↫─Capítulo 192
— Secretário Shim! Onde está o Do-Heon agora?
— Do que está falando de repente…
— Não consigo contato com ele. Vim até a casa e não tem ninguém, a sala e o quarto estão uma bagunça, então pensei que talvez tivesse acontecido algo.
Antes que o Secretário Shim terminasse de falar, Cheongyeon acrescentou apressadamente o motivo da ligação.
Mas, em vez de uma resposta imediata, um silêncio estranho se instalou.
— …
— Secretário? Alô?
Achando que a bateria tinha acabado e a ligação caído, Cheongyeon checou apressadamente a tela. Felizmente, a ligação ainda estava conectada.
— O diretor está atualmente fora, em um compromisso externo.
— Então, poderia pedir para ele me ligar agora?
— Não acho que consiga transmitir isso imediatamente, mas assim que eu o encontrar, vou avisá-lo. Pode levar… mais tempo que o normal até que eu consiga informar.
Assim que o encontrar? Não estava com Do-Heon?
A voz do Secretário Shim era impecavelmente educada, mas, diferente do normal, havia uma estranha sensação de distância.
Quanto trabalho ele tinha, afinal, para demorar tanto até só transmitir uma mensagem? Isso já tinha acontecido antes? A voz dele hoje estava carregada de algum significado oculto.
— Precisa de mais alguma coisa?
— Mas, o Do-Heon, quer dizer, o diretor, onde exatamente ele está agora?
— Recebi instruções do diretor para manter sigilo sobre a localização.
Em resposta à objeção de Cheongyeon, o Secretário Shim, escolhendo as palavras com cuidado, respondeu um pouco atrasado.
Mas, do ponto de vista de Cheongyeon, mesmo essa resposta era difícil de aceitar.
Por que não podia contar onde ele estava? Será que ele estava em algum lugar que não deveria estar?
Em sua mente, já flutuava vividamente a cena de Do-Heon arrumando a mala e partindo para o exterior.
Mas isso não podia ser verdade. A mala que ele levava em viagens de negócios estava guardada intacta no closet.
— Então por que é segredo? O Do-Heon está na Coreia agora, não está?
— Sinto muito, Cheongyeon-nim. Isso também não posso dizer.
Diante da firmeza do Secretário Shim, Cheongyeon ficou sem palavras. Enquanto abria e fechava a boca sem saber como interpretar isso, o Secretário Shim acrescentou.
— Estou em horário de trabalho, então não vou conseguir continuar essa ligação. Se precisar de mais alguma coisa, por favor, me mande uma mensagem. Então, tenha um bom dia.
— O quê, agora o que…? Alô? Secretário Shim?
Cheongyeon olhou, incrédulo, para o celular que tinha sido desligado unilateralmente.
— …O que é isso. Por que só eles sabem e eu fico de fora?
Diante da injustiça que subia dentro de si, ligou de novo para o Secretário Shim, mas a ligação foi cortada imediatamente.
Seria melhor se ele dissesse claramente que estava ocupado. A atitude suspeita de hoje só aumentava sua inquietação. E, justamente com a pessoa que mais queria ver, Do-Heon, não conseguia contato…
Cheongyeon, tomado por um cansaço repentino, se sentou na cama de Do-Heon.
Estava deprimido sem saber o que estava acontecendo. Sentia-se ridículo por ter corrido até ali tão feliz assim que ouviu o resultado no hospital.
Moon Do-Heon, será que ele realmente vai deixar a Coreia?
Um pensamento sombrio cruzou sua mente e, involuntariamente, franziu as sobrancelhas.
— Se for isso, eu realmente vou te matar, Moon Do-Heon.
Cheongyeon murmurou sombriamente. Depois de culpar Do-Heon, que estava desaparecido o dia inteiro, acabou tirando do bolso a foto da ultrassonografia e ficou olhando para ela em silêncio.
Diante dessa situação, começou a duvidar se Do-Heon ficaria feliz como ele mesmo tinha ficado ao saber da gravidez.
Recentemente tinha recebido uma declaração, mas, de qualquer forma, agora eram completamente estranhos um para o outro. Além disso, havia inúmeros negócios no exterior que ele cobiçava.
“Às vezes, o Do-Heon, diferente do que parece, é meio descuidado, sabe. Se casar com alguém assim e tiver um recessivo, o que ele vai fazer então…”
Talvez por estar deprimido, de repente veio à mente o que Moon Heejin tinha dito, provocando-o, quando se casaram pela primeira vez.
As palavras de Moon Heejin não estavam erradas. Como seu próprio caráter genético era recessivo, era possível que a criança seguisse o mesmo padrão… Sabia muito bem como a sociedade enxergava os recessivos. Será que Do-Heon realmente aceitaria de bom grado uma situação assim?
Afinal, o motivo pelo qual ele queria um filho era por causa da posição de herdeiro da empresa. Se a criança, conseguida com tanta dificuldade, tivesse um caráter recessivo, talvez ele não recebesse isso com tanto entusiasmo.
— Ah… por que eu vim até aqui, afinal.
Quando a alegria pura se dissipou e ele encarou racionalmente a realidade em que se encontrava, seu peito ficou apertado.
Será que deveria se preparar mentalmente um pouco mais antes de contar a Do-Heon?
Nesse momento, enquanto Cheongyeon estava perdido nesses pensamentos, sua visão de repente começou a piscar.
Assustado com a luz, Cheongyeon ergueu a cabeça. O celular, que tinha colocado no modo silencioso para ignorar a ligação do irmão mais cedo, estava recebendo uma chamada.
Pensando que talvez fosse o irmão de novo, conferiu quem era e viu o nome que esperava o tempo todo.
Cheongyeon, sem perceber, se levantou de um salto da cama e atendeu.
— Alô? Do-Heon?
— Cheongyeon-ah. Disseram que você ligou.
Podia ser impressão sua, mas a voz de Do-Heon que saía do alto-falante soava particularmente carinhosa.
Segurando a foto da ultrassonografia na mão, Cheongyeon, com um nó na garganta, não conseguiu responder nada e só engoliu em seco.
— Hoje estive ocupado com trabalho e não consegui ligar de volta antes. Aconteceu alguma coisa? Ouvi dizer que você ligou também para o Secretário Shim.
— …
— Cheongyeon-ah? Está tudo bem?
Do-Heon, sem saber que Cheongyeon tinha acabado de passar por céu e inferno, estava incrivelmente carinhoso. Ao ouvir a voz calma que dizia seu nome, tristeza e alívio invadiram Cheongyeon ao mesmo tempo, e seus olhos ficaram quentes instantaneamente.
— Yoo Cheongyeon? Não me diga que aconteceu algo…
— Hoje, desde a manhã, meu estômago estava muito ruim… Fui ao hospital… Fiz exames também… hic. Mas o, o Do-Heon, não estava, em casa…
Assim que abriu a boca, o choro e as palavras que tinha guardado saíram de forma desordenada, sem parar.
Ouviu Do-Heon engolir em seco apressadamente do outro lado da linha.
— Do que você está falando? Foi ao hospital? Que exames? Onde você está sentindo dor?
— Não fiz exame porque estava com dor… Não, huh. Fiz exame porque estava com dor, isso é verdade também… hic. …A, alô?
Antes que conseguisse responder direito, o celular de repente desligou.
Surpreso, Cheongyeon bateu na tela que tinha ficado preta. Apertou o botão de energia por um bom tempo, mas, parecia que a bateria tinha acabado de vez, e o celular não voltava a acender.
Assim que a chamada foi interrompida antes mesmo de conseguir dizer a parte mais importante, a emoção que tinha conseguido reprimir com dificuldade explodiu.
— Merda, o que é isso. Justo agora… hic. Nada dá certo pra mim. Uaaah.
Cheongyeon, murmurando xingamentos, se sentou pesadamente na cama. E jogou no chão o celular que tinha desligado teimosamente no momento mais importante.
Bum!
Só queria desabafar e tinha jogado de leve, mas o celular rolou muito mais longe do que esperava. Além disso, deslizando como se estivesse provocando Cheongyeon, foi parar embaixo da mesa.
— Droga… que raiva…
Cheongyeon encarou o lugar para onde o celular tinha rolado, chorando.
Bastava ir buscar, mas naquele momento não tinha energia nem para mover um dedo.
Se estivesse em seu juízo perfeito, teria pegado o carregador que tinha visto na sala e carregado o celular, mas, no momento, nem esse pensamento simples estava funcionando.
O alívio de ter conseguido contato com Do-Heon durou pouco, e a solidão de estar sozinho de novo fez Cheongyeon morder o lábio inferior repetidamente.
Em seguida, uma dor de cabeça começou a invadi-lo, e Cheongyeon apoiou a mão na testa. Parecia estar com um pouco de febre. E os sintomas incômodos que tinha esquecido, distraído pela ligação, começaram a se manifestar novamente.
Fazia sentido, já que tinha ido ao hospital com Kim Jihan sem comer nada, se movimentado intensamente e até chorado — seria mais estranho estar bem naquele estado.
Não sabia mais como as coisas estavam se desenrolando. Confirmou que Do-Heon ainda não tinha deixado a Coreia, mas isso não o tranquilizou nem um pouco. Pensando bem, nem sabia onde ele estava naquele exato momento.
Ver o Secretário Shim agir tão estranhamente também era prova de que algo estava acontecendo. Do contrário, não haveria malas meio arrumadas espalhadas por toda a casa daquele jeito.
— Haa.
Cheongyeon se apoiou na cama e se levantou cambaleando, caminhando até a entrada do closet. Encarou a mala de Do-Heon ali colocada e, então, esfregou os olhos com as costas da mão. Mesmo tentando parar, a tristeza continuava tomando conta dele repetidas vezes.
Pensando bem, agora ele não tinha nenhuma relação especial com Do-Heon. Não estavam namorando, muito menos eram amigos — eram apenas um casal divorciado.
Do-Heon tinha se declarado, mas o coração das pessoas podia mudar a qualquer momento. Como Moon Heejin havia dito, talvez ele tivesse decidido que seria mais produtivo expandir os negócios no exterior do que ficar perseguindo alguém na Coreia.
Na verdade, isso combinava mais com o Do-Heon que Cheongyeon conhecia.
“Eu te amo, Yoo Cheongyeon.”
A declaração que Do-Heon tinha feito em Nova York ecoava em seus ouvidos como um resquício de arrependimento.
— Hic… devia ter, respondido mais cedo… uhh.
Cheongyeon murmurou, enxugando as lágrimas que continuavam escorrendo pelo rosto sem que pudesse controlar.
Ainda gostava tanto assim dele. Nunca imaginou que descobriria, dessa forma, que todo o esforço que fez para tentar esquecê-lo tinha sido em vão.
Desde que soube da gravidez até chegar até ali, vindo do hospital, estava indescritivelmente feliz. Mas, no momento, tudo o que estava diante dele parecia instável e sufocante.
Segundo o médico, durante a gravidez o humor podia oscilar intensamente. Ficou se perguntando o que faria se todos os dias fossem assim ansiosos como hoje.
As lágrimas que caíam sem parar dos olhos de Cheongyeon só cessaram depois de um longo tempo. Por causa do esgotamento, parecia que não havia mais lágrimas para sair.
Assim que sua respiração se estabilizou, Cheongyeon começou a observar novamente, com calma, o quarto de Do-Heon. E relembrou a ligação, tão curta, que tinha tido com ele.
Não tinha conseguido dizer o que queria, mas, de qualquer forma, o importante era que por um instante tinham conseguido contato. Então decidiu esperar até que Do-Heon voltasse para casa.
Cheongyeon guardou cuidadosamente no bolso a foto da ultrassonografia que segurava com força na mão, para que não amassasse. Deitou o corpo exausto na cama e, ao fechar os olhos, sentiu o feromônio de Do-Heon impregnado por toda a cama e pelo quarto.
🎬 ∙ ∙ ∙ 🎥 ∙ ∙ ∙ 🎭
Continua….
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna