claramente na maioria delas.
Nos shorts já havia vários vídeos compilando as fotos. E os comentários chegavam em tempo real.
— Por que ele está sorrindo..?
— Primeira vez que vejo essa expressão, ele não era sempre sem expressão?
— Uau,, queria que soltassem mais fotos hehe kkkkkkk
— Ele usou droga? ¬¬ Sempre com cara de bosta e hoje o que deu nele?;;
— Lindo demais pqp
— As fotos em close do Moon Do-Heon não são todas cortadas no país? Em Taiwan parece que não dá para restringir kkk essa também deve ser cortada logo
— Mesmo sem ser da elite, ele teria ganhado uma fortuna como ator kkk
— Esse desgraçado do Moon Do-Heon com certeza usou droga. A polícia tem que abrir investigação já. Agora neste país até os ricos põem a mão em drogas.. Só com petição pública para eles caírem na real.
— Que isso, preciso comprar tudo em ações…….
Teorias sobre drogas, louvores à aparência, previsões de alta: os comentários mais variados abundavam.
— Nesse nível ele é uma celebridade.
Depois de percorrer até os comentários mais recentes, Cheongyeon conferiu de novo as fotos tiradas em Taiwan.
Com a boca sorrindo de leve somada aos traços nítidos, saíram dezenas de fotos que pareciam desenhadas.
Como era a primeira vez que Cheongyeon o via fazendo aquela expressão em evento oficial, ele ficou um bom tempo contemplando as fotos, atordoado. Havia uma diferença nítida em relação à boca firmemente cerrada e ao olhar gélido que ele conhecia.
Ao ter confirmado dessa forma que a beleza dele não era coisa apenas dos seus olhos, orgulho e ansiedade se cruzaram ao mesmo tempo.
Isso. Foi justamente por causa desse rosto que eu aguentei três anos daquele casamento desgraçado.
Os outros talvez não soubessem, mas Cheongyeon, que o via de perto havia muito tempo, logo percebeu que o Do-Heon das fotos estava pensando em outra coisa por dentro.
Ele até entendia por que Kim Jihan lhe ligara imediatamente depois de ver as fotos. Cheongyeon riu várias vezes com um som vazio, sentindo cócegas no peito.
— É meio fofo, então vamos salvar tudo por ora.
Pouco depois, recobrando o juízo, Cheongyeon baixou todas as fotos para o álbum, sem saber quando seriam apagadas, como alguém dissera nos comentários.
Depois de passar um bom tempo grudado no celular, a preocupação com o trabalho foi chegando aos poucos. Já era tarde demais para ligar para o empresário.
— Ai. E agora.
Cheongyeon fez cara de choro e revirou o cabelo. Ele passara nada menos que três horas grudado no celular procurando matérias sobre Do-Heon.
Ponderando o que fazer, Cheongyeon concluiu que, justamente em momentos assim, precisava ao menos decorar o roteiro com afinco, e abriu o roteiro organizado no celular.
— …….
Mas, naquele dia, as falas não entravam de jeito nenhum. Ele decorava uma linha, seguia adiante e esquecia a frase anterior; isso se repetiu dezenas de vezes.
Não era para menos: sua cabeça estava tomada de forma dispersa apenas por Do-Heon e Rechonchudinho, sem espaço para colocar mais nada.
— Ah… Que problema.
Cheongyeon murmurou com voz abatida.
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Sem Do-Heon, o dia passava lentamente demais. E, com o passar do tempo, sua condição foi piorando.
Diziam que, quando um ômega engravida, o humor oscila especialmente por influência de feromônios e hormônios.
Cheongyeon queria dar um cascudo em si mesmo do passado, aquele que dissera com toda a naturalidade a Do-Heon para ir viajar. Felizmente, o feromônio dele estava intensamente impregnado no closet, e passar o tempo ali tornava tudo mais suportável.
— Como é que ele não liga nem uma vez.
Eu até pedi para ele ligar antes de ir. Enquanto Cheongyeon xingava olhando para o celular silencioso, aconteceu o que diz o ditado: falou no tigre, o tigre apareceu. Do-Heon começou a ligar.
Cheongyeon apertou o botão de atender em um segundo.
— Estava dormindo?
— Não. Onde você está?
— A caminho de casa.
Diante disso, o rosto do abatido Cheongyeon se iluminou.
— Sério? Já?
— Parece decepcionado por eu ter vindo cedo demais. Quer que eu demore mais?
— Por que você interpreta assim. Que mágoa para quem ficou esperando.
Cheongyeon resmungou. Então ouviu-se um riso baixinho. Aquele ruído tênue fez cócegas em seus ouvidos.
— Quer sair um pouco? A gente aproveita e dá uma volta de carro.
— Você acabou de chegar na Coreia, não está cansado?
— Eu estou bem. Ou eu perguntei à toa e você está cansado? Se estiver com sono…
— Não! Não estou nem um pouco cansado. Volta de carro é ótimo.
Cheongyeon negou rapidamente e se ergueu.
— Quando você chega?
— O GPS diz chegada em trinta minutos.
— Então eu vou me arrumar.
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— Você chegou rapidíssimo.
— Comeu direito?
Assim que ele entrou no carro parado em frente a casa, Do-Heon perguntou se ele tinha comido.
— Comi.
— Mentira.
Ele estalou a língua enquanto pisava no acelerador.
— …Se você já sabe, por que pergunta?
— Por que não comeu. Dizem que no início da gravidez é especialmente importante comer bem.
— O que eu faço se não tenho apetite. Ah, mas, vendo o Do-Heon-ssi, eu quero tteokbokki de novo.
Diante da fala de Cheongyeon, Do-Heon endureceu a boca, contrariado.
— Estou com medo de você acabar comendo só porcaria.
— É verdade. Do-Heon-ssi, você sabe que tiraram um monte de foto sua em Taiwan?
Cheongyeon o encarou ao volante, curioso pela reação dele.
— Vão sair do ar logo.
Mas, apesar do alvoroço na internet, a resposta de Do-Heon foi completamente indiferente, como se nada tivesse acontecido. Uma voz tão sem emoção que qualquer um pensaria que ele falava de outra pessoa.
Cheongyeon pensou por dentro que fizera bem em salvar as fotos com antecedência.
— Mas aonde a gente vai?
— Que tal a loja de departamentos? A gente faz compras e compra roupinhas para o Rechonchudinho também.
— A gente nem sabe o sexo do Rechonchudinho ainda… Ué?
Avistando algo pela janela, Cheongyeon parou de falar e arregalou os olhos.
Sem que percebesse, o carro dirigido por Do-Heon já estava em frente à loja de departamentos Hwamyeong. E, na fachada externa, estava estampada em tamanho enorme a foto do ensaio que Cheongyeon fizera havia pouco. Quase cobrindo toda a fachada.
— Uaaau…
Algumas pessoas já estavam paradas diante da loja fotografando a campanha de Cheongyeon.
— Vi no caminho. Eu queria mostrar a você também.
— Eu ainda nem tinha sido avisado de que o anúncio estava no ar.
— Devem ter colocado hoje.
— Sério, é impressionante demais.
Cheongyeon murmurou sem conseguir desviar os olhos do prédio.
Já era impressionante sua foto estampada como anúncio na maior loja de departamentos do país, mas, acima de tudo, imaginar o quanto Moon Heejin estaria indignada ao ver aqmuilo tornava tudo ainda mais emocionante.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna