↫─Capítulo 191
Se não conseguia contato, bastava ir pessoalmente. Poderia esperar algumas horas se fosse necessário, mas, naquele momento, não queria desperdiçar nem esse curto período de tempo.
— Uugh.
Cheongyeon, que havia entrado no táxi com toda a determinação, franziu a testa sem perceber assim que se sentou, incomodado pelo cheiro desagradável que estimulava seu olfato. O feromônio de outras pessoas impregnado por todo o interior do carro também lhe parecia particularmente perturbador.
Normalmente, seria um feromônio tão fraco que nem daria atenção, mas agora era quase insuportável.
Será que deveria ligar para o empresário agora mesmo e pedir para vir buscá-lo?
Por um instante, hesitou, mas o processo de sair do táxi em que já estava e esperar o empresário parecia trabalhoso demais. Cheongyeon decidiu que, já que tinha entrado, seria mais eficiente seguir direto até a empresa.
O cheiro incômodo e o feromônio poderiam ser resolvidos abrindo a janela e ventilando.
— Para onde vamos?
O motorista, percebendo pelo espelho que Cheongyeon não dizia nada mesmo depois de o carro ter partido, perguntou. Só então Cheongyeon se lembrou do destino.
— Para o prédio da JT Eletrônicos em Gangnam, por favor.
— Agora deve estar quase acabando o horário de almoço, então essa área vai estar super congestionada. Provavelmente vai demorar mais que o normal.
O motorista digitou o destino no navegador e virou o volante. Ao mesmo tempo, Cheongyeon voltou a ficar em dúvida.
Se o trânsito estivesse congestionado, precisaria ficar mais tempo no táxi, e, naquele momento, só de ficar sentado respirando já sentia o estômago embrulhado. Tinha deixado a janela aberta, mas, como usava máscara e boné para não revelar o rosto, não parecia que estava tendo muito efeito de ventilação.
Além disso, mesmo que fosse direto para a empresa agora, não havia garantia de que conseguiria encontrar Do-Heon. E se, por causa de algum compromisso externo, Do-Heon não estivesse na empresa?
— Motorista, o caminho para Cheongdam-dong também está congestionado?
— Cheongdam? Comparado com Gangnam, onde fica o prédio da JT Eletrônicos, esse bairro geralmente está bem tranquilo nesse horário.
— Então vamos para lá, por favor.
Pensando que seria melhor ir primeiro para a casa de Do-Heon e esperar, Cheongyeon mudou de direção. De qualquer forma, faltavam apenas algumas horas para o fim do expediente, então seria mais fácil conversar em casa.
Cheongyeon deu ao motorista o endereço da casa de Do-Heon e voltou a checar o celular.
Não havia notícias de Do-Heon, que esperava ansiosamente, apenas as ligações irritantes do irmão se acumulando. Por causa do que Kim Jihan tinha dito antes, aliado às ligações do irmão, sentia-se incomodado sem querer.
Mas não estava realmente preocupado. Não sabia quem era o cantor de quem Kim Jihan falava, mas tinha certeza de que, pelo menos, não era sobre sua própria família. Cheongyeon conhecia bem sua família.
O irmão, apesar de tudo, era covarde demais publicamente para cometer golpes. E, mais do que qualquer um, valorizava demais sua própria reputação.
Alguém que vivia sem a menor dúvida de que se tornaria diretor de um grande hospital particular jamais usaria o nome do irmão mais novo e inferior, Yoo Cheongyeon, para dar golpes.
O pai também, por mais egoísta que fosse, não tinha coragem suficiente para causar um conflito legal com alguém. Antes de cometer um golpe, era mais provável que ele mesmo fosse enganado…
Cheongyeon observava vagamente a paisagem que mudava rapidamente lá fora e soltou um suspiro. Com o estado físico ruim, e ainda tendo que lidar com a ligação do irmão em um momento inoportuno e com problemas de agenda já marcados, sua mente estava agitada.
Mas, mais do que se preocupar com essas coisas triviais, naquele momento queria simplesmente ver Do-Heon. Justamente por não conseguir contato num momento tão importante, sentia a ansiedade aumentar ainda mais.
— Jovem. É aqui mesmo? Nossa, o muro é bem alto. Parece até um lugar de gravação de dorama.
O que despertou Cheongyeon, perdido em seus pensamentos, foi a voz do motorista anunciando a chegada.
Cheongyeon conferiu o prédio familiar visível pela janela e assentiu.
— É aqui mesmo. Obrigado.
Depois de pagar e sair do táxi, o mal-estar que sentia começou a diminuir aos poucos. Tirando a máscara por um momento e respirando o ar limpo, Cheongyeon apertou a campainha em frente ao portão.
Mas, mesmo depois de um bom tempo, não houve resposta. Cheongyeon fitou o interfone silencioso e apertou a campainha mais uma vez.
Ainda assim, nenhuma resposta.
Achando estranho que ninguém abrisse a porta, Cheongyeon conferiu as horas.
Será que não havia ninguém dentro? Ainda era cedo demais para os funcionários saírem do trabalho.
— Bom, não tem jeito então…
Cheongyeon, como sempre fazia, digitou a senha com toda naturalidade e abriu a porta pessoalmente. Ao entrar no jardim, a paisagem ampla se revelou diante de seus olhos.
O jardim parecia igual a antes. A grama não tinha nem mato crescendo, e as árvores, podadas havia pouco tempo, mantinham contornos nítidos.
Mas por que não havia ninguém trabalhando? Especialmente os funcionários da cozinha e da limpeza deveriam estar bastante ocupados circulando pela casa a essa hora. Será que não ouviram a campainha?
Enquanto caminhava olhando ao redor, Cheongyeon acabou chegando à porta da frente.
Achando incômodo até bater na porta, ele digitou a senha e entrou direto. O primeiro que viu foi a sapateira vazia.
— Não tem ninguém?
O interior estava estranhamente silencioso.
Cheongyeon tirou os sapatos com cuidado e atravessou o corredor devagar.
— …
Assim como o jardim, ele achava que o interior da casa também estaria como sempre, mas essa expectativa foi completamente frustrada.
Quanto mais avançava para dentro, mais a expressão de Cheongyeon foi se enrijecendo.
— Han…?
O primeiro a chamar sua atenção foi a paisagem desarrumada da sala. O tapete no chão estava com as pontas viradas, e sobre o console havia garrafas de água, pratos e um carregador espalhados.
O vaso na estante da sala, onde sempre havia flores frescas, hoje estava vazio. Até as frutas que costumavam ficar na mesa não estavam à vista. Algumas cadeiras e livros também estavam fora do lugar.
Nunca tinha visto essa casa tão bagunçada até agora, então os objetos desordenados diante de seus olhos pareciam estranhos.
— Do-Heon? Senhora?
Levantou a voz para chamar alguém, mas nenhuma resposta veio. Não havia sinal de presença de ninguém em lugar algum da casa.
Depois de parar por um instante e olhar diligentemente ao redor, Cheongyeon tentou ligar novamente para Do-Heon. Mas ainda assim não houve resposta.
Desistindo da chamada, Cheongyeon, tentando se convencer de que não era nada sério, subiu rapidamente para o andar de cima.
— Do-Heon, você está aqui?
A situação no segundo andar era a mesma. Ao abrir a porta do quarto de Do-Heon e entrar, roupas desarrumadas estavam espalhadas sobre a cama e a cadeira. A mesa também estava desordenada com documentos espalhados.
— Isso é…
Por que não havia ninguém? Não conseguia contato com Do-Heon, e a casa estava um caos.
Por um instante, chegou a suspeitar que talvez tivesse entrado um ladrão, mas os objetos caros espalhados por toda parte estavam todos intactos.
Observando repetidamente a cena inexplicável do quarto, Cheongyeon se aproximou da mesa. Pegou aleatoriamente um dos documentos amontoados de forma desordenada sobre ela.
— Plano de Estudo de Viabilidade e Master Plan para o Negócio da JT Eletrônicos na União Europeia
— Documentos de visto de saída do país
À primeira vista, eram documentos para um negócio no exterior. E um visto de saída.
Enquanto olhava vagamente para esses papéis, na mente de Cheongyeon, de repente, surgiram as palavras que Moon Heejin tinha dito na sala de espera.
“Já se espalhou que você logo vai se transferir para a filial no exterior, então que vento foi esse que fez você brincar de acompanhante de ator?”
“Não me diga que, com esse seu jeito, você vai abrir mão desses ótimos resultados só pra ficar seguindo o Yoo Cheongyeon o dia inteiro.”
Tinha uma certa confiança de que as palavras de Moon Heejin não eram verdade. Mas, ao ver a realidade diante dos olhos, o medo começou a se instalar. O quarto de Do-Heon parecia, aos olhos de qualquer um, um quarto de alguém arrumando as malas para partir.
Sentindo o estômago revirar a ponto de dificultar a respiração, Cheongyeon correu em direção ao closet. Nem precisou abrir a porta — pela fresta entreaberta, uma mala meio arrumada estava largada ali.
— …É verdade mesmo.
Isso não podia ser verdade.
A confiança se transformou em dúvida com a facilidade de virar a palma da mão.
Naquele momento, o pensamento de que talvez as palavras de Moon Heejin fossem verdade começou a se espalhar como uma onda, com atraso.
Cheongyeon fechou e abriu os olhos repetidas vezes. Mas a paisagem à sua frente permanecia inalterada, exatamente como quando entrou.
Até pouco antes, estava animado pensando em contar a Do-Heon sobre a gravidez. O sentimento inflado despencou instantaneamente.
Reprimindo a emoção sombria que subia dentro de si, Cheongyeon voltou a ligar para Do-Heon. De novo, não conseguiu contato.
Tentou apertar o botão de chamada insistentemente várias vezes seguidas, mas toda vez caía direto na caixa postal.
— Isso não faz sentido.
Por mais que Do-Heon gostasse de trabalhar, partir de repente para o exterior sem dizer uma palavra não era do feitio dele. Se pensasse racionalmente, era grande a chance de tudo isso ser um mal-entendido.
Então, Cheongyeon tentou se convencer de que não havia necessidade de ficar tão ansioso.
Mas essa autossugestão não foi capaz de fazer suas mãos pararem de tremer.
Enquanto observava, com o corpo rígido, o ícone da bateria na tela, que tinha virado vermelho, Cheongyeon mudou de ideia e se lembrou do Secretário Shim.
Isso mesmo. Se não conseguia contato com Do-Heon, bastava ligar para o Secretário Shim. Por que tinha esquecido da existência dele até agora? Devia ter ficado tão chocado que seu cérebro travou momentaneamente.
Repreendendo a si mesmo por agir de forma tão tola, Cheongyeon ligou imediatamente para o Secretário Shim.
— Sim, Cheongyeon-nim.
Ele atendeu antes mesmo de terminar o primeiro toque de chamada.
Ah, que alívio.
Uma profunda sensação de alívio o invadiu ao ouvir a voz familiar do outro lado da linha.
Cheongyeon, animado, apertou o celular com força.
— Secretário Shim! Onde está o Do-Heon agora?
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna