↫─Capítulo 195
Ele pensou em chamar alguém imediatamente para limpar, mas hesitou porque o barulho de várias pessoas circulando poderia acordar Cheongyeon. E deixar como estava também o incomodava. Um ambiente sujo e empoeirado assim não podia ser bom para uma pessoa grávida.
Do-Heon logo concluiu que ele mesmo precisaria limpar. Assim que decidiu, levantou-se, olhou uma vez para Cheongyeon adormecido e conferiu de novo a foto do ultrassom que ele lhe dera.
Se tivesse ouvido a explicação do médico, poderia observar em detalhes o que era o quê, mas, por ora, ele via apenas algo preto de formato redondinho.
Do-Heon tirou o celular e fotografou a imagem do ultrassom. Caso Cheongyeon acabasse não indo com ele ao hospital, ele pretendia perguntar ao médico em detalhes, mesmo que particularmente, sobre aquele formato redondinho.
Deixando a frustração de lado, ele pousou a foto sobre a mesa. E, quando saía do quarto e descia para a sala, chegou uma ligação do secretário Shim.
— Diga.
— Senhor diretor. As matérias foram completamente retiradas. Como no início eram apenas duas, no momento estão bloqueadas. O senhor Cheongyeon está bem?
O secretário Shim relatou brevemente, assim que a ligação foi atendida, o que ocorreu nas últimas horas.
— Encontrei o Cheongyeon em casa e ele está dormindo agora. Achei que tinha acontecido algo, por não conseguir contato…
Ele teve de parar de falar por um instante, por causa do riso que escapava à revelia de sua vontade. Do-Heon cobriu com a mão a boca que se contorcia. Em sua cabeça se repetia o que ouvira de Cheongyeon várias vezes pouco antes.
Do-Heon estancou no meio da escada que descia ao primeiro andar.
“A gente vai ter um bebê. Meu e do Do-Heon-ssi.”
— Senhor diretor?
— Não é nada. Enfim, ele ainda não sabe do assunto das matérias.
— Como já foi resolvido, talvez seja melhor para o senhor Cheongyeon não ficar sabendo.
— Eu também não pretendo explicar. E o que eu mandei apurar, como ficou?
— Ao contrário do que afirma quem se diz vítima, parece não haver nenhum prejuízo financeiro causado pela família do senhor Cheongyeon.
Do-Heon forçou os cantos da boca, que se contorciam, a descer a duras penas. Depois reuniu a concentração dispersa e prestou atenção ao secretário Shim.
— Como há um artista na família, parece que uma discussão do dia a dia se transformou em ameaça. A outra parte forneceu uma denúncia falsa, e o jornalista escreveu a matéria sem verificação.
— Contanto que a história não vaze para fora, não importa se é verdade ou não. Mesmo que exista uma vítima real.
— Graças à visita e às instruções pessoais do senhor, ficou acordado que não haverá nenhuma publicação sobre o tema.
— Bom trabalho. Nesse caso, mande-os manterem sigilo para que, se possível, isso não chegue aos ouvidos do Cheongyeon. Mesmo entre familiares, não é preciso saber tudo um do outro.
— Entendido. Ah, e a viagem a Taiwan, prevista para ontem, remarco para quando?
— Ah. Vamos suspender as viagens por enquanto.
— Suspender significa excluir por completo das próximas agendas? A inspeção das instalações produtivas da terceira fábrica pode ser pulada, mas a conferência de desenvolvimento CDMO em Taiwan…
O secretário Shim discursou sobre a importância da viagem, mas fazia tempo que nada disso entrava nos ouvidos de Do-Heon.
Ele ouvia o secretário Shim por alto enquanto pensava em algo sem nenhuma relação com o trabalho: que Cheongyeon se metia em confusões com uma facilidade fora do comum. Do-Heon raciocinou seriamente sobre o motivo.
Será que é por ser bonito demais.
Nesse aspecto, era muito mais tranquilo quando ele ficava só em casa. Agora havia muito com que se preocupar, era trabalhoso e, além disso, ele não gostava de ter de mostrar Cheongyeon aos outros.
Mas, pensando em como a personalidade e as expressões de Cheongyeon tinham ficado mais luminosas do que naquela época, o incômodo do lado dele era algo que ele podia suportar sem problemas.
— Enfim, falamos disso depois. Agora eu preciso limpar, então acho difícil falar por muito tempo.
— Limpar, o senhor disse?
— Se for muito urgente, organize e mande por e-mail. E hoje eu não vou ao escritório.
Diante do desconcertado secretário Shim, Do-Heon declarou sua falta com toda a naturalidade.
Encerrando a ligação antes mesmo de ouvir a resposta, ele ignorou os alertas que soaram em seguida e pousou o celular no sofá.
Naquele momento, tanto fazia o quê: ele precisava se movimentar e passar o tempo até Cheongyeon acordar. Só assim não seria dominado pela ansiedade que ainda restava como um resíduo. E a limpeza era, para ele, exatamente o mais necessário no momento.
Do-Heon ponderou por onde começar, sala ou quarto. Ele arrumava a mesa do escritório ou material de trabalho, mas, como era a primeira vez que limpava a casa de fato, não era fácil começar.
Ao fim de uma breve reflexão, decidiu limpar primeiro a sala, já que Cheongyeon dormia no quarto.
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— Do-Heon-ssi.
Cheongyeon, que abriu os olhos de repente no meio do sono, chamou o nome de Do-Heon.
Do-Heon, que passara um bom tempo circulando por cada canto da casa e terminara a limpeza, estava justamente entrando no quarto após terminar o banho no banheiro da sala.
— Acordou?
Já trocado por roupas confortáveis, ele passou a mão pelo cabelo ainda meio úmido e se aproximou de Cheongyeon.
Cheongyeon ergueu os olhos para Do-Heon, piscando ainda cheio de sono.
— Aonde você foi?
— Não fui a lugar nenhum.
— Eu acordei um pouco agora há pouco e me pareceu que você não estava do lado…
— Ah. Eu estava na sala, limpando.
Do-Heon respondeu enquanto fechava os botões da parte de cima impecavelmente passada.
— …Limpando? Você?
Veio uma reação parecida com a do secretário Sim.
— Se viesse gente ia ficar barulhento, então eu fiz.
Foi uma frase que espantou todo o sono. Cheongyeon girou os olhos examinando o entorno como quem não acredita no que ouviu. De fato, ao contrário de antes de ele dormir, o quarto estava impecavelmente arrumado.
— O chão do quarto eu não limpei para não te acordar. Vou pedir para a senhora depois. Poeira no ar não deve fazer bem à saúde.
— …….
Cheongyeon assentiu, atordoado, concordando. Nesse meio-tempo, Do-Heon entrou no closet e saiu com um casaco e a chave do carro.
— Aonde você vai?
— Já que acordou, vamos sair um pouco. Comer e ir ao hospital fazer exames direito. Eu já avisei, então assim que chegarmos eles farão os exames necessários de imediato.
— …….
— Ah, perguntei na agência e felizmente disseram que os seus compromissos de amanhã e depois de amanhã podem ser ajustados, então eu adiei. Aproveitando, acho que não seria ruim descansar alguns dias para se recuperar.
Do-Heon enumerou rapidamente os planos meticulosamente montados, como quem estava esperando apenas Cheongyeon acordar.
O celular que ele deixou cair sob a escrivaninha, sem que ele soubesse quando foi encontrado, já estava à cabeceira de Cheongyeon. E até carregado.
— Ouvi dizer que, quanto piores os enjoos, melhor fazer exames de alergia. Pedi que preparassem para conferir na hora quando formos ao hospital hoje, então não vai demorar.
Cheongyeon já tinha feito exames no hospital, mas Do-Heon parecia que só sossegaria depois de refazê-los e ouvir pessoalmente o parecer médico.
Além disso, ele fazia questão de saber por que princípio aquela coisa preta e redonda que vira no ultrassom tinha aquele formato. Um parecer técnico do tipo: a parte que se projeta ligeiramente à direita se tornará a cabeça no processo de desenvolvimento futuro, por exemplo.
Mas, ao contrário de Do-Heon, que queria fazê-lo comer algo caprichado às pressas e depois ir ao hospital, Cheongyeon não queria sair. Só queria descansar sem fazer nada.
Antes ele naturalmente se deixava conduzir pelo que Do-Heon propunha, mas dessa vez o plano dele não o agradou.
— Dá para ir ao hospital amanhã? Que preguiça de sair…
— De qualquer forma, para comer é preciso sair.
— Dá para pedir delivery.
Cheongyeon fez manha abraçando o travesseiro e se jogando na cama.
— O lençol não é trocado desde ontem, está sujo.
Do-Heon disse em tom de repreensão enquanto colocava o relógio.
— Ninguém morre por não trocar lençol por alguns dias.
— Cheongyeon-a.
No instante em que Do-Heon abriu a boca para dizer algo, seu celular começou a tocar. Seu olhar se voltou naturalmente para o celular que deixara na mesa.
Cheongyeon, que rolava abraçado ao travesseiro, agarrou a manga dele antes que atendesse e o puxou bruscamente para si.
Do-Heon, que estava de pé sem tensionar o corpo, foi arrastado sem resistência por aquela força considerável.
— Yoo Cheongyeon!
Do-Heon apoiou a duras penas as duas mãos na cama para se sustentar. Ele quase caiu em cima do corpo de Cheongyeon.
— …É perigoso.
Ele repreendeu, olhando para Cheongyeon com expressão assustada.
— Só, poxa. Você não pode ficar do meu lado?
— Estou aqui, do seu lado.
— Não é isso. É que precisa mesmo sair para longe, hospital, restaurante, como quem está fugindo de alguma coisa?
Cheongyeon resmungou, despejando insatisfações. Assim que ele acordou, Do-Heon irrompeu feito agiota recitando uma agenda, a ponto de ele ficar em dúvida se estava num acampamento de treinamento ou em casa.
Se tinham tido um reencontro tão lacrimoso pouco antes de ele adormecer, seria bom deixar o dia passar com calma. Mas Do-Heon não suportava desperdiçar nem um instante e o pressionava.
Pelo visto, se não interrompesse agora, aquilo não teria fim.
— Eu não preciso fazer nada, eu só quero ficar a sós com você.
— …….
— Saindo, a gente encontra outras pessoas o tempo todo… Aí não é só nós dois.
Ao dizer aquilo, ele ficou envergonhado e a garganta apertou. Ele já tinha dito algo tão constrangedor a Do-Heon?
Ao contrário do desejo de compartilhar um tempo tranquilo juntos, ele se sentia magoado com aquela pressa de ir cumprindo tarefas, e palavras nada típicas dele saíram sem que percebesse.
— …….
— …….
Ao sentir o olhar fixo de Do-Heon, Cheongyeon se desconcertou e mordiscou o lábio inferior.
— Ah, hã. Quer dizer… Pensando bem, ir ao hospital agora não é uma coisa tão urgente.
Justamente naquela posição, com Do-Heon por cima dele, não havia para onde desviar o olhar.
De Do-Heon, que tomou banho havia pouco, vinha um leve cheiro de sabonete líquido. E também um feromônio alfa pesado e frio.
— Acho que eu me apressei demais.
Percebendo que o feromônio dele ia ficando mais intenso, Cheongyeon limpou a garganta.
— É isso. Os exames foram ontem, então dá para ir com calma. Poxa.
— …Que pena.
Do-Heon sorriu de leve e deu um beijo leve no pescoço de Cheongyeon.
— Eu queria perguntar no hospital a partir de quando eu posso entrar em você.
— Hã? Como?
— Hoje eu não vou descobrir.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna