↫─Capítulo 197
Os dois se acomodaram numa escadaria de pedra perto da escola com o tteokbokki e as frituras que a dona lhes deu em copos largos. Porque na lanchonete não havia mais lugar adequado para sentar e comer.
Originalmente eles iam comer dentro do carro, mas o cheiro peculiar de couro impregnado no banco misturado ao cheiro do tteokbokki estava especialmente repugnante naquele dia. Se continuasse ali, ele acabaria vomitando.
Como ele estava com fome demais para ir comer em casa, não teve jeito senão fazer a refeição na rua.
O entorno estava tão silencioso que ele se envergonhou de ter se preocupado com a possibilidade de ser fotografado por algum passante e virar matéria estranha. Como não era horário de estudantes, parecia ainda mais deserto.
— Aqui não mudou nada. É igualzinho a antigamente.
— É?
— Mas o prédio da escola ficou melhor do que quando eu estudava. Não é injusto?
— É uma instalação pública, é correto que seja reformada periodicamente.
Como ele estava certo, Cheongyeon ficou sem o que dizer. Depois de fuzilá-lo à toa, Cheongyeon ajeitou o copo de tteokbokki nas mãos.
— Mas por quanto você comprou a foto? Não deu mesmo o faturamento mensal da lanchonete, deu?
— O conteúdo de negociações é sigiloso por princípio.
Do-Heon esquivou a resposta de forma irritante.
— Sério, para que comprar aquilo? Está com dinheiro sobrando? Nem ficou tão boa assim!
Cheongyeon despejou sua verdadeira opinião sem perceber. Justamente na época em que o cabelo estava mais curto e em plena adolescência, todas as fotos tinham saído com cara de bobo.
Entre tantas fotos, já era impressionante ele ter achado aquela de imediato, mas era um mistério por que ele queria também o original. E não por trocados, e sim por uma fortuna.
— Pensando bem, o senhor diretor tem uma personalidade bem estranha.
— É que só existe um original de cada. E ficou fofo.
— Parece um macaco. Coisas assim, é para fingir que não viu. Ah, eu realmente não consigo entender.
— Não entenda.
Do-Heon respondeu com cara de pau. Do jeito que ia, se um dia ele descobrisse as fotocards da época do DEX que Min Hyerin guardava, ele levaria tudo. Cheongyeon jurou que jamais deixaria os dois se conhecerem.
Cheongyeon espetou com o palito o tteokbokki e a fritura que a dona pusera no copo e provou. O sabor picante e adocicado do gochujang se espalhou intensamente em sua boca.
Era gostoso o bastante para dissipar toda a irritação que subiu pouco antes.
— Uau, isto também tem exatamente o mesmo sabor de quando eu estudava. Como consegue?
Era o sabor exato que ele tinha imaginado, e por isso foi ainda mais emocionante.
Assim como Cheongyeon, Do-Heon, também sentado na escadaria, segurava um copo de tteokbokki. Ele espetou o tteokbokki com o palito imitando Cheongyeon e provou, mas nenhuma emoção surgiu em seu rosto.
O relógio de quase cem milhões em seu pulso e o copo de tteokbokki na outra mão não combinavam de jeito nenhum, por mais que se olhasse.
Ainda assim, Do-Heon foi esvaziando o tteokbokki e as frituras do copo sem reclamar. Normalmente ele teria dito alguma coisa sobre ser comida ruim para a saúde.
— Senhor diretor, senhor diretor. Que milagre você não estar dando sermão.
— Eu já engoli algumas vezes o que subiu até a ponta do queixo.
Do-Heon disse com naturalidade.
— …É tão ruim assim?
— Não é ruim. O problema é que não é um sabor que faça bem à sua saúde.
— Se não agrada o seu paladar, você não precisa comer.
Do-Heon apanhou em silêncio uma fritura de kimmari.
Cheongyeon sentiu uma espécie de culpa. Porque teve a impressão de ter feito uma maldade com alguém que, no trabalho ou em casa, só comia pratos caros preparados por outros.
— Sério, está tudo bem… Fui eu que quis vir, então, se não agrada seu paladar, para de comer.
— Comparado a três anos de cafés da manhã que eu não queria, isto não é nada.
Como Cheongyeon ficou muito inquieto, Do-Heon acrescentou, como quem acha que ele se preocupa à toa.
— Você disse que comia por minha causa.
— Ao menos eu não tive indigestão.
— Ah, é mesmo? Só de lembrar disso me dá raiva. Come até raspar o fundo, rápido.
Como é que eu tinha esquecido disso? Todo dia eu sofria com a barriga estufada!
Enquanto revolvia com força o copo com o palito, Cheongyeon ficou curioso.
— Mas você já tinha comido algo assim antes?
— Minha mãe dizia que comida de lanchonete era coisa de gente sem educação e não deixava comer.
— …Normalmente, mesmo que seja só por rebeldia, a pessoa experimenta ao menos uma vez, não?
Diante disso, Do-Heon inclinou a cabeça, como quem mergulha em pensamentos.
— Pois é. Justamente porque ela dizia para não comer, não me dava vontade de fazer questão de comer.
— Você era muito obediente.
Enquanto ele pensava despreocupadamente “queria que nosso bebê puxasse o senhor diretor”, Do-Heon continuou.
— Acho que era porque eu vivia com medo de ser abandonado. E, como eu temia, minha mãe foi embora sem olhar para trás.
A voz era impassível, mas Cheongyeon sentiu um canto do coração doer com aquilo.
— …Você ficou triste?
— Fiquei. Embora na época eu não pensasse que estava triste.
A voz de Do-Heon ao desabafar os sentimentos da infância era inexpressiva como sempre.
Ele ergueu a cabeça e contemplou a vista do bairro que se descortinava da escadaria.
— Talvez por isso eu quisesse provar algo.
— Por raiva?
— Para que ela se arrependesse e voltasse.
— …….
— Vendo agora, é uma perspectiva extremamente infantil. Achar que, se eu ganhasse mais dinheiro do que ela levou, ela voltaria.
— E agora, você ainda quer vê-la?
— Não. Nem lembro o rosto dela. Faz tempo que esqueci.
Ele negou sem hesitar.
— Para mim, família é só você.
— …….
Cheongyeon quase deixou cair o copo que segurava.
A palavra “família” penetrou fundo em seu peito e se fixou ali, pesada.
Era uma expressão calma e direta, típica dele.
— Família…
Ele repetiu sem perceber o que Do-Heon dissera. O sentido daquela palavra lhe pareceu mais pesado do que nunca.
Cheongyeon descobriu pela primeira vez que, ao ouvir uma declaração tão avassaladora, junto com a emoção vem também uma dor de peito rasgado.
Ao fim da hesitação, Cheongyeon umedeceu com a língua os lábios secos e falou.
— Pensando bem, eu também já tive uma época em que me esforçava desesperadamente para ser reconhecido pela família. Hoje eu nem lembro direito… mas antigamente acho que era assim.
Do-Heon talvez já soubesse sobre sua infância, mas era a primeira vez que ele mesmo tocava nesse assunto com ele.
— Estranhamente, meus pais mimavam demais o meu irmão, e eu achava que era tudo porque eu era insuficiente. Sentia mágoa, injustiça, raiva. Acho que foi por isso que gostei de atuar.
Cheongyeon baixou o olhar para o chão, sem coragem de falar olhando para Do-Heon.
— Quando eu sou o Yoo Cheongyeon do dia a dia, eu sou só insuficiente, mas, virando outra pessoa, essa carência some. Na verdade… eu sei que, se não fosse o senhor diretor, eu não teria conseguido chegar até aqui. Embora não tenha sido pelo método correto, ainda assim…
— …….
— Ainda assim, quando eu penso que aquilo foi o processo de conquistar o senhor diretor, eu não detesto de todo o tempo em que meu coração doeu. Se me mandassem voltar, acho que eu suportaria tudo de novo.
De repente, achando que só ele estava falando, Cheongyeon cerrou o lábio inferior. Depois de dizer tudo, veio alívio e, ao mesmo tempo, vergonha.
Eu ia dizer o quê e cheguei até aqui? Tirar uma conversa tão sincera diante de Do-Heon o deixava tão nervoso que sua cabeça parecia travar.
— A-ah, enfim, é isso. …Hum, é verdade. Obrigado por ajudar meu irmão desta vez.
Cheongyeon se lembrou de repente de um novo assunto e mudou rapidamente de tema.
— Na verdade meu irmão me ligou mais cedo. Eu soube de tudo. Ouvi que você até adiou uma viagem e correu para lá.
— Eu tinha pedido para ele não contar.
— Meu irmão é super boca aberta. Isso até o senhor diretor não sabia.
— Deixa. Não foi nada grande a ponto de você se preocupar.
— Eu não me preocupei. Na verdade, eu nem percebi que tinha acontecido alguma coisa. Eu fui ao hospital, ouvi o resultado dos exames… e só pensava em ir rápido até o senhor diretor para contar.
Ele provavelmente percebeu isso no caminho para a casa de Do-Heon. Que vinha esperando por um momento assim esse tempo todo. Antes do divórcio e também depois dele.
O instante de se tornar uma família completa com o homem chamado Moon Do-Heon. O instante de ser unido por um pertencimento que ninguém poderia negar.
— Você fez bem.
Do-Heon disse penteando o cabelo de Cheongyeon.
— Obrigado por me contar.
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Depois de um longo tempo esvaziando o tteokbokki, os dois enfim passaram no hospital, como Do-Heon queria. Como ele garantira, tudo já estava preparado quando chegaram, então todos os exames terminaram rápido.
Todos os resultados estavam dentro dos valores normais, e não havia pontos de atenção especiais nem necessidade de tratamento.
Se havia algo atípico, era que, por algum motivo, Do-Heon conversou com o médico por muito mais tempo do que Cheongyeon, o próprio grávido.
Devia haver bastante trabalho acumulado na empresa, porque, durante todo o caminho de volta para casa, o celular de Do-Heon não parava de tocar.
Vendo Do-Heon fingindo não ouvir a vibração ou encerrando as chamadas repetidamente, Cheongyeon, observando de fora, é que ficou aflito.
Ele pode continuar assim?
O Do-Heon que Cheongyeon conhecia sempre colocava o trabalho da empresa em primeiro lugar, então ele custava a aceitar aquela situação com naturalidade. O próprio Do-Heon, contudo, apenas conferia por e-mail relatórios importantes de vez em quando, com toda a tranquilidade.
— A viagem a Taiwan… parece bem urgente, vai e volta.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna