↫─Capítulo 193
Ele reuniu toda a concentração possível para tentar sentir mais aquele feromônio tênue. Então a ansiedade pareceu se acalmar aos poucos.
Mas aquilo ainda lhe parecia insuficiente. Mesmo cansado, Cheongyeon não conseguiu adormecer de imediato e abriu os olhos de novo.
Descendo da cama e entrando no closet aberto, sentiu um feromônio alfa mais intenso. Era como se Do-Heon estivesse por perto.
Só então sua cabeça, agitada por pensamentos negativos, silenciou por completo.
Já que estava no closet, Cheongyeon abriu por completo a porta do armário cheio de roupas de Do-Heon. Ao mesmo tempo, um feromônio de concentração densa veio de uma vez.
Devia ser impressão, mas a dor de cabeça e o enjoo pareceram aliviar. E respirar ficou muito mais fácil.
Isso. Vou esperar aqui.
Tendo decidido isso, Cheongyeon se enfiou aos poucos dentro do armário e se acomodou. Ele achou que ficaria desconfortável dobrar o corpo ali, mas foi mais confortável do que imaginava.
Antes de tudo, era bom que o feromônio de Do-Heon estivesse impregnado por todos os lados. Estranhamente, ali era muito mais tranquilizador que a cama macia em que ele estava deitado pouco antes.
Enfim os nervos afiados relaxaram e o sono o invadiu.
Cheongyeon piscou devagar e logo enterrou a cabeça nos joelhos. Sem que percebesse, as lágrimas também não vinham mais.
O sono que o invadiu de repente adormeceu rapidamente sua consciência.
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Cheongyeon abriu os olhos com o barulho vindo de fora. Mas seu campo de visão era só escuridão.
Sentindo algum desconforto, ainda meio adormecido, Cheongyeon se mexeu para mudar de posição.
Tum.
— Ai.
E bateu a cabeça em algo duro como uma parede. Com a dor surda que se espalhou pela nuca, ele despertou de vez.
— Ah, é mesmo.
Cheongyeon percebeu com um compasso de atraso que tinha entrado no closet de Do-Heon e adormecido ali no armário.
Quanto tempo será que passou?
Cheongyeon massageava a cabeça latejante e ia sair quando aconteceu.
— Se não tivesse acontecido nada, não haveria como ele estar incomunicável até agora!
A voz afiada de Do-Heon escorreu para dentro de seu ouvido. Falando com alguém ao telefone, ele andava pelo quarto pisando forte.
Encolhido no armário, Cheongyeon aguçou a audição, surpreso.
Como ele nunca vira Do-Heon andar com tanta fúria, no começo achou que fossem passos de outra pessoa.
Mas, pela voz e pelos sinais de presença, parecia haver apenas Do-Heon no quarto.
— Aconteça o que acontecer, encontrem o Cheongyeon ainda hoje. Vasculhem registros de exames, vasculhem as câmeras…! Haa.
Mas, ouvindo a conversa, parecia haver um enorme mal-entendido acontecendo.
— Ele disse claramente que foi ao hospital, então deve estar mal. Se for um problema por efeito colateral como da última vez, ele não pode ter ido longe. Mandem ligar de novo para os prontos-socorros dos hospitais de Seul, desde o início. Eu continuo tentando contato, então que a equipe de segurança rastreie a localização antes que piore.
Ele não sabia quanto tempo dormira ali, mas nesse meio-tempo Do-Heon aparentemente achou que ele tinha desaparecido.
— Me acalmar, nesta situação? Que motivo teria uma pessoa doente para desligar o telefone? Ele com certeza desmaiou em algum lugar…
Desmaiou? Eu?
— Do-Heon-ssi…?
Tendo compreendido mais ou menos a situação ao ouvir por acaso a ligação de Do-Heon, Cheongyeon concluiu que aquilo não podia continuar.
Quando empurrou a porta do armário e se ergueu, Do-Heon, que andava pisando forte do lado de fora do closet, silenciou, como se tivesse ouvido a voz.
— Do-Heon-ssi.
Cheongyeon esticou o corpo dobrado e chamou Do-Heon de novo. Então, com um estrondo, a porta fechada do closet se abriu de par em par.
Diante da porta ele viu Do-Heon, aturdido, com o celular na mão.
Cheongyeon se ergueu por completo para se aproximar dele.
— Ha.
Vendo aquilo, Do-Heon soltou um riso vazio.
— Agora eu estou vendo coisas.
Ele murmurou com voz rachada, ainda segurando o celular.
— Do-, Do-Heon-ssi, você está chorando?
Ao notar que os olhos de Do-Heon estavam molhados, Cheongyeon se assustou por dentro. Ele mesmo estava tão confuso que chegou a se perguntar se não era ele quem estava vendo coisas, tendo acabado de acordar.
Cabelo desgrenhado, gravata com o nó completamente desfeito, mal pendurada no pescoço, camisa amassada, olhos úmidos…
Ele estava ali com uma aparência que, se visto na rua, seria confundido com a de um louco; era difícil acreditar que aquele fosse o Do-Heon que ele conhecia.
— Yoo Cheongyeon?
Do-Heon chamou o nome de Cheongyeon com a voz rouca. Com os olhos arregalados, examinou Cheongyeon de cima a baixo como quem viu um fantasma.
— Você, por que… está aqui. Eu te procurei tanto. Você esteve neste quarto esse tempo todo?
Cheongyeon assentiu lentamente, sem conseguir desviar os olhos do rosto de Do-Heon.
— …….
— …….
— Se-senhor diretor. Senhor diretor?
Uma voz desconcertada ressoou no celular que Do-Heon segurava. Só então Do-Heon se lembrou de que estava numa ligação até pouco antes.
— Encontrei o Cheongyeon. Pode ir para casa.
Ele encerrou a ligação unilateralmente sem sequer ouvir a resposta do interlocutor. E se aproximou rapidamente de Cheongyeon, abraçando-o com força contra o peito.
— Hng.
Diante da pressão repentina apertando seu corpo, Cheongyeon soltou um gemido. O calor em contato era muito quente. Alguns segundos depois, Cheongyeon também estendeu os braços e o abraçou de volta.
Foi o instante em que a confusão e a preocupação que o atormentavam pouco antes se dissolveram como se tivessem sido lavadas.
— Por que você desligou o telefone? Você disse que estava mal. Desde quando você está aqui? Não me diga que você desmaiou?
Pouco depois, afastando Cheongyeon do peito a duras penas, Do-Heon segurou seu rosto com as mãos e o interrogou.
— U-uma pergunta de cada vez. Mais cedo eu vim para cá e a casa estava toda desarrumada… e não havia ninguém. Como você não atendia, eu liguei para o secretário Shim… e ele disse que não podia dizer onde você estava. Aí eu esperei aqui e acabei dormindo.
Cheongyeon explicou sua situação com a maior calma possível a Do-Heon, que disparava perguntas como se fosse ficar sem ar. Mas, como ainda estava meio zonzo, as palavras não saíam fluidas e ficavam cortadas.
Ele movia a boca com afinco, mas na verdade ainda estava chocado com o fato de Do-Heon ter chorado e sua cabeça continuava em branco. Mesmo vendo com os próprios olhos, ele não conseguia acreditar.
— Dei folga aos empregados. E não deu tempo de limpar a casa porque de manhã, enquanto eu me preparava para viajar a trabalho, soube da notícia sobre o seu irmão e saí às pressas.
— Viagem? Para onde você ia? Por quantos dias?
Cheongyeon agarrou a gola de Do-Heon, aflito. Ele estranhou a menção ao irmão, mas naquele momento a palavra “viagem” o incomodava mais.
— Para Taiwan. Se os horários batessem, era uma agenda de voltar no mesmo dia ou, no máximo, em um dia. No fim eu não fui.
— V-você não ia se transferir para a filial no exterior?
— …Filial no exterior?
Diante da pergunta aflita de Cheongyeon, Do-Heon inclinou a cabeça como quem não entende do que se trata.
— Deixando você? …Por que eu faria isso?
Depois de um breve silêncio, Do-Heon devolveu a pergunta como quem não compreende.
— Tinha documentos de análise da filial americana na sua escrivaninha…
— Claro que é preciso analisar. Não sou eu que vou, é preciso enviar gente daqui.
— Ah.
— Claro que eu terei de viajar algumas vezes pessoalmente, mas não há nenhuma possibilidade de eu me transferir de filial.
— Ah… entendi. …Que alívio.
Diante da resposta firme de Do-Heon, Cheongyeon murmurou com um riso vazio.
Mas, ao contrário de Cheongyeon, a expressão de Do-Heon continuava endurecida.
— Agora me conta. Que história é essa de ter ido ao hospital? Você está mal por causa dos efeitos colaterais como da última vez? O que está doendo e como?
— Isso…
— Se você concordar, dá para internar agora mesmo e começar o tratamento, Cheongyeon-a.
Como Do-Heon falava de forma tão combativa, como quem pressiona, Cheongyeon não teve coragem de explicar de forma organizada o que acontecera naquele dia.
Depois de ponderar como contar, Cheongyeon acabou tirando do bolso a foto do ultrassom que guardara ali.
Ela devia ter amassado dentro da roupa enquanto ele dormia, porque estava com um canto dobrado. Cheongyeon desdobrou a parte amassada, contrariado, e mostrou a foto a Do-Heon.
— …Hoje eu fui ao hospital e recebi isto.
A voz de Cheongyeon tremia irremediavelmente ao confessar.
Por um lado era um alívio finalmente falar; por outro, ele estava com medo, sem saber que reação Do-Heon teria. Sua boca secou e o coração bateu tão rápido que o estômago voltou a revirar.
Cheongyeon controlou como pôde a expressão tomada pela emoção e ergueu os olhos para Do-Heon.
— …….
— …….
Ao receber a foto, Do-Heon apenas ficou olhando para ela em silêncio por um bom tempo. Era difícil distinguir se sua expressão era de alegria, de surpresa ou de outra natureza.
Quanto tempo teria passado assim? Ao fim de um silêncio longo e pesado, Do-Heon conseguiu a duras penas abrir a boca.
— É cân… cer?
— Você enlouqueceu mesmo? Câncer, falando de um bebê!
Sentindo o sangue subir num instante, Cheongyeon deu um tapa no ombro de Do-Heon sem perceber. Ele quase deu um soco, e mesmo aquilo ele conteve a duras penas.
Depois de tanta espera, a primeira frase que ouviu foi “é câncer?”.
Sem entender a reação afiada de Cheongyeon, que se irritou de uma vez, Do-Heon observou a foto de novo, com atenção.
— Haa.
Um suspiro escapou da boca de Cheongyeon ao observá-lo. Era um mistério como uma pessoa tão inteligente não conseguia entender de primeira uma coisa tão simples.
Congelado como quem esqueceu de falar, Do-Heon olhou alternadamente para Cheongyeon e para a foto.
— Bebê?
Diante da palavra “bebê” saindo enfim da boca de Do-Heon, Cheongyeon estremeceu.
Sem saber que reação ele teria em seguida, sua boca secou. Com a tensão extrema, suas mãos pareciam suar.
— Você está…grávido?
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna