↫─Capítulo 194
— Você está… grávido?
Cheongyeon moveu a duras penas os músculos enrijecidos e assentiu.
— Foi por isso que eu fui ao hospital, e o senhor diretor não atendia o telefone… E não tinha ninguém em casa, e as coisas estranhamente espalhadas por todo lado. Você sabe o quanto eu me assustei?
Tentar explicar a mágoa e o choque que sentiu ao longo daquele dia lhe revirava a boca do estômago.
Sem coragem de encarar Do-Heon, Cheongyeon falou olhando para o queixo dele, forçando a voz.
— Eu estou grávido.
— …….
Não havia como ele não ter ouvido, àquela distância curta, mas Do-Heon não se moveu como uma estátua por vários segundos. Seus lábios fechados também não tiveram o menor movimento.
Cheongyeon tremia tanto que achou que fosse perder o fôlego ali mesmo.
— Fa-fala alguma coi… hng!
No instante em que Cheongyeon, frustrado, abriu a boca primeiro, Do-Heon colidiu os lábios nos dele com urgência, como quem engole suas palavras.
Diante do beijo repentino, os olhos de Cheongyeon se arregalaram. Foi um beijo apressado e intenso, como se lhe tomasse todo o ar.
Mas o calor e os feromônios familiares foram amenizando aos poucos a consciência afiada de Cheongyeon.
— Uhng… hm.
Cada vez que a bochecha de Do-Heon tocava a sua, ele sentia uma umidade, e a sensação era estranha.
A imagem dele perdendo a razão e erguendo a voz mandando que o encontrassem de qualquer jeito, e as lágrimas presas em seus olhos, pareciam perfurar seu campo de visão com nitidez mesmo com os olhos fechados.
— Senhor diretor, o ar… estou sem ar.
— De novo.
— Haa, haa.
— Fala de novo.
— …….
— Hã?
Diante do “estou sem ar”, Do-Heon afastou logo os lábios. E, como uma criança que pede algo, segurou o braço de Cheongyeon e colou o rosto no dele. Uma distância perigosa, como se os narizes fossem se tocar a qualquer momento.
Cheongyeon recuperou o fôlego olhando os lábios de Do-Heon lustrosos de saliva.
— A gente vai ter um bebê. Meu e do Do-Heon-ssi.
— …Mais uma vez.
Do-Heon, insaciável, queria ser confirmado sem parar.
Quando Cheongyeon fechava a boca, ele implorava beijando cada canto de seu queixo, como quem suplica para que ele a abra e fale de novo.
— Hã? Vamos.
— Eu fui ao hospital. Uhm… disseram que é início de gravidez. Então é meu e do Do-Heon-ssi.
— Não consigo acreditar.
Do-Heon murmurou como quem suspira.
— Por que… por que não acredita?
— É que hoje, quando você sumiu de repente, eu achei que tinha acontecido alguma coisa.
Do-Heon franziu o cenho, como se só de pensar já sofresse.
— Fui à sua casa e você não estava, na agência disseram que não sabiam.
— …….
— Da outra vez você chegou a vomitar no meio da refeição. Por isso eu achei que tinha algo errado. Que no fim tinha dado problema por minha causa…
— Disseram que era por causa da gravidez. Eu fiz exames, meu corpo está bem.
— Tem certeza?
Do-Heon devolveu a pergunta mais uma vez.
— Disseram que não tem relação com efeitos colaterais do remédio.
Só então Do-Heon, como se as forças o deixassem, encostou a testa no ombro de Cheongyeon e soltou uma respiração longa. E então o abraçou com força, como quem não aguenta mais.
— Uhng, muito forte…
Alguns segundos depois, Cheongyeon murmurou fazendo manha.
— Ah, desculpa.
Assustado, Do-Heon soltou Cheongyeon e recuou.
E o rosto de Do-Heon, ao encará-lo de novo, estava endurecido. Era uma expressão complexa e sutil, difícil de definir numa palavra.
— …….
— …….
Os dois se olharam em silêncio.
— E agora, o que a gente faz?
Ao fim de um longo silêncio, Do-Heon abriu a boca.
— …….
Cheongyeon mexeu os lábios, mas não emitiu som algum. A decepção fez suas pernas perderem a força e ele quase caiu sentado no chão.
“O que a gente faz”. Sua cabeça girava depressa tentando interpretar o sentido daquilo.
Diante daquela expressão sombria, que fazia o beijo ardente parecer sem valor, seu coração afundou. Ele não esperava vagamente que ele ficasse feliz, mas não imaginava uma reação tão ambígua.
Talvez, do ponto de vista dele, por ser um filho fora do casamento…
— Será melhor preparar as coisas do bebê com antecedência? É muita coisa necessária.
Nesse instante, cortando os pensamentos de Cheongyeon, Do-Heon prosseguiu.
— E, mais que isso, o que se deve comer quando se está grávido? Preciso saber também o que não se pode comer.
— …….
— O que disseram no hospital? Cuidados, remédios a tomar… huu.
Do-Heon parou de falar no meio, soltou de repente uma respiração longa e passou a mão pelo cabelo. E então, como quem nunca despejou palavras em rajada, entrelaçou as duas mãos atrás do pescoço e ficou um tempo sem dizer nada.
— Senhor diretor?
Cheongyeon observava sua reação, sem saber como responder àquela atitude volúvel. Porque era a primeira vez que Do-Heon agia de forma tão imprevisível.
— Antes de tudo, vamos ao hospital.
Ao fim do silêncio, Do-Heon falou como quem decidiu. Ele pegou a mão de Cheongyeon e se virou para a porta.
— Senhor diretor! E-espera. Você quer ir ao hospital agora mesmo?
— Por quê. Não quer?
— Não é isso… É que eu estou muito cansado agora. Quero descansar um pouco.
Achando difícil acompanhar o ritmo apressado de Do-Heon, Cheongyeon o segurou com cuidado. Na verdade, ele também tinha acabado de acordar minutos antes e ainda estava confuso com aquela situação.
— Ah. Então tem que descansar.
Do-Heon concordou rapidamente. E, virando o corpo que apontava para a porta, logo levou Cheongyeon até a cama.
Cheongyeon, que olhava para ele em silêncio, engoliu em seco. Felizmente não havia sinal de desagrado ou incômodo.
— Quer deitar?
Do-Heon perguntou afastando o edredom, e Cheongyeon se enfiou por baixo dele.
Ao encostar a cabeça no travesseiro, seus músculos pareceram relaxar suavemente. A cama, com cheiro de amaciante misturado ao de Do-Heon, era macia e quente.
— Quer que eu traga algo para beber?
— Não. Mais do que isso, eu tenho uma dúvida.
— Qual?
— …Senhor diretor, você está feliz?
Diante da pergunta feita com hesitação, Do-Heon ergueu uma sobrancelha como quem ouviu um absurdo.
— Nem se fala.
— Que alívio…
Só então Cheongyeon sorriu, aliviado.
— E você? Como você está.
— Eu também estou feliz.
— …….
— Mas também estou com medo. O senhor diretor sabe. Era algo que eu queria desde antes, mas agora que… aconteceu de verdade…
— Eu sei.
— Hum…
Como Do-Heon dissera que estava feliz, só então ele ficou completamente tranquilo.
Ele queria explicar seus sentimentos com mais detalhes, mas, ao se deitar na cama, o sono voltou a invadi-lo.
Ele tinha acabado de dormir encolhido no armário e ainda assim sentia que faltava muito sono.
— Cheongyeon-a.
— Senhor diretor, eu vou dormir mais um pouco. Estou com muito sono… E também.
Cheongyeon, que queria dizer mais alguma coisa, agarrou a barra da roupa de Do-Heon, mas, quando ele puxou o edredom até abaixo do seu queixo, ele logo esqueceu o que ia dizer.
Incapaz de resistir ao sono que o invadia loucamente, Cheongyeon apagou como quem desmaia em menos de um minuto.
— …….
Do-Heon contemplou Cheongyeon sem se mover do lugar onde estava sentado.
Sem tempo para desfrutar da alegria pura, ficou confuso por não entender o sentido do que Cheongyeon dissera no fim.
“Senhor diretor, eu vou dormir mais um pouco. Estou com muito sono… E também.”
E também? O que ele ia dizer depois? E agora, o que vai ser de mim?
Não devia ter sido intencional, mas, tendo tido até a ida ao hospital juntos recusada, sua posição ficou ambígua.
Bem, se ele contou de imediato que estava grávido, significa que ele o reconhece como pai da criança. Mas não estava claro se isso significava que ele podia se envolver além disso.
Ou talvez ele tivesse contado no sentido de que ele deveria pagar pensão dali em diante.
De todo modo, se ele tinha vindo até ali, ao menos era certo que havia algo em que ele era necessário…
Se dependesse de sua vontade, ele acordaria o Cheongyeon adormecido para perguntar. O que ele queria dele. E até onde ele podia querer.
Do-Heon ficou muito perturbado com a realidade de não conseguir se alegrar plenamente, mesmo querendo. Cheongyeon, que não tinha como saber de sua aflição, dormia com o rosto mais tranquilo que nunca.
— Droga.
Por que eu, no passado, concedi o divórcio tão facilmente. Eu não devia ter feito isso.
Mesmo lamentando tardiamente e inutilmente, ele não conseguia dizer não a Cheongyeon.
“Já vimos o que era para ser visto e o que não era, vamos acabar com isso. Me dá o divórcio, Do-Heon-ssi.”
Porque ele parecia tão infeliz que, se ele recusasse, era capaz de pular pela janela ali mesmo.
“Agora! Fala agora.”
Ele ainda se lembrava da voz de Cheongyeon daquele dia, gritando com todas as forças e chamando por ele.
No fim, ele teve medo de que daqueles lábios sem cor saísse uma sentença de morte: que ele não amava mais o Moon Do-Heon, que só restava ódio e mágoa.
Na época, ele achou melhor soltá-lo antes de receber um ódio levado ao extremo. Estava convicto de que, se Cheongyeon quisesse, deixá-lo ir era o melhor; mas, com o passar do tempo, ele não conseguia se livrar do arrependimento de ter sido precipitado demais.
Se naquele dia ele tivesse se ajoelhado e implorado perdão. Se ao menos tivesse perguntado o motivo, talvez não tivesse voltado a esse ponto.
— Huu.
Do-Heon expeliu uma respiração curta e apressada. Em algum momento ele esqueceu de respirar, e o fôlego ficou pesado. Toda vez que remoía o passado era assim.
Enquanto brincava com o edredom que cobria Cheongyeon, Do-Heon ergueu de repente a cabeça e examinou seu próprio quarto.
Pensando bem, o quarto estava um caos. E não só ali: a sala também. Desde a manhã daquele dia, ele estava se preparando para a viagem e saiu correndo, sem tempo de arrumar a casa.
Diante da notícia de que o irmão de Cheongyeon estava envolvido num problema, ele não só não limpou a casa como teve de adiar a viagem já agendada. Como a matéria já tinha subido, ele julgou que, se não a barrasse na hora, a coisa poderia crescer.
“Hoje de manhã eu estava muito mal do estômago… Eu fui ao hospital… hng. Fui e fiz exames… hng. Mas o Do-, o Do-Heon-ssi não estava em casa…”
E, no meio desse processo apressado de abafar o caso, dessa vez Cheongyeon sumiu como por encanto. E ainda perdeu contato no meio de uma fala dessas.
Ao ouvir que ele fora ao hospital por estar mal, seu coração afundou num instante. Foi uma sensação terrível, como se todo o sangue de suas veias escorresse até seus pés.
E, depois que a ligação caiu e ele não conseguiu achar Cheongyeon em lugar algum, sua memória do que fez em seguida ficou nebulosa. Como se sua consciência tivesse sido cortada.
— Uhm…
Do-Heon, mergulhado em pensamentos, despertou com o som de Cheongyeon se remexendo. E se deu conta de novo de que a casa estava suja.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna