↫─Capítulo 196
Do que ele está falando.
Diante daquela expressão explícita, Cheongyeon enrijeceu o corpo. Nesse meio-tempo, Do-Heon desceu com naturalidade de cima de Cheongyeon. E se sentou encostado na cabeceira da cama, a contragosto, como quem desiste da saída.
— Você vai ficar bem assim mesmo?
Diante da pergunta de Do-Heon, Cheongyeon finalmente baixou a guarda e se aproximou do lado dele. Como a situação seguia do jeito que ele queria, um sorriso bobo lhe escapou sozinho. Depois de assentir várias vezes, Cheongyeon se deitou apoiando a cabeça no joelho de Do-Heon.
— Estou bem.
— …….
Se o próprio grávido dizia que estava bem, Do-Heon não tinha o que responder.
Ele contemplou em silêncio Cheongyeon com a cabeça apoiada em seu joelho e, quando afastou de leve os cabelos grudados em sua testa, as sobrancelhas de Cheongyeon estremeceram, com cócegas.
Por um instante ele teve a ilusão de que soprava um vento em algum lugar da casa. Diante daquela brisa sem substância, algo dentro do corpo de Do-Heon formigou, como se plumas voassem ali. Era uma sensação que ele experimentava pela primeira vez na vida.
Ao contrário do tranquilo Cheongyeon, Do-Heon não conseguia abandonar de todo a pressa. Em sua cabeça ainda rondavam sem parar refeição, exames, ajuste da agenda de trabalho, planos para depois do parto.
A ansiedade de que ficar parado assim não ajudava em nada se infiltrava sem descanso pelas frestas de sua consciência. Ele achava que precisava fazer algo para obter resultados, e só assim Cheongyeon se disporia a perdoar suas faltas passadas.
Acima de tudo, ele queria confirmar se realmente não havia nenhum problema no corpo de Cheongyeon. E se ele recebia essa notícia com tanta alegria quanto ele…
— Senhor diretor, desculpa mesmo… Eu posso dormir só mais uma hora? Por mais que eu durma, continuo cansado.
Mas ele decidiu adiar por ora as inúmeras dúvidas que exigiam resposta. Naquele momento, bastava-lhe estar vendo Cheongyeon deitado ao seu lado.
Acima de tudo, se o que Cheongyeon queria era um momento assim, então, fosse o que fosse, isso era o certo.
— Dorme mais.
Do-Heon sussurrou, contornando com a ponta dos dedos a testa lisa de Cheongyeon.
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— Não está com fome?
Do-Heon perguntou sem perder a chance quando Cheongyeon voltou a acordar. Por mais que se durma muito na gravidez, aquilo não era exagero demais?
Tirando alguns pedaços de fruta que Do-Heon trouxera do primeiro andar no meio, não era exagero dizer que Cheongyeon só dormira o tempo todo.
Do-Heon estava justamente começando a se inquietar, pensando que era mesmo melhor ir logo ao hospital.
— Acho que estou.
Cheongyeon finalmente admitiu que estava com fome.
— Deve ser por causa do enjoo da gravidez. Tem algo que você queira comer?
Cheongyeon, que esfregava os olhos, estancou. Era estranho ouvir a palavra “enjoo da gravidez” saindo da boca de Do-Heon. Só agora ele começava a sentir de verdade que estava grávido.
— Tteokbokki? Daqueles com bastante gochujang.
Depois de pensar bastante, Cheongyeon disse o prato que lhe veio à mente. Assim que pensou em tteokbokki, sua boca encheu de água.
— Vou chamar alguém para cozinhar.
— Não, esse não.
Cheongyeon impediu Do-Heon, que já pegava o celular como quem ia chamar imediatamente os empregados de folga.
— Aquele tteokbokki da lanchonete que vendia em frente ao ensino médio. É aquele que eu quero.
— Ensino médio, o Seongun?
Interrompendo o movimento de se levantar da cama, Do-Heon inclinou a cabeça.
— Sim, lá… Não, espera. Mas como você sabe disso?
— É estranho saber em que escola meu marido se formou?
— Isso…
Era verdade. Mas, como ele nunca tinha contado, ele se assustou com a naturalidade com que Do-Heon mencionou o nome da escola.
— Embora agora eu seja ex-marido.
— …É verdade. E-eu também sei em que ensino médio o senhor diretor se formou.
Cheongyeon ergueu o corpo deitado e sentou-se, olhando para Do-Heon com confiança.
— Onde.
— Colégio particular Sehan.
— Acertou.
Como se o achasse fofo, Do-Heon riu de leve e deu um toquinho na bochecha branca de Cheongyeon.
— Além da escola, você sabe mais alguma coisa?
Cheongyeon ficou de repente curioso para saber o quanto ele sabia sobre ele.
— Perguntando assim, o escopo fica largo demais e é difícil responder. Por ora, sei que suas notas foram consistentemente ruins no ginásio e no ensino médio. Especialmente matemática.
— Hã? Que isso. Até onde vai essa investigação por trás das pessoas, que covardia?
Cheongyeon acusou Do-Heon de passar dos limites, tomado pela vergonha. Foi como levar um golpe estando parado.
— Enfim, vista-se. Vamos comer tteokbokki.
Levantando-se, Do-Heon estendeu a mão ao Cheongyeon de rosto vermelho e bufando.
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A lanchonete que ficava no caminho da escola felizmente continuava funcionando no mesmo lugar de antes.
Ao avistar a placa e o balcão velhos, marcados pela passagem do tempo, Cheongyeon foi rapidamente até a frente da loja.
Ele achou que a dona teria mudado, mas até a dona continuava a mesma. Até as manguinhas cor-de-rosa no braço e o avental preto eram idênticos.
— Meu Deus. Olha quem é. Estudante Cheongyeon!
Surpreendentemente, a dona da lanchonete reconheceu Cheongyeon de imediato assim que ele tirou a máscara. Ela abriu a boca como quem viu um fantasma.
— Olá. Tudo bem com a senhora?
— Que coisa é essa. Ai, ai, eu venci na vida. Ver alguém que sai na TV. O que você veio fazer aqui? Mesmo depois de tanto tempo, você continua igualzinho a quando usava uniforme!
A dona, que mexia o tteokbokki com uma espátula, o cumprimentou com entusiasmo.
— Vim porque estava com vontade de comer o tteokbokki daqui. Ainda vêm muitos estudantes?
— Que muitos. Os clientes diminuíram, eu até cedi metade da loja para outro comércio. Agora não tem estudante, não tem.
— Ah, é verdade… As mesas sumiram?
Cheongyeon murmurou, contrariado, olhando o interior da loja reduzido pela metade.
— A garotada pede delivery, aqui não vem tanto quanto antigamente. Por isso a gente só faz entrega e viagem. Mas quem é a pessoa atrás de você…
A dona perguntou espiando Do-Heon, plantado atrás de Cheongyeon.
— Por ora me dá uma porção de tteokbokki e uma de fritura, por favor.
Sem saber como apresentá-lo, Cheongyeon mudou de assunto às pressas.
— Ah. Certo, certo. É para viagem, né? Senta aqui e espera um instante. Preciso esquentar a fritura.
— Sem pressa.
— Quer que eu ponha no copinho? Aliás, ultimamente os estudantes daqui, quando eu digo que conheço o ator Yoo Cheongyeon, vêm perguntar como você era antigamente.
— Oh, e a senhora diz o quê?
— Que você era sempre educado, bonzinho e espertinho.
A dona representou com toda a naturalidade. Mas não a ponto de satisfazer Cheongyeon.
— A senhora precisa elogiar com mais alma. Que eu era brilhante, tinha ótimo relacionamento com os colegas e todos os professores gostavam de mim. Algo assim.
— Ai, entendi. Daqui em diante eu minto assim.
— Como? Mentir?
— Ah! Se você olhar naquela parede lá dentro, ainda deve ter foto sua, estudante Cheongyeon. Sabe-se lá como descobriram, mas há alguns meses os fãs vêm com frequência para ver. E compram tteokbokki para eu vender bastante. Enfim, a garotada de hoje é bem-educada.
Antes mesmo que a dona terminasse, Do-Heon se curvou e entrou na pequena lanchonete. E, entre as várias fotos coladas na parede, achou de imediato a foto em que Cheongyeon aparecia.
— Minha filha tinha uma daquelas câmeras, Poloria ou Polaroide sei lá; como eu deixava na loja, os meninos iam tirando fotos e colando aqui.
Na foto, Cheongyeon estava de uniforme, segurando um cachorro-quente e fazendo o V. Além dessa, havia mais algumas tiradas com os amigos.
Cheongyeon, que entrara na loja atrás de Do-Heon e avistou as fotos, também contemplou com curiosidade aqueles vestígios do passado.
— Uau, eu era assim antigamente. Eu devia vir aqui com muita frequência.
— Seu cabelo era curto.
Do-Heon murmurou olhando a foto com atenção.
Pensando que Do-Heon descobrira sua aparência antiga, mais juvenil e claramente desengonçada, Cheongyeon ficou um pouco envergonhado.
— Naquela época eu cortava o cabelo uma vez por mês, acho.
— Nem me fale! As pessoas vêm e todas tocam nela, e como teve gente que tentou roubar, eu guardei o original separado. Essa é uma cópia.
— Senhora. Onde está o original da foto agora?
— Está na minha casa.
— Venda para mim.
Do-Heon, que observava a foto com atenção, fez a proposta abrupta à dona assim que ouviu que havia original, com seu rosto seco característico.
— Hã?
— Que é isso, você enlouqueceu?
A dona parou de fritar e se virou como quem pergunta do que se trata. E Cheongyeon lhe deu um cutucão nas costelas como quem diz: por que você está falando coisa estranha?
— Compro cada uma pelo faturamento mensal da loja.
— Ai… Q-que história é essa de comprar uma foto por alguns milhões…
A dona, que no início achou que fosse brincadeira, congelou ao ouvir o preço proposto por Do-Heon. E as pupilas de Cheongyeon, ao ver as dela oscilarem, também vagavam perdidas.
— É claro que a cópia pode continuar pendurada na loja. Desde que a senhora me passe o original.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna